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Posts Tagged ‘EXTREMA DIREITA E MÍDIA GOLPISTA’

VELHA MÍDIA, O MAIOR PERIGO PARA O BRASIL

Posted by Liberdade Aqui! em 23/08/2011

POR EDUARDO GUIMARÃES, EM SEU BLOG

Não subestime a imprensa golpista

Você pode estar com raiva de mim pelo que tenho escrito sobre o governo Dilma. Ou pode estar achando o máximo. Dirijo-me, pois, aos que não gostam de ver críticas a este governo, até por razões compreensíveis.

De qualquer forma, se você for leitor desta página há algum tempo sabe que lutei muito pelo governo Lula e para ajudar a eleger este governo. E não pense que desisti. Não desisti, não sou oposição, não quero sabotá-lo, mas estou vendo coisas e julgo que tenho o dever de dizer o que vejo.

Estou errado? Ok, posso estar. Sou só um ser humano, afinal. Mas se erro, é com boa intenção. E se estou errado, nada se perderá. Sou apenas uma voz no deserto. Ninguém atribuirá a mim problemas que surjam para este governo. Isto é só um blog.

Agora, e se eu estiver certo? Acompanhe a minha linha de raciocínio e me diga onde ela é falha. Em vez de se revoltar comigo, responda as minhas dúvidas e contraponha argumentos à minha linha de pensamento. E vamos pesar tudo de novo.

Então vejamos:

Começam a surgir na imprensa denúncias contra ministros do novo governo. Nada demais, apenas o que sempre ocorreu com Lula por oito anos e que era previsível que continuaria ocorrendo.

Sistematicamente essas notícias se sucedem. Dia após dia, mês após mês, até chegarmos à sexta parte dos 48 meses do governo Dilma Rousseff.

Após prestigiar a imprensa que tanto a insultou (poste, terrorista etc), Dilma começa a demitir ministros ou a deixar que sejam fritos. Expurga nomeados pelos partidos aliados. Corrobora o noticiário.

Ok. Em seguida, o sujeito pensa: mas, espere aí… Quem nomeou essa gente toda? Faxina? Mas quem mobiliou essa casa? Ah, diz a imprensa, mas é só o que Lula impôs a Dilma. É o lixo do Lula.

Do outro lado, dizem que a imprensa não tem credibilidade para acusar…

Não tem mesmo? Bem, quando os três Poderes da República – inclusive o Poder Executivo – vão prestigiar a festa de aniversário de um órgão de imprensa, penso que dão a ele boa dose de credibilidade. Ou não?

Prosseguindo: Dilma está combatendo a corrupção, dizem. Mas que corrupção ela está combatendo? Também a do governo de São Paulo, que mantêm engavetadas mais de uma centena de CPIs? Não. É a “corrupção do próprio PT”.

As pesquisas corroboram que parte crescente da população está entendendo assim. Estão todas aí. Já escrevi sobre elas neste blog, exaustivamente. Até a própria Dilma admitiu que caiu nas pesquisas e disse que iria “ver o que aconteceu”.

Ok, ok, você não quer se pautar por pesquisas. Compreendo… Vá lá, não creia. Mas não me diga que não há embasamento para a minha tese. Ela tem até amparo estatístico, enquanto que a teoria contrária à minha nem isso tem.

Detalhe: o instituto Sensus apurou que 62% julgam que a tal “faxina” é prejudicial à imagem de Dilma e de seu governo.

O fato é que Dilma poderia fazer a tal faxina, mas teria que ir deixando muito claro em que contexto isso está sendo feito – por que aquelas pessoas foram nomeadas e ela aceitou, e que critérios há para deixar aliados indicarem pessoas para lidar com dinheiro público, por exemplo.

Enfim, as pessoas não são trouxas. Querem explicações. A tal faxina que Dilma promoveria é naquilo que ela mesma construiu.

E tem explicação. Há que explicar como é a administração pública. Há que explicar que não é lixo nenhum herdado do Lula. Tem que explicar, sim, porque é grave. Esse governo foi montado por Dilma Rousseff e ela pode explicar. Pelo menos é o que ainda penso.

Não subestime a estratégia da imprensa golpista. É só isso o que peço. Pode não acreditar em mim, afinal sou apenas um comerciante que inventou de ser blogueiro. Não sou um politólogo, confesso. Mas já andei acertando, uma ou outra vez.

É disso que tenho medo. Quando me vejo convencido como estou, fico preocupado. Não pode me culpar por isso…

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Lula – Dilma: A cegueira da velha mídia que impede de entender a lógica

Posted by Liberdade Aqui! em 24/07/2011

Do Portal Nassif

Para entender a estratégia Lula-Dilma

Enviado por luisnassif, dom, 24/07/2011

Apesar de surpreender a gregos e troianos, a estratégia política de Lula-Dilma Rousseff é relativamente fácil de desvendar.

A primeira peça do jogo é não imaginar Dilma dissociada de Lula. Não existe hipótese para ciumeiras, rompimentos. A diferença de estilo entre ambos não é semente para futuras disputas, mas peça essencial na sua estratégia.

Primeiro, vamos às afinidades políticas e à continuidade de ambos os governos.

  1. Ambos são sociais-democratas. Não se exija perfil revolucionário, nem mesmo estatizante, embora estejam longe de se constituir em neoliberais.
  2. São políticos focados em resultados sociais, como peça central de legitimação política, Dilma dando mais atenção à gestão, Lula à política (mesmo porque tinha Dilma para cuidar da gerência).
  3. Na política econômica, a prioridade absoluta é o controle da inflação. Câmbio, desindustrialização, juros, é resto. E resto é resto. Embora Dilma tenha formação desenvolvimentista, a realpolitik se sobrepôs às demais prioridades. Se a crise internacional piorar, pode criar vulnerabilidades nessa parte da estratégia.
  4. No plano político, a lógica não é do confronto, mas da soma. Dilma aprendeu com Lula a dividir os contrários em dois grupos: os adversários e os inimigos. O primeiro grupo é para ser cativado ou cooptado.

Diferenças periféricas

As diferenças de estilo entre Lula e o Dilma são periféricas, embora importantes na montagem da estratégia política. No plano econômico e ideológico, são governos de continuidade.

Muitos analistas – à direita e à esquerda – tomam a nuvem por Juno, as diferenças periféricas pelas essenciais. E acabam se confundindo na análise do governo Dilma e de sua estratégia política.

Os fatores utilizados pela velha mídia para desgastar Lula (fazendo muito barulho, embora influenciando apenas 5% do eleitorado) são desimportantes e nada tem a ver com as peças centrais de sua política.

No plano político, nos últimos anos  desenterrou fantasmas da guerra fria que se supunham extintos desde os anos 60. Na diplomacia, a questão iraniana. Na política interna, o pesado véu de preconceito contra Lula e o enfrentamento nos últimos anos. As críticas contra as políticas sociais foram devidamente enterradas pelos fatos.

Ao assumir, sem comprometer os pontos centrais de sua política, Dilma definiu um estilo diferente de Lula na forma, embora muito similar no conteúdo – inclusive surpreendendo os que supunham que partiria para um confronto direto com adversários.

