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Um Espaço de Liberdade de Expressão

A ASSOCIAÇÃO DA VELHA MÍDIA (PiG) COM O CRIME

Posted by Liberdade Aqui! em 24/03/2012

DO PORTAL NASSIF

A associação da mídia com o crime

Enviado por luisnassif, sab, 24/03/2012 – Autor:  

Está na hora de se começar a investigar mais a fundo a associação da Veja com o crime organizado. Não é mais possível que as instituições neste país – Judiciário, Ministério Público – ignorem os fatos que ocorreram.

Está comprovado que a revista tinha parceria com Carlinhos Cachoeira e Demóstenes. É quase impossível que ignorasse o relacionamento entre ambos – Demóstenes e Cachoeira.

No entanto, valeu-se dos serviços de ambos para interferir em inquéritos policiais (Satiagraha), para consolidar quadrilhas nos Correios, para criar matérias falsas (grampo sem áudio).

Até que a Polícia Federal começasse a vazar peças do inquérito, incriminando Demóstenes, a posição da revista foi de defesa intransigente do senador (clique aqui), através dos mesmos blogueiros das quais se valeu para tentar derrubar a Satiagraha.

Aproveitando a falta de coragem do Judiciário, arvorou-se em criadora de reputações, em pauteira do que deve ser denunciado, em algoz dos seus inimigos, valendo-se dos métodos criminosos de aliados como Cachoeira. Paira acima do bem e do mal, um acinte às instituições democráticas do país, que curvam-se ao seu poder.

O esquema Veja-Cachoeira-Demóstenes foi um jogo criminoso, um atentado às instituições democráticas. Um criminoso – Cachoeira – bancava a eleição de um senador. A revista tratava de catapultá-lo como reserva moral, conferindo-lhe um poder político desproporcional, meramente abrindo espaço para matérias laudatórias sobre seu comportamento. E, juntos, montavam jogadas, armações jornalísticas de interesse de ambos: do criminoso, para alijar inimigos, da revista para impor seu poder e vender mais.

Para se proteger contra denúncias, a revista se escondeu atrás de um macartismo ignóbil, conforme denunciei em “O caso de Veja”.

Manteve a defesa de Demóstenes até poucas semanas atrás, na esperança de que a Operação Monte Carlo não conseguisse alcança-lo (clique aqui). Apenas agora, quando é desvendada a associação criminosa entre Cachoeira e Demóstenes, é que resolve lançar seus antigos parceiros ao mar.

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Reacionários: medíocres e perigosos

Posted by Liberdade Aqui! em 23/03/2012

Via Conversa Afiada

Perfil de um reacionário. 
Você conhece algum ?

Saiu no site da Carta Capital:

Medíocres e perigosos

O reacionário é, antes de tudo, um fraco. Um fraco que conserva ideias como quem coleciona tampinhas de refrigerante ou maços de cigarro – tudo o que consegue juntar mas só têm utilidade para ele. Nasce e cresce em extremos: ou da falta de atenção ou do excesso de cuidados. E vive com a certeza de que o mundo fora da bolha onde lacrou seu refúgio é um mundo de perigos, pronto para tirar dele o que acumulou em suposta dignidade.

Como tem medo de tudo, vive amargurado, lamentando que jamais estenderam um tapete à sua passagem. Conserva uma vida medíocre, ele e suas concepções e nojos do mundo que o cerca. Como tem medo, não anda na rua com receio de alguém levar muito do pouco que tem (nem sempre o reacionário é um quatrocentão). Por isso, só frequenta lugares em que se sente seguro, onde ninguém vai ameaçar, desobedecer ou contradizer suas verdades. Nem dizer que precisa relaxar, levar as coisas menos a sério ou ver graça na leveza das coisas. O reacionário leva a sério a ideia de que é um vencedor.

A maioria passou a vida toda tendo tudo aos alcance – da empregada que esquentava o leite no copo favorito aos pais que viam uma obra de arte em cada rabisco em folha de sulfite que ele fazia – cultivou uma dificuldade doentia em se ver num mundo de aptidões diversas. Outros cresceram em meios mais abastados – e bastou angariar postos na escala social para cuspir nos hábitos de colegas de velhos andares. Quem não chegou onde chegaram – sozinhos, frise-se – não merece respeito.

Rico, ex-pobre e falidos, não importa: o reacionário ideial enxerga em tudo o que é diferente um potencial de destruição Por isso se tranca e pede para não ser perturbado no próprio mundo. Porque tudo perturba: o presidente da República quer seu voto e seus impostos; os parlamentares querem fazê-lo de otário; os juízes estão doidos para tirar os direitos acumulados; a universidade é financiada (por ele, lógico) para propagar ideias absurdas sobre ideais que despreza; o vizinho está sempre de olho na sua esposa, em seu carro, em sua piscina. Mesmo os cadeados, portões de aço, sistemas de monitoramento, paredes e vidros anti-bala não angariam de todo a sua confiança. O mundo está cheio de presidiários com indulto debaixo do braço para visitar seus familiares e ameaçar os nossos (porque os nossos nunca vão presos, mesmo quando botam fogo em índios, mendigos, prostitutas e ciclistas; índios, mendigos, prostitutas e ciclistas estão aí para isso, quem mandou sair de casa e poluir nosso caminho de volta ao lar).

Como não conhece o mundo afora, a não ser nas viagens programadas em pacotes que garantem o translado até o hotel, e despreza as ideias que não são suas (aquelas que recebeu de pronto dos pais e o ensinaram a trabalhar, vencer e selecionar o que é útil e o que é supérfluo), tudo o que é novo soa ameaçador. O mundo muda, mas ele não: ele não sabe que é infeliz porque para ele só o que não é ele, e os seus, são lamentáveis.

