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Archive for the ‘POLÍTICA’ Category

POLÍICA

A criatura depõe contra seus criadores.

Posted by Liberdade Aqui! em 03/04/2012

Via Conversa Afiada

Inês: Demóstenes, Veja e Gilmar. Quem manipula ?

Saiu na Carta Maior, artigo indispensável da Maria Inês Nassif:

O caso Demóstenes Torres e as raposas no galinheiro


O rumoroso caso Demóstenes Torres é uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável, manipuladora e, em alguns casos, venal. E hipócrita também.


Maria Inês Nassif


O rumoroso caso Demóstenes Torres (DEM-GO) não é apenas mais um caso de corrupção denunciado pelo Ministério Público. É uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável, manipuladora e, em alguns casos, venal. E hipócrita também.


Teoricamente, todos os jornais e jornalistas sabiam quem foram os arautos da moralidade por eles eleitos nos últimos anos: representantes da política tradicional, que fizeram suas carreiras políticas à base de dominação da política local, que ocuparam cargos de governos passados sem nenhuma honra, que construíram seus impérios políticos e suas riquezas pessoais com favores de Estado, que estabeleceram relações profícuas e férteis com setores do empresariado com interesses diretos em assuntos de governo.


Foram políticos com esse perfil os escolhidos pelos meios de comunicação para vigiar a lisura de governos. Botaram raposas no galinheiro.


Nesse período, algumas denúncias eram verdadeiras, outras, não. Mas os mecanismos de produção de sensos comuns foram acionados independentemente da realidade dos fatos. Demóstenes Torres, o amigo íntimo do bicheiro, tornou-se autoridade máxima em assuntos éticos. Produziu os escândalos que quis, divulgou-os com estardalhaço. Sem ir muito longe, basta lembrar a “denúncia” de grampo supostamente feita pelo Poder Executivo no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, então presidente da mais alta Corte do país. Era inverossímil: jamais alguém ouviu a escuta supostamente feita de uma conversa telefônica entre Demóstenes, o amigo do bicheiro, e Mendes, o amigo de Demóstenes.


Os meios de comunicação receberam a suposta transcrição de um grampo, onde Demóstenes elogia o amigo Mendes, e Mendes elogia o amigo Demóstenes, e ambos se auto-elegem os guardiões da moralidade contra um governo ditatorial e corrupto. Contando a história depois de tanto tempo, e depois de tantos escândalos Demóstenes correndo por baixo da ponte, parece piada. Mas os meios de comunicação engoliram a estória sem precisar de água. O show midiático produzido em torno do episódio transformou uma ridícula encenação em verdade.


A estratégia do show midiático é conhecida desde os primórdios da imprensa. Joga-se uma notícia de forma sensacionalista (já dizia isso Antonio Gramsci, no início do século passado, atribuindo essa prática a uma “ imprensa marrom”), que é alimentada durante o período seguinte com novos pequenos fatos que não dizem nada, mas tornam-se um show à parte; são escolhidos personagens e conferido a ele credibilidade de oráculos, e cada frase de um deles é apresentada como prova da venalidade alheia. No final de uma explosão de pânico como essa, o consumo de uma tapioca torna-se crime contra o Estado, e é colocado no mesmo nível do que uma licitação fraudulenta. A mentira torna-se verdade pela repetição. E a verdade é o segredo que Demóstenes – aquele que decide, com seus amigos, quem vai ser o alvo da vez – não revela.


Convenha-se que, nos últimos anos, no mínimo ficou confusa a medida de gravidade dos fatos; no outro limite, tornou-se duvidosa a veracidade das denúncias. A participação da mídia na construção e destruição de reputações foi imensa. Demóstenes não seria Demóstenes se não tivesse tanto espaço para divulgação de suas armações. Os jornais, tevês e revistas não teriam construído um Demóstenes se não tivessem caído em todas as armadilhas construídas por ele para destruir inimigos, favorecer amigos ou chantagear governos. Os interesses econômicos e ideológicos da mídia construíram relações de cumplicidade onde a última coisa que contou foi a verdade.


Ao final dos fatos, constata-se que, ao longo de um mandato de oito anos, mais um ano do segundo mandato, uma sólida relação entre Demóstenes e a mídia que, com ou sem consciência dos profissionais de imprensa, conseguiu curvar um país inteiro aos interesses de uma quadrilha sediada em Goiás.


Interesses da máfia dos jogos transitaram por esse esquema de poder. E os interesses abarcavam os mais variados negócios que se possa fazer com governos, parlamentos e Justiça: aprovação de leis, regras de licitação, empregos públicos, acompanhamento de ações no Judiciário. Por conta de um interesse político da grande mídia, o Brasil tornou-se refém de Demóstenes, do bicheiro e dos amigos de ambos no poder.


Não foi a mídia que desmascarou Demóstenes: a investigação sobre ele acontece há um bom tempo no âmbito da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Nesse meio tempo, os meios de comunicação foram reféns de um desconhecido personagem de Goiás, que se tornou em pouco tempo o porta-voz da moralidade. A criatura depõe contra seus criadores.

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As origens do Totalitarismo moderno e das práticas de controle do pensamento no século II com a institucionalização da Igreja

Posted by Liberdade Aqui! em 03/04/2012

Via Portal Nassif

Religião e as origens do totalitarismo moderno

Enviado por luisnassif, ter, 03/04/2012 – Autor:  

O livro “The New Inquisitions” do professor da Michigan State University Arthur Versluis localiza as origens do Totalitarismo moderno e das práticas de controle do pensamento no século II com a institucionalização da Igreja Católica e o surgimento da ortodoxia que iria identificar heresias e hereges. As primeiras vítimas foram os gnósticos, herdeiros de uma anterior tradição religiosa pluralista. Se no passado os Impérios dominavam exclusivamente recursos naturais e escravos, a partir da Igreja Católica em II DC surge também a necessidade do controle do pensamento, aprimorado até chegar à Inquisição no século XII. Hoje não são mais necessárias câmaras de torturas já que a Internet e redes sociais tornaram os pensamentos mais acessíveis do que nunca.

