LIBERDADE AQUI!

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Posts Tagged ‘PRESIDENTA DILMA’

O compromisso com o Brasil. Expurgando a turma da roda presa

Posted by Liberdade Aqui! em 04/06/2011

 

 

 

 

Agenda positiva para Dilma é essa: falar o que pensa

 

Do Tijolaço

Posto aí em cima o ótimo trabalho de edição do Blog Amigos do Brasil, no qual o Zé Augusto faz um compacto de 13 minutos da fala da Presidenta Dilma Rousseff ontem, no lançamento da plataforma P-56 da Petrobras, em Angra dos Reis(*).

Na fala de Dilma, os princípios, as estratégias e os compromissos de seu Governo são afirmados de maneira muito clara.

Quando se ouve a Presidenta, cai por terra toda a onda de propaganda que se faz na mídia.

O que ela fala, você vai ouvir no vídeo, não é preciso que eu repita aqui.

Mais importante é como ela fala.

Não é um discurso escrito.

Não é uma tese, nem uma lista de dados numéricos.

É a alma de uma brasileira, que ama este país e ama seu povo.

Não é uma entrevista algo gaguejada, planificada, treinada e inconvincente.

É o coração, a dignidade, o pensamento.

Quando, no final da campanha eleitoral do ano passado, a direita levantou a cabeça, foi com isso que Lula e Dilma a derrotaram: comunicação com o povo.

Para dizer: nós somos isso; eles são aquilo.

Não vou discutir técnicas de comunicação. Não tenho a “competência” de “casar” a agenda de um grande acontecimento como este com um evento como a entrevista de Palocci ao Jornal Nacional, para que ela receba apenas 15 segundos na televisão.

Nem para marcar para o mesmo dia o anúncio do lançamento da segunda etapa do “Minha Casa, Minha Vida”, com a construção de dois milhões de moradias.

A comunicação do Governo não pode ser entregue aos “especialistas”. Ela é uma atividade política e tem de ter direção política.

Se não for assim, Dilma não falará o que pensa, nem como pensa, nem mostrará a grande e preparada mulher que é.

A nossa força, a nossa arma é a verdade. É o que desejamos e fazemos pelo povo brasileiro. Por este conjunto de terra e gente que se chama Brasil.

* Elogio o trabalho do Zé Augusto porque ele faz o que a estrutura de comunicação da Presidência da República não faz. Burocraticamente, colocam na internet uma simples cópia da gravação “bruta“. Dura mais de uma hora. Logo, não vai ser assistida, nem reproduzida nos sites e blogs. Ninguém vai ficar sabendo. Mesmo as pessoas que o acessarem, desistem antes da fala de Dilma, que só começa aos 40 minutos. Portanto, a Presidenta, que não fala no Jornal Nacional, depende de gente como o Zé e outros de nós, blogueiros, baixarmos o longo vídeo, nas nossas conexões maravilhosas, editarmos nos nossos laptops de última geração e colocarmos no Youtube. Simples, não é?

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Médico bom não é só técnico competente; tem que ser eticamente humano.

Posted by Liberdade Aqui! em 30/05/2011

Do Vi o mundo

Prontuário médico de Dilma foi vazado no Hospital Sírio-Libanês

por Conceição Lemes

Na última quinta-feira, 26 de abril, recebi um e-mail de Gerson Carneiro, leitor do Viomundo, com o assunto Aves de mau agouro. Perguntava se eu tinha alguma notícia sobre o estado de saúde da presidenta Dilma Rousseff.

Nascido em Irecê, sertão da Bahia, criado em Senhor do Bonfim e morando em Salvador desde a adolescência, Gerson é muito brincalhão. Seu perfil no twitter diz tudo: No meu velório não quero ouvir nenhum choro; quero ouvir muitas piadas. Se você é chorão(ona) e/ou não sabe contar piadas, favor não ir.

Mas ele estava preocupadíssimo. Dois amigos disseram-lhe que Dilma estava gravemente enferma. Os detalhes me fizeram lembrar a sordidez das mentiras espalhadas durante as eleições de 2010.

“Não acho que seja verdade”, respondi-lhe. “São os urubus de plantão, mas vou checar.”

Liguei para o deputado federal paulista Paulo Teixeira, líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, que, por coincidência, havia estado com a presidenta no dia anterior.

“A Dilma teve pneumonia nos dois pulmões, mas já sarou. Inicialmente achou que era apenas gripe, não deu muita atenção. Só que a situação complicou”, conta a esta repórter o que ouviu da presidenta. “Se tivesse alguma doença grave, a Dilma seria a primeira a falar. Lembra-se da transparência no trato do linfoma, em 2009?”

No sábado, porém, “ao visitar” o Tijolaço, a casa digital do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), descobri uma das possíveis origens dos boatos que circularam pela internet na semana passada. Encarnando o próprio o urubu da semana, a revista Época chegou às bancas com a ficha médica completa da presidenta. No caminho da Dilma há sempre uma ficha! Assinam a reportagem: Cristiane Segatto, Isabel Clemente e Leandro Loyola. Atente bem à foto e à chamada de capa.

 

Época quer matar a Dilma”, denunciou Brizola Neto já no título do seu artigo do sábado. “Essa é a ‘ética’ dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades. Esses é que pretendem ser os ‘ fiscais do poder’. Que imundície!”

Realmente, a foto da capa (Dilma com os olhos fechados como se estivesse morta, num caixão) combinada à chamada (seu estado ainda exige cuidados) induzem, de pronto, a se temer o pior: o câncer voltou. Fim de linha. Mas depois lendo, felizmente, não é nada disso.

O relatório médico, feito pela equipe do Sírio-Libanês que cuida de Dilma e tornado público pela Presidência em resposta à reportagem de Época, é enfático: “ótimo estado de saúde”.

Época, porém, elenca uma porção de problemas, fazendo passar a ideia de que Dilma seria um poço de doenças. Só que do ponto de vista estritamente de saúde a reportagem não disse a que veio, é uma não-matéria. Um equívoco.

Explico. No passado, saúde era sinônimo de ausência de doença. Porém, com a crescente longevidade da população essa noção foi derrubada. Visões mais amplas a substituíram. A mais clássica é a da Organização Mundial de Saúde (OMS): saúde é o bem-estar físico, psíquico e social.

Logo, ter saúde não depende simplesmente da presença ou da inexistência de doenças. É normal ter algumas delas com o avançar da idade. Em geral, parte-se – atenção! – de uma a duas, na faixa dos 20 a 30 anos, para cinco ou seis, aos 80 ou 90.

Em outras palavras: pode-se estar na faixa dos 60 anos, como a presidenta, ter diversas doenças, mantê-las sob controle e ser saudável. Em compensação, um jovem – em tese, saudável – pode ser doente. É o caso daquele que atravessa dez faróis vermelhos seguidos; ele pode não estar bem mentalmente e, por isso, talvez morra ou mate alguém.

E a lista de 28 remédios, os mal-estares e os resultados de exames?

Qual a novidade? Nenhuma. Deu até vontade de rir, pois a Época se levou a sério. Esqueceu-se do básico: Dilma é ser humano, em carne e osso, como qualquer um de nós. Ponto. Tem dor de barriga, de cabeça, nas costas, tosse, espirra, chora, ri, sofre, fica triste, alegre. A Presidência da República não imuniza ninguém.