Colocou a questão dos direitos humanos como foco da diplomacia, deu atenção a FHC, compareceu ao aniversário da Folha, nos últimos dias convidou jornalistas brasilienses para conversas no Palácio, respondeu rapidamente às denúncias consistentes.

Completa-se assim a estratégia.

Dilma se incumbe do establishment, que rejeita Lula. No plano midiático, blogosfera para ela é como a Telebrás – serve apenas para ajudar a regular a mídia. O mesmo ocorre com movimentos sociais e sindicatos.

Já Lula garante os movimentos populares, o sindicalismo, a blogosfera e a ala esquerda. E estende sua sombra sobre os adversários. Se endurecerem muito com Dilma, entra na briga. Se Dilma não se sair bem no governo, ele volta.

Perto dessa estratégia, a oposição só tem perna de pau: um guru que ensarilhou as armas – FHC -, um político esperto mas sem ideias – Aécio Neves – e um desatinado – José Serra.

Cumprir-se-á o vaticínio do sábio José Sarney, de que a nova oposição sairá das entranhas do governo.

Linhas programáticas

Em relação à continuidade, é importante não confundir algumas linhas de ação que permanecem as mesmas desde o governo Lula – mas que têm dado margem a confusões..

A primeira, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Criou-se a ideia de que, com Lula, a Telebrás assumiria todo o trabalho de levar a banda larga até a última milha (a casa do ccidadão). Nunca foi essa a ideia. A Telebrás foi ressuscitada com o objetivo de levar linhas de transmissão ligando cidades, atendendo provedores independentes, fortalecendo as linhas de transmissão, mas sem a pretensão de atuar no varejo. A possibilidade de atuar no varejo foi acenada apenas para demover as resistências das operadoras em aderir ao plano.

Não significa que seja um bom plano. 300 mb de tráfego por mês a 35 reais é brincadeira. Tem que se aprimorar a negociação. Mas a estratégia de amarrar as teles a compromissos de universalização é correta.

O segundo ponto é a chamada “lei dos meios”. Criou-se a ideia de que o projeto de Franklin Martins imporia limites aos abusos da mídia. A radicalização de Franklin foi muito mais no discurso do que propriamente nas propostas. A não ser a questão limitada da propriedade cruzada, o projeto era muito mais uma defesa dos grupos nacionais contra as grandes corporações internacionais e as teles.

A cegueira da velha mídia a impediu de entender a lógica do plano.

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O carisma do Filho do Brasil

Posted by Liberdade Aqui! em 22/07/2011

Do Conversa Afiada

O carisma de Lula no Parque D. Lindu. FHC corta os pulsos

 

Conversa Afiada reproduz depoimento do amigo navegante Jeorge.

Descreve a recepção que deram a Lula no Parque que tem o nome de sua mãe, D. Lindu, em Recife, um projeto de Oscar Niemeyer.

A descrição vale como um depoimento que você jamais verá no PiG (*).

Para o PiG (*) e sua extensão partidária, os cheirosos DEMO-Tucanos, episódios como esse de Recife são a prova da demagogia, do populismo, da manipulação grosseira da massa.

É o mesmo que diziam do Ministro do Trabalho de Getúlio, Jango, e do próprio Vargas – clique aquipara ler “Ferreira revista Jango, o que significa ‘populismo’, e como Gaspari levou um tiro no peito”.

Eles – Lula, Jango, Vargas (e Brizola) – não passam de manipuladores da “patuléia” …

Aí está o que faz o FHC cortar os pulsos:

Jeorge

Lula veio aqui ao Recife ser homenageado pela orquestra que ajudou a criar, a Orquestra Cidadã, formada por crianças carentes do bairro mais violento do Recife, o Coque. Ao chegar ao Parque Dona Lindu (nome de sua mãe), Lula teve a recepção que merece e que se repete em todo o Brasil: foi ovacionado. Pessoas chorando, gritando; Lula desceu do carro e correu para os braços do povo que tanto ama. Nunca vi carisma igual. Ele parece fazer parte da família de cada um dos que estavam lá.

Fiquei pensando: e se fosse FHC? Seria “ovacionado”, literalmente, pelos males que causou ao Brasil, principalmente para os mais pobres, tratados como cidadãos de segunda categoria.

Olhei o Lula fixamente, apertei sua mão e imaginei: é esse homem que agora está aqui, perto do povo, que é tratado com reverência pelos maiores líderes do mundo. É esse homem que apertou a minha mão que foi chamado por Obama, o homem mais poderoso do mundo, de “O cara”. Foi esse homem que sentou ao lado da rainha da Inglaterra, que foi chamado por Zapatero de “o homem que assombra o mundo”. Esse é Lula, o filho do Brasil, o gênio brasileiro, o pau-de-arara que chegou à presidência. Lula, o Doutor Honoris Causa da vida.

Lula, o maior exemplo de vida do Brasil. Lula, um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Tenho orgulho de você, Lula!

Em tempo: Sobre o Parque D. LinduShow de Lenine e imagens da inauguração.

Paulo Henrique Amorim, um populista

No Parque D. Lindu, o “populista” manipula a “patuléia”

 

 

 

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Lalo Leal: A Universidade e as leis para a comunicação

Posted by Liberdade Aqui! em 12/07/2011

Via blog Escrevinhador

A Universidade e as leis para a comunicação

publicada terça-feira, 12/07/2011 às 09:58 e atualizada terça-feira, 12/07/2011 às 09:19

 A Universidade e as leis para a comunicação

Por Laurindo Lalo Leal Filho, na CartaCapital

Passou desapercebido por aqui. Não fosse a menção feita pelo jornalista Eric Nepomuceno, na revista Carta Capital, poucos ficariam sabendo que a Ley de Médios argentina está sendo implantada, apesar da oposição feroz dos grandes grupos de comunicação locais.

Na noite de 21 de junho, a presidenta Cristina Kirchner apareceu em rede nacional de televisão para fazer um anúncio capaz de tirar o sono dos controladores monopolistas da radiodifusão. O governo abria, naquela data, uma licitação para a concessão de 220 novas licenças de serviço de audiovisual no país.

Como determina a lei metade dessas concessões será destinada a emissoras privadas e a outra metade dividida entre os governos estaduais, o federal e as organizações sem fins lucrativos. Fórmula encontrada para romper com oligopólio existente hoje na comunicação argentina.

Claro que a mídia comercial brasileira esconde esses avanços e quando fala da Ley de Médios argentina é para atacá-la, chegando habitualmente a tachá-la de censura, quando trata-se exatamente do oposto. Seu papel é o de permitir o acesso aos meios de comunicação de um número muito maior de atores sociais, hoje sem voz.

Mas aos que se opõem à lei interessa a omissão e a desinformação. Para isso usam uma estratégia eficiente: apropriam-se de um símbolo facilmente compreensível, como é a censura, e com ele carimbam a lei, interditando o debate de forma liminar.

A legislação argentina mereceria no Brasil estudos e debates mais sérios e aprofundados. As criticas feitas por aqui são superficiais, ecoando apenas o temor dos controladores da mídia nativa com o possível contágio da experiência vizinha.