A institucionalização da Igreja historicamente se fundamentou na ortodoxia que criaria figura do “herege” e a identificação das “heresias”. Mas antes do Cristianismo institucionalizado havia outro modelo bem diferente.

Olhando para o cristianismo oriental e, mais a leste, para as religiões da Índia, China e Tibet havia toda uma tradição muito mais pluralista: o Hinduísmo abrigava uma variedade de tradições (vedanta, védica, tântrica etc.); o pluralismo chinês onde budismo, taoismo e confucionismo conviviam lado a lado.

No Cristianismo primitivo havia também um modelo pluralista fundamentado nas antigas tradições da Ásia (Platonismo, Hermetismo, misticismo judaico etc.) que foi denominado “Gnosticismo” porque a sua unidade não era dada por uma forma externa – organização burocrática ou histórica – mas por um conhecimento interior, a “gnosis”.

Mas tudo mudou com a institucionalização da Igreja no século II DC: os padres da primeira Igreja como Tertuliano de Cartago pressentiram a necessidade de racionalizar os dogmas da religião através de termos como “ortodoxia” oposta da “heresia”. Pela primeira vez surge a necessidade do controle do pensamento por meio de uma forma de Poder. Além de conquistar terras, escravos e riquezas, pela primeira vez as estratégias políticas de dominação passaram a ter necessidade de reprimir por diversos instrumentos qualquer pensamento divergente da norma. Essa é a origem das modernas formas de Totalitarismo como o fascismo, nazismo até instrumentos contemporâneos da “nova inquisição” como as redes sociais na Internet e teorias conspiratórias como a “illuminatifobia”.

Essa é a tese fundamental do livro “The New Inquisitions: Heretic-Hunting and the Intellectual Origins of Modern Totalitarism” de Arthur Versluis, professor do Departamento de Estudos da Religião da Michigan State University. Reproduzimos abaixo uma ótima resenha de Miguel Conner (escritor norte-americano de sci fi e editor/apressentador do programa radiofônico “Aeon Bytes Gnostic Radio” – programa de debates e entrevistas semanais sobre temas do Gnosticismo, literatura e cultura pop) sobre o livro.

Conner vai destacar que os gnósticos (representantes de uma era de tradições religiosas mais pluralistas) foram os primeiros alvos dos dispositivos inquisicionais aprimorados durante séculos pela Igreja, cuja continuidade secularizada encontramos na pós-modernidade: “o inquisidor moderno não exige mais câmaras de tortura ou vizinhos delatores quando a Internet, mensagens eletrônicas, redes sociais e outros meios de comunicação fizeram os pensamentos do público mais acessível do que nunca.” Basta apenas que as ideias fascistas e de intolerância encontrem uma tradução política no Estado.

AS ORIGENS DO TOTALITARISMO E DO CONTROLE DE PENSAMENTO
Miguel Conner

A maioria das pessoas conhecem termos como ‘orwelliano’, ‘Politicamente Correto’, Patrulhamento Ideológico”ou ” Admirável Mundo Novo “, bem como os sistemas opressivos seculares e religiosos ao longo da história que os inspiraram. Apesar desses mecanismos que matam a individualidade serem construções relativamente modernas, não são apenas tão antigos quanto o Cristianismo, mas na verdade se originaram com o Cristianismo!

Mais surpreendente talvez seja saber que certas facções do cristianismo estão utilizando esses mecanismos até hoje. Em seu livro seminal, “The New Inquisitions”, Arthur Versluis, propõe que foi a caça à heresia promovida pelos pais da igreja primitiva que deu origem ao DNA que estruturou, muito mais tarde, as instituições totalitárias e o Estado policial. O desprezo cego destes bispos contra seus adversários teológicos, principalmente os gnósticos, acrescentou uma dimensão infernal às formas de controle sociais que poderiam ser aplicadas a seus súditos.

Antes do surgimento da figura do herege, impérios conquistaram quase que exclusivamente recursos naturais, escravos e prestígio, mas a maioria das nações subjugadas tinha a permissão de manter suas crenças nativas, costumes e ideologias. A perseguição religiosa dentro de um império geralmente surgia quando um sacerdote ou nobre – representantes na Terra de deuses específicos – iniciavam alguma forma de insurreição.

Os exemplos são numerosos: os egípcios pemitiram que os israelitas e outras raças escravizadas existissem livremente como cultura; os babilônios isolavam o clero judaico das massas em uma espécie de prisão em um clube de campo; e os romanos eram famosos pela liberdade religiosa, desde que tanto cidadãos quanto estrangeiros obedecessem às leis, pagassem impostos e jurassem a santa fidelidade ao Imperador. Recompensa ou punição era geralmente aplicada por causa do comportamento de um indivíduo ou grupo.

Tertuliano de Cartago: polemista
contra a heresia viu a necessidade
de racionalizar os dogmas cristãos

De acordo com Versluis, uma mudança sísmica ocorreu no século II DC, quando o Cristianismo começou a solidificar-se como uma religião organizada ao invés de múltiplas seitas independentes.

Padres da Igreja como Irineu de Lyon e Tertuliano de Cartago viram a necessidade de racionalizar os dogmas de sua religião a fim de ganhar respeitabilidade dentro do Império Romano. Dissidências ou especulações autônomas poderiam ameaçar a própria sobrevivência do cristianismo (pelo menos essa era sua razão de ser).

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Aula de cidadania

Posted by Liberdade Aqui! em 15/03/2012

Nossa Luta pela Educação de Qualidade

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
Martin Luther King, Jr.

Professoras e Professores em ato público em Cornélio Procópio / PR.

Existem varias definições de cidadania. Cidadania é definida como um conjunto de direitos e deveres ao qual o indivíduo está sujeito em relação à sociedade a que pertence. …É também praticar, exigir Direitos, não ter preconceitos, respeitar as leis.

A paralisação de hoje, dia 15/03, comandada pela APP-Sindicato/CNTE/CUT é um movimento social que luta contra as arbitrariedades e inverdades de muitos prefeitos e governadores que se negam a cumprir o que é estabelecido em lei e que proferem os mais absurdos discursos diatribes.