Aliás, para fazer a malfadada reportagem, Época não precisava recorrer a métodos não ortodoxos para saber que a glicemia subiu quando Dilma teve pneumonia e parou com o remédio para diabetes. Mesmo que não tivesse diabetes, a glicemia dela teria subido. Normalmente infecções aumentam as taxas de “açúcar” no sangue.

E as dores no estômago, náuseas e aftas? Quem já tomou antibióticos sabe que esses efeitos adversos podem ocorrer. E para aliviar as aftas, por exemplo, a gente usa o que tem à mão na hora, inclusive bicarbonato de sódio. Eu garanto: funciona.

“Mas e a tiroidite de Hashimoto?”, alguns talvez questionem. “A presidenta tem hipotiroidismo!.”

Ela e mais cerca de 3 milhões de brasileiros, e a tiroidite de Hashimoto é a causa principal. Trata-se de uma doença auto-imune que acomete mais o sexo feminino — principalmente após os 40 anos: o sistema imunológico não reconhece a tiroide como parte do corpo e a ataca, inflamando-a ou destruindo-a progressivamente. O tratamento consiste em tomar diariamente comprimidos de levotiroxina.

Então por que publicar tal matéria se Dilma sempre foi tão transparente em relação aos seus diagnósticos e tratamentos e nunca impediu os seus médicos de passarem informação à mídia sobre a sua saúde? Será que esperavam encontrar uma bomba e como acharam apenas traques, tocaram assim mesmo? Por que levaram adiante dando ares fúnebres, para males comuns na população e que podem ser perfeitamente controlados hoje em dia, mantendo a pessoa saudável?

Considerando que do ponto de vista de saúde a matéria não beneficia o leitor, só tenho estas explicações. Má fé. Mau jornalismo. O objetivo é claramente político. Fragilizar a presidenta. Jogá-la na corda. Machucá-la. Esse é um lado dessa sujeira.

O outro, o vazamento do prontuário da paciente Dilma Rousseff, via Hospital Sírio-Libanês. Não sei como nem quem. Em quase 30 anos como repórter na área de saúde, nunca vi um vazamento de prontuário tão rico em detalhes. Os exames feitos, os resultados, remédios envolvidos.

Ontem pela manhã, liguei para a assessoria de imprensa do Sírio-Libanês e perguntei o que o hospital tinha a dizer sobre o vazamento do prontuário da ilustre paciente. Resposta repetida várias vezes:

O hospital não vazou nada, o hospital não divulgou nada, as informações foram passadas à presidência da República. É a informação que estamos dando aos jornalistas que estão nos ligando.

Não convencida,  mesmo sendo domingo, liguei de novo ontem à tarde. A resposta foi semelhante. Mandei ainda, às 16h, e-mail com cópia para três membros da equipe da assessoria de imprensa, questionando o vazamento do prontuário médico da presidente. Até agora, 26 horas depois, não recebi a resposta.

O fato é que fora a via judicial, que não é o caso, legalmente só podem ter acesso à ficha médica completa de Dilma ela própria, os seus médicos e equipe e o Sírio-Libanês, já que o prontuário de todo doente internado fica sob a guarda do hospital.

Dilma, obviamente, não passaria as informações com tantos dados técnicos. Vale lembrar que, atendendo à solicitação de Época, ela enviou à revista um relatório sobre o seu estado de saúde feito pelos médicos do Sírio-Libanês. A revista utilizou a frase “ótimo estado de saúde” e ignorou o restante. Depois, em resposta à reportagem de Época, a Presidência tornou público o relatório encaminhado anteriormente à revista (está no mesmo post do Brizola Neto, logo abaixo do seu artigo).

Acredito que os médicos de Dilma também não vazariam o prontuário. As equipes que assistem a presidenta são coordenadas por Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Yana Novis, David Uip, Raul Cutait, Carlos Carvalho e Milberto Scaff, Julio Cesar Marino.

Suponho que não fariam isso ainda os doutores Antonio Carlos Onofre de Lira e Paulo Ayrosa Galvão, respectivamente, diretor-técnico e diretor-clínico do Sírio Libanês.

Sobra o hospital enquanto instituição, afinal o prontuário médico fica sob sua guarda e não saiu correndo para os braços da Época. Alguém o acessou e passou para Época. Informação é moeda de troca. O “serviço” pode ter sido feito até por um médico para cair nas graças do jornalista e, depois, no futuro, ser recompensado com espaço na publicação. Nesses anos cobrindo saúde já ouvi quase tudo. Desde médico relatando a colegas a doença x ou y de paciente famoso às supostas puladas de cerca do dito cujo.

“Na verdade, o sistema de proteção aos dados dos pacientes nos grandes hospitais e laboratórios ainda é muito frágil”, alerta o pediatra Marcelo Silber, médico credenciado do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, em São Paulo. “Com a minha senha de médico, posso acessar a ficha completa de qualquer paciente, famoso ou não. Logo, alguém de má fé pode fazê-lo e passá-lo adiante, conforme o seu interesse. Por exemplo, imprensa, convênios, seguro-saúde.”

Está escrito no Código de Ética Médica, do Conselho Federal de Medicina:

 

É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente.

Ou seja, no caso da Dilma alguém se prestou a fazer o serviço sujo. Se foi  médico ou outro membro da equipe do hospital –  enfermeira, nutricionista, psicólogo, secretária ou seja lá quem for — diria aos colegas de Época que esse profissional não é digno de confiança. Se foi um médico, abram olho. Médico bom não é só técnico competente; tem que ser eticamente humano.

A quebra de confidencialidade das informações de qualquer  paciente é algo muito grave. Diria criminoso. Dilma foi enganada. Traída. Espero que o Hospital Sírio-Libanês descubra como, quando e quem acessou indevidamente o seu prontuário e passou adiante. Também se houve um mandante desse crime. Não por  ser a presidenta, mas porque todo paciente merece respeito e solidariedade. Na semana passada a vítima foi a Dilma, na próxima, pode ser você, o Azenha, eu.

O nosso compromisso de jornalistas é com a informação ética. O do médico é única e exclusivamente com o seu paciente, famoso ou anônimo. Hospital não é palco, doença não é espetáculo midiático nem paciente, escada. Esse show tem que parar.

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A saúde de Dilma e o desejo da Globo

Posted by Liberdade Aqui! em 29/05/2011

Do Conversa Afiada

Dilma não tem câncer.
Mas a Globo a quer “morta”

A revista dos Marinho não comete um ato falho: é um caixão mesmo

 

O amigo navegante verá a seguir que a presidenta Dilma Rousseff teve uma pneumonia.

Não houve retorno do câncer.

E está com a saúde perfeita.

Se quiser, enfrenta o PiG (*) e a Globo com uma Ley de Medios.

É só querer.

Saúde não lhe falta.

(Embora a capa de revista dos filhos do Roberto Marinho mostre uma presidenta de olhos fechados, reta, como estivesse deitada num caixão, “morta”.)

Saiu na revista Época, das Organizações (?) Globo, aquela revista que tem o monopólio do relatório Saadi da Operação Satiagraha, mas não conta tudo o que sabe do Cerra, do Farol e do Gilmar Dantas (**):

A saúde de Dilma (trecho)


Época teve acesso a exames, a relatos médicos e à lista de medicamentos usados pela presidente da República. Por que seu estado ainda exige atenção


CRISTIANE SEGATTO. COM ISABEL CLEMENTE E LEANDRO LOYOLA


Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 28/maio/2011.