Não é levado em conta o formidável trabalho de pesquisa realizado para se chegar ao texto final. Seus 166 artigos não caíram do céu. São resultado de um levantamento minucioso daquilo que existe de mais avançado no mundo, em termos de legislação para área das comunicações.

Dos meios comerciais não se pode esperar nada, além das críticas habituais. Os meios públicos pouco se dedicam ao tema e a internet o trata de forma esporádica. Mesmo as redes sociais, com conteúdos mais críticos, não tem como aprofundar a discussão e acabam, em determinados momentos, dialogando com os grandes meios nos mesmos níveis por eles impostos.

Resta como alternativa a Universidade, teoricamente menos sujeita às imposições externas. Mas parece que, no geral, ela não despertou ou não se interessou pelo assunto. Falo, obviamente, dos setores universitários ainda não cooptados pela grande mídia, propiciadora de cursos e eventos destinados ao conformismo e a alienação.

Fico a pensar na riqueza de um debate não só da Ley de Médios argentina, mas das experiências de democratização das comunicações que vêm sendo articuladas na Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai, por exemplo.

Ao invés de infindáveis e insossas discussões sobre “teorias da recepção”, tão ao gosto dos acadêmicos alinhados com “status quo” da comunicação, teríamos o pulsar da vida real das nossas sociedades.

A Universidade – pública ou privada – repousa sob um tripé formado pelo ensino, a pesquisa e a extensão. Um tema como o aqui proposto atenderia com desenvoltura esses três objetivos.

Colocaria o aluno em contato com a disputa que se trava no continente em torno do papel social da comunicação, deixando mais claro o cenário onde se dará, no futuro, sua atuação profissional.

Propiciaria uma ampliação no campo das pesquisas, necessitadas cada vez mais de interdisciplinaridade. O estudo da comunicação só ganha concretude quando dialoga com o Direito e as Ciências Sociais em geral.

E finalmente, a extensão se daria com a formulação de projetos e propostas capazes de contribuir para o debate político que se trava na sociedade em torno das novas leis para a comunicação.

A fundamentação existente na Ley dos Médios argentinos tem grande contribuição acadêmica e poderia servir como referência para a Universidade brasileira.

A íntegra de Lei de Meios da Argentina está disponível neste endereço: http://www.infoleg.gov.ar/infolegInternet/anexos/155000-159999/158649/norma.htm

 

Leia outros textos de Outras Palavras

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O poder “rompe” a igualdade básica entre seres humanos.

Posted by Liberdade Aqui! em 09/07/2011

Por Miguel do Rosário, em seu blog

Quem tem medo de Orson Welles?

Neste sábado frio, tomei o café da manhã bombardeado por manchetes globais sobre a nova denúncia do Procurador-Geral da República, Antônio Gurgel, contra o esquema do mensalão. E também por alguns desdobramentos da queda do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, cujas supostas estrepolias ainda não tive chance de abordar por aqui. Trata-se de uma excelente oportunidade para filosofar um pouco sobre aquele que possivelmente seja o mal mais antigo da civilização: a corrupção política.

Ao filosofar sobre o tema, porém, não pretendo com isso apelar para uma generalização conivente ou oportuna, apontando a escuridão do passado para acharmos as trevas de hoje menos sombrias. Ao contrário, gostaria de fazer uma abordagem que nos tornasse mais conscientes e mais indignados.

É um desafio.

Podemos começar por uma asserção corroborada tanto pelo senso comum quanto pela ciência política: o poder corrompe.

Não é uma afirmação moralista, embora seja uma avaliação, sim, bastante pessimista. A raíz do vocábulo “corromper” é forte: vem do latim “corrumpere”, que significa “destruir, devastar, arruinar, disperdiçar”. Mas também possui o significado de “alterar”.

Poderíamos ainda fazer uma gracinha pós-moderna e separar a palavra com tracinho: o poder co-rompe.

O poder “rompe” a igualdade básica entre seres humanos. A democracia é uma ideologia linda, um contrato político sofisticado, mas jamais conseguirá superar este trauma de nascimento: brincávamos todos juntos, éramos irmãos, amigos, iguais; de repente, tem alguém mandando, outro obedecendo.

Mesmo numa democracia perfeita, em que há sufrágio universal realizado com lisura, o trauma permanece, pois evidentemente entram em jogo pesados interesses econômicos. Não foi apenas o povo que votou em Dilma Rousseff; sua campanha custou bilhões de reais. Empresários apostaram em deputados, prefeitos, governadores. Cabos eleitorais investiram mais do que sua força de trabalho; correram riscos pessoais, às vezes até risco de vida. Todos querem, mesmo que finjam o contrário, cobrar a conta por tanto esforço.

Muitos psicólogos estudam as transformações ou desvios psicológicos provocados pelo poder nas pessoas. O fenômeno é analisado também por todo artista interessado na psicologia humana, e qualquer pessoa, de maneira empírica e desinteressada, tem sua própria teoria sobre o tema.

De maneira geral, há um consenso negativo sobre as consequências do poder. E isso porque há um fundamento igualitário que nos une a todos. Cidadãos de todas as ideologias, todos os credos, sentem uma invencível irmandade ao se verem no mesmo botequim, longe do poder, reclamando ou defendendo seus líderes. Podem até brigar mortalmente, mas será sempre uma briga entre irmãos, um fratricídio.

Esta irmandade entre os iguais torna-se clara com o tempo. Se antes Céline era condenado por seu antissemitismo e simpatia pelos nazistas, hoje o perdoamos não apenas por ser um grande artista, intérprete das misérias e angústias do espírito humano, mas sobretudo por ser um dos nossos, um homem comum, confuso, pobre, perseguido, frágil. Nunca o perdoaríamos se tivesse sido um político, um chefe militar.

O poder é entendido, todavia, assim como a democracia e a existência do Estado, como um mal necessário.

Mas a origem da corrupção política nasce desta ruptura básica. A partir do momento em que eu tenho poder, sinto-me mais livre do que outros cidadãos, e essa liberdade contamina a minha visão de mundo. Minha liberdade política torna-se desenvoltura moral.

Nesse ponto, unem-se todas as ideologias em sua gritaria contra os perigos do poder.

Por ocasião do escândalo Palocci, houve gente que atacou o ministro com o argumento de que a esquerda não poderia se igualar à direita no quesito  “pragmatismo político”, querendo dizer que não poderia se deixar se levar por uma suposta falta de ética presente organicamente na direita. Besteira. Falso moralismo. Aliás, o certo é criticarmos o “falso moralismo” e não o moralismo em si. O moralismo, o debate moral, é sempre necessário. Mas a corrupção política da direita só é maior porque ela se expôs por mais tempo ao poder. A partir do momento em que a esquerda se expõe ao mesmo sol, ela terá a pele bronzeada pela mesma radiação ultravioleta.

É preciso também que evitemos a injustiça de depreciar a nobre indignação moral do cidadão comum para com a roubalheira constante no alto escalão do poder como uma lamentável vulnerabilidade à manipulação midiática. O que acontece é justamente o contrário. A mídia manipula com astúcia (afinal este é seu principal trunfo) a desconfiança atávica do cidadão comum em relação aos donos do poder. Essa desconfiança, porém, é nobre. Pode-se dizer que ela é o fundamento da democracia, que é o regime político que melhor soube enfrentar os dilemas morais criados pela necessidade de nos organizarmos socialmente e com isso conferirmos poder a uns e não a outros.