É através deste instrumento (GREVE) garantido pela constituição que os professores e professoras estaduais ensinam aos seus alunos o livre exercício da cidadania, ensinando-os a ser um cidadão participante e atuante. (esse ensinamento também serve a muitos educadores, que acham que os outros é que devem lutar por eles).

Ensinamos aos nossos alunos que eles fazem parte do mundo e que suas escolhas e posturas diante da vida afetam não só a eles mesmos, mas também a vida de outras pessoas da comunidade. Assim como as atitudes das outras pessoas também nos afetam.

No nosso Brasil, no nosso Estado e em nossas comunidades (escolas, clubes, sindicatos, prédios, ruas e cidades) sempre irão existir grupos de pessoas unidos, organizados para lutar por algo que acreditam…

Esta paralisação dos/as professores/as nas capitais e no interior de nosso país é a maneira legitima de mostrar para a sociedade através da luta que os educadores, os alunos, pais de alunos estão indignados com a postura, com a atitude de prefeitos e governadores em tentar suprimir nossos direitos conquistados a duras penas.

Nós professores/as e alunos/as sabemos que ser cidadão é fazer valer nossos direitos e deveres civis, políticos e econômicos.  Só assim exerceremos a verdadeira cidadania.

Sabemos também que a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo.

Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.

Sejamos, então, verdadeiros/as cidadãos/as.

_____________________________

Texto adaptado de: MARTINS, Paulo James Queroz.  Greve e  Cidadania. Disponível em: http://profcarlosalberto03.blogspot.com/2011/08/greve-aula-de-cidadania.html

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Classe média responderá por 60% dos brasileiros em 2014

Posted by Liberdade Aqui! em 09/03/2012

Do Terra via Portal Nassif

A evolução da classe média no Brasil

Enviado por luisnassif, sex, 09/03/2012 – 10:10 Por wilson yoshio.blogspot

Do Terra

Classe média responderá por 60% dos brasileiros em 2014

Classe C é mais fiel a marca do que a elite, diz Meirelles

Classe C é mais fiel a marca do que a elite, diz Meirelles
Foto: Fernando Borges

Eles já são 53% da população do Brasil e até 2014 serão 60%. Eles são a novidade e estão fazendo com que as empresas corram para entender como querem ser servidos, o que querem consumir, a quais valores são fieis. A nova classe C movimenta a economia brasileira e faz com que o País passe com mais calma pela crise em relação a americanos e europeus. Especialista nesses novos consumidores, o presidente do instituto Data Popular, Renato Meirelles diz que essa transformação ainda está em curso e que as empresas que melhor entenderem as demandas desses brasileiros terão mais chances de serem líderes.

Meirelles fala sobre falsas impressões a respeito da nova classe média, diferenças entre essa classe no Brasil e em outros países e sobre erros e acertos das empresa até agora para lidar com esse novo público.

Terra – Quando falamos em nova classe C, falamos de quem? É um corte apenas monetário? É também social?
Renato Meirelles
 -O Brasil mudou muito nos últimos anos. Quase 40 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe C ou do que a gente convencionou a chamar de nova classe média. Para entender quem é essa família, pensa em uma em que a renda familiar é algo em torno de R$ 2,5 mil. 53,9% dos brasileiros fazem parte da classe C, são quase 104 milhões de pessoas que passaram a ter nos últimos anos poder de compra. Mas não é só em dinheiro que nós estamos falando. Estamos falando de pessoas que passaram a viajar de avião pela primeira vez, que passaram a estudar mais, que passaram a frequentar ambientes como não frequentavam antes, como restaurantes, cinemas shopping centeres. E é um brasileiro que tem um jeito próprio não só de comprar, como de enxergar o mundo. A classe C é mais otimista do que as outras classes sociais, acredita mais que a vida vai melhorar. E isso acontece porque como a vida dele melhorou mais do que a dos outros brasileiros nos últimos tempos, ele é mais otimista de que esse ciclo vai continuar acontecendo. A classe C tem mais amigos do que a elite. A classe C tem 70% a mais de amigos do que têm as classes A e B – e isso faz toda a diferença, porque ela faz mais propaganda boca a boca. 69% da classe C faz propaganda boca a boca contra 19% das classes A e B. Então nós estamos falando de um jeito de enxergar o mundo muito diferente.

Terra – Quais as principais diferenças no processo de consumo da nova classe C em relação ao daquela antiga classe média?
Renato Meirelles
 – O pessoal da antiga classe C comprava o que cabia no bolso, ele não tinha muito poder de escolha. Ele não tinha crédito, ele não tinha muita chance. Então, o que cabia no bolso ele corria e comprava. Hoje ele pode escolher, porque todo mundo tem crédito e mais dinheiro no bolso. Então, se ele pode escolher, ele faz mais pesquisa de preço. Porque a classe C não pode errar. Como o dinheiro é muito contado, na prática ele prefere pagar um pouco mais caro por marcas que ele tem certeza que vão entregar um produto de boa qualidade. Vou dar um exemplo: uma mulher da classe A vai ao supermercado, vê uma marca de arroz que ela não conhece, mas que está em promoção. Ela compra o arroz, mas na hora que vai fazer, percebe que o arroz é ruim. O que ela faz? Joga fora o arroz. A mulher da classe C não. Como o dinheiro é contado, se ela descobrir que esse arroz é ruim, ela vai ter que comê-lo o mês inteiro. Então ela é mais fiel às marcas do que a mulher da elite, diferente do que pensa o senso comum. Mas não é pelo status, é pelo aval de qualidade que a marca dá. É a garantia de que ele não está jogando dinheiro fora.

Terra – As empresas precisaram mudar seus produtos ou processos de comunicação com o consumidor dada a ascensão dessa nova classe média? Quais foram essas principais mudanças?
Renato Meirelles
 – As empresas têm uma grande dificuldade de falar para as classes C e D porque sua estrutura de marketing, na grande maioria dos casos, veio da elite. Então, são pessoas que pensam como elite. Isso faz com que ele não saiba se comunicar. Ele acredita que a aspiração da classe C é ser classe A e B. Mas não é. O cara da classe C acha que o rico é perdulário, que o rico joga dinheiro fora, que o rico não tem valores familiares consolidados. Exatamente por isso ele acaba preferindo ter como aspiração o vizinho que deu certo e não o ricaço. Ele quer ser aquele cara que há 10 anos começou a entregar água no bairro e hoje tem uma distribuidora. As aspirações têm mais a ver com os exemplos próximos que deram certo do que com as classes A e B.