Muitas vezes o reacionário se torna pai e aprende, na marra, o conceito de família. Às vezes vai à igreja e pede paz, amor, saúde aos seus. Aos seus. Vê nos filhos a extensão das próprias virtudes, e por isso os protege: não permite que brinquem com os meninos da rua nem que tenham contato com ideias que os retirem da sua órbita. O índice de infarto entre os reacionários é maior quando o filho traz uma camisa do Che Guevara para casa ou a filha começa a ouvir axé e namorar o vocalista da banda (se ele for negro o infarto é fulminante).

Mas a vida é repleta de frestas, e o tempo todo estamos testando as mais firmes das convicções. Mas ele não quer testá-las: quer mantê-las. Por isso as mudanças lhe causam urticárias.

Nos anos 70, vivia com medo dos hippies que ousavam dizer que o amor não precisava de amarras. Eram vagabundos e irresponsáveis, pensava ele, em sua sobriedade.

Depois vieram os punks, os excluídos de aglomerações urbanas desajeitadas, os militantes a pedir o alargamento das liberdades civis e sociais. Para o reacionário, nada daquilo faz sentido, porque ninguém estudou como ele, ninguém acumulou bens e verdades como ele e, portanto, seria muito injusto que ele e o garçom (que ele adora chamar de incompetente) tivessem o mesmo peso numa urna, o mesmo direito num guichê de aeroporto, o mesmo assento na mesa de fast food.

Para não dividir espaços cativos, frutos de séculos de exclusão que ele não reconhece, eleva o tom sobre tudo o que está errado. Sabendo de seus medos e planos de papel, revistas, rádios, televisão, padres, pastores e professores fazem a festa: basta colocar uma chamada alarmista (“Por que você trabalha tanto e o País cresce tão pouco?”) ou música de suspense nas cenas de violência (descontrolada!) na tevê para que ele se trema todo e se prepare para o Armagedoon. Como bicho assustado, volta para a caixinha e fica mirabolando planos para garantir mais segurança aos seus. Tudo o que vê, lê e ouve o convence de que tudo é um perigo, tudo é decadente, tudo é importante, tudo é indigno. Por isso não se deve medir esforços para defender suas conquistas morais e materiais.

E ele só se sente seguro quando imagina que pode eliminar o outro.

Primeiro, pelo discurso. No começo, diz que não gosta desse povinho que veio ao seu estado rico tirar espaço dos seus. Vive lembrando que trabalha mais e paga mais impostos que a massa que agora agora quer construir casas em seu bairro, frequentar os clubes e shoppings antes só repletos de suas réplicas. Para ele, qualquer barberagem no trânsito é coisa da maldita inclusão, aqueles bárbaros que hoje tiram carta de habilitação e ainda penduram diplomas universitários nas paredes. No tempo dele, sim, é que era bom: a escola pública funcionava (para ele), o policial não se corrompia (sobre ele), o político não loteava a administração (não com pessoas que não eram ele).

Há que se entender a dor do sujeito. Ele recebeu um mundo pronto, mas que não estava acabado. E as coisas mudaram, apesar de seu esforço e sua indignação.

Ele não sabe, mas basta ter dois neurônios para rebater com um sopro qualquer ideia que ele tenha sobre os problemas e soluções para o mundo – que está, mas ele não vê, muito além de um simples umbigo. Mas o reacionário não ouve: os ignorantes são os outros: os gays que colocam em risco a continuidade da espécie, as vagabundas que já não respeitam a ordem dos pais e maridos, os estudantes que pedem a extensão de direitos (e não sabem como é duro pegar na enxada), os maconheiros que não estão necessariamente a fim de contribuir para o progresso da nação, os sem-terra que não querem trabalhar, o governante que agora vem com esse papo de distribuir esmola, combater preconceitos inexistentes (“nada contra, mas eles que se livrem da própria herança”), os países vizinhos que mandam rebas para emporcalhar suas ruas.

O mundo ideal, para o reacionário, é um mundo estático: no fundo, ele não se importa em pagar impostos, desde que não o incomodem. Como muitos não o levam a sério, os reacionários se agrupam. Lotam restaurantes, condomínios e associações de bairro com seus pares, e passam a praguejar contra tudo.

Quando as queixas não são mais suficientes, eles juntam as suas solidões e ódio à coletividade (ironia) e se organizam. Juntos, eles identificam e escolhem os porta-vozes de suas paúras em debates nacionais. Seus representantes, sabendo como agradar à plateia, são eleitos como guardiões na moralidade. Sobem a tribunas para condenar a perversidão, o aborto, a bebida alcoolica, a vida ao ar livre, as roupas nas escolas. Às vezes são hilários, às vezes incomodam.

Mas, quando o reacionário se vê como uma voz inexpressiva entre os grupos que deveriam representá-lo, bota para fora sua paranóia e pragueja contra o sistema democrático (às vezes com o argumento de que o sistema é antidemocrático). E se arma. Como o caldo cultural legitima seu discurso e sua paranoia, ele passa a defender crimes para evitar outros crimes – nos Estados Unidos, alvejam imigrantes na fronteira, na Europa, arrebentam árabes e latinos, na Candelária, encomendam chacinas e, em QGs anônimos, planejam ataques contra universitários de Brasília que propagam imoralidades (leia mais AQUI).

O reacionário, no fim, não é patrimônio nacional: é um cidadão do mundo. Seu nome é legião porque são muitos. Pode até ser fraco e viver com medo de tudo. Mas nunca foi inofensivo.

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Aula de cidadania

Posted by Liberdade Aqui! em 15/03/2012

Nossa Luta pela Educação de Qualidade

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
Martin Luther King, Jr.

Professoras e Professores em ato público em Cornélio Procópio / PR.

Existem varias definições de cidadania. Cidadania é definida como um conjunto de direitos e deveres ao qual o indivíduo está sujeito em relação à sociedade a que pertence. …É também praticar, exigir Direitos, não ter preconceitos, respeitar as leis.

A paralisação de hoje, dia 15/03, comandada pela APP-Sindicato/CNTE/CUT é um movimento social que luta contra as arbitrariedades e inverdades de muitos prefeitos e governadores que se negam a cumprir o que é estabelecido em lei e que proferem os mais absurdos discursos diatribes.