ROSTO SERENO


A presidente Dilma neste ano, quando posou para figurar na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time


No último dia 22, um domingo, a presidente Dilma Rousseff viajou para Salvador para participar da cerimônia de beatificação de Irmã Dulce. Foi seu primeiro compromisso público desde a pneumonia que a obrigou a cancelar viagens e a despachar durante três semanas do Palácio da Alvorada, sua residência oficial. Na capital baiana, a chuva obrigou a organização do evento a improvisar. Dilma foi acomodada sob um toldo que lembrava uma bolha de plástico. Não era apenas uma deferência justificada pelo cargo que ela ocupa. Era um cuidado necessário para evitar uma recaída da inflamação pulmonar que, segundo palavras que ela mesma disse, de acordo com um interlocutor de confiança, teria sido “a pior de todas as doenças que já enfrentei”.


O “foco de pneumonia” descrito no boletim médico no final de abril revelou-se mais pernicioso do que a sucinta comunicação oficial sugeria. Dilma voltou da China depois de dez dias de trabalho extenuante. Já estava gripada quando inaugurou oficialmente a campanha de vacinação contra a doença, tomando ela mesma uma dose. Na terça-feira 26 de abril, sentiu-se febril. Sua temperatura era de 36,8 graus. O médico oficial da Presidência, o coronel Cleber Ferreira, prescreveu o antibiótico Levaquin, sem avisar o chefe da equipe que a acompanha, o médico Roberto Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Dilma piorou. Na quinta-feira, o exame de raios X revelou uma pneumonia. Transferida para São Paulo, passou a receber na veia dois antibióticos: azitromicina e ceftriaxona – recursos usados em casos graves. Seguiu com esse tratamento durante 14 dias. Foi tratada também com um corticoide.


Assessores próximos contam que a doença afetou a disposição da presidente e seu estado psicológico. Ela sentia cansaço e falta de ar. Passou a despachar do Alvorada, a residência oficial, para evitar o ar-condicionado do Palácio do Planalto, onde as janelas são lacradas. Reclamava de dores de estômago e náuseas e não conseguia se alimentar direito. O fígado dava sinais de agressão. Os níveis da enzima TGP, que serve de parâmetro para avaliar as condições hepáticas, subiram, como resultado do esforço que o órgão fazia para processar o coquetel de remédios que Dilma usava. No dia 21 de maio, ela se submeteu a uma tomografia no tórax que, de acordo com os médicos, mostrou que ela estava curada da pneumonia.


Nos últimos dias, ÉPOCA teve acesso a relatos médicos, a exames e à lista de medicamentos que ela toma. Durante o tratamento da pneumonia, eram 28 remédios diariamente – entre drogas alopáticas, suplementos vitamínicos prescritos em tratamentos ortomoleculares e cápsulas que Dilma consome por conta própria, algumas pouco ortodoxas, como cartilagem de tubarão (leia a lista completa abaixo). Procurada por ÉPOCA, Dilma pediu ao Hospital Sírio-Libanês que emitisse um boletim exclusivo sobre sua condição de saúde. “Do ponto de vista médico, neste momento a Sra. Presidenta apresenta ótimo estado de saude”, afirma o boletim. Não há, segundo os médicos oficiais, nenhum sinal de que seu câncer linfático, diagnosticado e tratado em 2009, tenha voltado, nem de que as defesas de seu organismo tenham sofrido maiores consequências por causa do tratamento. “A Presidenta Dilma continua em remissão completa do linfoma, e não há nenhuma evidência de deficiências imunológicas, associadas ou não ao tratamento do linfoma realizado em 2009”, diz o texto.


Mas as informações obtidas por ÉPOCA revelam que a saúde da presidente ainda exige atenção. Não por causa do câncer. Mas em virtude de preocupações naturais para uma mulher de 63 anos. Dilma convive com vários problemas que consomem energia.

DUAS DOENÇAS

Acima, Dilma durante o tratamento do câncer. Nas fotos maiores, Dilma tosse em duas cerimônias realizadas em Brasília. Segundo ela afirmou a interlocutores, “a pneumonia foi pior que o câncer”

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. 

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Durante os últimos anos, jornais, revistas e TVs resgataram e aperfeiçoaram as técnicas de manipulação e partidarismo político dos tempos que antecederam e sustentaram a ditadura militar entre 64 a 85

Posted by Liberdade Aqui! em 09/01/2011

Via Terror do Nordeste

Comunicação: o cerne da questão

Durante os últimos anos, jornais, revistas e TVs resgataram e aperfeiçoaram as técnicas de manipulação e partidarismo político dos tempos que antecederam e sustentaram a ditadura militar entre 64 a 85, causando a morte e o desaparecimento de milhares de brasileiros. São truques e procedimentos conhecidos por muitos de nós:

O truque campeão é o factoide – jogada ensaiada pelos membros do PIG: um faz o lançamento, o outro recebe, tabela como o terceiro, recebe e parte livre em direção ao gol. Falha ou Estadão faziam o lançamento do boato durante a semana. O Jornal Nacional matava no peito mencionando a Falha ou Estadão como “fonte” e tabelava com eles durante a semana. A Veja recebia o passe “redondinho” e finalmente, aos sábados, publicava o “golaço” na matéria de capa. Durante a semana seguinte, o PIG comentava, entrevistava, reprisava a jogada por todos os ângulos etc. Até o surgimento da Internet, era como se o time da “verdade” não tivesse goleiro. Agora tem. A defesa – que tem mídia alternativa, blogues, Youtube, comunidades virtuais e outros espaços – bate de frente com o PIG, instantaneamente. Mas só na Web.

Outro método usado pelo PIG para atacar pessoas, grupos ou governos inteiros é o ponto de vista que veicula. Existem o fato e sua leitura. O golpismo está na pior maneira (neste caso contra o governo) de noticiar o fato. Em vez de dizer que 27 milhões saíram da miséria, diz que o Brasil ainda tem 23 milhões de miseráveis. Em vez de dizer que o povo compra mais, dizem que se endivida mais. Em vez de dizer que Dilma foi eleita porque recebeu 12 milhões de votos a mais que Serra, dizem que só 56 dos 190 milhões de brasileiros votou na candidata de Lula. Em vez de informar que parentes diretos de todos os políticos usam passaportes especiais, se limitam a citar os filhos de Lula.

Uma das maneiras de desqualificar o governo é a omissão: nenhum órgão de imprensa é obrigado a publicar coisa alguma. Liberdade de expressão também significa liberdade de omissão. Não fossem o IBGE e outros institutos nacionais e internacionais medirem todos os avanços feitos no Brasil, nos últimos 8 anos, a imprensa brasileira elegeria Serra que, por sua vez, roubaria todos os créditos de Lula.

Outro recurso muito usado é compor a manchete com as expressões “suposto” ou “segundo fulano”. Expressões poderosas, pois permitem mentir e caluniar à vontade, sem culpa. Se alguém diz que “desconfia” que seu telefone foi grampeado, não precisa investigar o grampo. Basta compor a matéria usando uma destas expressões, lavando as mãos. “Segundo Gilmar Mendes, houve um suposto grampo ao seu telefone durante a operação Satiagraha”; “Dossiê Serra foi supostamente encomendado pelo PT”; “Suposta ficha policial sobre a captura de Dilma Rousseff mostra que a candidata do PT foi assaltante de banco”. “Segundo Roberto Jefferson, o mensalão…”. O que importa mesmo é o que fica no subconsciente do público.

