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Assim nascem os mitos: “A primeira sede do Corinthians foi o céu estrelado do Bom Retiro”

Posted by Liberdade Aqui! em 21/10/2011

Via Ecrevinhador

A abertura da Copa no estádio do Corinthians

 publicada sexta-feira, 21/10/2011

Por Felipe Carrilho

“A primeira sede do Corinthians foi o céu estrelado do Bom Retiro”, escreveu Lourenço Diaféria no livro “Coração Corinthiano”, obra publicada e esgotada em 1992 e inexplicavelmente não reeditada até hoje.

Na frase lapidar, o cronista da Pauliceia dá conta das origens modestas do Corinthians e faz referência direta ao episódio da fundação do clube. A história é conhecida. Na noite do dia 1º de setembro de 1910, cinco jovens operários, Antônio Pereira e Joaquim Ambrósio – pintores de parede –, Anselmo Correia – cocheiro –, Carlos da Silva – trabalhador braçal – e Rafael Perrone – sapateiro, reuniram-se sob a luz de um dos lampiões a gás que iluminavam a cidade naquela época para combinar a criação de um time de futebol. O Corinthians nascia sem teto.

A questão da “casa própria” está presente na história do Corinthians desde os seus primórdios, encravada no que alguns poderiam chamar de “mito de fundação” do clube. É um dos elementos constitutivos do seu imaginário, do conjunto de sentimentos, motivações e valores que o time inspira nas pessoas, assim como a sua vinculação com as classes populares ou setores historicamente marginalizados da nossa constituição social. Primeiro os operários, depois os negros, como Jaú, zagueiro dos anos 1930, que se tornou pai-de-santo ao encerrar a carreira, além dos nordestinos, que chegavam em multidões à capital paulista e se identificavam com o craque Servílio, e por aí vai.

É partindo desse caráter plural e popular que se pode sondar a própria disposição física das instalações atuais do clube no Parque São Jorge. Aos pés da estátua do santo católico é comum encontrar pedidos de fiéis, oferendas e velas de diversas cores, principalmente azul, o pigmento de Ogum, orixá que corresponde a São Jorge nos candomblés do sudeste do Brasil.

O sabor popular do Corinthians está cristalizado no imaginário do futebol brasileiro porque repousa em episódios concretos ocorridos reiteradamente ao longo de sua história factual. A face mais politizada dessa vocação foi o movimento liderado por Sócrates, Casagrande e Wladimir nos anos 1980, a famosa Democracia Corinthiana. Mas a própria saga do clube em busca de “moradia” também se enquadra nessa perspectiva.

A primeira casa da torcida corintiana não foi exatamente um estádio. O Corinthians treinou entre 1910 e 1915 num antigo pasto onde a Companhia Viação Paulista guardava seus cavalos e burros que puxavam os bondes, ainda sob tração animal naquele tempo. Os jogadores tomavam banho no bebedouro dos animais após os jogos. O terreno estava ocupado por um vendedor de lenha quando o Corinthians instalou ali o seu campo. Vem desse fato o nome “Campo do Lenheiro”. Foi treinando ali que o Corinthians conseguiu passar do futebol varzeano para o oficial.

Com a ajuda do influente intelectual José de Alcântara Machado, o Corinthians conseguiu arrendar da Prefeitura o terreno onde inaugurou o seu primeiro estádio, em março de 1918. O estádio da Ponte Grande localizava-se na rua Itaporanga, ao lado do Campo da Floresta, da Associação Atlética das Palmeiras. O gramado e até as arquibancadas foram construídos por jogadores, torcedores, sócios e membros da diretoria em sistema de mutirão.

Apesar da boa localização do estádio, o crescimento do número de associados e torcedores fez com que a diretoria ambicionasse um terreno maior, onde pudesse instalar outras dependências do clube. Em 1926, o Corinthians adquiriu a primeira gleba do terreno onde hoje se localiza a Fazendinha, o estádio Alfredo Schürig – homenagem ao ex-presidente e empresário que ajudou financeiramente o clube em diversas oportunidades.