É através deste instrumento (GREVE) garantido pela constituição que os professores e professoras estaduais ensinam aos seus alunos o livre exercício da cidadania, ensinando-os a ser um cidadão participante e atuante. (esse ensinamento também serve a muitos educadores, que acham que os outros é que devem lutar por eles).

Ensinamos aos nossos alunos que eles fazem parte do mundo e que suas escolhas e posturas diante da vida afetam não só a eles mesmos, mas também a vida de outras pessoas da comunidade. Assim como as atitudes das outras pessoas também nos afetam.

No nosso Brasil, no nosso Estado e em nossas comunidades (escolas, clubes, sindicatos, prédios, ruas e cidades) sempre irão existir grupos de pessoas unidos, organizados para lutar por algo que acreditam…

Esta paralisação dos/as professores/as nas capitais e no interior de nosso país é a maneira legitima de mostrar para a sociedade através da luta que os educadores, os alunos, pais de alunos estão indignados com a postura, com a atitude de prefeitos e governadores em tentar suprimir nossos direitos conquistados a duras penas.

Nós professores/as e alunos/as sabemos que ser cidadão é fazer valer nossos direitos e deveres civis, políticos e econômicos.  Só assim exerceremos a verdadeira cidadania.

Sabemos também que a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo.

Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.

Sejamos, então, verdadeiros/as cidadãos/as.

_____________________________

Texto adaptado de: MARTINS, Paulo James Queroz.  Greve e  Cidadania. Disponível em: http://profcarlosalberto03.blogspot.com/2011/08/greve-aula-de-cidadania.html

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VAMOS, TODOS JUNTOS, EXIGIR UMA EDUCAÇÃO MELHOR

Posted by Liberdade Aqui! em 14/03/2012

Via Portal da APP-Sindicato

Amanhã é dia de paralisação estadual

Atividade faz parte da greve nacional, convocada pela CNTE, em defesa do Piso, 10% do PIB para educação e carreira

 

Coloque o selo da greve no seu Facebook! Baixe a imagem e substitua a sua foto pelo selo. Vamos mostrar a força dos educadores do Paraná! (clique aqui)

Nesta quinta-feira (15), as escolas da rede pública estadual do Paraná vão parar. Na data, os trabalhadores em educação participarão da mobilização que ocorre em todo o país convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em defesa da correta aplicação da Lei do Piso, do investimento de 10% do Produto Interno Bruto na educação e na luta por melhorias na carreira dos educadores.

Nacionalmente, a greve dura três dias: 14, 15 e 16 de março. No Paraná, a categoria decidiu paralisar as atividades apenas no dia 15. No dia 14, acontecerão debates nas escolas sobre hora-atividade, saúde e condições de trabalho. No dia 15, além da paralisação em todo o Estado, haverá ainda, em Curitiba, concentração dos educadores a partir das 9h, na Praça Santos Andrade, com caminhada até o Palácio Iguaçu. No dia 16, os educadores farão, em suas próprias escolas, debates e avaliações da mobilização.

Este ano, os educadores da rede pública estadual de ensino já fizeram uma grande mobilização, no dia 9 de fevereiro, quando mais de 90% da rede aderiu à paralisação parcial e discutiu a pauta de reivindicações da categoria. Veja, abaixo, os itens defendidos pelos educadores do Paraná:

:: A implantação de um terço da hora-atividade, como determinado pela Lei do Piso – Desde 1996, a APP encabeça a luta por este direito. Em 2001, após uma greve no ano anterior, foi conquistado o percentual de 10% de hora-atividade, ampliado para 20% em 2003. Em 2008, os educadores de todo o país conquistaram a Lei Nacional do Piso (Lei nº 11.738). Agora, a luta é para implantar este direito no Estado.

:: Implantação do reajuste do Piso Nacional  de 22,22 % na tabela de vencimentos dos professores do Paraná – Em 2011, alcançamos o valor do PSPN no Paraná. Mas a legislação nacional estabelece um reajuste anual do piso, que, para este ano, foi de 22,22 %. E este é o percentual que a categoria reivindica.

:: Adequações na carreira dos funcionários da Educação – A APP participa da comissão que está revendo os planos de carreira dos funcionários e professores. Entre as questões debatidas, está a inclusão da graduação na tabela salarial do agente educacional I e da pós-graduação no de agente educacional II.

:: A criação de um novo serviço de atendimento à saúde dos servidores estaduais – O atendimento atual é muito precário. Trabalhadores querem garantir um novo sistema. Entre as exigências que o novo modelo deverá garantir estão a ampliação do atendimento em todos os municípios e a garantia de atendimento à saúde com assistência médica, hospitalar e laboratorial às várias especialidades.

:: Luta nacional pela destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública – Um cuidadoso diagnóstico da situação da educação brasileira durante a Conferência Nacional de Educação (Conae) indicou metas concretas para a real universalização do direito de todos à educação com qualidade, o que requer investimento público da ordem de 10% do PIB nacional.

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Classe média responderá por 60% dos brasileiros em 2014

Posted by Liberdade Aqui! em 09/03/2012

Do Terra via Portal Nassif

A evolução da classe média no Brasil

Enviado por luisnassif, sex, 09/03/2012 – 10:10 Por wilson yoshio.blogspot

Do Terra

Classe média responderá por 60% dos brasileiros em 2014

Classe C é mais fiel a marca do que a elite, diz Meirelles

Classe C é mais fiel a marca do que a elite, diz Meirelles
Foto: Fernando Borges

Eles já são 53% da população do Brasil e até 2014 serão 60%. Eles são a novidade e estão fazendo com que as empresas corram para entender como querem ser servidos, o que querem consumir, a quais valores são fieis. A nova classe C movimenta a economia brasileira e faz com que o País passe com mais calma pela crise em relação a americanos e europeus. Especialista nesses novos consumidores, o presidente do instituto Data Popular, Renato Meirelles diz que essa transformação ainda está em curso e que as empresas que melhor entenderem as demandas desses brasileiros terão mais chances de serem líderes.