Mais um recurso: o PIG organiza as matérias em blocos, como se fossem “assuntos do mesmo saco”. Principalmente na TV. Exemplo: as conversas que Lula manteve com Ahmadinejad sobre o programa nuclear iraniano eram noticiadas em meio a bobagens irrelevantes sobre Fidel Castro, Cuba, Hugo Chaves etc. É como se dissessem: “Agora vamos falar de ditaduras: Ahmadinejad, blá blá blá, Hugo Chaves blá blá blá, Lula, blá blá blá, Fidel Castro, blá blá blá… Assim forçam a caracterização de Lula como “da turma” dos que admitem a idéia da ditadura.

Semana passada a Falha publicou uma “pérola” com um título algo como: “O governo Lula ‘contemplou’ 8 mil veículos de propaganda em seu mandato – um ‘aumento’ de 1500%. Foram gastos R$ 2,5 bi/ano”. O título da matéria está correto, mas induz a uma interpretação errada. Dá a entender que Lula gastou muuuuito mais do que FHC ou qualquer outro presidente com propaganda institucional – o que é absolutamente falso. O fato: Lula não aumentou a verba. Aumentou sim, o número de órgãos que recebem aquela verba. Deixou de destinar tudo ao PIG (como faziam FHC e os outros), para dividir entre 8 mil órgãos de mídia espalhados de norte a sul do país. Quem lê a matéria entende que Lula democratizou a distribuição da verba. Mas e quem lê o título, de passagem pela banca de jornal ou pelo UOL? O truque é induzir o leitor a se achar esperto: “por isso tem 87% de aprovação! Lula aumentou a publicidade em 1500%!” – “Lavagem cerebral, tá tudo dominado!” – diria o extinto comediante do extinto Casseta & Planeta, Marcelo Madureira. “Pura propaganda, nunca saiu do papel, é só imagem! – diriam Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão e Josias de Souza. “O homem nunca pisou na lua!” – diriam os mais “bem informados”…

O problema não é o PIG. Eles que tenham a liberdade de expressão para afirmar que o céu é amarelo. Pouco importa. O que importa mesmo, é que fontes de informação alternativas ao PIG sejam amplificadas para terem o mesmo peso e abrangência. Até mesmo a blogosfera. Para que a informação não venha em via única, definitiva, como foi até pouco tempo. Que se possa dizer que o céu é azul com a mesma intensidade com que o PIG diz que é amarelo. E deixar o leitor/telespectador decidir o que ver e no que acreditar. Como foi o caso da “bolinha de papel”. Isso é LIBERDADE DE IMPRENSA! É este o cerne da questão. Não precisamos e não nos faria bem algum censurar Globo, Falha, Estadão e Veja. São um PIG necessário. Pode-se dizer vital, até. Muito melhor é detectar seus movimentos golpistas e suas mentiras. Muito melhor promover o debate e denunciar suas intenções em cada mentira. Pior seria o silêncio dos conspiradores invisíveis.

Na semana que antecedeu a posse de Dilma – mesmo com os índices de 87% de aprovação em todas as camadas sociais do povo brasileiro – a Falha tratou de desmerecer o governo e o presidente diariamente. Como se fossem os últimos cartuchos. Suas manchetes pareciam aquelas sobras de rojão do dia seguinte. Queima antes de perder a validade! Ao mesmo tempo é um prelúdio: o PIG pretende desmoralizar, desqualificar, minimizar e tirar todos os créditos do presidente Lula. Fará isso incansavelmente, para todo o sempre. Pretende reescrever a história. Não é à toa que o governo registrou em cartório 6 volumes descrevendo tudo o que foi feito nos últimos 8 anos e mais o que está em andamento. Calejado por 3 décadas de golpes baixos por parte do PIG, Lula sempre esteve um passo à frente deles.

 

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Ela é a Presidenta

Posted by Liberdade Aqui! em 09/01/2011

Por Lola Aronovich, em seu blog

MINHA PRESIDENTA, O DEBATE

Nesta semana que foi a primeira do novo governo, muito se discutiu sobre o uso do termo presidenta. Alberto Dines, que desde 2005 não fala mais coisa com coisa, escreveu um artigo no Observatório da Imprensa. Entre outras asneiras, ele declara que o feminismo conseguiu tudo que queria (“esquecidas as lutas das sufragistas e feministas, finalmente alcançada a igualdade dos gêneros, a presidenta da República deixa de ter um sucessor – Michel Temer jamais poderá ser designado vice-presidenta”), institui um cargo vitalício para Dilma (a partir de agora, todos os eleitos, sejam mulheres ou homens, ocuparão sempre o cargo de presidenta, a julgar pelo exemplo do vice), e aponta que “o eleitor votou em Dilma para presidente do Brasil e não para presidenta”. Opa, é verdade! Impeachment já! O eleitor jamais teria optado por Dilma se soubesse que, oh infamia!, ela iria querer ser chamada de presidenta. Porque isso vai contra a Constituição! E, se a gente fuçar bem, na bíblia deve haver uma condenação ao termo!

Falando sério agora. Pelo que vejo, as discussões sobrepresidenta se dividem nessas categorias:
– É tudo uma estupidez, é só uma palavrinha, presidente ou presidenta, tanto faz, o importante é que Dilma faça um bom governo, ou (dependendo em quem a pessoa votou), essa discussão é só pra encobrir o desastre absoluto que foi essa primeira semana, agora sim o Brasil chegou ao fundo do poço!
– A forma presidenta está errada e ponto final. Quem diz isso passa o resto dos seus dias colecionando palavras que terminam em “e” pra provar como presidenta é ridículo: afinal, não se diz estudanta, videnta, gerenta, inteligenta, etc etc (são muitas as palavras terminadas em “e”; diversão pra esse pessoal não falta). Eles engasgam um pouquinho ao chegar em governante, já quegovernanta tem um sentido totalmente diferente, que é uma função doméstica, exercida apenas por mulheres. Nesses momentos difíceis, essas pessoas costumam gritar que a língua é neutra, neu-tra, entendeu?, que é uma coisa natural do homem, quer dizer, do ser humano, e que só as malditas feminazis pra prestarem tanta atenção numa coisa tão imparcial como a linguagem do dia a dia.
– A tentativa de implantar o termo presidenta é uma forma das feministas dominarem o mundo. Ha ha, eu me divirto! Mas, quanto a isso, o linguista Sírio Possenti, que não gostava de presidenta e agora defende o termo, já dizia em dezembro: “Feminismo exagerado? Tem sido outro argumento. Apesar da antiguidade do Aulete [que registra a palavra presidenta desde 1974], talvez valesse a pena chamar o velho Sigmund e perguntar-lhe se não há, escondida, alguma resistência às mulheres no comando, ou a uma mulher em particular. Pode ser tucanismo enrustido, pode ser ojeriza da política como tem sido feita. Razões nobres. Mas que se culpem os sons! Aposto que os que acham o som de ‘presidenta’ horrível não têm nada contra ‘magenta’, ‘setenta’, ‘sedenta’ ou mesmo ‘purulenta’ e ‘polenta’”.
– Tanto presidenta quanto presidente estão no dicionário e, se está no dicionário, é a palavra de deus. Portanto, pode usar qualquer uma. Quanto a esse ponto, Sírio diz num ótimo artigo desta semana em que responde a DInes: “Em relação ao apelo a gramáticas e dicionários, as atitudes dos ‘expertos’ são bastante engraçadas. O comportamento típico é o seguinte: quando não gostam das formas que os dicionários e gramáticas abonam, dizem que gramáticas e dicionários não são as únicas autoridades. Mas, quando as gramáticas e dicionários concordam com seu gosto, esses documentos são santificados”.
– É presidenta, e quem não chamar Dilma assim é um troglodita machista e/ou reaça. A presidenta da Fundação José Saramago, e também sua viúva, Pilar, disse em 2008, “Só os ignorantes me chamam presidente”. Acho que não é por aí. Creio que alguém pode preferir o termo presidente pra falar de Dilma, a menos que, pra justiticar esse tratamento, a pessoa insista que a língua é neutra, que a forma presidenta é errada e acabou, quepresidenta é um excesso das feministas enlouquecidas. Falou qualquer uma dessas besteiras? É ignorante (e ignorante não como insulto, mas no sentido de não saber do que está falando e você precisa se informar mais, meu filho).

