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“Os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.”

Posted by Liberdade Aqui! em 22/04/2012

Via Conteúdo Livre

Drauzio Varella – Intolerância religiosa

O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso

SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.
A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.

Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.

Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?

Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?

Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.
O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.

Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.

Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.

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O povo árabe precisa da solidariedade de todo o mundo para enfrentar EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A e seus tentáculos.

Posted by Liberdade Aqui! em 05/02/2011

Via Terror do Nordeste

Egito:militares disfarçados de civis massacram o povo egípcios nas ruas

Laerte Braga

É uma farsa a neutralidade dos militares egípcios. A ponderável parcela corrompida pelo governo de Hosni Mubarak e atendendo aos interesses de Washington está nas ruas massacrando civis que protestam contra a ditadura. Há um bloqueio sistemático dos meios de comunicação e mesmo canais nos EUA e na Europa ou em países como o Brasil escondem a real dimensão da tragédia.

Há mais de 500 mortos e três mil feridos.

O presidente branco (disfarçado de negro) Barack Obama está procurando ganhar tempo e evitar a queda de Mubarak, ou mudanças mais acentuadas no Egito e para isso conta com apoio de seus aliados na região, o governo nazi/sionista de Israel.

As declarações do primeiro-ministro inglês, Cameron, que as “políticas de integração de culturas diferentes fracassou na Europa”, reflete a discriminação contra o povo árabe em particular os muçulmanos.

Foram feitas diante dos principais líderes europeus em Berlim e fazem parte do plano geral que sustenta a ditadura no Egito, na Jordânia, na Arábia Saudita, no Iêmen, na Argélia e garantem o petróleo.

As preocupações de Obama com o povo egípcio são falsas, parte do jogo político cínico e imperialista dos EUA. Nos bastidores o presidente dos EUA negocia uma “transição segura” para manter intacto o aparelho repressor naquele país e dessa maneira garantidos os “negócios” dos EUA.

Há um clima de terror no Cairo e nas maiores cidades do Egito. O aparelho repressivo do governo Mubarak funciona a todo vapor e de forma cruel e sangrenta. Ao contrário, a Fraternidade Muçulmana, principal grupo islâmico de oposição, tem procurado manter o caráter pacífico das manifestações.

Não há exagero em dizer que há um banho de sangue no Egito. Militares leais a Mubarak e a Washington, orientados inclusive por agentes da MOSSAD – ato de traição – agem impunemente a mando do ditador.

A repressão a jornalistas egípcios e estrangeiros é de tal ordem que boa parte começa a encontrar dificuldades agudas para veicular simples noticiários em torno dos acontecimentos, circular dentro do país. Há jornalistas presos. Os estrangeiros são aconselhados a deixar o país depois de intimidados e os egípcios simplesmente torturados e assassinados pelos militares e policiais.

A brutalidade dessas forças repressivas supera o que se possa imaginar e tenta de todas as formas garantir o governo corrupto e ditatorial de Hosni Mubarak, o principal aliado dos norte-americanos no mundo árabe.

Não existe no Corão uma só palavra que incite à violência ou ao ódio, mas tão somente à resistência aos povos bárbaros, chamados de infiéis.

Quando os muçulmanos deixaram a parte que ocupavam da Europa os templos cristãos estavam intactos. Quando os cristãos deixaram o mundo muçulmano toda a cultura tinha sido destruída.

A explosão num gasoduto que abastece a Jordânia e Israel é uma reação natural e lógica tal a intransigência e a estupidez do regime em aceitar seu fim. É um sinal que o Egito poderá se transformar no palco de uma guerra civil a curto prazo, já que alguns setores das forças armadas se mostram sensíveis aos protestos populares. Oficiais considerados “suspeitos” estão detidos em quartéis ou em prisão domiciliar.

Toda a boçalidade ditatorial foi liberada por um tirano sem entranhas, Hosni Mubarak, contra o povo egípcio. Homens, mulheres, jovens e idosos estão sendo massacrados em cada canto do país onde pontifique uma só ação de protesto.

A radicalização do conflito só interessa aos EUA e ao governo de Israel (milhares de israelenses têm protestado contra o governo nazi/sionista do país) e pode servir de pretexto para uma futura ocupação de áreas consideradas estratégicas nos países árabes em processo de levante contra seus governos ditatoriais, como está acontecendo no Egito.

As declarações do primeiro-ministro inglês (comandado por controle remoto em Washington) são sintomáticas.