Meirelles fala sobre falsas impressões a respeito da nova classe média, diferenças entre essa classe no Brasil e em outros países e sobre erros e acertos das empresa até agora para lidar com esse novo público.

Terra – Quando falamos em nova classe C, falamos de quem? É um corte apenas monetário? É também social?
Renato Meirelles
 -O Brasil mudou muito nos últimos anos. Quase 40 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe C ou do que a gente convencionou a chamar de nova classe média. Para entender quem é essa família, pensa em uma em que a renda familiar é algo em torno de R$ 2,5 mil. 53,9% dos brasileiros fazem parte da classe C, são quase 104 milhões de pessoas que passaram a ter nos últimos anos poder de compra. Mas não é só em dinheiro que nós estamos falando. Estamos falando de pessoas que passaram a viajar de avião pela primeira vez, que passaram a estudar mais, que passaram a frequentar ambientes como não frequentavam antes, como restaurantes, cinemas shopping centeres. E é um brasileiro que tem um jeito próprio não só de comprar, como de enxergar o mundo. A classe C é mais otimista do que as outras classes sociais, acredita mais que a vida vai melhorar. E isso acontece porque como a vida dele melhorou mais do que a dos outros brasileiros nos últimos tempos, ele é mais otimista de que esse ciclo vai continuar acontecendo. A classe C tem mais amigos do que a elite. A classe C tem 70% a mais de amigos do que têm as classes A e B – e isso faz toda a diferença, porque ela faz mais propaganda boca a boca. 69% da classe C faz propaganda boca a boca contra 19% das classes A e B. Então nós estamos falando de um jeito de enxergar o mundo muito diferente.

Terra – Quais as principais diferenças no processo de consumo da nova classe C em relação ao daquela antiga classe média?
Renato Meirelles
 – O pessoal da antiga classe C comprava o que cabia no bolso, ele não tinha muito poder de escolha. Ele não tinha crédito, ele não tinha muita chance. Então, o que cabia no bolso ele corria e comprava. Hoje ele pode escolher, porque todo mundo tem crédito e mais dinheiro no bolso. Então, se ele pode escolher, ele faz mais pesquisa de preço. Porque a classe C não pode errar. Como o dinheiro é muito contado, na prática ele prefere pagar um pouco mais caro por marcas que ele tem certeza que vão entregar um produto de boa qualidade. Vou dar um exemplo: uma mulher da classe A vai ao supermercado, vê uma marca de arroz que ela não conhece, mas que está em promoção. Ela compra o arroz, mas na hora que vai fazer, percebe que o arroz é ruim. O que ela faz? Joga fora o arroz. A mulher da classe C não. Como o dinheiro é contado, se ela descobrir que esse arroz é ruim, ela vai ter que comê-lo o mês inteiro. Então ela é mais fiel às marcas do que a mulher da elite, diferente do que pensa o senso comum. Mas não é pelo status, é pelo aval de qualidade que a marca dá. É a garantia de que ele não está jogando dinheiro fora.

Terra – As empresas precisaram mudar seus produtos ou processos de comunicação com o consumidor dada a ascensão dessa nova classe média? Quais foram essas principais mudanças?
Renato Meirelles
 – As empresas têm uma grande dificuldade de falar para as classes C e D porque sua estrutura de marketing, na grande maioria dos casos, veio da elite. Então, são pessoas que pensam como elite. Isso faz com que ele não saiba se comunicar. Ele acredita que a aspiração da classe C é ser classe A e B. Mas não é. O cara da classe C acha que o rico é perdulário, que o rico joga dinheiro fora, que o rico não tem valores familiares consolidados. Exatamente por isso ele acaba preferindo ter como aspiração o vizinho que deu certo e não o ricaço. Ele quer ser aquele cara que há 10 anos começou a entregar água no bairro e hoje tem uma distribuidora. As aspirações têm mais a ver com os exemplos próximos que deram certo do que com as classes A e B.

Terra – Quais foram os setores da economia que mais se beneficiaram com a ascensão da nova classe média?
Renato Meirelles
 – O primeiro foi automóveis. O gasto com automóveis, e não só aquisição, mas também manutenção foi o que mais cresceu. Educação cresceu muito. E também higiene e cuidados pessoais. Porque higiene e cuidados pessoais cresceu tanto? Porque a mulher da nova classe média foi para o mercado de trabalho. E ao ir para o mercado de trabalho, o investimento na própria aparência deixa de ser visto como gasto e passa a ser visto como uma forma de se dar melhor, ganhar mais dinheiro no mercado de trabalho. Como ela foi para o mercado de trabalho, ela sabe que ir ao salão toda semana não é mais gasto, mas investimento para continuar melhorando de vida.

Terra – Por que a classe média cresceu tanto nos últimos 10 anos? Qual foi a fórmula que permitiu esse fenômeno que não tinha sido aplicada antes?
Renato Meirelles
 – Tem um conjunto de fatores. Um primeiro aspecto é o demográfico. É o que os demógrafos chamam de bônus demográfico. É um fenômeno que acontece uma vez na história de cada país, que é quando a maior parte da população está concentrada em idade economicamente ativa. É isso que fez a Coreia do Sul virar a Coreia do Sul. O bônus demográfico atuou entre as décadas de 60 e 90. Os especialistas dizem que o PIB da Coreia cresceu, em média, 1,6% ao ano apenas pelo fenômeno do bônus demográfico. Isso está acontecendo no Brasil. Isto já aconteceu nas classes A e B, está acontecendo na classe C e vai acontecer nas classes D e E. Se o Brasil não entrar em guerra e não matar metade de seus homens isso não vai mudar. Outro aspecto que explica isso é a conjunção histórica dos últimos anos de você ter estabilidade da economia e depois o processo de distribuição de renda, que aconteceu nos últimos 10 anos – quando quase 40 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe C. O terceiro fator tem a ver diretamente com a melhora dos níveis educacionais. Cada ano de estudo impacta em 15% a mais no salário médio das pessoas. E os jovens da classe C estão estudando mais. Na classe A 10% dos jovens estudaram mais que seus pais, enquanto na classe C, 68% dos jovens estudaram mais que os pais. Isso na prática significa uma mudança gigantesca nas chances que elas têm para o mercado de trabalho.