Na minha modesta opinião, quem escreveu o melhor e mais completo artigo sobre o assunto foi Diego Ramirez, vulgo Jiquilin, um jovem linguista. E isso há mais de um mês. Ele mostra que, em vários vocábulos, a inflexão masculina ou feminina consta na mesma palavra. Mas, no caso de palavras terminadas em “e”, o que define se é masculino ou feminino está fora: “É que gênero, neste caso, aparece além da palavra: ‘o valente’, ‘a valentona’, ‘o cara valente’, ‘a mulher valente’. Nestas orações, realmente não houve nenhuma mudança morfológica no nome ‘valente’. Contudo, o gênero estava marcado de uma outra forma morfológica: no artigo!” Por isso,pra salientar que agora a presidência é exercida por uma mulher, justifica-se usar presidenta.
E, como disse Sírio, não é por poder dizer presidenta que vamos dizer diferenta. Ô gente, isso é uma grande viagem! Não é porque algumas palavras masculinas terminam em “o” que temos que colocar “o” em todas as palavras masculinas. É um lápis, certo? Não um lápiso! Não é futebolo. Podemos usar presidentaDilma sem medo de ser feliz, sem ter que modificar todas as palavras terminadas em “e” ou toda a língua portuguesa.
Outra que escreveu um post divertido pra responder o Dines foi a Bárbara. Ela lembra que chamar Dilma de presidenta tem um motivo: “está aí pra marcar o fato de que o cargo de Presidente da República é agora ocupado por uma mulher. UmA. Mulher. A gramática da língua portuguesa é toda machista, nunca vi nenhum desses paladinos da verdade e da justiça reclamarem. Agora que só essa palavrinha foi proferida pra marcar uma conquista das mulheres nesse país, f*deu. Crime constitucional!”
Pessoalmente, não sou a maior adoradora do termo presidenta. Causa desconforto, e fica fácil pros reacinhas adaptarem pra presidanta. Mas seria estúpido eu extinguir um termo pelo uso que adversários farão dele. E, na realidade, o termo presidenta causa desconforto porque é incomum. E por que é incomum? Ahn, porque nunca tivemos uma mulher eleita pra exercer a presidência? Como diz Sírio, “A novidade não é a forma feminina. A novidade é uma mulher no cargo.” E ele aponta que, quando o primeiro operário foi eleito, causou-se a mesma estranheza: como tratá-lo, por vocêou por senhor? (hoje, graças aos céus, senhor está quase aposentado, ou, como já dizia um homem de meia idade pra quem perguntei, quando eu era criança, “O senhor tem as horas?”: “O Senhor está no céu; são dez horas”).
Pra mim, a questão é essa: Dilma foi eleita (não adianta espernear, você aí à direita), colocou placa no seu carro oficial de Presidenta da República, na sua posse falou em presidenta várias vezes, ou seja, está pedindo pra ser chamada de presidenta (e o fato de praticamente toda a velha mídia definir que vai tratá-la comopresidente, e não como ela quer ser chamada, já demonstra seu posicionamento. Esquerda no poder? Somos contra!). E então, se não faz tanta diferença assim chamá-la de presidenta, dá pra ser? Claro que não! Quem ela pensa que é? Uma mulher querendo definir a forma como será tratada, onde já se viu? Daqui a pouco ela vai dizer que o corpo também é dela! A gente dá a mão e ela já quer o braço. Mais uns dias e ela vai querer até mandar no país!

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A primeira semana de Dilma (e os ataques da velha mídia)

Posted by Liberdade Aqui! em 09/01/2011

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

No sábado, completou-se uma semana desde que a presidente Dilma Vana Rousseff tomou posse e começou a governar. Desde a posse até o presente momento, os movimentos iniciais do novo governo – repletos de simbolismo – induzem à crença em uma drástica mudança de estilo na Presidência da República, ao menos do ponto de vista político.

A começar pela diferença entre a posse de Lula, em 2002, e a de Dilma agora. Há oito anos, Lula chegou ao poder passando por uma campanha eleitoral light, em que a virulência da direita foi constrangida pelo estado de miséria em que estava o país; Dilma se elegeu na campanha mais suja e violenta desde a redemocratização, que deixou a de 1989 na poeira.

Já nos discursos de posse de cada um, afloraram os indícios do que seria o governo Lula e do que será o governo Dilma. Lula fez um discurso politizado, com referências à “esperança” ter “vencido o medo” – referência que enlouqueceu de raiva a direita e a mídia – e ao preconceito por ele não ter diploma universitário; Dilma fez um discurso burocrático e despolitizado.

Aliás, enquanto que o discurso de Lula, em 2002, foi de afronta aos inimigos políticos que amealhou nas três campanhas eleitorais anteriores (1989, 1994 e 1998), o de Dilma foi todo no sentido de amainar os ânimos ainda exacerbados ao espantoso durante a campanha eleitoral.

Houve dois momentos isolados de maior emoção no discurso de posse de Dilma e nas duas vezes ela foi às lágrimas. No primeiro momento, ao se emocionar com a afirmação de que era presidente de “todos os brasileiros”, como que propondo a “paz”; no segundo, ao lembrar dos colegas que tombaram diante da ditadura, da qual a presidente garantiu não guardar rancor.

Durante a primeira semana de Lula, declarações sobre “Herança Maldita” e de que “A esperança venceu o medo” exacerbaram o clima político de uma forma que dura até hoje – mesmo depois de ele ter deixado o cargo, continua sendo atacado pela mídia como se ela quisesse lhe dizer que agora pode insultá-lo sem que tenha como reagir, pois não tem mais o palanque presidencial.

A primeira semana do governo Dilma foi fria, do ponto de vista político, e restrita a fotos de reuniões da presidente com sua equipe de governo, sem que se metesse nas polêmicas da estadia de Lula e família em instalações militares e dos passaportes diplomáticos dos seus filhos.