Naquela época, a zona Leste era uma espécie de cinturão verde da cidade, com muitas chácaras e fazendas. A chegada do clube contribuiu para o desenvolvimento do bairro do Parque São Jorge e talvez de toda a região.

A partir da década de 1950, o Corinthians começou a disputar os seus jogos com maior frequência no estádio municipal do Pacaembu. Em seu gramado, a famosa linha de ataque formada por Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário marcou grande parte dos 103 gols anotados no Campeonato Paulista de 1951. O Corinthians viveu momentos épicos no Pacaembu, como a conquista do campeonato de 1951, a do IV Centenário da cidade, em 1954, a quebra do tabu contra o Santos de Pelé, em 1968. O Pacaembu se tornou uma espécie de casa informal do Corinthians.

Mas o estigma de clube sem teto perdurou, ao menos até o anúncio oficial do estádio de Itaquera como aquele que irá receber a abertura da Copa de 2014. Para além de politicagens ou brigas de bastidores, com partes diretamente interessadas ou outras com interresses indiretos lançando mão de artifícios dos mais variados para viabilizar ou não o empreendimento corintiano, fica aqui uma questão de fundo pouco discutida na grande mídia.

Por trás da indignação seletiva de boa parte dos críticos e, mais flagrantemente, dos deboches claramente elitistas ouvidos nos escritórios, redações de jornal ou nas esquinas da cidade, parece existir certa repulsa diante de um avanço histórico de um movimento popular (não necessariamente no sentido político ou ideológico do termo) como é o Corinthians. A construção do estádio de Itaquera causa uma náusea cujas raízes devem ser procuradas no nível do imaginário do futebol brasileiro.

Felipe  Carrilho é historiador e autor do livro “Futebol, uma janela para o Brasil – As relações entre o futebol e a sociedade brasileira”

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A Nação Corinthiana está perplexa. Devolvam o SCCP a seu Povo!

Posted by Liberdade Aqui! em 05/02/2011

Via blog da Maria Frô

“Tirem suas mãos infectas do nosso Corinthians. Devolvam-no a seu povo! Já!”

Assino embaixo o manifesto da torcida organizada corinthiana.

Corintianos distribuem panfletos com manifesto pedindo saída de jogadores

Por: Guilherme Palenzuela e Rodrigo Vessoni no Lancenet
05/02/2011
São Paulo (SP)

Alto valor do ingresso também é motivo de revolta (Foto: Tom Dib)

Uma das torcidas organizadas do Corinthians já iniciou protesto na frente do Centro de Treinamentos Dr. Joaquim Grava. A “Resistência Corinthiana 777″ está distribuindo panfletos com um manifesto.

Os principais pedidos dos torcedores são os desligamentos de membros da diretoria e comissão técnica e a demissão de alguns jogadores do elenco.

Leia na íntegra o manifesto:

Devolvam o SCCP a seu Povo

A Nação Corinthiana está perplexa. Alcançamos Fevereiro de 2011 em fúria. O Sport Club Corinthians Paulista vive momento único de humilhação, desmando e destruição de sua cultura e tradição.

O Corinthians nasceu para ser o time do povo. E para ser por ele construído, conforme estabeleceram os heróis fundadores, no Bom Retiro, em 1910.

Hoje, no entanto, esses valores estão sendo solapados por uma política interna de elitização, loteamento e apropriação indébita.

O clube que orgulhosamente nasceu dos operários, carroceiros e lavadeiras mantém hoje um vergonhoso regime de “apartheid”, no qual a maior parte dos ingressos é reservado aos mais favorecidos.

Os mais humildes, muitas vezes os mais apaixonados pelo Timão, são trancados do lado de fora dos estádios. Para os dirigentes do clube, essa segregação é inevitável e chique.

Lamentável que se patrocine na agremiação um processo contrário àquele em curso no país. Se o Brasil incluiu milhões de cidadãos, Andres Sanchez e L. P. Rosenberg excluem.

Esse desvario elitista afasta hoje até mesmo a classe média dos estádios. Ingressos de setores como a Especial Laranja tiveram aumento de até 500% nos últimos anos.

Isto é um acinte, um atentado contra os pilares da estabilidade econômica.