Terra – Há algum paralelo do que acontece no Brasil nesses últimos 10 anos em outro país? Alguma experiência que sirva de aprendizagem para as empresas brasileiras?
Renato Meirelles
 – Nessa velocidade não.

Terra – E as empresas estrangeiras que pensam em aproveitar o aumento do consumo interno no Brasil? Precisam se preparar para lidar com um novo consumidor, para chegar ao um novo País?
Renato Meirelles
 – As empresas têm que entender que a classe média brasileira é diferente da americana, da europeia. É uma classe média mais jovem, que está aprendendo a consumir uma certa categoria de produtos. Eu canso de fazer pesquisa em que muitas pessoas estão indo viajar de avião pela primeira vez e não sabem o que é check-in. Que têm dinheiro para colocar o filho em colégio particular, mas não entende nada de método pedagógico, não sabe direito como escolher o colégio particular do filho. O desafio dessas empresas é serem parceiras desse consumidor na hora que ele mudar de vida.

Terra – Na sua opinião, o mercado interno, pelo lado do consumidor, ainda está em transformação ou essa migração de classes já se consolidou?
Renato Meirelles
 – Ele vai continuar crescendo. Hoje você tem 53,9% da população fazendo parte da classe C e a ideia é que cheguemos a 2014 com quase 60% da população fazendo parte da classe C. É um caminho sem volta, a não ser que aconteça uma guerra mundial ou uma grande crise econômica em proporções muito maiores do que a que vivemos nos últimos tempos. Não tenho nenhum indicador de que essa classe C não vá continuar crescendo e as empresas que souberem aproveitar as oportunidades desse novo mercado têm muito mais chance de ser líder amanhã.

Terra – A atual crise econômica teve em sua raiz uma espécie de nova classe média, os mutuários americanos que não poderiam ter acesso a crédito, mas que o tiveram depois de bancos facilitarem esses empréstimos. Como a nova classe média brasileira lida com acesso ao crédito?
Renato Meirelles
 – Desde a crise do Lehman Brothers o Data Popular tem se aprofundado no estudo de semelhanças e diferenças do processo de endividamento dos americanos e dos brasileiros. O que vimos é que o crédito para consumo dos americanos é quase sete vezes maior que o crédito para consumo para os brasileiros. Estamos anos-luz atrás dos americanos do ponto de vista de endividamento. Quando você pega a crise do subprime e o processo de endividamento, vemos que o grosso eram hipotecas – que é diferente de financiamento para compra de primeiro imóvel. Ou seja, ele hipotecava uma casa que já era dele para comprar outras coisas. O processo de financiamento do crédito imobiliário brasileiro é para compra da primeira casa – e isso tem uma série de implicações. Ele não vai hipotecar a primeira casa, porque a casa é o grande sonho do brasileiro. Segundo, é um crédito que gera emprego, diferente do crédito americano. Ele não estava construindo casas ao hipotecar o imóvel. Ela já estava construída. No crédito brasileiro, é isso que tem sido responsável pelo boom – mais gente comprando casa nova, que significa mais emprego nas classes D e E, os operários da construção civil, e mais emprego significa mais renda e isso fecha o ciclo virtuoso do consumo. Na prática, o financiamento habitacional no Brasil ajuda a economia e não superendivida consumidores, como foi o caso dos Estados Unidos.

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Uma década de êxitos do Brasil e os perigos da hora

Posted by Liberdade Aqui! em 08/03/2012

Via Brasil, Mostra a tua cara

Mauro Santayana: O êxito do Brasil e os perigos da hora

Carta Maior

O manifesto dos militares contra o governo tem o efeito danoso de estimular os nossos adversários externos, que nele começam a ver o retorno aos confrontos entre civis e militares do passado, dos quais eles souberam aproveitar-se. O documento já está sendo usado em São Paulo contra a candidatura do PT.

Em um de seus inquietantes paradoxos, Chesterton compara dois grandes santos da Igreja, para mostrar que o temperamento antagônico de ambos conduzia a um resultado comum. “São Francisco – dizia o autor de Ortodoxia – era a montanha, e São Domingos de Gusmão, o vale, mas, o que é o vale, senão a montanha ao contrário?”

Em termos lógicos, e nisso o pensador católico foi mestre, o côncavo e o convexo se completam, como as duas partes de uma esfera oca. Seguindo o mesmo raciocínio, a ascensão e a queda, das pessoas, das empresas e – com mais propriedade – das nações, são duas categorias que se integram, no todo histórico. É preciso administrar a ascensão pensando na queda e ver, na queda, a oportunidade de repensar os métodos a fim de recuperar a ascensão.

Tudo indica que o Brasil se encontra em ascensão, mas é preciso ver esse momento com as necessárias cautelas. O mundo passa por um desses espasmos históricos bem conhecidos no passado. A Europa está atônita, daí a sua tentativa de, na demonização dos paises muçulmanos, de cujo petróleo depende, criar um inimigo externo que una os seus países, historicamente adversários. Mas, ainda assim, a crise econômica promovida pela licença de caça que seus governos deram aos bancos, continua a dividi-los.

Ainda que 25 países tenham concordado com a política de arrocho fiscal determinada pela Alemanha, com o apoio da França, a Inglaterra e a Tchecoslováquia negaram sua assinatura. Os países que engoliram a pílula, começam a cuspi-la de volta, conforme a reação de Rajoy, da Espanha, solicitando flexibilidade na adoção das medidas recessivas, qualquer sinal de solidariedade do grupo. O primeiro ministro anunciou em Bruxelas que só pode prometer a redução do déficit público a 5,8 do PIB. E já surgem divergências entre a Alemanha e o Banco Central Europeu.