Acostumados que estamos a ver o ex-presidente fazer discursos diários durante anos, com respostas aos ataques da imprensa, com críticas às elites, a potências estrangeiras, de exaltação dos feitos que o seu governo inegavelmente ia logrando, enfim, com a emoção transbordando por cada poro, todos estão sentindo que Dilma pretende despolitizar o seu início de governo.

Haverá que combinar com os russos. Dilma tem imensos abacaxis para descascar, como a questão dos aviões militares que o Brasil tem que escolher ou o caso Cesare Battisti, no qual o governo terá que se reposicionar, em algum momento.

Há vários fatores que explicam a postura de Dilma. Em primeiro, sai de cena a emotividade de Lula para dar lugar à atitude sempre cerebral que marca o perfil técnico da presidente, em contraposição com a formação eminentemente política do antecessor.  E também o fato de que ela ainda parece pretender desfazer a especulação de que seria mais de esquerda do que ele.

A menos que Dilma comece a ceder sem parar às exigências da direita midiática, confrontos surgirão. Se o seu governo não se tornar tucano, terá que enfrentar o debate político. A única manifestação que a mídia não poderá ignorar ou distorcer muito será a dela. Se não se manifestar, seu governo será censurado.

É cedo para dizer que Dilma cometerá o erro de governar o Brasil como uma gerente. Mas se fizer isso, será, sim, um erro. O cargo de presidente é político. Os brasileiros votaram nela seguindo um líder político – o maior da história brasileira, ao lado de Getúlio Vargas. Ninguém segue gerentes. E sem liderar politicamente, ela não se reelegerá.

 

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Pequenos e diferentes textos sobre a questão “presidente / presidenta”

Posted by Liberdade Aqui! em 07/01/2011

Do Terra Magazine

Feminino

Sírio Possenti
De Campinas (SP)

Dilma Rousseff adotou a palavra presidenta durante seu discurso de posse no último dia 01

Dilma Rousseff adotou a palavra “presidenta” durante seu discurso de posse no último dia 01

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Pequenos e diferentes textos sobre a questão “presidente / presidenta”, especialmente alguns “raciocínios” completamente inesperados, me levam a redigir as pequenas notas que seguem, começando pelas questões mais óbvias. Algumas palavras têm formas masculinas e femininas. Outras, não. Nos casos em que existem as duas, pode-se falar de flexão. Por exemplo, menina é a forma feminina de menino.

Há certa correspondência entre as palavras e as coisas (há, no mundo, meninos e meninas etc.). Mesmo assim, é bom separar a questão da realidade da questão gramatical. É que há casos em que a correspondência no mundo com palavras masculinas e femininas não é representada na gramática. Casos como homem / mulher, boi / vaca etc. representam esse subconjunto. Isto é, as palavras femininas dessas duplas referem-se a seres femininos, mas não são flexões gramaticais das formas masculinas; são completamente diferentes delas.

Mas isso não significa que todas as palavras masculinas e femininas tenham correlatos machos e fêmeas. Essa hipótese ingênua é logo desmentida por palavras como murotijolo (masculinas) e portachave (femininas), entre milhares de outras, sem contar as abstratas, como pensamentointuição.

A existência ou não de correspondentes femininos gramaticais de formas masculinas é um efeito, mas não uniforme, da existência de alguma correspondência no mundo. Por exemplo, certamente não haveria a formaparenta se só houvesse parentes masculinos. Por outro lado, o fato de haver algum tipo de distinção no mundo não cria necessariamente formas gramaticais específicas que lhes correspondam. Usamos parenta, mas não usamos tenenta. E pouco se usa sargenta. É possível que essas flexões passem a ser cada vez mais usadas, em decorrência de haver cada vez mais mulheres executando essas funções. O caso presidenta está neste bolo: pode ser que muitos estranhem a forma feminina simplesmente porque nunca foi usada, ou porque sempre foi muito pouco usada, por não haver mulheres exercendo a função.

Há femininos resultantes de flexão cuja natureza esquecemos: por exemplo, hortaé (seria) o feminino de horto (Mattoso acha que sim, mas Houaiss não registra): horta é um tipo de horto. Observe-se que não há, nesse caso, nenhuma relação entre gênero e sexo (casos mais claros são barco / barcajarro / jarra). O que faz lembrar outro fenômeno: muitos femininos em -a são marcados apenas pela flexão da forma dita masculina. A única mudança (perceptível) está no final da palavra (o / a). Mas há um grupo de femininos (de fato, também de plurais) que é marcado também pela mudança da vogal do radical: horto / horta, porco / porca, sogro / sogra (para os distraídos, uma ajuda: dizemos sôgro e sógra etc.).

Diversos raciocínios estranhos circulam na mídia. Há quem pense que, se dizemos presidenta, deveríamos flexionar segundo os mesmos critérios todas as palavras que terminam em –nte. Ou seja, deveríamos dizer também contenta, exigenta etc. Que as formas são gramaticalmente possíveis – e seriam regulares – fica provado pelo fato de que são sempre as mesmas e resultam de flexões regulares. Mas o léxico das línguas é bastante irregular: muitas formas – e flexões – possíveis nunca ocorrem. Os casos mais claros são certas derivações: por que dizemos jogo e não *jogamento nem *jogação? Por que dizemos julgamento e não*julgação? por que dizemos ameaça e não *ameaçamento ou *ameaçação? Por que dizemos filiação e não *filiamento? Em vez de esposa, poderíamos dizermarida, se as gramáticas funcionassem no vácuo. Acontece que funcionam em sociedades vivas, que interferem nelas.

Talvez valha a pena inserir umas poucas observações de Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, p. 135). Diz ele, entre outras coisas, que, no caso de palavras terminadas em –e, algumas ficam invariáveis, e a outras se acrescenta o morfema –a (provocando a queda da vogal temática). Seu exemplo para formas variáveis é alfaiate – alfaiat(e) + a – alfaiata. Entre as invariáveis, citaamantecliente, constituinte, habitante. Na lista das que são usadas com, mas também sem flexão, cita infante – infanta, presidente – presidenta, parente – parenta, governante – governanta.

Em relação ao apelo a gramáticas e dicionários, as atitudes dos “expertos” são bastante engraçadas. O comportamento típico é o seguinte: quando não gostam das formas que os dicionários e gramáticas abonam, dizem que gramáticas e dicionários não são as únicas autoridades. Mas, quando as gramáticas e dicionários concordam com seu gosto, esses documentos são santificados.

Uma variante desse comportamento foi o de Alberto Dines (Observatório da Imprensa) em relação a Sarney. Em resumo: Dilma Rousseff usou a formapresidenta em seu discurso de posse. Falando no final da cerimônia, Sarney usou várias vezes a forma presidente (Dines brincou: Sarney está na oposição pela primeira vez). Claramente, Dines não gosta de presidenta. Mas também não gosta de Sarney. Exceto quando seus gostos coincidem, é claro. Ora: é razoável considerar Sarney um político mais prejudicial do que útil. Mas ele não é melhor como escritor, nem como autoridade em relação a padrões gramaticais.

E há dois raciocínios ainda mais estranhos. Aliás, dificilmente poderiam merecer esta qualificação. O mesmo Dines, sofisticado jornalista, escreveu, com a maior cara de pau: “Agora, esquecidas as lutas das sufragistas e feministas, finalmente alcançada a igualdade dos gêneros, a presidenta da República deixa de ter um sucessor – Michel Temer jamais poderá ser designado como vice-presidenta“. Como se o sucessor de um cargo designado passageiramente por uma forma feminina devesse ser também designado no feminino. Esquece o elementar: que a forma feminina corresponde, no caso, ao sexo da ocupante!