Terra – Quais foram os setores da economia que mais se beneficiaram com a ascensão da nova classe média?
Renato Meirelles
 – O primeiro foi automóveis. O gasto com automóveis, e não só aquisição, mas também manutenção foi o que mais cresceu. Educação cresceu muito. E também higiene e cuidados pessoais. Porque higiene e cuidados pessoais cresceu tanto? Porque a mulher da nova classe média foi para o mercado de trabalho. E ao ir para o mercado de trabalho, o investimento na própria aparência deixa de ser visto como gasto e passa a ser visto como uma forma de se dar melhor, ganhar mais dinheiro no mercado de trabalho. Como ela foi para o mercado de trabalho, ela sabe que ir ao salão toda semana não é mais gasto, mas investimento para continuar melhorando de vida.

Terra – Por que a classe média cresceu tanto nos últimos 10 anos? Qual foi a fórmula que permitiu esse fenômeno que não tinha sido aplicada antes?
Renato Meirelles
 – Tem um conjunto de fatores. Um primeiro aspecto é o demográfico. É o que os demógrafos chamam de bônus demográfico. É um fenômeno que acontece uma vez na história de cada país, que é quando a maior parte da população está concentrada em idade economicamente ativa. É isso que fez a Coreia do Sul virar a Coreia do Sul. O bônus demográfico atuou entre as décadas de 60 e 90. Os especialistas dizem que o PIB da Coreia cresceu, em média, 1,6% ao ano apenas pelo fenômeno do bônus demográfico. Isso está acontecendo no Brasil. Isto já aconteceu nas classes A e B, está acontecendo na classe C e vai acontecer nas classes D e E. Se o Brasil não entrar em guerra e não matar metade de seus homens isso não vai mudar. Outro aspecto que explica isso é a conjunção histórica dos últimos anos de você ter estabilidade da economia e depois o processo de distribuição de renda, que aconteceu nos últimos 10 anos – quando quase 40 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe C. O terceiro fator tem a ver diretamente com a melhora dos níveis educacionais. Cada ano de estudo impacta em 15% a mais no salário médio das pessoas. E os jovens da classe C estão estudando mais. Na classe A 10% dos jovens estudaram mais que seus pais, enquanto na classe C, 68% dos jovens estudaram mais que os pais. Isso na prática significa uma mudança gigantesca nas chances que elas têm para o mercado de trabalho.

Terra – Há algum paralelo do que acontece no Brasil nesses últimos 10 anos em outro país? Alguma experiência que sirva de aprendizagem para as empresas brasileiras?
Renato Meirelles
 – Nessa velocidade não.

Terra – E as empresas estrangeiras que pensam em aproveitar o aumento do consumo interno no Brasil? Precisam se preparar para lidar com um novo consumidor, para chegar ao um novo País?
Renato Meirelles
 – As empresas têm que entender que a classe média brasileira é diferente da americana, da europeia. É uma classe média mais jovem, que está aprendendo a consumir uma certa categoria de produtos. Eu canso de fazer pesquisa em que muitas pessoas estão indo viajar de avião pela primeira vez e não sabem o que é check-in. Que têm dinheiro para colocar o filho em colégio particular, mas não entende nada de método pedagógico, não sabe direito como escolher o colégio particular do filho. O desafio dessas empresas é serem parceiras desse consumidor na hora que ele mudar de vida.

Terra – Na sua opinião, o mercado interno, pelo lado do consumidor, ainda está em transformação ou essa migração de classes já se consolidou?
Renato Meirelles
 – Ele vai continuar crescendo. Hoje você tem 53,9% da população fazendo parte da classe C e a ideia é que cheguemos a 2014 com quase 60% da população fazendo parte da classe C. É um caminho sem volta, a não ser que aconteça uma guerra mundial ou uma grande crise econômica em proporções muito maiores do que a que vivemos nos últimos tempos. Não tenho nenhum indicador de que essa classe C não vá continuar crescendo e as empresas que souberem aproveitar as oportunidades desse novo mercado têm muito mais chance de ser líder amanhã.

Terra – A atual crise econômica teve em sua raiz uma espécie de nova classe média, os mutuários americanos que não poderiam ter acesso a crédito, mas que o tiveram depois de bancos facilitarem esses empréstimos. Como a nova classe média brasileira lida com acesso ao crédito?
Renato Meirelles
 – Desde a crise do Lehman Brothers o Data Popular tem se aprofundado no estudo de semelhanças e diferenças do processo de endividamento dos americanos e dos brasileiros. O que vimos é que o crédito para consumo dos americanos é quase sete vezes maior que o crédito para consumo para os brasileiros. Estamos anos-luz atrás dos americanos do ponto de vista de endividamento. Quando você pega a crise do subprime e o processo de endividamento, vemos que o grosso eram hipotecas – que é diferente de financiamento para compra de primeiro imóvel. Ou seja, ele hipotecava uma casa que já era dele para comprar outras coisas. O processo de financiamento do crédito imobiliário brasileiro é para compra da primeira casa – e isso tem uma série de implicações. Ele não vai hipotecar a primeira casa, porque a casa é o grande sonho do brasileiro. Segundo, é um crédito que gera emprego, diferente do crédito americano. Ele não estava construindo casas ao hipotecar o imóvel. Ela já estava construída. No crédito brasileiro, é isso que tem sido responsável pelo boom – mais gente comprando casa nova, que significa mais emprego nas classes D e E, os operários da construção civil, e mais emprego significa mais renda e isso fecha o ciclo virtuoso do consumo. Na prática, o financiamento habitacional no Brasil ajuda a economia e não superendivida consumidores, como foi o caso dos Estados Unidos.

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O SUCESSO DE DILMA, ANO 1

Posted by Liberdade Aqui! em 26/02/2012

Do Conversa Afiada

Sucesso !
Neri e um ano de Dilma

Saiu na Folha (*) artigo de Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, na Fundação Getúlio Vargas, Rio.