Não é por outra razão que a sociedade, historicamente, tem sempre desprezo pelos bajuladores.

O grande barato dos comentaristas romanos, o que os tornou clássicos da literatura mundial, como Tácito e Suetônio, reside na liberdade crítica com que eles trataram os grandes nomes da política de sua época. Júlio César, por exemplo, ao mesmo tempo em que recebe inúmeros elogios por sua dedicação às agruras sociais do povo (Júlio César era do partido popular, a esquerda romana), é impiedosamente criticado (em Suetônio) por sua vaidade, cobiça, corrupção e outros defeitos terríveis.

Eles mesmo confessam, porém, que só puderam escrever com tal liberdade em função do seu distanciamento histórico e da relativa liberdade política de que ainda gozavam. Quando o totalitarismo passa a reger a vida romana, acabam-se as artes, a literatura, e a crítica política divertida, livre e saudável que havia germinado por séculos, tanto em Roma quanto na Grécia Antiga.

É por isso também que eu entendo e aprovo o esforço da blogosfera progressista em libertar-se da pecha de “chapa branca”. Ela quer ser crítica, livre, nobre.

Daí voltamos ao tema da corrupção política, mais especificamente a do governo federal e seus aliados, seja nos ministérios, seja nos estados.

A sociedade não pode ser tolerante ou leniente: o combate à corrupção deve ser implacável. Se provarem que Lula praticou um ilícito, que o esquartejem na rua; se provarem que Dilma prevaricou, que a degolem em praça pública! Obviamente uso hipérboles: as condenações devem passar pelos ritos institucionais, com todo o direito à defesa. Quer dizer, aí reside o ponto principal. A sociedade precisa aprimorar as suas técnicas de combate à corrupção não apenas para melhor capturar os bandidos, mas também para proteger os inocentes. Quer dizer, ninguém é inocente. Um político no poder, só pelo fato de estar no poder, arrasta consigo uma espécie de maldição. Ao longo de sua vida, acumulou adversários, invejas, equívocos. Seria difícil pensar num político, mesmo o mais santo e generoso, que não tenha praticado um ato de prepotência ou injustiça em sua carreira.

O aprimoramento das instituições, porém, deve visar o endurecimento do combate à corrupção, mas também evitar o agravamento desse preconceito atávico, genético, do homem comum contra o político.

E aí entramos na seara dessa ligação polêmica, às vezes positiva, muitas vezes negativa, entre as instituições que combatem a corrupção (ministerio público, justiça, polícias) e imprensa.

É notório que vários escândalos concretos de corrupção nascem de denúncias feitas pela imprensa comercial. Tal fato não deriva de nenhuma qualidade moral intrínseca a uma empresa de mídia em particular, embora devamos admitir que a existência de uma imprensa de oposição incentiva os inimigos ou desafetos do governo a denunciarem seus podres. É neste sentido que a blogosfera não vê problemas no fato da grande mídia brasileira ser uma imprensa de oposição. Ao contrário, blogueiros como Eduardo Guimarães afirmam que se sentem mais seguros em ter governos do PT justamente por saberem que haverá sempre denúncias; em caso de governos do PSDB, não há confiança de que a imprensa será tão diligente – pelo menos esta nunca usou com muita energia seu arsenal quando FHC fez de tudo para aprovar a reeleição para si mesmo (sem ao menos consultar o povo, como fez Chávez), manipulou o câmbio e vendeu nossas estatais a preço de banana.

O problema é quando esta ânsia de prender o ladrão leva o denunciante a querer fazer justiça com as próprias mãos, com isso cometendo outro tipo de injustiça, às vezes até mais grave, politicamente, do que aquelas que denuncia. Montesquieu, em seu clássico O Espírito das Leis, lembra que o falso testemunho e a calúnia, por seu potencial devastador contra a democracia e o delicado espírito de confiança mútua do qual ela precisa para sobreviver, eram considerados crimes hediondos em Atenas e na Roma republicana.

Quando todos os cidadãos são livres para se manifestar politicamente, as vozes mais estridentes que se levantam no meio da ágora não são, necessariamente, aquelas dos mais honestos e bem intencionados. Desde que nasceu a democracia, todo tipo de oportunistas, cínicos e mentirosos viram a oportunidade de usar suas qualidades para conquistar alguma coisa.

O que devemos fazer, portanto, na minha opinião, é apostar no fortalecimento das instituições de controle. Incentivar que sejam mais independentes e mais democráticas. Ao mesmo tempo, porém, temos que produzir uma cultura de respeito à defesa dos indivíduos, incluindo aí as autoridades políticas.

Quanto aos desvios éticos, eu acho que devem ser todos postos no papel. Não podemos nos expor a esse absurdo de condenarmos políticos com base na interpretação leiga e sempre preconceituosa do cidadão comum, para o qual todo político é um ladrão – e num sentido filósofico, todo político é um ladrão de nossa liberdade e do nosso sentido de igualdade.

Como fizeram com Palocci.

Pré-condenar um inocente é um crime tão grave ou pior do que roubar dinheiro público. O peculato devasta as contas do Estado, a pré-condenação solapa o Estado de Direito, ameaça a democracia e as liberdades individuais. O poder de condenar, enquanto um ato preponderantemente midiático, interessa somente à mídia. No tribunal midiático, não há nenhum rigor ou controle sobre os direitos sagrados da defesa. A mídia exibe um arremedo qualquer de defesa, em geral extremamente precário, e que, na maioria das vezes, é usado contra o próprio defensor. Isso sem contar os inúmeros artifícios semióticos que a mídia tem a seu dispor para demonizar um desafeto político: imagens, vídeos, charges, animações, programas de humor, entrevistas com personalidades da cultura, etc.

Tudo isso tem sido colocado, há tempos, nesta pesada conta que chamamos “liberdade de imprensa”. É um assunto complexo e delicado, pois nenhum democrata verdadeiro quererá tolher o direito sacrossanto dos jornais de meterem o pau em quem lhes convir. A própria entrada da Justiça nessa seara tem sido tratada como indesejável, desagradando inclusive a blogosfera.

A tendência dos regimes políticos modernos, em todo mundo, todavia, será a regulamentação democrática da mídia. A partir do momento em que os grandes jornais, revistas e canais de TV, recebem enorme quantidade de verbas públicas, oriundas da publicidade oficial, é necessário que estes órgãos se submetam a um código de ética público e democrático. Se quinhentas pessoas escrevem uma carta reclamando de uma matéria, e duas a elogiam, não é correto que o jornal publique somente as duas últimas, ou mesmo apenas uma de cada. É preciso que haja equilíbrio, bom senso e justiça. À imprensa cabe informar, denunciar, criticar e dar espaço aos produtores de cultura. O dono do jornal e o colunista tem o direito de expor livremente suas ideias e visões de mundo. Mas é preciso dar um pouco mais de proteção também ao indivíduo e à sociedade, que muitas vezes se veem totalmente desamparados diante da ferocidade midiática. Isso se consegue através de: 1) uma regulamentação que assegure tanto a liberdade da imprensa quanto o direito de resposta do cidadão; 2) uma política educacional que estimule o cidadão a manter uma postura tão crítica em relação à mídia quanto ela já o é em relação aos governos.