Mas houve coisa pior do que esta, se isso é possível: comentando o texto de Dines, um leitor alegou que a forma presidenta só faria sentido se fosse o feminino de presidento (pasmem!!). Ora, a tese só faria sentido se todas as masculinas que têm flexão feminina terminassem em –o. Mas existem, e estão muito firmes, palavras como ele, aquele, este, autor etc. Segundo o dito “raciocínio”, as palavras femininas ela, aquela, esta e autora, para ficar nestes exemplos, só poderiam ser usadas se os masculinos correspondentes fossem elo, aquelo, esto, autoro. Que ridículo!

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.


Fale com Sírio Possenti: siriopossenti@terra.com.br

Do Terra Magazine

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Maior que a demanda

Posted by Liberdade Aqui! em 06/01/2011

Pelo Vi o mundo

Maria Inês Nassif: O jogo conhecido do partido de Michel Temer

06/01/2011

por Maria Inês Nassif, no Valor Econômico

Em abril de 1995, no começo do segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, o PMDB na Câmara, que era da base governista, impôs uma derrota ao governo na votação do projeto de reajuste do salário mínimo. O então líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), esclareceu as razões do mau humor: “A bancada está nervosa por causa do imobilismo e da inoperância do governo e os cargos [nomeação de pemedebistas para o governo] entram nisso. O governo só responde “não” a qualquer pleito”.

Em 2007, já aliado a Lula, o PMDB, desta vez no Senado, encenou uma nova “rebelião”: 12 senadores do PMDB, que Wellington Salgado (MG) designou de “franciscanos”, votaram contra a MP que criava a Secretaria Especial de Projetos de Longo Prazo, cujo ministro seria Mangabeira Unger. “Os franciscanos não querem um sapato de couro alemão, querem só um chinelinho novo”, disse Salgado, ao reclamar que o governo só dava atenção aos “cardeais” do partido. O baixo clero do Senado ganhou a atenção pedida. Mais tarde, ajudou a derrubar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), contra os interesses do governo.

Ter o PMDB na base de apoio não é garantia de nada para nenhum governo, desde José Sarney (1985-1989). Mas a estratégia do partido para ganhar espaço de poder é tão previsível que mesmo os menos atentos à política conhecem os sinais. O uso do aumento do salário mínimo como chantagem é da tradição pemedebista. A vinculação dos benefícios de aposentadoria e pensões ao salário mínimo torna qualquer aumento não previsto no Orçamento uma bomba de efeito retardado para a política fiscal de qualquer governo. Mas, da mesma forma, um partido como o PMDB, que tem 1.175 prefeitos em todo o Brasil, também coloca em risco seu patrimônio político, já que as prefeituras sofrem um forte impacto nas suas folhas de pagamento com o aumento do piso salarial. A outra ação previsível é a de retaliar os governos dos quais faz parte com o apoio a candidatos não oficiais à mesa da Câmara.

Se o PMDB é altamente previsível em suas ações de chantagem, existe também uma dose de imprevisibilidade no futuro do partido, que parece não fazer parte dos cálculos de seus líderes. Nem o PMDB é imutável. Alguns dados novos tendem a relativizar as manobras tradicionais de chantagem pemedebista sobre o governo Dilma Rousseff.

Oferta de apoio pode ser maior do que a demanda do governo

O primeiro dado, visível, é que, embora o grande líder da bancada de deputados, Michel Temer, tenha se tornado o vice, o novo governo claramente preferiu privilegiar o grupo de José Sarney, o maior líder no Senado. Sarney é tido como um aliado mais fácil. E na Câmara, o grupo que dominou o partido desde os governos de FHC sofreu baixas importantes nessa legislatura.

A mais importante delas é a do próprio Michel Temer, que nos últimos quatro governos foi parte da estrutura de poder da Câmara e do partido. Foi na posição de presidente da Câmara e de presidente do PMDB que conseguiu manter o grupo de deputados a ele ligados como os principais beneficiários das alianças pemedebistas com os governos do momento. Michel Temer (SP), Wellington Moreira Franco (RJ), Carlos Eduardo Alves (RN), Geddel Vieira Lima (BA) e Eliseu Padilha (RS) dominaram a bancada na Câmara nos governos de FHC. Também teve grande poder o deputado Eduardo Cunha (RJ), embora atue em faixa própria. No último governo Lula, a aliança com o PMDB na Câmara para compor a base governista levou Wellington Moreira Franco, então sem mandato parlamentar, a uma das diretorias da Caixa Econômica Federal. Geddel tornou-se o ministro da Integração Regional. Eliseu Padilha manteve uma postura quase que dissidente em relação ao governo, embora isso não tenha abalado a lealdade interna do grupo.

Internamente, a coesão do grupo se dava pela oposição ao grupo de Orestes Quércia, oposicionista nos governos de FHC, governista no primeiro mandato de Lula e oposicionista novamente no segundo mandato do presidente petista. No jogo de poder partidário, o grupo de Temer, estrategicamente colocado na Câmara, polarizava com o seu rival regional. Na disputa local, o PMDB paulista perdeu substância. Hoje, não é quase nada e as negociações para a adesão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) já são feitas sobre o reduzido espólio político deixado por Quércia, morto no fim do ano passado.

Na disputa nacional, a arte de lidar com o baixo clero deu ao grupo de Temer a hegemonia na Câmara, que acabou se estendendo à máquina partidária. Temer é considerado, hoje, como o dirigente pemedebista que mais obteve coesão partidária depois de Ulysses Guimarães, que dirigiu o partido durante a ditadura e no governo Sarney. Não foi à toa que se fez o vice.

Embora o grupo de Temer continue jogando em conjunto o jogo “um apoia, outro ameaça” e mantenha a capacidade de cooptar o baixo clero do partido, está desfalcado na Câmara – Temer é o vice, Geddel disputou o governo da Bahia e ficou sem mandato, Moreira Franco foi para a Secretaria de Assuntos Estratégicos, que não mobiliza grandes verbas e Cunha continua atuando em faixa própria. Outro inconveniente para o grupo hegemônico na Câmara é que o partido perdeu deputados, enquanto pequenos partidos de esquerda reforçaram suas bancadas. A lógica da traição tende a contar contra o PMDB, ao contrário do que acontecia no passado. Em assuntos corriqueiros, o governo Dilma pode prescindir da unidade pemedebista e das chantagens públicas e privadas do grupo. No Senado, a redução da oposição também confere menos poder de chantagem à bancada.

Não é o fim do PMDB. O partido prospera quando é governo, da mesma forma que o ex-PFL definhou na ausência dele. Mas a conjuntura tende a exigir nova visão do que é lealdade. Até porque a derrota, por três eleições presidenciais seguidas, torna políticos dos partidos oposicionistas mais importantes, PSDB e DEM, altamente sensíveis à cooptação. A oferta de apoio ao governo Dilma pode se tornar maior do que a demanda.

* Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

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A FARSA ACABOU, AGORA SERRA SERÁ SERRA!

Posted by Liberdade Aqui! em 27/05/2010

Por Brizola Neto, no Tijolaço

Acabou o “lulismo” de Serra

quinta-feira, 27 maio de 2010

A VERDADEIRA FACE. A MÁSCARA E FARSA NÃO SERVEM MAIS!