Muitos desses fiéis de razoável poder aquisitivo foram obrigados a migrar para as arquibancadas e tobogã do Pacaembu, obviamente reduzindo os lugares destinados aos trabalhadores de menor poder aquisitivo.

Essa prática sistematizada de elitização tem esvaziado as áreas de público nas laterais do campo. Dessa forma, reduziu-se tremendamente o impacto do fator torcida nas partidas do time.

Todo esse projeto de desvirtuamento tem origem numa visão atrasada, tola e ultrapassada do negócio-futebol. Sanchez e Rosenberg copiam no microcosmo os idiotas especuladores que meteram o mundo na crise de 2008-2009.

Num momento em que o mundo empresarial trata de desenvolvimento humano sustentável, inclusão social e abertura de novos mercados, o Corinthians regride historicamente, reduz seu contingente de fiéis-torcedores-consumidores efetivos e estreita seus horizontes de crescimento consistente na obtenção de receitas.

Num período em que milhões de brasileiros ascenderam à classe C, a equivocada política corinthiana é de fidelizar prioritariamente os representantes da classe A.

Não há dúvida de que um clube moderno necessita de recursos, mas eles são meio e não fim.

Um clube de futebol existe para dar alegria e satisfação a sua gente, e não para enriquecer grupos criminosos de interesse ou espertalhões de boa lábia.

Nesse processo de desconstrução violenta da cultura corinthiana, o que era da imensa Nação foi repartido entre grupos de cartolas e agentes sequiosos por predar o patrimônio do Corinthians, o que inclui seus ativos intangíveis.

Esse loteamento constituiu pequenas máfias que controlam, sobretudo, a contratação de atletas. O que está em jogo atualmente é o business particular, e não o interesse da Fiel Torcida, verdadeira dona da instituição.

Hoje, o clube gasta milhões com jogadores descompromissados, incapazes ou simplesmente inativos. É a maior folha salarial do Brasil.

Se recebem fortunas todo mês, é fato que esses valores provêm do investimento de cada corinthiano em ingressos, produtos licenciados ou aquisição de produtos de patrocinadores diretos e indiretos.

Se não há justa retribuição em forma de trabalho e dedicação, caracteriza-se apropriação indébita dos recursos da Nação Corinthiana.

São muitos os exemplos desse descaso com os verdadeiros mantenedores do clube.

No Campeonato Brasileiro de 2009, não houve o devido empenho, tampouco disciplina organizativa. Assim como no Paulista de 2010, na Libertadores de 2010 e no Campeonato Brasileiro de 2010.

Nesse último, a república dos marajás usurpadores fugiu a suas responsabilidades no momento crucial do torneio, desperdiçando a chance de oferecer à torcida o merecido presente do Centenário.

E, pior, como proeza, empataram com o Goiás C no último jogo, o que nos atirou de modo infame na Pré-Libertadores.

Não é preciso relembrar o que ocorreu nessa disputa. A Fiel foi humilhada por um grupo desordenado de atletas abobados, sem vontade, sem garra e sem qualquer compromisso com nossa tradição de luta.

Uma das maiores vergonhas de nossa história.

Em vista desta completa descaracterização, a Fiel Torcida exige mudanças imediatas na gestão do clube.

• Devolução imediata do Corinthians a seus proprietário de direito: o povo!

• Desmantelamento dos grupos de extração predatória que tomaram de assalto o SCCP, o que inclui cartolas e seus parceiros externos.

• Demissão imediata dos inúmeros atletas que servem de eixo no processo sistemático de apropriação indébita dos recursos da Nação Corinthiana.

O mais valioso ativo do Sport Club Corinthians Paulista é sua gente e sua espetacular tradição de luta, mestiçagem, dedicação e solidariedade.

Essas virtudes é que fizeram nosso Corinthians tão amado (e tão odiado). Elas definem nossa marca, a mais valorizada no futebol brasileiro.

Elas exprimem nosso jeito único de pensar, agir e ser, em conformidade com o espírito de união fraterna dos heróis fundadores.