No dia 7 de março, quarta-feira, ele lança na Bolsa de São Paulo (a do Rio, o Naji Nahas fechou) um livro para ensinar a navegar com os emergentes.

Ao sucesso da Dilma, ano I (chora, Urubóloga, chora !):

(…)


Janeiro de 2012 coincide com o marco ano 1 depois da Dilma. Pois bem, as variações de 12 meses mostram:


1) crescimento da renda familiar per capita média da PME de 2,7%, que coincide com o crescimento observado entre 2002 e 2008, apelidado por muitos de “era de ouro mundial”, e superior ao 0% do ano 1 depois da crise de 2008; 2,7% de crescimento também coincide com o crescimento do PIB total de 2011, recém-anunciado pelo Banco Central. A diferença é o crescimento populacional de pouco menos de 1%, mantendo a tendência, observada desde o fim da recessão de 2003, da renda das pesquisas domiciliares crescerem mais que o PIB;


2) A desigualdade tupiniquim continua em queda de 2,13% ao ano, ante o 1,11% observado no período de 2001 a 2009, conhecido como o de “queda da desigualdade brasileira”. O Gini brasileiro foi, de 1970 a 2000, quase uma constante da natureza. A desigualdade brasileira está hoje 3,3% abaixo do seu piso histórico de 1960;


3)    Como consequência, a pobreza segue sua saga descendente ao ritmo de 7,9% ao ano, superior aos 7,5% ao ano da “era de ouro” citada. Reduzimos em 2011 a pobreza num ritmo três vezes mais rápido que o necessário para cumprir a Meta do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 25 anos.


(…)

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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Estaríamos voltando à Idade Média?

Posted by Liberdade Aqui! em 17/02/2012

Do Portal Sul 21

Neoconservadorismo religioso e ataques à cidadania laica

Muito mais importante do que pode parecer à primeira vista, a questão da utilização dos símbolos religiosos nos órgãos públicos merece atenção. Ela vem sendo alvo de acirrado debate nas páginas do Sul21 nos últimos dias. Respondendo a pedido de retirada destes símbolos, formulado pela Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) e por outras cinco entidades, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por despacho do seu ex-presidente, desembargador Leo Lima, antecipou-se aos demais poderes e negou a solicitação que fora encaminhada também à Câmara Municipal de Porto Alegre, à Assembleia Legislativa e ao Governo do Rio Grande do Sul.

Leia Mais:
– TJ-RS usou preâmbulo da Constituição para justificar uso de crucifixos
– “Discutir símbolos religiosos é mais importante do que parece”, diz desembargador

A base jurídica utilizada para justificar a negativa foi o preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil, onde consta que o seu texto foi promulgado “sob a proteção de Deus”. Inconformada com a decisão, a LBL encaminhou pedido ao novo presidente do TJ-RS, desembargador Marcelo Bandeira Pereira, para que seja reconsiderada a decisão ou que a mesma seja remetida para apreciação do Órgão Especial do TJ-RS, também encarregado de deliberar sobre questões administrativas. Alega a representante da LBL que a referência ao preâmbulo constitui um “falso argumento jurídico”, pois o mesmo não faz parte da norma e, por este motivo, “não cria direitos ou deveres”, nem define o que é constitucional ou não.

De acordo com o parecer sobre o qual se firmou o ex-presidente do TR-RS para manter os crucifixos expostos naquele órgão público, “embora o laicismo seja uma das vias para a construção de um Estado Democrático de Direito”, como argumentam as entidades requerentes, “o verdadeiro sentido do ato [seria expressar] a ideia de conduta perenemente pautada pela religiosidade”. Justificar-se-ia nas “raízes predominantemente cristãs, que amoldaram a cultura deste país” e constituiria, ainda, “uma homenagem à religiosidade e aos valores a ela vinculados, forma geral, independente de qualquer orientação religiosa” (sic).

O flagrante centralismo cultural contido no argumento do parecerista, juiz Antonio Vinícius Amaro da Silveira, salta aos olhos. Não apenas ele entende que a Justiça ou, ao menos, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul se pauta pelos valores religiosos e cristãos, como os estende a toda a sociedade brasileira, à sua cultura e, ainda, torna esses valores e seu símbolo maior (o crucifixo) um símbolo universal, que expressaria a religiosidade em geral e que, portanto, incluiria todas as religiões. Fosse um simples parecer, ainda que contestável, ele não mereceria maior atenção. Como foi aceito pelo então presidente do TR-RS ele expõe contradição que está, ela sim, na raiz das instituições públicas brasileiras.

Fica evidente que, para boa parte dos magistrados brasileiros, a Justiça deva se pautar pela religiosidade e não, simplesmente, pela letra fria da Constituição Federal e pelo Direito. Orientam-se, com certeza, estes juízes e desembargadores, pela ideia de que a retidão de conduta decorre dos ensinamentos e dos preceitos religiosos cristãos, como se os homens, na condição de seres genéricos, só pudessem ser “bons” se orientados pela ideia e pelo temor ao Deus cristão. Sequer a ideia kantiana do imperativo categórico foi assimilada pelos que assim professam suas crenças e fazem tudo para impô-las aos demais cidadãos. A ideia de uma ética secular, em que as regras que orientam a ação individual devam ser tais que possam se tornar normas de conduta universais, formulada em 1785 (Immanuel Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes), ainda não foi assimilada por estes aplicadores do Direito.

Mais importante e mais preocupante ainda se torna esta questão quando a imposição dos valores e da moral religiosa assume a dimensão que vem assumindo no Brasil hoje. Não apenas o TJ-RS reafirma que a Constituição e os valores do Estado laico devam se submeter às disposições cristãs, como os demais poderes públicos do Rio Grande do Sul se esgueiram e evitam enfrentar a questão da utilização dos símbolos religiosos cristãos nos órgãos públicos. A Câmara Municipal de Porto Alegre não deliberou até hoje sobre o requerimento que lhe foi entregue pela LBL e demais entidades em novembro de 2011. A presidência da Assembleia Legislativa e o governo do Estado do Rio Grande do Sul não sabem responder em que escaninho de suas burocracias se encontra (perdido/escondido?) os requerimentos de mesmo teor que lhes foram entregues em dezembro do mesmo ano.