Sei que é arriscado fazer previsões do tipo da que está aí em cima, no título, e se o caro amigo leitor me perguntar se tenho alguma informação de bastidor, sinceramente direi que não.  Mas acho que está em curso uma rearrumação na campanha tucana.

Se me permitem certa licença narrativa, atentando mais para o conteúdo que para as cenas, acho que o processo se passou mais ou menos assim.

A análise pré-eleitoral partia de algumas constatações óbvias. Exceto diante de uma hecatombe econômica, o que lhes parecia improvável no curto prazo, o alto comando serrista sabia que a popularidade de Lula era indestrutível até outubro.  Já a hipótese de Dilma, pessoalmente, não cair no gosto do povo era bem mais plausível.

Lembremo-nos que a cabeça dos marqueteiros, como a de certos políticos, funciona assim: “qual é a vantagem que eu levo se agir assim ou se agir assado?” é a pergunta essencial diante das opções políticas.

E, achando que a cabeça de Lula é como as suas, imaginaram que o presidente não fosse arriscar seu sólido prestígio – e uma eventual volta ao poder em 2014 – se atirando de corpo e alma na campanha de um “poste”.  A máquina do PT, sobretudo a do PT paulista, que já não vibra de emoção com a candidatura Dilma “amoleceria”, aceitando de forma fleumática aquele “que vença o melhor” cínico dos que pensam, na verdade, em conservar seu poder, como Pilatos no credo.

Era a teoria do “pós-Lula”.

Mas o pós-Lula é pós-Lula, obviamente. E Lula está longe de estar “pós”. E já faz muito tempo, aliás desde o episódio do “mensalão”, que ele colocou os marqueteiros e os políticos “da máquina” reduzidos a, no máximo, darem seus palpites, em lugar de suas sábias “ordens”. Disse isso, falando sobre o acordo com o Irã: se dependesse dos marqueteiros, ele não teria ouvido nada diferente de “presidente, não ponha a mão nesta cumbuca”. Lula nem ligou e assumiu o papel – este, sim – de estadista e não se furtou a dar o passo que o Brasil precisava dar para se impor no cenário internacional.

O presidente Lula recusou a posição de “Michelle Bachelet” em que o pretendiam colocar, aquele papo de “não, o senhor é um estadista que tem que estar acima das paixões eleitorais”, e foi à luta para “grudar” Dilma a sua própria figura. Fez isso correndo risco e enfrentando as pressões que sabia que viriam, sobretudo, da mídia sobre a Justiça Eleitoral, para reduzi-lo ao silêncio, como vieram.

Muitos, amolecidos pelos anos de poder e mando, não puderam ou não quiseram compreender  compreender que o presidente não apenas faria como já estava fazendo uma sinalização de que seu futuro político é o povo brasileiro e que, abandonando-o na disputa eleitoral, abandonaria a própria grandeza que construiu para si como governante, embora fosse contar, durante algum tempo, com uns editoriais favoráveis e uns tapinhas nas costas, como a gralha recebeu os elogios da raposa até abrir o bico e deixar o queijo cair.

Assim, Lula frustrou a imaginação em que se baseava a estratégia serrista e não deixou que a candidatura Dilma “estagnasse”, condição básica para os planos do “Serra lulista”.

Dilma cresceu, sólida e consistentemente. Nem mesmo o providencial Datafolha de março,  criando uma diferença de nove pontos – ainda ampliada para 10, em abril – para criar um clima de dúvidas sobre a inexorabilidade do crescimento de Dilma como “a candidata de Lula” e a estratégia de aponta-la como incapaz e trôpega politicamente, para enfraquece-la junto ao eleitorado mais esclarecido, funcionaram.

Embora uma ou duas figuras de destaque tenham acreditado que poderiam ficar fazendo comentários “neutros” que a mídia se encarregava de tornar negativos, nem Lula tirou o corpo fora, nem Dilma escorregou ou se desqualificou pessoal ou politicamente.

Neste campo dos formadores de opinião, no qual a tucanagem pretendia deitar e rolar com a desvalorização de Dilma, como pessoa, acho que podemos nos cumprimentar – sem baixar a guarda – por ter a chamada blogosfera, na crescentemente importante comunicação via web, sustentado uma guerrilha que não apenas fustigou sem cessar o adversário como serviu como advertência ao pessoal do “tanto faz” de que pagaria, perante a população, um grave preço por isso.

Bem, já não há condições de deixar de encarar um fato objetivo: à medida em que cresce a informação sobre a definição eleitoral de Lula, crescem os índices de Dilma. O Datafolha teve de entregar os pontos que tirara dela.  A marca de 44% dos eleitores dizendo que votará no candidato de Lula, acrescida dos que dizem que “podem votar”, chega a dois terços do eleitorado. É demais para ser vencido, se este referencial de voto não se retrair e, ao  contrário, se expuser decididamente.

Faz duas semanas que há uma crise interna no comando serrista. A irritação do candidato, distribuindo grosserias a jornalistas – da qual o “fora” em Míriam Leitão foi a “jóia da coroa”, a refletiu.

Agora, porém, há uma nova orientação, difícil de implementar, tantas foram as mossas que o “Serrinha lulista” deixou no caminho. Aécio Neves, mesmo pressionado pela mídia, não parece ter muita disposição de receber de Serra o abraço do afogado. Fernando Henrique, solenemente posto para escanteio, este pode voltar, impelido pela própria vaidade, para ser o detrator “erudito” do operário.

E Serra, este vai aparecer como tem já aparecido nos últimos dias: o homem da autoridade, o repressor, o inimigo da esquerda latinoamericana, o “prendo e arrebento”. Sobre o episódio de ontem, quando acusou a Bolívia de ser “cúmplice” do narcotráfico, escreve a insuspeita Eliane Catanhede, hoje, na Folha, que “o tucano José Serra não cometeu uma gafe ao criticar o governo Evo Morales na Bolívia. Foi um ato calculado”.

Ela está certa. Foi, sim. A campanha de Serra percebeu que o “Serrinha lulista” não colou à esquerda, mas estava tendo um efeito dissolvente à direita. Ou, descrevendo melhor, não colou no povão e, na elite, não entusiasmou ninguém.

Serra, agora, quer se consolidar como “dono” dos 30% dos votos que a direita tem, quase sempre, nos grandes centros urbanos. Eles podem ser mais, se um governo progressista entra em crise, seja na economia, seja na credibilidade pública, com a ajuda da mídia.  Mas também podem ser menos, ou se dividir com uma candidatura insossa, se o personagem da elite começa a se desgastar.

Perdoem-me a pretensão de analista. Mas ouso dizer a vocês, meus amigos, esta eleição será o que deve ser: um embate ideológico por um projeto de Brasil, não um festival de marquetagens. É o que, com minhas curtas pernas, venho dizendo desde setembro passado, quando escrevi que havia acabado o “Lulinha Paz e Amor”.

Acabou também o “Serrinha lulista”.

A direita vem com sua própria e feroz cara. A nós, cabe o combate em todas as frentes, preservando o presidente dos pequenos enfrentamentos. A Lula, cabe aguardar, com a  lucidez e frieza de um zagaieiro,  porque é sobre ele que a onça, acuada, vai saltar.

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