A Segunda Guerra Mundial foi um excelente negócio para os Estados Unidos, que dela emergiram como a grande potência hegemônica. Agora, no entanto, alguns dos paises que dela participaram e que contribuíram para a vitória com sangue, começam a sair do círculo de giz, e a constituir uma nova realidade planetária. Muitos desses países, como a Índia e a China, foram impiedosamente colonizados pela Europa, até meados do século 20. O Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul constituem novo pólo de poder, que está atraindo outras nações africanas e asiáticas.

Não se trata, ainda, de uma aliança política. São países bem diferentes, com visões de mundo claramente distintas, mas conscientes de que, se souberem interagir de forma pragmática – no respeito mútuo aos mandamentos de autodeterminação – serão capazes de se defenderem dos projetos de novo domínio anglo-saxão sobre a humanidade.

Durante a Guerra Fria, o pretexto para a intervenção dos Estados Unidos e da Grã Bretanha nos países periféricos era o do combate ao comunismo. Qualquer ação desses países, em sua política interna, que significasse a adoção de medidas de desenvolvimento autônomo, como a reforma agrária, a encampação de empresas estrangeiras que ofereciam serviço público de péssima qualidade, e relações comerciais com os paises socialistas, significava uma traição ao sistema ocidental, “democrático” e “cristão”. Assim, os princípios de autodeterminação dos povos e de não intervenção nos assuntos internos dos Estados foram abandonados, embora a retórica das Nações Unidas continuasse a proclamá-los.

Sendo assim, a América Latina – considerado território de caça de Washington – foi invadida por tropas americanas ou por mercenários armados pelos Estados Unidos diversas vezes, isso sem falar na ação ostensiva e clandestina de seus agentes, na preparação dos golpes militares violentos, como ocorreu no Brasil, no Chile, na Argentina, entre outros países.

O Brasil vem sendo elogiado pelos seus êxitos na criação de um grande mercado interno, como resultado da política social e do incentivo às atividades econômicas de Lula e Dilma. Ao mesmo tempo, a partir de 1985, conseguimos manter o sistema democrático, com a realização das eleições conforme o calendário, e a alternância no governo de partidos e de pessoas. É uma hora carregada de perigos. Os Estados Unidos, que se encontram em crise, podem cair na velha sedução de usar dos recursos de que ainda dispõem, a fim de cortar o nosso caminho, como fizeram em 1954, no governo Vargas, e em 1964, com Jango. Não podemos permitir que a luta partidária, legítima e necessária, se deixe influir pelos interesses externos.

Sendo assim, o manifesto dos militares contra o governo tem o efeito danoso de estimular os nossos adversários externos, que nele começam a ver o retorno aos confrontos entre civis e militares do passado, dos quais eles souberam aproveitar-se. O documento já está sendo usado em São Paulo contra a candidatura do PT.

Qualquer movimento que nos divida, como brasileiros, diante das ameaças estrangeiras, deve ser repudiado pelo nosso sentimento de pátria, comum aos civis e militares.

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A austeridade econômica é o caminho mais rápidos para empobrecer os pobres e enriquecer os ricos

Posted by Liberdade Aqui! em 02/03/2012

Via Esquerdopata

O Muro de Berlim neoliberal
Fanáticos pelo mercado poderiam ser mais humildes
Paulo Moreira Leite

Confesso que estou espantado com a insistência de determinados comentaristas que insistem na defesa fanática do mercado. A crise daquilo que já foi chamado de Primeiro Mundo deveria obrigá-los a ter um momento de humildade.

Para quem gosta de analogias históricas, estamos vivendo um Muro de Berlim do ideário conservador. Propostas e soluções defenidas como a salvação da humanidade há três décadas se revelaram irracionais e nocivas para a maioria das pessoas. Só não ve quem não quer. Estamos falando de um colapso que envolve os Estados Unidos e a Europa. São economias que concentram a maior parte da riqueza mundial, com PIBs equivalentes em torno de 14 trilhões de dólares cada uma.
Em teoria, nenhuma delas deveria estar numa situação que lembra as repúblicas sul-americanas de trinta anos atrás, não é mesmo?

Um fracasso desse tamanho deveria levar pessoas sensatas a se perguntar: será que não há alguma coisa profundamente errada com as crenças e decisões tomadas nos últimos anos? A explicação dos fanáticos pelo mercado para a crise reside numa ficção monetarista: os governos europeus gastaram demais, as contas ficaram desequilibradas, as dívidas explodiram e o colapso chegou. Simples e errado.

O problema é que nenhum governo europeu gastou demais. O único que pode ser acusado de ter exibido um comportamento desse tipo é a Grécia, cujo PIB é irrelevante do ponto de vista do Continente. Mas Itália, Espanha, Portugal, França e Inglaterra estão em crise e não podem ser enquadrados nessa situação. De uma forma ou de outra, todos estes países passaram os últimos anos reduzindo benefícios sociais, controlando salários e diminuindo investimentos do Estado. O Bem-Estar continua muito superior ao nosso mas, em termos relativos, não exibe a mesma qualidade de antes.

Por qualquer critério que se queira empregar, estes países tinham as contas em ordem e até 2008 eram tratados como alunos exemplares pelo mercado financeiro. Quando os EUA enfrentaram a queda de Wall Street, a reação conservadora foi dizer que a Europa ficaria de fora da tempestade porque tinha governantes austeros e responsáveis.

O erro era não enxergar que, nos dois lados do Atlântico, as economias operavam pelo mesmo sistema de crescer a partir de bolhas financeiras. Com elas, os mercados criaram um sistema de multiplicar empréstimos, os derivativos, que criavam uma riqueza artificial que, cedo ou tarde, iria cobrar sua conta.

Muitas pessoas culpam o sistema financeiro pela crise. Falam em ganância. É uma explicação correta mas parcial. Desde o século XVIII Adam Smith explicou que os ”egoísmos individuais” ajudam a mover o capitalismo. Concordo que é necessário criar regras para impedir a ação de tubarões do mercado, que transformaram a economia mundial num cassino em que todos perdem para que só eles possam ganhar.