No plano nacional, representantes de igrejas cristãs conservadoras vêm a público exigir explicações de ministros por suas manifestações de ordem política. Gilberto Carvalho, ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, vem sendo duramente atacado por ter declarado durante o Fórum Mundial Temático, coincidentemente realizado em Porto Alegre no mês de janeiro último, que a nova classe média brasileira vem sendo ideologicamente conquistada pelas igrejas evangélicas e por sua moral conservadora e que cabe aos militantes progressistas entrar na disputa e reverter este quadro. Eleonora Menicucci, ministra recém empossada da Secretaria de Políticas para as Mulheres, vem sendo bombardeada com críticas por ter declarado que o aborto é uma questão de saúde pública, acima e independente das convicções religiosas.

Dilma Rousseff, que já foi emparedada pelos evangélicos conservadores durante a campanha eleitoral pela presidência da República, vem sendo constantemente constrangida a não adotar posturas e nem implementar políticas que possam se contrapor a convicções religiosas. Entendem os pastores religiosos e muitos cristãos, tal como fizeram o juiz parecerista e o desembargador ex-presidente do TJ-RS, que suas crenças são universais e que só elas podem redimir os homens e que, por este motivo, podem e devem ser estendidas a todos os indivíduos e a todas as instituições. As ideias do Estado laico e da ética secular não cabem em suas concepções de mundo. É oportuno lembrar que milhões já foram mortos, ao longo da história da humanidade, em defesa dos deuses únicos e de seus valores e na tentativa de sua imposição a toda a terra.

 

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Os pesos e medidas diferentes aplicados pela velha mídia.

Posted by Liberdade Aqui! em 16/02/2012

Do Vi o mundo

Adriano Diogo critica Folha por criminalizar PSTU e elogiar empresa

por Adriano Diogo

Um espetacular “selo verde” foi atribuído pelo jornal Folha de S. Paulo em parceria com a Fundação Schwab, à empresa Terra Nova e ao seu diretor André Albuquerque, que se consagrou Empreendedor Social em 2008.

Tal premiação visa incentivar as melhores iniciativas na área, considerando os aspectos de inovação, sustentabilidade, impacto social, abrangência e efeito multiplicador.

Ao ser agraciada com este “selo”, a Terra Nova passa a integrar a rede mundial de “Empreendedores Sociais de Destaque” da Fundação Schwab. E mais, o prêmio possibilita que a empresa tenha consultoria internacional gratuita.

Com esta premiação, promovida pela Folha de S. Paulo, André Albuquerque e a empresa Terra Nova podem ter adquirido uma referência por dois importantes jornalistas, no assunto que diz respeito à desocupação do Pinheirinho.

Um deles é Élio Gaspari, em sua coluna do dia 25 de janeiro de 2012, intitulada “Pinheirinho, estratégia da tensão”. O outro é Bernardo Mello Franco, em 05 de fevereiro de 2012, no artigo: “PSTU trava negociação e usa Pinheirinho para exercitar estratégia da ‘luta direta’”.

No mesmo domingo, 05 de fevereiro, André Albuquerque publicou artigo no jornalO Estado de S. Paulo, caderno Aliás, com o título: “Um outro Pinheirinho: Financiamento social pode fazer do combate à pobreza e ao déficit de moradias um bom negócio para todos”.

Não tenho nenhuma procuração do PSTU, ou de quem quer que seja, mas estou acompanhando o caso do Pinheirinho antes e depois da desapropriação. Acostumado a conviver com questões de ocupação de terra, desocupação e legalização fundiária, percebo, nos dois artigos, afirmações precipitadas.

A desocupação só ocorreu por intransigência do PSTU, segundo os dois jornalistas. Ainda segundo eles, o problema do Pinheirinho não foi resolvido pelo fato da empresa Terra Nova não ter sido contratada.

Segundo os dois articulistas, o lote de 250 metros quadrados poderia valer entre 3 mil e 6 mil reais. Os cálculos da Terra Nova não fecham. Com a prestação proposta de 100,00 por mês, por 120 meses, multiplicado por 1.600 famílias, o valor do lote sairia por 19.200 milhões.

Podemos fazer outro cálculo. Os lotes de 3 mil, por exemplo, multiplicados por 1.600 famílias, sairiam por 4.800 milhões. E, aqueles de 6 mil, chegariam a 9.600 milhões. Outra conta que não fecha, segundo os calculos da Terra Nova.

Mas o síndico da massa falida avaliou a área em 180 milhões de reais – já descontados os 16 milhões de IPTU que devia para a prefeitura. Além de querer a terra limpa, sem casas e sem ruas. E ele conseguiu realizar todas estas exigências.

Apesar de a Justiça ter proibido a demolição das casas, as mesmas foram destruídas com os pertences dos moradores dentro, atendendo a ordem do síndico da massa falida.

Em momento algum se reconheceu a possibilidade de compra da área, pela prefeitura e pelo síndico da massa falida. E, por mais tratativas que tivessem sido feitas para ser legalizado o loteamento, o mesmo continuou sendo de zona industrial.

Tratativas dos quatro vereadores do PT (e também de outros partidos) de São José dos Campos para tentar a mudança de zoneamento, que seria o primeiro passo para legalização da área. Como diria o velho Mané Garrincha, faltou combinar com os russos…

Ao escrever esta carta quero questionar como dois grandes jornalistas, de gerações diferentes, atribuem ao PSTU a intransigência e o endurecimento das negociações… E, em especial, questiono o porquê ambos alegam que as negociações não se concretizaram pela ausência de intermediação da Terra Nova.

Espanto-me, ainda mais, com a postura destes dois profissionais. Um deles, pela credibilidade e contribuição ao período mais duro do Brasil, que foi a Ditadura Militar. O outro, um jovem jornalista da melhor qualidade, que segue os passos e justifica seu sobrenome na tradição brasileira.

Saliento que a proposta da Terra Nova não tinha o aval do empreendedor e da prefeitura, que sequer mudou o zoneamento urbano, de industrial para residencial – detalhe que facilitaria enormemente a ação do Governo do Estado e do Governo Federal para efetivar a desapropriação da área.