É preciso revelar ao mundo a real dimensão dos fatos que estão acontecendo no Egito, a barbárie contra um povo que exige apenas que um ditador corrupto sai do governo e eleições livres e gerais sejam realizadas de imediato.

Nem Mubarak, nem Obama, nem Israel, nem a maioria dos militares egípcios têm compromisso com o Egito e seu povo, mas tão somente com “negócios” e para isso não hesitam em promover o massacre que acontece longe dos olhos do mundo pela censura que impede a jornalistas de trabalhar livremente no país e pela autocensura da mídia podre e privada em países ocidentais, o Brasil inclusive.

O povo árabe precisa da solidariedade de todo o mundo para enfrentar EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A e seus tentáculos.

Grupos muçulmanos advertiram que a “paciência está se esgotando e as nações do ocidente não se mostram preocupadas com a dor e o sofrimento dos egípcios, mas apenas com seus interesses.”

A luta do povo egípcio é a luta dos povos latinos.

As sombras e trevas não chegam do Islã, mas do terrorismo capitalista.

Fonte:Blog Juntos Somos Fortes

 

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A preocupação dos EUA não é o Islã radical: é a independência

Posted by Liberdade Aqui! em 04/02/2011

Do blog Maria Frô

Chomsky: É a independência em relação aos EUA, estúpido!

 

A preocupação dos EUA não é o Islã radical: é a independência
Noam Chomsky, no Guardian, UK. Tradução: Vila Vudu
4/2/2010

“O mundo árabe em chamas”, a rede Al-Jazeera noticiou semana passada, enquanto em toda a Região os aliados ocidentais “rapidamente perdem influência”. A onda de choque foi posta em movimento pelo levante dramático na Tunísia, que derrubou ditador apoiado pelo ocidente, com reverberações sobretudo no Egito, onde manifestantes desafiam a polícia brutal de outro ditador.

Observadores já compararam ao fim do domínio soviético em 1989, mas há diferenças importantes. Diferença crucial, não há Mikhail Gorbachev entre as grandes potências que apoiam ditadores árabes. Em vez disso, Washington e seus aliados mantêm o bem fixado princípio segundo o qual a democracia só interessa quando atende a determinados objetivos estratégicos e econômicos: bem vinda em território inimigo (até certo ponto), mas nunca no quintal dos EUA, por favor, a menos que chegue devidamente domada.

Num ponto, a comparação com 1989 tem alguma validade: na Romenia, onde Washington manteve o apoio a Nicolae Ceausescu, o mais vicioso de todos os ditadores do leste europeu, até que aquele apoio tornou-se insustentável. Então Washington passou a pregar a derrubada daquela ditadura, e o passado foi apagado. Esse é o padrão: Ferdinand Marcos, Jean-Claude Duvalier, Chun Doo-hwan, Suharto e muitos outros gângsteres úteis. Pode estar em andamento, no caso de Hosni Mubarak, além dos esforços de rotina para assegurar que o regime sucessor não tente qualquer passo muito afastado da trilha demarcada e aprovada. A esperança de hoje parece ser o general Suleiman, homem de Mubarak, que acaba de ser nomeado vice-presidente. Suleiman foi chefe dos serviços de segurança por muito tempo; é odiado pelos manifestantes, quase tanto quanto o próprio ditador.

Jornais e programas de comentários (e futricas) não se cansam de repetir que o medo que os radicais islâmicos inspiram justifica (alguma, relutante) oposição à democracia, explicável por motivos de puro pragmatismo. Embora não seja completamente falsa, é formulação que mais desencaminha do que esclarece. A verdadeira ameaça, do ponto de vista dos EUA, sempre foi a independência. EUA e aliados têm apoiado vários radicais islâmicos, às vezes, para evitar a ameaça do nacionalismo secular.

Exemplo conhecido é a Arábia Saudita, centro ideológico e lar natal do Islã radical (e do terrorismo islâmico). Outro exemplo, numa lista longa, é Zia ul-Haq, o mais brutal dos ditadores, paquistanês, e favorito do presidente Reagan, que conduziu programa de islamização radical (com financiamento dos sauditas).

“O argumento tradicional apresentado a todo o mundo árabe é que nada há de errado, tudo perfeitamente sob controle”, diz Marwan Muasher, ex-funcionário do governo da Jordânia e atualmente diretor do Middle East research for the Carnegie Endowment. “Por essa linha de pensamento, grupos dos dois lados argumentam sempre que os respectivos opositores que exigem reformas exageram os problemas das reais condições em campo”.