Mas a crítica à ganância pode se transformar em simples moralismo e a falta de regras transparentes, em simples ingenuidade, se não se discute o problema real — explicar o que deveria ser feito para promover o crescimento. As bolhas só proliferaram porque ajudavam a fazer a elevar o consumo e faziam a economia andar, mesmo de uma maneira artificial e insustentável. Sem elas, a economia ficaria estagnada.

Isso porque elas foram uma resposta a um problema anterior, que é o empobrecimento relativo das sociedades do ex-Primeiro Mundo. É aí que se encontra a origem das bolhas. A partir dos anos 80, com a desregulamentação da economia, o enfraquecimento das garantias sociais e as privatizações indiscriminadas, ocorreu um processo de concentração de renda na Europa e nos Estados Unidos. É impensável para muitos brasileiros. Parece estranho, quando se pensa nas nossas carências. Mas é real.

Com o fim das barreiras para o comércio exterior, muitas empresas mudaram-se para a China e os Tigres Asiáticos, empregando a mão de obra barata daquela região do mundo. As pessoas falam em produtos chineses em respeito à geografia. Na verdade, são produtos de empresas americanas e européias que são exportados para seus países de origem. Têm a mesma qualidade mas custam menos. Seu maior preço é o esvaziamento das sociedades americanas e européias.
Os bons empregos produtivos dos países desenvolvidos começaram a minguar. Surgiram economias de serviço, as sociedades do conhecimento e assim por diante. O sistema financeiro se agigantou. Na falta de riqueza real, era preciso criar meios artificiais para manter a economia funcionando.

O crédito passou a ser empregado para substituir uma renda que as pessoas não possuíam mais. Não tem a ver com a expansão brasileira de crédito. Foi um processo gigantesco e inteiramente distorcido. As famílias passavam a acumular dívidas várias vezes superiores a seu patrimonio. Pagavam quantias ínfimas das prestações do cartão de crédito, que passou a funcionar como substituto de sua riqueza perdida. Eram estimuladas a gastar o que nunca iriam pagar.
O juro era mantido baixo para que todo mundo pudesse pedir emprestado. Os mais pobres, de quem se podia cobrar juros mais altos, eram empurrados para os bancos para pedir dinheiro de qualquer maneria.

Quem procurar os rastros dessa desigualdade, irá encontrar as medidas de austeridade, corte de gastos e desregulamentação iniciada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Foi ali, naquelas iniciativas contra os bons empregos industriais, os bons salários e o Estado de Bem-Estar Social, que se ampliou a desigualdade nas sociedades desenvolvidas. A ideia era que as medidas de proteção social constituiam um obstáculo a competição entre os indivíduos e eram um entrave ao crescimento. Margaret Thatcher chegava a dizer que “não existe essa coisa de sociedade. Existem individuos e suas famílias.”

Trinta anos depois, um fiasco desse tamanho deveria levar os mais crédulos a reavaliar suas convicções. Também deveria ser uma boa razão para se investir no crescimento e evitar programas de austeridade.

Mas é difícil. Como o empobrecimento da Espanha revela de maneira exemplar, a austeridade é o caminho mais rápidos para empobrecer os pobres e enriquecer os ricos.

Leia mais em: O Esquerdopata
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O SALÁRIO DO PROFESSOR E OS LARÁPIOS DA MÍDIA

Posted by Liberdade Aqui! em 01/03/2012

Do Vi o mundo

O salário de professor e os heróis da mídia

16.02.12 – Brasil
Salário de professor

por Gabriel Novis Neves
Médico e ex-reitor da UFMT

do Adital, sugerido pelo leitor Paulo de Tarso, via e-mail

Estava me deslocando de carro com o rádio ligado em um programa de notícias locais. O entrevistado era o secretário municipal de Educação. A cada pergunta feita pelo experiente jornalista – que de poder entende tudo, vinha uma resposta redondinha.

A impressão que os ouvintes tinham, e também o próprio entrevistador, era de que a Educação básica em Cuiabá estava entre as melhores do mundo. Não se faz Educação de qualidade sem professores qualificados e motivados. Com alunos em espaços físicos inadequados, sem bibliotecas, laboratórios, áreas de lazer e alunos em tempo integral.

Para exercer a função de professor é necessário possuir curso superior e enfrentar um concurso público. Após ouvir maravilhas sobre esta Educação pública desconhecida pela população de Cuiabá – não se esquecendo de que os filhos dos ricos e políticos, frequentam Escolas particulares – veio a pergunta que todos os ouvintes gostariam de escutar: “Quanto ganha um professor de ensino básico na rede pública municipal?”.

A resposta não foi tão rápida como aquelas em que o secretário afirmou que não tínhamos crianças fora da Escola; que o número de creches estava sendo aumentado e que a Educação infantil caminhava para a sua universalização. Após uns segundos, o secretário respondeu: “Dentre as capitais brasileiras, Cuiabá é a segunda que melhor remunera os seus professores.”

Diante dessa afirmação, o jornalista, e, claro, os ouvintes, quiseram saber o valor desses salários. “Em meio período (20h), o professor ganha cerca de R$ 1.360. Em dois turnos (40h), o dobro” – respondeu o secretário. Estava encerrada a entrevista.

Tenho uma faxineira que nem sei se tem instrução primária. Chegou à minha casa indicada por amigos por seus méritos pessoais. Trabalha seis horas por semana, com direito a auxílio transporte, café da manhã, lanche, almoço e banho no final do expediente.

Não lava ou passa roupas, não cozinha, apenas faz a manutenção semanal do meu apartamento. Pago com satisfação R$ 85,00 por visita. Em um rápido cálculo verifiquei que, trabalhando cinco dias por semana, seu salário líquido era superior ao de um professor da segunda capital do Brasil a melhor pagar seus educadores.