Por fim, a propria sociedade civil, através de seus canais privados (literatura, blogosfera, cinema, teatro) deve construir valores, símbolos e filosofias, que sirvam como armas para que o cidadão saiba enfrentar não apenas os desmandos de seus governantes, mas também as prepotências dos barões da mídia. O cinema americano, seja feita a justiça, tem feito isso desde a década de 30, com os filmes de Frank Capra, culminando com a obra-prima de Orson Welles, Cidadão Kane. O primeiro grande filme moderno tem como assunto principal a emergência desse poder sem controle, anárquico e totalitário ao mesmo tempo, que é o surgimento dos oligopólios midiáticos. Welles foi perseguido por toda a grande imprensa da época, chamado de comunista para baixo, mas a força de sua arte fê-lo triunfar no final. Esperemos que, um dia, nossos cineastas e escritores tenham a mesma coragem de Welles para denunciar problemas ainda mais graves no Brasil, pois o Cidadão Kane, ao contrário de nossos barões de Limeira, jamais apoiou um golpe de Estado e a derrubada de um governo democrático… A história brasileira precisa ser recontada para que possamos entender melhor o presente. As liberdades individuais, embora hoje tenham virado assunto de salão das dondocas do Instituto Millenium, são hoje ameaçadas não pelo Estado, que é regulado pelo sufrágio e pela separação dos poderes, mas por uma mídia oligopolizada e mafiosa, que age ao arrepio das leis para julgar e condenar seus desafetos, interferindo perniciosamente no processo democrático.

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CARTA PÚBLICA AOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

Posted by Liberdade Aqui! em 19/06/2011

DO VI O MUNDO

A carta da Pública aos blogueiros

Carta da agência Pública aos Blogueiros Progressistas

Caras e caros blogueiros,

É com muito prazer que escrevemos para vocês depois de dois meses de trabalho duro para construir um modelo viável de fazer jornalismo investigativo no Brasil.

A Pública, uma organização sem fins lucrativos, está apresentando suas primeiras matérias especiais.

Muito de vocês já conhecem o nosso site (www.apublica.org), e têm reproduzido as nossas reportagens nacionais e internacionais, o que nos faz acreditar ainda mais. Aos que não nos conhecem, convidamos a entrar na rede.

A Pública, agência de reportagem e jornalismo investigativo, foi fundada em março deste ano pelas jornalistas Marina Amaral, Natalia Viana e Tatiana Merlino para produzir e difundir investigações de interesse público que nem sempre têm espaço na imprensa tradicional.

Todas  as nossas reportagens são de livre reprodução, desde que citada a fonte. Nas próximas semanas teremos mais conteúdo inédito. Usem-no à vontade. Devemos espalhar o que diz respeito a todos nós…

Quem, como nós, cobre temas como direitos humanos, questões sociais e  justiça, sabe que estes são temas que não tem partido ou facção política; são essenciais para qualificar o debate que constrói a democracia brasileira.

É por isso que seguiremos fazendo jornalismo investigativo.

A Pública acredita na função social do jornalismo.

A Pública quer o fortalecimento do direito à informação.

A Pública acredita na transparência, como base da democracia.

A Pública é contra o segredo eterno de documentos públicos.

A Pública é contra o sigilo nos contratos da Copa.

Um abraço e até breve

Marina AmaralNatalia Viana e Tatiana Merlino.

PS do Viomundo: Agradecemos às jornalistas da Pública, bem ao como ao presidente-eleito do Peru, Ollanta Humala, que saudou no twitter o encontro dos blogueiros em Brasília.

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Da série Por Que a Elite Odeia Lula

Posted by Liberdade Aqui! em 06/02/2011

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

A era Lula e o emprego doméstico no Brasil

 

Da série Por Que a Elite Odeia Lula, este post aborda um dos capítulos mais comoventes de uma epopéia que, três décadas após seu início, ainda mostra sinais de fôlego. Trata-se da libertação dos escravos domésticos que teve lugar no Brasil durante o primeiro governo popular pós-redemocratização.

Vai terminando, neste país, a escravização de mulheres pobres e, quase sempre, negras, jovens e nordestinas por famílias brancas, de classe média e do Sul-Sudeste, que, sem dinheiro ou vontade para pagar salários dignos e cumprir a legislação trabalhista, conseguiram do Estado brasileiro, eternamente a serviço das elites, permissão para escravizar seres humanos.

Essa afronta aos direitos fundamentais do homem permeou o século XX e começou a se extinguir, no Brasil, na primeira década do século XXI. As garotas que se dispunham a trabalhar da hora em que despertavam até a hora de irem dormir, que era a hora em que os patrões faziam o mesmo, não mais se submetem, como ocorre em qualquer país civilizado.

Matérias do jornal Folha de São Paulo deste domingo deixam ver os dois lados da moeda, das oprimidas e dos opressores.

Pelo lado das oprimidas, reportagem sobre como está escasseando, no Sul-Sudeste maravilha, a mão de obra doméstica, de como os salários subiram e de como estão terminando jornadas de trabalho de 24 horas com folga a cada 15 dias.

Pelo lado opressor, crônica da socialite Danusa Leão, com aquele velho trololó de toda dondoca de São Paulo e do Rio sobre como as “madames” são “humanas” com as “suas” domésticas e de como recebem “ingratidão” em troco.

A madame à qual o jornal paulista dá grande espaço, aos domingos, para verter preconceitos políticos e sociais, escreveu, desta vez, um texto criminoso estereotipando toda uma categoria e vendendo a tese de que não se deve “dar moleza a essa gentinha”.

Abaixo, primeiro a boa notícia sobre o fim da moleza de gente como Danusa Leão… De quem reproduzo a diarréia intelectual logo em seguida.

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Achar doméstica vira desafio na metrópole

Famílias antes acostumadas a contar com serviços dentro de casa têm de adaptar hábitos ou pagar salários melhores

Brasil tende a seguir caminho dos países desenvolvidos, onde contratar empregadas é luxo, diz especialista

CRISTINA MORENO DE CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO

6 de fevereiro de 2011

Há 15 anos, bastava um anúncio de três linhas no jornal para atrair 200 candidatas a um emprego doméstico numa segunda de manhã.

Hoje, com ofertas também via SMS e internet, menos de 30 candidatas por dia vão às agências atrás de uma vaga, dizem profissionais de recrutamento ouvidos pela Folha.

O resultado da conta é que os salários subiram e está cada dia mais difícil de encontrar mão de obra disponível.

A diretora de RH Cinthia Bossi, 39, abriu mão de contar com alguém que dormisse em casa ou trabalhasse nos finais de semana. Chegou a trocar de empregadas seis vezes em cinco meses e vai ter que trocar pela segunda vez neste mês. Nos últimos três anos, o salário que paga subiu de R$ 600 para R$ 1.000.