Assim sendo, basta deixar de fora a opinião pública. A doutrina é muito ampla e aplica-se a praticamente todo o mundo, assim como ao território nacional dos EUA. Serve para todos. Caso haja agitação social, pode acontecer de ser preciso introduzir alterações táticas, mas sempre com vistas a continuar mantendo pleno controle.

O vibrante movimento democrático na Tunísia visou diretamente ao “estado policial, de cidadãos sem liberdade de expressão ou de associação, com graves problemas de atentados a direitos humanos”, chefiado por um ditador cuja família era odiada, considerada corrupta e venal. Foi o que disse o embaixador dos EUA Robert Godec, em julho de 2009 – como se lê em telegrama publicado por WikiLeaks.

Por disso, alguns observaram que os documentos publicados por WikiLeaks “criam entre os norte-americanos o sentimento reconfortador de que seus diplomatas não dormem no ponto” –, e fato é que os telegramas vazados servem de apoio tão perfeito para as políticas dos EUA, que parece que o próprio Obama ordenou, em pessoa, os vazamentos (como escreveu Jacob Heilbrunn em The National Interest).

“Os EUA deveriam condecorar Assange”, diz manchete do Financial Times, e Gideon Rachman escreve: “A política exterior dos EUA aparece ali como organismo construído de princípios, inteligente e pragmática (…) a posição pública que os EUA assumiram em cada determinada questão é também, quase sempre, a posição privada”.

Desse ponto de vista, os vazamentos de WikiLeaks poriam abaixo os “teóricos da conspiração” que questionam os nobres motivos que movem as ações e declarações de Washington proclaims.

O telegrama assinado por Godec realmente permite essas conclusões – desde que não se leia mais nada, além do próprio telegrama. Se se lê, como diz Stephen Zunes, analista de política exterior de Foreign Policy in Focus, logo se vê que, com a informação que Godec lhe forneceu, Washington logo enviou $12 milhões de dólares em ajuda militar para a Tunísia. De fato, a Tunísia foi uma, dentre cinco beneficiários estrangeiros dessa ajuda militar: Israel (rotina); dois ditadores no Oriente Médio, no Egito e na Jordânia; e a Colombia (país que ocupa o último lugar no ranking do respeito aos direitos humanos e beneficiário da maior ajuda militar, pelos EUA, no hemisfério.

A prova A de Heilbrunn é o apoio que os árabes dão às políticas dos EUA contra o Irã, revelado nos telegramas publicados por WikiLeaks. Rachman também usa esse exemplo, e praticamente toda a mídia, saudando essas estimulantes descobertas. As reações ilustram o quanto a cultura letrada nos EUA despreza a democracia.

Não se considera, até aí, a opinião das populações, naquelas ditaduras – opinião que, agora, brada nas ruas e todos ouvem. Segundo pesquisas divulgadas pela Brookings Institution em agosto, alguns árabes concordam com Washington e muitos jornalistas e jornais ocidentais, e entendem que o Irã seja ameaça: 10%. Outros consideram os EUA e Israel como ameaça mais grave: 77%, EUA; 88%, Israel.

A opinião dos árabes é tão hostil às políticas de Washington, que uma maioria (57%) entende que a segurança regional estaria mais bem atendida se o Irã tivesse armas atômicas. Mas… “nada de errado, tudo sob controle” (como Muasher apresenta a fantasia-delírio dominante). Os ditadores nos apoiam. As populações sobre as quais se impuseram podem ser ignoradas – a menos que rompam suas cadeias, caso no qual, então, é preciso promover alguns ajustes na política.

Outros vazamentos também parecem confirmar avaliações entusiásticas sobre a nobreza das intenções e atitudes de Washington. Em julho de 2009, Hugo Llorens, embaixador dos EUA em Honduras, informou Washington sobre pesquisa técnica conduzida pela própria embaixada sobre “questões legais e constitucionais que cercaram o afastamento, dia 28 de junho, do presidente Manuel ‘Mel’ Zelaya” [1].

A embaixada concluiu que “De qualquer modo, sejam quais forem os argumentos que haja contra Zelaya, a remoção do presidente pelos militares foi claramente ilegal e a posse de Micheletti como “presidente interino” foi totalmente ilegítima” [1]. Admirável! Exceto pelo detalhe de o presidente Obama, na contramão de toda a América Latina e Europa, ter apoiado o governo golpista e acobertado todas as atrocidades subsequentes.