Portanto, tirem suas mãos infectas do nosso Corinthians. Devolvam-no a seu povo! Já!

 

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A diferença entre ser fiel e ser marginal

Posted by Liberdade Aqui! em 05/02/2011

Do Blog do Celso Jardim

Corinthians: A diferença entre ser fiel e ser marginal

Torcida Fiel (Chegada e recepção de Ronaldo no Corinthians)

Torcida na Marginal (Chegada de Ronaldo após eliminação na Colômbia)

O time da Marginal Tietê: Jogadores ofendidos reagem e dizem após as agressões e carros danificados que torcedores são marginais e violentos.

 

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Alvos do ódio das elites: PT e SCCP

Posted by Liberdade Aqui! em 16/11/2010

Do Vi o mundo

O ódio da imprensa para cegar o torcedor

Mauro Carrara

Não por acaso, o Sport Club Corinthians Paulista assume frequentemente o lugar do Partido dos Trabalhadores (PT) como alvo do ódio das elites. O modelo de acusação é idêntico.

A ordem é insultar, desqualificar e criminalizar. Sistematicamente. No caso do clube fundado por operários no bairro do Bom Retiro, esse bombardeio midiático acaba de completar 100 anos.

Desde a época do antigo Velódromo, se o vencedor era o Corinthians, havia na página grafada sempre uma adversativa, um desmerecimento e um delito apontado.

Afinal, a que glória podia aspirar a agremiação dos carroceiros do Mercadão, das lavadeiras do Glicério, dos amoladores, dos braçais, dos italianos rotulados de carcamanos, dos negros sem sobrenome, dos espanhóis malaguetas, dos índios sem tribo, dos japas de fala enrolada e dos mestiços de toda sorte, tão brasileiros que pareciam merecer somente a exclusão.

E onde foi parar toda essa fúria de preconceitos? Cessou?

Não! Mantém-se intacta, ainda que estrategicamente oculta pelos interesses comerciais da mídia monopolista. Afinal, como afrontar diretamente 27 milhões de consumidores?

Ora, mas basta a dúvida para se revitalizar o ódio centenário.

Esta noite de sábado, estive com a neta ao estádio do Pacaembu. De lá das arquibancadas, assistimos ao fogo do prélio. E vimos também, inequivocamente, um zagueiro forte arremeter-se desastrosamente contra as costas do artilheiro Ronaldo.

Ora, pois, pênalti, indiscutível. Pênalti! Está na regra!

Fosse no meio-campo ou aos cinco minutos do primeiro tempo e seríamos poupados do teatro acusatório contra o árbitro.

Em casa e pude rever o lance na telinha, várias vezes. Não há disputa da bola pelo alto, e sim um golpe claramente faltoso do azulino. As câmeras oferecem registro límpido e cristalino da jogada.

Entretanto, a mídia precisa enodoar, mais uma vez, o triunfo do time do povo. Não me surpreendi, pois, ao topar com os comentários de Mauro Cezar Pereira, o mesmo que criminalizou o paixão de Lula pelo Corinthians, o mesmo que criou uma fábula para ver delito petista no projeto do estádio mosqueteiro.

Recentemente, o Corinthians viu surrupiados dois gols legítimos em Campinas, diante do Guarani. Os erros custaram ao clube dois pontos, caríssimos nesta reta final do campeonato.

Antes ainda, no primeiro turno, o Cruzeiro fora beneficiado pelo mesmo Sandro Meira Ricci, que desconheceu pênalti de Henrique sobre o alvinegro Bruno Cesar.

Tampouco se viu indignação de locutores e comentaristas quando o Fluminense foi auxiliado no jogo contra o Grêmio, no Engenhão. Um pênalti clamoroso de Leandro Eusébio sobre Jonas acabou desconsiderado pelo árbitro.

Mas os jogos do Corinthians são sempre um Enem em potencial. Há sempre um detalhe a ser midiaticamente convertido em escândalo. Afinal, a ordem é criminalizar os intrusos, os penetras da festa chique.

Lamentável é ver articulistas da chamada esquerda, como Laerte Braga, seguindo irresponsavelmente a procissão, repetindo venenosamente o coro acusatório.