Além de a empresa Terra Nova ter sido citada em dois artigos, André Albuquerque publicou um outro, no jornal O Estado de S. Paulo. Sem contar, a aquisição do passaporte dado como empreendedor de 2008, passaporte este que abriu portas para relacionamentos internacionais.

Todo domingo de manhã, a primeira coisa que leio no jornal é a coluna do ombudsman (que agora tem como ouvidora a jornalista Suzana Singer) porque acredito ser este o ponto de equilíbrio do jornal, onde me sinto representado.

E me lembro que, o terreno do Jardim da Conquista, uma das principais credenciais exibidas pelo senhor André, foi comprado no governo Luiza Erundina, por Paul Singer, então secretário de Planejamento. O professor Paul Singer, respeitadíssimo, organizou aquela área, que se tornou um dos maiores loteamentos urbanos, junto com o loteamento Jardim São Francisco, em São Mateus, São Paulo.

E a regularização total do Jardim da Conquista ocorreu no governo Marta Suplicy, com o secretário da Habitação Paulo Teixeira. Se houve qualquer participação da Terra Nova neste caso foi totalmente marginal e periférica, porque o mesmo foi realizado com financiamentos internacionais, do BID e da Cohab de São Paulo.

Também aprendi na coluna ombudsman que quando o assunto está relacionado a empresas, não se pode citá-las como único fator para a definição de padrões.

Como no caso, padrões de urbanismo.

Será que não existem outras empresas ou empresários que realizam este tipo de serviço? Será que não existem urbanistas, professores, universidades que possam propor a regulamentação de loteamentos? Será que tudo o que se diz no desatualizado site da Terra Nova é verdade?

Sem fazer nenhum juízo de valor, não posso acreditar que em oito anos, o PSTU e outras lideranças residentes na área, pertencentes ao movimento popular e outras lideranças políticas que atuam em São José dos Campos não tenham tido capacidade de formular propostas… É inconcebível um despejo de 1.600 famílias, que ocorreu sem nenhum tipo de planejamento, onde as famílias receberam seis cheques de 500,00, destroçando a estrutura familiar e o futuro de tantos jovens e crianças.

Estou fazendo esta modesta contribuição e uma advertência. Não posso acreditar que, mais uma vez, pessoas sejam criminalizadas politicamente por estarem interagindo no movimento social tentando resolver problemas tão graves como o da moradia. Assim como não acredito que o papel de uma empresa seja tão valorizado…

E mais: acredito na visão social da propriedade da terra, que deveria ter prevalecido diante da tragédia urbana e o êxodo de oito mil pessoas, da noite para o dia, sem nenhum encaminhamento ou destinação.

Adriano Diogo é deputado estadual  (PT)  e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Leia também:

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A globocolonização

Posted by Liberdade Aqui! em 12/02/2012

Via Conteúdo Livre

O novo fetiche – Frei Betto

A modernidade, período que se estendeu pelos últimos cinco séculos, está em crise. Vivemos, hoje, não uma época de mudanças, mas uma mudança de época. No milênio que começa emerge algo imprecisamente chamado de pós-modernidade, que se insinua bem diferente de tudo o que nos antecedeu, imprimindo novo paradigma. Na Idade Média, a cultura girava em torno da figura divina, na ideia de Deus.

Na modernidade, centra-se no ser humano, na razão e em suas duas filhas diletas: a ciência e a tecnologia. Um dos símbolos que melhor expressa esta passagem é a pintura de Michelangelo — “A criação de Adão” — no teto da Capela Sistina: Deus Pai, de barba longa, todo encoberto de mantos, representa o teocentrismo da época perante o homem desnudo, fortemente atraído para a Terra.

O homem estende o dedo para não perder o contato com o transcendente, com o divino. A desnudez de Adão traduz o advento do antropocentrismo e a revolução que a modernidade representou em nossa cultura. Episódio característico da modernidade ocorreu em 1682, quando mister Halley, baseado exclusivamente em cálculos matemáticos — pois não dispunha de instrumentos óticos —, previu que um cometa voltaria a aparecer nos céus de Londres dentro de 76 anos. Na ocasião, muitos o consideraram louco. Como, fechado em seu escritório, baseado em cálculos feitos no papel, poderia prever o movimento dos astros no céu? Quem, senão Deus, domina a abóbada celestial?”.

Mister Halley morreu em 1742, antes de se completarem os 76 anos previstos. Em 1758, o cometa, que hoje leva o seu nome, voltou a iluminar os céus de Londres. Era a glória da razão! “Se é assim,” disseram, “se a razão é capaz de prever os movimentos dos astros como demonstraram Copérnico e Galileu — e depois Newton, um dos pilares da nossa cultura —, então ela haverá de resolver todos os dramas humanos! Porá fim ao sofrimento, à dor, à fome, à peste. Criará um mundo de luzes, progresso e felicidade!”

Cinco séculos depois, o saldo não é dos mais positivos. Muito pelo contrário. Os dados são da FAO: somos 7 bilhões de pessoas no planeta, das quais metade vive abaixo da faixa da pobreza, e 852 milhões sobrevivem com fome crônica. Há quem afirme que o problema da fome é causado pelo excesso de bocas. Em função disso, propõe o controle da natalidade. Oponho-me ao controle, e sou favorável ao planejamento familiar.

O primeiro é compulsório, o segundo respeita a liberdade do casal. E não aceito o argumento de que há bocas em demasia. Nem falta de alimentos. Segundo a FAO, o mundo produz o suficiente para alimentar 11 bilhões de bocas. O que há é falta de justiça, de partilha, e excessiva concentração da riqueza. Por atravessarmos um período de muita insegurança, as pessoas buscam respostas fora do razoável. Observe- se, por exemplo, o fenômeno do esoterismo: nunca Deus esteve tão em voga como agora. Suscita paixões e fundamentalismos, a favor ou contra. A crise da modernidade culmina no momento em que o sistema capitalista alcança a sua suprema hegemonia com o fim do socialismo, e adquire um novo caráter, chamado de neoliberal.