Ela não é exceção. As donas de casa estão tendo que abrir mão de antigas “mordomias”, como ter uma auxiliar 24 horas por dia, com folgas quinzenais. “Já tenho amigas que abrem mão de alguém que cozinhe e colocam as crianças na escola mais cedo. Se querem a empregada no sábado, pagam hora extra.”

A técnica em alimentos Kátia Ramos, 34, também desistiu de ter alguém que durma em sua casa. Chegou a passar um mês sem empregada e babá -com quadrigêmeos de 1 ano e 11 meses e dois filhos adolescentes.

Ela cogita cortar de vez a despesa com o auxílio doméstico quando os filhos crescerem. Hoje, já ajuda nas tarefas da babá e cozinha.

Especialistas ouvidos pela Folha traçaram o seguinte panorama: mais mulheres entraram no mercado de trabalho, precisando cada vez mais de empregadas para cuidar de casa. Ao mesmo tempo, o aumento das oportunidades de trabalho e de educação fez com que menos pessoas quisessem seguir o trabalho doméstico, ainda muito discriminado, inclusive pela legislação do país.

“Estamos em um período de transição”, afirma Eduardo Cabral, sócio da empresa de RH Primore Valor Humano. “Talvez a próxima geração valorize mais a doméstica porque estão ouvindo mais os pais falando dessa dificuldade de encontrá-las.”

Para a pesquisadora do Insper Regina Madalozzo, esse período de transição, até haver uma real valorização do trabalho doméstico, ainda vai durar uns 20 anos.

Mas a curto prazo, diz ela, a relação entre patrão e empregado vai mudar, passando a ser mais profissional.

“A tendência é que se torne um luxo, ao menos nos grandes centros”, afirma Cássio Casagrande, procurador do Ministério Público do Trabalho e professor de direito constitucional da Universidade Federal Fluminense.

A experiência de Michelle Almeida, 29, é ilustrativa. Ela começou como babá em 2003, ganhando R$ 350 mensais e dormindo na casa dos patrões. Agora em seu terceiro emprego, após dois cursos de capacitação como babá, ganha R$ 1.300, de segunda a sábado, das 8h às 18h.

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Luta de classes

“Aprendi que a luta de classes começa dentro de casa, e mais especificamente, dentro da geladeira”

DANUZA LEÃO

FOLHA DE SÃO PAULO

6 de fevereiro de 2011

HÁ UNS DOIS ANOS tive uma diarista que começava a trabalhar muito cedo -por escolha dela; às 6h ela já estava em minha casa. Uma morenona bem carioca, simpática, risonha, disposta, sempre de altíssimo astral. Gostei dela, e como detesto fazer ares de patroa – e não sei –, tínhamos uma relação amistosa e legal, como devem ser todas as relações.

Algum tempo depois, comecei a fazer aula de natação em um clube que fica a uns 500 metros de minha casa. A aula era às 7h, mas e a preguiça? Preguiça de levantar da cama, e enfrentar a distância ficou difícil. Tive então uma ideia: levá-la comigo. Assim, teria companhia para ir e voltar, e seria mais fácil a caminhada.

Vamos deixar bem claro: não foi nem um ato de gentileza de minha parte, nem pensei apenas em meu proveito.Achei que seria bom para as duas, e ela, que talvez nunca tivesse entrado numa piscina, ia adorar.

Perguntei se gostaria, ela ficou toda feliz, e, a partir daí, todos os dias íamos juntas, conversando.
Eu pagava minha aula e a dela, e às 8h30 estávamos de volta, alegres, falando sobre nossos progressos.

Já que não posso mudar o mundo, pensei, estou exercendo o socialismo -ou a democracia- pelo menos em meu território. Mas notei que a cada vez que contava isso para os amigos, nenhum deles dizia uma só palavra; nem para achar que tinha sido uma boa solução, nem para ficar contra, nem ao menos para achar alguma graça. Silêncio geral e total.

O tempo foi passando. Comecei a perceber pequenos desvios no troco, às vezes dava por falta de uma das três mangas compradas na feira, os picolés que guardava no freezer desapareciam, os refrigerantes e sabonetes também, e eu pensava: “tem dó, Danuza, afinal ela toma duas conduções para vir, duas para voltar, a grana é pouca, se ela fica com oito ou dez reais da feira, é distribuição de renda. E se comeu metade do Gruyère, dizer que o queijo francês é só seu, é um horror”; e assim fomos indo.

Fomos indo até que um dia viajei por um mês, e quando voltei, houve problema com um cheque; coisa pouca, mas ficou claro, claríssimo, que tinha sido ela, e tive que demiti-la, o que aliás me custou bem caro, em dinheiro e pela deslealdade.

Depois da demissão, fui descobrindo coisas mais graves -e nem vou contar todas, só uma delas: nos fins de semana, ela vinha com o marido, punha o carro na garagem do prédio e o casal passava o fim de semana na minha casa.

Depois de recibos assinados, tudo liquidado, chegou a conta do telefone do mês em que estive fora: havia 68 ligações para um único celular. Liguei para o número e soube que era de um funcionário do clube de natação, que ela paquerava.

Quando entrou a substituta, tive que comprar lençóis, toalhas e um monte de coisas que ela havia levado. Sei que não sou um modelo de dona de casa, mas alguém conta todos os dias quantos lençóis tem? E tranca os armários? Não eu. Durante um bom tempo fiquei mal: pela confiança, pela traição, depois de quase dois anos de convivência. E agora?

Não sei. Afinal, somos ou não somos todos seres humanos iguais, como me ensinaram? Ou é preciso mesmo existir uma distância empregado/patrão, como dizem outros? Ou esse foi um caso singular?

Aprendi que a luta de classes começa dentro de nossa casa, e mais especificamente, dentro da geladeira. E enquanto o mundo não muda, passei a comprar queijo de Minas, que além de tudo não engorda.

 

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Luciano Huck & Angélica e a revista Veja: fortalecendo o conservadorismo

Posted by Liberdade Aqui! em 03/02/2011

Do blog Somos Andando

O bom-mocismo de Veja

Uma revolução pode mudar a cara do mundo islâmico. O Norte da África convulsiona-se diante de suas ditaduras e, mesmo diante da dificuldade de enfrentar governos aliados dos Estados Unidos, o povo vai às ruas e caem os ditadores da Tunísia e do Egito.

Na capa da revista de maior vendagem no Brasil, sorriem abraçados Angélica e Luciano Huck, a família feliz. Feliz e alheia a tudo o que acontece no mundo. E a revista retrata e reforça o mundinho pequeno e tacanho de quem vive independente dos outros, porque no seu mundo de luxo e riqueza só entram alguns.

Então, vejamos, a geopolítica mundial está em jogo, e duas pessoas que não contribuem de forma alguma para melhorar a sociedade – aliás, sequer para piorá-la, simplesmente não contribuem – estão na capa da Veja.

Revolução cultural

Foram precisas décadas para que a cabeça fechada e quadrada de grande parte da sociedade se abrisse um tanto para o diferente. Para que o diferente não fosse marginal, para que aqueles que não se enquadram no perfil certinho do casal perfeito – geralmente perfeito apenas pra fora – pudessem ser respeitados dentro de suas características próprias.