Para refrescar a memória do leitor, Zezé Perrella, o ruidoso detrator do árbitro Meira Ricci é “raposa” política matreira, inescrupulosa e oportunista. Construiu sua carreira ao alinhar-se com o obscurantismo mineiro e com as forças do velho PFL.

Curiosamente, foi destacado pela CBF para comandar a delegação brasileira que vai ao Qatar, para o amistoso contra a Argentina.

Em boca fechada, não entra mosquito. Dedos inteligentes poupam articulistas da vergonha da ignorância e da contradição.

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Um símbolo, uma essência, um sentimento… seu nome Corinthians!

Posted by Liberdade Aqui! em 06/09/2010

Via blog da Maria Frô

Sócrates: Corinthians é um símbolo, uma essência, um sentimento

O meu Corinthians

Por: Sócrates, na Carta Capital

04/09/2010

Solito foi um de nossos companheiros na democracia corintiana. Ele e o irmão, o que poderíamos considerar quase um caso de nepotismo. Mais ou menos como a história do Pelé com seu irmão Zoca. De qualquer forma, é um excelente caráter e foi um grande goleiro. Mas naquele ano de 1983, ele estava na reserva. Foi quando protagonizou um dos momentos mais marcantes daquele período.

Era véspera do escrutínio mais importante da história do Corinthians, estava em jogo a preservação de um novo modo de gerir o futebol: a ativa participação dos atletas e a democratização das decisões, com liberdade e responsabilidade. Para vencermos, era necessário conquistar a maioria dos votos dos sócios e eleger a metade do conselho. Os conselheiros vitalícios (a outra metade) eram, na sua maioria, de oposição.

Democrático

Difícil! Nosso adversário – Vicente Matheus – era uma lenda viva no clube, onde raramente fora derrotado. Quase todos os jogadores também eram sócios, o que nos dava uma dupla responsabilidade. Wladimir e Zé Maria se candidataram. Houve muita especulação sobre a minha presença na lista de candidatos, mas não podia abrir mão de minhas convicções – eu rejeitava o método indireto de eleições. Sempre lutei pelo voto direto e continuo a acreditar ser esse o melhor meio de avaliação democrática. Com ele respeita-se a alternância de poder, tão necessária, principalmente naqueles tempos de ditadura militar.

Maiúsculo

Não me afastei da luta, usei, isto sim, todas as armas que possuía. Era a minha alma que estava envolvida naquele processo. Decidi e tornei público que, se por acaso perdêssemos, nunca mais jogaria no clube. Era definitivo. Quando se iniciou o processo eleitoral no Corinthians, avaliou-se que a disputa seria muito equilibrada. Todo voto seria fundamental para aumentar as chances de vitória. Como ocorre nessas condições, até os mais velhos e doentes eram contemplados com visitas, na tentativa de atraí-los para um lado ou para o outro. A polêmica ultrapassou os portões do clube. Era uma instituição democrática que estava em jogo. E as forças reacionárias entraram para valer. Às nossas cores se somaram todos os setores progressistas da sociedade: sindicatos, partidos de esquerda, formadores de opinião e muitos mais.

Obstinado

O dia a dia do clube estava pegando fogo. Nunca houve uma eleição para presidente de clube esportivo com tamanho grau de politização. Chegou a semana decisiva. No dia da eleição, um domingo, tínhamos jogo no Rio de Janeiro. Durante a semana, promovemos uma grande discussão acerca da data em que deveríamos viajar para o jogo no Maracanã. Era de interesse dos mais envolvidos na questão eleitoral ficar em Sampa até o último momento, para que pudéssemos votar e fazer a boca de urna.

Terno

Teríamos tempo suficiente pa-ra realizar as duas missões. Outros estavam reticentes. Apro-ximadamente, a metade dos companheiros não queria ou tinha medo de enfrentar a questão de frente, arriscar-se a perder a partida e ser criticado por isso. Como se o fato de viajarmos no dia anterior ao jogo aumentasse as possibilidades de vitória. Percebemos a indefinição do quadro, passamos a semana tentando convencê-los de que a prioridade era a disputa eleitoral, a qual, aliás, definiria o nosso futuro. Resolvemos, como sempre, levar a questão ao voto. Dois dias antes da partida, com o estádio cheio de torcedores que ali estavam para assistir ao treino e viver o clima das eleições, nos reunimos no meio do campo.