Os nossos administradores públicos têm a infeliz mania de tapar o sol com a peneira. Se compararmos o salário que o mercado de trabalho oferece a outras categorias profissionais, veremos que o Brasil remunera muito mal seus professores. E o pior: parece que nossos dirigentes não têm consciência disso, ou têm?

No mínimo, eles deveriam reconhecer a nossa real situação educacional, qual seja: de baixíssima qualidade. Pesquisas recentes demonstram que é a estupidez de alguns países que os impede de investirem pesadamente na formação e profissionalização dos seus mestres, e Educação das suas crianças.

Diante dessa visão caolha com relação à Educação – e providencial para a sobrevivência de alguns grupos políticos – estaremos eternamente condenados a ser exportadores de alimentos e matéria- prima para os países que priorizaram a Educação.

A boa Educação passa, necessariamente, pelo bom professor.

Como somos um país rico, o projeto de lei mais importante que tramita no Congresso Nacional é aquele em que se dará o título de Heróis Nacionais aos jogadores titulares, e aos reservas, dos campeonatos mundiais de futebol de 1958, de 1962 e de 1970.

O texto prevê ainda um prêmio de R$ 100 mil para cada jogador titular e reserva, e um auxílio especial para a aposentadoria de heróis, como Pelé, Zagalo, Tostão, Rivelino, Leão e tantos outros atletas que tanto fizeram por eles, digo, pelo Brasil. Ser professor no Brasil é uma opção de vida quase sacerdotal. Herois são os da mídia, como a Luiza que voltou do Canadá.

[Fonte: Diário de Cuiabá (MT)]

Leia também:

Defensor Jairo Salvador: “Terrorismo patrocinado pela Prefeitura de São José dos Campos”

 

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Seja um verdadeiro militante, Heraldo!

Posted by Liberdade Aqui! em 29/02/2012

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

Heraldo Pereira, combata a falta de negros na Globo, agora

Nos últimos dias, o jornalista da Rede Globo Heraldo Pereira esteve em evidência por ter processado um desafeto de seu empregador que apontou um fato incontestável, mas de forma equivocada. Penso que o jornalista ganhou força para combater esse fato, pois está sendo apresentado, na grande mídia, como militante contra o racismo.

Pereira denunciou o jornalista Paulo Henrique Amorim por ter dito, de forma inadequada, o que basta olhar para a programação da tevê Globo para comprovar que é verdade: o jornalismo dessa emissora exclui negros, assim como as novelas, os comerciais e até o deprimente Big Brother Brasil, entre outros.

Aliás, vale lembrar daquele único “brother” negro da edição 2012 do BBB que, no primeiro dia do programa, foi questionado pelo apresentador sobre se, por ser o único negro entre quase duas dezenas de participantes, achava que deveriam ser criadas cotas para negros na televisão. O rapaz respondeu que não e poucos dias depois foi expulso do programa sem direito a defesa sob uma acusação que jamais se comprovou, de ser “estuprador”.

De qualquer forma, bem que o nobre Heraldo Pereira, que conseguiu uma das poucas e raras vagas que o jornalismo da Globo oferece a negros, poderia pensar, agora, também nos outros negros e, assim, passar a empreender uma campanha para que a emissora em que trabalha pare de discriminar negros em sua programação.

Pereira poderia começar argumentando com o fato de que, segundo o IBGE, o Brasil é hoje um país negro, pois mais de 50% da população se declarou negra no último censo, e, portanto, há uma desproporção inexplicável e escandalosa entre o perfil étnico do povo brasileiro e o que se vê na telinha da Globo.

Para ajudar a esse companheiro de luta contra o racismo no Brasil, portanto, apresento, abaixo, a prova de que negro quase não tem vez no jornalismo da Globo. Poderia fazer o mesmo com as novelas, com o BBB ou com a propaganda, mas podemos começar pelo jornalismo e depois iremos ficando mais ambiciosos.

Confira, abaixo, o perfil dos apresentadores dos telejornais da Globo e reflita se não faria sentido que o militante antirracismo Heraldo Pereira se preocupasse também com todos os que são barrados pela Globo, pois a composição étnica de sua programação nada tem que ver com a do país em que é apresentada.

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O SUCESSO DE DILMA, ANO 1

Posted by Liberdade Aqui! em 26/02/2012

Do Conversa Afiada

Sucesso !
Neri e um ano de Dilma

Saiu na Folha (*) artigo de Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, na Fundação Getúlio Vargas, Rio.

No dia 7 de março, quarta-feira, ele lança na Bolsa de São Paulo (a do Rio, o Naji Nahas fechou) um livro para ensinar a navegar com os emergentes.

Ao sucesso da Dilma, ano I (chora, Urubóloga, chora !):

(…)


Janeiro de 2012 coincide com o marco ano 1 depois da Dilma. Pois bem, as variações de 12 meses mostram:


1) crescimento da renda familiar per capita média da PME de 2,7%, que coincide com o crescimento observado entre 2002 e 2008, apelidado por muitos de “era de ouro mundial”, e superior ao 0% do ano 1 depois da crise de 2008; 2,7% de crescimento também coincide com o crescimento do PIB total de 2011, recém-anunciado pelo Banco Central. A diferença é o crescimento populacional de pouco menos de 1%, mantendo a tendência, observada desde o fim da recessão de 2003, da renda das pesquisas domiciliares crescerem mais que o PIB;


2) A desigualdade tupiniquim continua em queda de 2,13% ao ano, ante o 1,11% observado no período de 2001 a 2009, conhecido como o de “queda da desigualdade brasileira”. O Gini brasileiro foi, de 1970 a 2000, quase uma constante da natureza. A desigualdade brasileira está hoje 3,3% abaixo do seu piso histórico de 1960;


3)    Como consequência, a pobreza segue sua saga descendente ao ritmo de 7,9% ao ano, superior aos 7,5% ao ano da “era de ouro” citada. Reduzimos em 2011 a pobreza num ritmo três vezes mais rápido que o necessário para cumprir a Meta do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 25 anos.


(…)

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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