Resumindo, foram muitos anos – séculos, talvez – para que o perfil ostentado pela Veja nesta semana como o ideal não fosse o único possível. Para que o casal perfeito fosse desmistificado. Para mostrar que o bom-mocismo exagerado geralmente é de uma enganação tremenda. Para quebrar a tradição conservadora de quando quem se tinha que ir à Igreja todos os domingos e sexo era só papai-e-mamãe (quando feito entre o papai e a mamãe, porque o papai fazia de jeitos diferentes com outras moças por aí), em uma hipocrisia danada.

Mas uma parcela da sociedade, aqueles que têm dinheiro e especialmente os novos-ricos – não a nova classe média, que é bem diferente -, ainda tem no casamento – na tradição, família e propriedade – seu ideal de vida. E, olha a coincidência, essa parcela é justamente os que consomem a Veja. Então, contrariando o princípio de jornalismo como um serviço público, o que a revista faz é se desdobrar para agradar os seus leitores – mesmo que a maioria deles não tenha essa utópica família feliz.

A Veja tenta a todo custo fortalecer o conservadorismo do brasileiro. Sem esquecer que dentro desse conservadorismo moram aqueles preconceitos exacerbados pela campanha Serra, contra todos aqueles que a elite cansa de classificar como de segunda classe, por sua cor, seu gênero, sua localização geográfica, sua orientação sexual ou o que for.

Para isso, negligencia o jornalismo. Qualquer manual da profissão mostraria claramente que a capa da semana é a revolta no Egito, sem sombra de dúvidas.

Consequência política

Mas, como a revista não dá ponto sem nó, a valorização desse casal vai além. É sabido pela comunidade do Twitter e de outras redes sociais que Luciano Huck defendeu a candidatura tucana à Presidência da República. Inflá-lo confere credibilidade a uma opinião que em qualquer sociedade minimamente respeitável não seria sequer ouvida. Afinal, o que um apresentador de TV sem conteúdo pode fornecer de útil em um debate eleitoral?

Mas assim, mostrando Huck e Angélica como seres humanos quase perfeitos, tudo muda. Sua credibilidade aumenta e se criam as condições para uma futura aceitação de suas opiniões.

Relevância

Fora que, por favor, é não ter o que falar…

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Chega a dar uma tristeza de ver no que se transformou a revista que outrora, quando nas mãos de Mino Carta, enfrentou a nossa ditadura.

 

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Desmitificando o lugar-comum que a mídia e a oposição plantaram em mentes acríticas

Posted by Liberdade Aqui! em 01/02/2011

Do Portal Vermelho

Outra tarefa para Lula

Sidnei Liberal *

Nada do que será dito aqui terá qualquer nível de dificuldade para sua comprovação. Basta consultar fontes confiáveis e fazer a leitura crítica da mídia especializada. Consultar especialistas sem nenhum tipo de compromisso com as paixões político-partidárias. Há alguns.

Por isso, por haver, na qualidade de estudante de Jornalismo, pesquisado o tema, tomo mais uma vez a liberdade de sugerir ao ex-presidente Lula que, de mãos livres e de sentimentos livres, desmitifique o lugar-comum que a mídia e a oposição plantaram em mentes acríticas ao alardear que o governo Lula foi uma continuação do governo anterior.

Em março de 2009, o editor Fareed Zakaria, da revista britânica Newsweek¹, dizia ao presidente brasileiro ser ele “provavelmente o líder mais popular no mundo”. E perguntava: “Por quê?”. Lula respondeu: “nós tentamos provar que era possível desenvolver crescimento econômico simultaneamente com melhora na distribuição de renda”. Essa é provavelmente a grande diferença do Brasil de hoje para o Brasil de ontem, o Brasil do FMI. E qual será este Brasil do FMI?

Ainda no primeiro mandato FHC, quando o real, a moeda brasileira, estava indo pelo ralo, Clóvis Rossi, repórter especial da Folha de S Paulo, perguntava por e-mail² a Jeffrey Sachs, atual diretor do “Instituto da Terra” da Universidade Columbia, de Nova York, que “já foi considerado, pela revista Time o economista mais influente do mundo”, se ele concordava que o real estava derretendo. Ao que Sachs respondeu, quase que imediatamente: “Quando você receber esta mensagem, (o real) já terá derretido”.

“Foi por pouco, muito pouco” (que não derreteu), comentou Rossi. Embora a hipocrisia militante antilulista do jornalismo brasileiro, em especial o da área econômica, tenha ocultado o fato por três períodos eleitorais (2002, 2006 e 2010), todos sabemos que Bill Clinton fez aportar em nosso tesouro um pacote de 45 bilhões de dólares. Pacote que salvou o segundo mandato do seu leal amigo FHC e manteve afastado um perigoso “malfeitor”, de nome Lula da Silva. Ao mesmo tempo, escancarou nosso Tesouro ao comando do FMI.

Repete-se acriticamente que os fundamentos da economia no governo Lula foram herdados do segundo mandato de FHC. Um mandato totalmente monitorado pelo FMI. De positivo, o fim da farra irresponsável do compadrio com a “livre iniciativa” do primeiro mandato. Compadres ganharam bancos e empresas públicas, empresários amigos se locupletaram do dinheiro público, na farra das privatizações. 27 CPIs foram abafadas no Congresso Nacional. O FMI, claro, agia para proteger seu rico dinheirinho, cada vez mais engordado por juros estratosféricos. Ficou para Lula, no entanto, a dica da proteção da poupança nacional. O resto desta história o mundo, hoje, conhece muito bem.

Agora, num campo mais pedagógico, passadas as paixões do processo eleitoral, cabe analisar uma carta aberta³ que o professor Theotonio Dos Santos enviou ao ex-presidente FHC em resposta a outra carta aberta deste ao então presidente Lula. Era véspera da eleição e os marqueteiros tucanos insistiam em ocultar dos seus eleitores a era e a figura de FHC. Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da Unesco e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimento sustentável. Foi companheiro de FHC e Serra no exílio chileno dos anos 60.

“Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo.” (…) Inflação das mais altas do mundo… A crise de 1999, fruto de irresponsabilidade cambial eleitoreira suicida (um dólar = um real, lembra?)… A dívida pública brasileira passou dos 60 bilhões de reais para 850 bilhões de reais…”

Disse mais o professor Santos: “Nem falar da brutal concentração de renda que (sua) política agravou drasticamente neste país da maior concentração de renda no mundo… Um fracasso econômico rotundo… Uma dívida sem dinheiro para pagar”. Enfim, mais informações ao ex-presidente Lula, a quem cabe desmascarar o mito de um plano real na verdade fracassado, mas alavancado na hipocrisia da imprensa brasileira, a serviço de um duvidoso projeto tucano, sustentado em suspeitas alianças internacionais e nacionais.