Altaneiro

Atletas, comissão técnica, massagistas, roupeiros e diretores se reuniram mais uma vez para decidir. Que maravilha! Um a um, fomos colocando nossos votos e as razões para a escolha. Nenhuma posição se destacava. Seu Paulo, o roupeiro, se absteve, talvez por respeito aos mais novos. Até que chegamos ao último sufrágio… empatados! Adivinhem a cara do Solito, quando todos se voltaram para ele. Acuado, ele sussurrou: sábado! Foi a mais equilibrada disputa que tivemos e a derrota mais bela. Até porque vencemos as eleições presidenciais.

Divino

Deus não tem idade. O Corinthians é muito maior que a idade que possa ter; é um símbolo, uma essência, um sentimento. É claro que o centenário tem um valor simbólico e as pessoas se reúnem em torno desse símbolo. Mas isso é secundário à importância que tem alguma coisa capaz de agregar tanta gente de origens absolutamente distintas.

E sobre o centenário, falei o seguinte ao meu amigo Vitor Birner: “Não vejo o Corinthians com idade. É como Deus”.

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“É preciso extirpar esse ranço de ódio e preconceito nas pessoas.”

Posted by Liberdade Aqui! em 16/08/2010

Do blog do Escrevinhador

Lula e o Corinthians: por que tanto ódio?

publicada segunda-feira, 16/08/2010

Lula faz a devida reverência ao símbolo da Nação

por Ednilson Valia

Casa- Grande & Senzala é provavelmente o livro mais importante do antropólogo Gilberto Freyre. No livro, Freyre expõe minuciosamente a estrutura da sociedade brasileira, fazendo uma analogia da importância da Casa-Grande e também da Senzala.

Para o sociólogo, tudo o que havia na propriedade do “homem branco”, inclusive os escravos, era de sua propriedade inalienável. Este prólogo é para fazer um comparativo entre Lula e o Corinthians.

Este ainda é um comportamento usual entre alguns brasileiros. São pessoas do convívio, amigos queridos, parentes em que estes traços são personalizados.

Essa herança histórica, quase genética, ainda é muito evidente no Brasil. E não é por maldade ou ausência de caráter. É simplesmente porque não aprenderam de outro jeito.

Já repararam que as pessoas que são muito críticas ao Presidente Lula não usam critérios para avaliar o seu governo. Destas, 90% não citam o “Mensalão”, a saúde pública ou a distribuição de renda da administração do petista.

São maledicentes, o chamam de apedeuta, acreditam que o ofendem ao denotá-lo como nordestino e invariavelmente ele é proclamado como vagabundo, sem-dedo e até de barbudinho safado.

Nunca conseguiram observar uma virtude.

E com o Corinthians não é diferente; há um ódio muito parecido e relacionado. A torcida alvinegra é formada em sua grande maioria pelas camadas mais humildes da população.

Quando a equipe do Tatuapé obtém uma vitória ou comemora um título em qualquer esfera, quantas vezes você ouviu de alguém em tom de brincadeira:

– Hoje tem festa na favela!

– A conquista do Corinthians diminuiu muito o roubo de carros na capital paulista…

– Podemos ter rebeliões nos presídios: o Corinthians foi campeão.

– O Corinthians sempre ganha roubado.

É o complexo da Casa Grande & Senzala. Os tais “senhores escravagistas” ainda deixam seus traços na sociedade brasileira.

Eles são incapazes de ver alguém de uma condição inferior economicamente, ou que eles julguem de uma condição social menor, que possa progredir.

Exemplos claros são Lula e Corinthians.

É preciso extirpar esse ranço de ódio e preconceito nas pessoas.

E é claro que não são todos. E que há corintianos que odeiam o Lula e que existem lulistas que detestam o Timão. Mas que, nesses casos, o sentimento deprimente é representado de outras formas.

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