O vazamento talvez mais notável, de quantos se leram em WikiLeaks, tem a ver com o Paquistão [2], analisado por Fred Branfman, analista de política externa em Truthdig [3].

Os telegramas revelam que a embaixada dos EUA sabia perfeitamente que a guerra de Washington no Afeganistão e Paquistão não só intensifica um sempre crescente antiamericanismo na Região, mas, também “cria o risco de desestabilizar o estado no Paquistão”, o que faz aumentar a ameaça do pesadelo de todos os pesadelos: que armas atômicas caiam em mais de terroristas islâmicos.

Mais uma vez, são revelações que “criam entre os norte-americanos o sentimento reconfortador de que seus diplomatas não dormem no ponto” (palavras de Heilbrunn [4])… enquanto Washington marcha em passo acelerado rumo ao desastre.

NOTAS

[1] Íntegra do telegrama, em português, aqui.

[2] O telegrama, em inglês, está aqui.

[3] O artigo, em inglês, está aqui.

[4] Em inglês, aqui.

 

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Egito: a revolta se espalha pelo mundo árabe

Posted by Liberdade Aqui! em 29/01/2011

Do R7.com

Protestos no Egito deixam ao menos 30 mortos

Número deve subir, no entanto, conforme relatos ao redor do país forem chegando

NAS RUAS Manifestante  no Egito segura cartaz com charge do brasileiro Carlos Latuff
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Ao menos 30 corpos foram levados ao hospital El Damardash no centro do Cairo (capital do Egito) nesta sexta-feira (28), após milhares de manifestantes irem às ruas exigir a renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak. A informação foi dada neste sábado (29) à agência de notícias Reuters por uma fonte do hospital.

Segundo a mesma fonte, duas das vítimas eram crianças.

Os números sobre os mortos, no entanto, divergem, conforme as fontes. A agência de notícias Associated Press, por exemplo, cita dados da polícia, que afirma que desde o início dos protestos, na terça-feira (25), ao menos 25 manifestantes, além de dez policiais, já morreram.

Outros serviços de notícias, por sua vez, já mencionavam dados médicos vindos de outras cidades – como Suez e Alexandria -, citando um total de ao menos 50 mortos pelo país.

A contagem, no entanto, deve aumentar consideravelmente nos próximos dias, segundo a polícia, na medida em que forem chegando dados de outros hospitais e necrotérios pelo país. Também há relatos de ao menos 750 policiais e 1.500 manifestantes feridos.

Protestos

Milhares de manifestantes voltaram a se concentrar no centro do Cairo na manhã de hoje para protestar contra o governo do presidente Mubarak. O exército egípcio, que recebeu ordens de reforçar a polícia, pediu, em uma nota, que “o grande povo do Egito (…) não se reúna em avenidas ou praças públicas, e que obedeça o toque de recolher (…) até segunda ordem”.

O líder opositor e prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, afirmou em entrevista à rede France 24 que Mubarak “deve ir embora”. Ele voltou de Viena (capital da Áustria) e foi ao Cairo para participar da mobilização popular.

– O presidente Mubarak não entendeu a mensagem do povo egípcio (…) Seu discurso foi totalmente decepcionante. Os protestos irão continuar com ainda mais intensidade até que o regime de Mubarak caia.

Mubarak demitiu ontem (28) o governo do primeiro-ministro Ahmad Fuad Mohieddin, numa tentativa de se manter no poder no Egito. O presidente, que está há 30 anos no poder, disse que nomeará um novo governo hoje.

Telefonia e saques

Os serviços de telefonia móvel, que tiveram papel fundamental na mobilização dos protestos, funcionavam apenas parcialmente na manhã deste sábado, um dia depois de bloqueado o acesso à internet, que ainda não foi restabelecido.

Em um subúrbio da capital egípcia, um supermercado foi saqueado na manhã de hoje. Dezenas de pessoas corriam pelas ruas carregadas de produtos roubados do mercado, situado próximo à entrada de Maadi, bairro conhecido pela grande quantidade de residentes estrangeiros, segundo testemunhas.

O supermercado, pertencente a uma rede francesa, fica em um centro comercial onde há também outras lojas ocidentais.

Além do Cairo, grandes manifestações foram reprimidas com violência neste sábado pelas forças de segurança na cidade de Ismailia, no nordeste do país, à beira do canal de Suez. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão, formada principalmente por estivadores, que foram afastados de suas funções hoje.

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