Carta aberta a Fernando Henrique Cardoso

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, todas as economias apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. tivemos no seu governo uma das mais altas inflações do mundo. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ora, uma moeda que se desvaloriza 4 vezes em 8 anos pode ser considerada uma moeda forte? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos, para em seguida depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros normais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo… te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 bilhões de dólares do FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, um fracasso economico rotundo que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth), mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço

Theotonio Dos Santos

Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da Unesco e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Comparando números


É bom que o povo analise dois modelos opostos, para poder tomar a decisão acertada por ocasião da eleição, não deixando de comparar os números de cada grupo que governou o país por oito anos, ambos na vigência do Plano Real, o qual foi implantado pelo governo Itamar Franco, para o controle da inflação e que equiparava o Real ao Dólar, ou seja: R$ 1 = US$ 1.

Tudo bem, FHC conseguiu controlar a inflação, porém, escancarou as nossas contas ao FMI que a cada dois meses nos ditava as medidas econômicas, entre elas as privatizações do patrimônio público, mandando arrochar salários, chegando aquele governo a chamar o aposentado de vagabundo, suspenderinvestimentos de infra-estrutura estrutura em todos os setores da economia, ao ponto de ocasionar o apagão elétrico e de haver greves sucessivas nas universidades federais, porque a prioridade era acumular reservas cambias para amortização da nossa dívida externa, culminando com a grande arte de mexer na política cambial, promovendo a maxidesvalorização do real e elevação das taxas de juros, causando aumento da dívida externa, que somente de 1995 a 1999 deu um salto de US$ 153 bilhões para 241 bilhões, beneficiando o esquema fraudulento dos mega-especuladores, a exemplo de Cacciola, o qual depois de encher os bolsos de bilhões de dólares, fugiu da Itália. Muitos têm saudades daquele tempo em que a roubalheira era acobertada e os corruptos protegidos. Catorze CPIs sufocadas.

Quando Lula assumiu o governo, as rodovias em todo o Brasil eram uma buraqueira só e as desigualdades regionais eram gritantes. A fuga de capitais era enorme, com o Risco Brasil atingindo a marca dos 2.000 pontos, reduzida no governo Lula para 250 pontos.

Lula teve coragem de tomar decisões que FHC não quis tomar. Assim, Lula pagou a dívida externa, ordenando que os técnicos de FMI nos deixasse trabalhar. Tratou de reduzir as desigualdades regionais criando o Bolsa Família, como também o PAC, que é o maior programa do país em criação de emprego e renda,com investimentos de infraestrutura em abastecimento d’água, irrigação, construção de hidrelétricas e duplicação de rodovias e também na construção das UPAs e hospitais, apesar dos senadores da oposição terem derrubado a CPMF.

O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) declarou na Veja de dezembro de 2009 que se o PSDB ganhasse a eleição, o PAC seria extinto, porque era eleitoreiro. Isso implicava em acabar com a transposição do Rio São Francisco, a qual não é eleitoreira, mas de grande alcance social, pois vem melhorar as condições de vida de 12 milhões de nordestinos, proporcionando emprego e renda ao povo do semiárido que trabalha no campo produzindo alimentos, resultado convreto do combate à fome e ao êxodo rural.

Espero que esse povo pense, para que o Brasil não mude, não retome as privatizações entreguistas, não acabe com o PAC, nem com a Transposição do Rio São Francisco e que se mantenha a redução das desigualdades regionais, com a distribuição justa e igualitária dos royalties do pré-sal.

Antônio Alfredo Coelho Belviláqua é economista

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* Médico, membro da Direção do PCdoB – DF
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.

 

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Analisando a velha mídia: os olhos de um repórter amestrado

Posted by Liberdade Aqui! em 28/01/2011

Via Blog do Nassif

O relato do repórter da Folha alvejado pela PM

Enviado por luisnassif, sex, 28/01/2011

Por Chico Rasia

Há duas semanas, protesto contra os aumentos da tarifa de ônibus foram reprimidos violentamente pela PM paulista. O episódio passou largamente despercebido na grande mídia, apesar de um repórter da Folha de São Paulo ter sido atingido por uma bala de borracha enquanto filmava o protesto do dia 13 de janeiro de 2011.

Com a colaboração de minha colega Catiane, reproduzo, e comento, abaixo, o texto de Iuri de Castro Tôrres, publicado uma semana após o incidente:

20/01/2011 – 16h24

Repórter do Folhateen fala sobre a experiência de cobrir um protesto de estudantes

IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO

Não é legal levar um tiro de borracha na testa. Dói. Na verdade, dói muito.Comentário: onde caberiam expressões como “truculência”, “força excessiva”, “brutalidade policial”, “assimetria”, o repórter usou um mero “não é legal”. Imagino que não seja, mesmo, nada agradável levar um tiro de borracha na testa, mas a escolha de palavras de Iuri evade (intencionalmente?) todas essas questões em troca de uma posição binária: ser ou não ser legal (me lembra o “inbom” da novilíngua de Orwell).

Filmava um protesto para uma reportagem especial do caderno Folhateen, quando percebi um princípio de confusão com a polícia: alguém estava sendo preso. Comentário: o repórter estava filmando o protesto, que recebeu pouco destaque; a Folha só publicou o vídeo do episódio dois dias depois, em 15 de janeiro.

Policiais empunhando espingardas carregadas com balas de borracha tentavam afastar os manifestantes, que apontavam dedos e pediam a libertação do colega. Confusão armada. Comentário: com duas palavras o repórter já dá a entender que os manifestantes prepararam a confusão.

Disparando tiros a torto e a direito, conseguiram, em parte, dispersar as pessoas, que, com raiva, começaram a quebrar tudo ao redor.Comentário: o que causou o quebra-quebra? Ora, da raiva dos manifestantes.

A solução? Bombas de efeito moral. Essas, sim, são assustadoras. Todos correram, enquanto os disparos continuavam. Comentário: Solução para que? Para lidar com grupos de baderneiros? A escalada do confronto, o uso das bombas de efeito moral, são apresentados pelo repórter como algo natural, necessário e recomendável. “A” solução: uma única solução possível que exclui todas as outras: a negociação, o diálogo, a mediação, a solução não violenta do conflito.

Quando me virei para tentar captar a cena, “paft”, levei uma bala na testa. Como repórter não é herói, corri e me abriguei em uma galeria. Comentário: afinal, trata-se apenas de uma brincadeira (ao contrário do trágico Franz Biberkopf, uma martelada na cabeça não parece ferir a alma de Iuri…).

A adrenalina baixou, o galo na testa cresceu, respirei fundo e fui fazer o meu trabalho: perguntar a um policial (será que ele que atirou em mim?) informações oficiais sobre o ocorrido. Comentário: é interessante pensar como a “pretensa” neutralidade jornalística aqui é usada. O repórter leva uma bala de borracha no meio da testa e na primeira oportunidade que tem de tirar satisfações com a polícia, apenas procura por “informações oficiais”? Isso não representaria a sugestão de uma conduta aos leitores do caderno?

O trabalho do repórter, nesse caso, não deveria ser discutir as causas do confronto? Discutir a importância do trabalho da imprensa na defesa dos direitos dos cidadãos, fiscalizar a ação policial? Ademais, nessas situações de confronto, procura-se informação junto ao comando da autoridade policial e não junto a um policial qualquer em campo.

(original em: http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/863542-reporter-do-folhateen-fala-sobre-a-experiencia-de-cobrir-um-protesto-de-estudantes.shtml)

 

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