Quais as chaves de leitura dessa mudança do liberalismo para o neoliberalismo? Sob o liberalismo, falava- se muito em desenvolvimento. Na década de 1960, surgiu a teoria do desenvolvimento, que incluía também a noção de subdesenvolvimento; criou-se a Aliança para o Progresso, destinada a “desenvolver” a América Latina. A palavra “desenvolvimento” tem certo componente ético, porque ao menos se imagina que todos devem ser beneficiados. Hoje, o termo é “modernização”, que não tem conteúdo humano, mas sim forte conotação tecnológica. Modernizar é equipar-se tecnologicamente, competir, lograr que a minha empresa, a minha cidade, o meu país, aproximem- se do paradigma primeiromundista, ainda que isso signifique sacrifício para milhões de pessoas. O Mercado é o novo fetiche religioso da sociedade em que vivemos.

Outrora, pela manhã nossos avós consultavam a Bíblia. Nossos pais, o serviço de meteorologia. Hoje, consultam- se os índices do Mercado… Diante de uma catástrofe, de um acontecimento inesperado, dizem os comentaristas econômicos: “Vamos ver como o Mercado reage.” Fico imaginando um senhor, Mr. Mercado, trancado em seu castelo e gritando pelo celular: “Não gostei da fala do ministro, estou irado.” E na mesma hora os telejornais destacam: “O Mercado não reagiu bem frente ao discurso ministerial.” O mercado é, agora, internacional, globalizado, move-se segundo suas próprias regras, e não de acordo com as necessidades humanas.

De fato, predomina a globocolonização, a imposição ao planeta do modelo anglo-saxônico de sociedade. Centrado no consumismo, na especulação, na transformação do mundo em cassino global. Diante da crise financeira que afeta o capitalismo e, em especial, direitos sociais conquistados nos últimos dois séculos, é hora de se perguntar: qual será o paradigma da pós-modernidade? Mercado ou a “globalização da solidariedade”, na expressão do Papa João Paulo II?

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A distância colossal entre convocar uma greve e realizá-la.

Posted by Liberdade Aqui! em 11/02/2012

Do Conversa Afiada

PMs: jn e Folha boicotam
a segurança nacional

Manchete do Globo deste sábado:

“Rio indicia 270, prende 140 e tem sexta-feira tranquila.”

O Cordão do Bola Preta saiu, como sempre.

Neste fim de semana se realizam mais de 30 bailes pela cidade.

Fotos na primeira página mostram patrulha da Policia no Arpoador, salva-vidas na praia e viaturas policiais na UPP do Morro Dona Marta.

Nunca houve greve no Rio.

Na Bahia, por algumas horas, em algumas regiões, assustadas com as operações de “acerto de contas“ de marginais e milicianos.

Existe uma distância colossal entre convocar uma greve e realizá-la.

Lula, por exemplo, pode dar uma aula sobre isso.

Os grandes vencedores contra a insurreição foram Sergio Cabral, no Rio – uma atuação exemplar -, Jacques Wagner, na Bahia – sereno, inflexível, diante de uma liderança grevista especialmente belicosa e arruaceira – e, sobretudo, ganhou a Presidenta.

Dilma Rousseff foi firme, desde o primeiro momento.

Desde quando, na Transnordestina, avisou que não ia anistiar ninguém.

Para quem quer conhecer melhor esse lado do temperamento da Presidenta, convém ler o excelente livro do Ricardo Amaral, “A vida quer é coragem

Para ver que ela não muda de lado..

Quem muda de lado é a elite de São Paulo: Cerra, o Farol de Alexandria e o Kassab.

NAVALHA

Navalha

Uma palavrinha sobre o PiG e o Ministério Público Federal

Se o Ministerio Publico Federal, sob a liderança de brindeiro Gurgel, não fosse o que é – inoperante na defesa do cidadão -, processava o PiG (*).

Especialmente o jornal nacional sob a batuta do Ai Kamel.

O noticiário da Globo incitou e conclamou à greve.

A Folha (**), também, para uma audiência minuscula e decrescente.

O manual do jornalismo responsável não convoca greve de servidor em área essencial ao atendimento do publico.

Não conclama, não dá apoio, não incita.

Não diz ”cai na área que eu dou pênalti”.

O PiG já criou uma epidemia de dengue e febre amarela.

O PiG já instalou um “caosaéreo”, ao dar legitimidade ao motim dos controladores de vôo.

Foi o PiG quem fez o “caosaéeo”.

Como foi o PiG quem, agora, jogou carne vermelha na jaula dos leões: os criminosos da Bahia e do Rio – devidamente assessorados pelo PSOL.

A intenção de fazer greve se materializa com o apoio irrestrito do PiG.

Ora, dir-se-á: o jornal nacional foi quem divulgou as fitas que incriminavam os insurretos da Bahia e do Rio.

Sim, as fitas foram autorizadas pela Justiça – como as da Satiagraha, da Castelo de Areia e do Juiz Garzón – e distribuídas ao veiculo, provisoriamente, mais bem equipado para desmontar o motim.

Pode-se dizer que foi Jacques Wagner quem usou o jornal nacional.

E, não, o contrário.

Por que ?

Porque o Bernardo não faz uma Ley de Medios.

Porque aquelas fitas eram para ser exibidas em rede nacional, para todas as emissoras, todos os públicos, e várias vezes, em todos os horários, houvesse o Bernardo feito o que prometeu aos blogueiros sujos, no ano passado: uma Ley de Meios.

O Bernardo não faz o que deve.

E o brindeiro Gurgel também não.

Porque, para se proteger, o brindeiro Gurgel e muita gente por aí afora, em Brasilia, invoca a liberdade de imprensa.

Ah, se eles dissessem isso na Inglaterra ou nos Estados Unidos.

Usar uma estacão de tevê, particular, monopolista, usar um bem público – o espectro eletromagnético – para difundir greve em serviço público !

Ah, liberdade de imprensa !

Ousaria o brindeiro Gurgel perguntar à Globo se houve estupro no BBB ?

Ousaria o brindeiro Gurgel invocar a “segurança nacional” para indiciar o Otavinho e o Ali Kamel ? – ou o Roberto Marinho, que como se sabe, pode estar vivo ?

(Clique aqui para ler Roberto Marinho vai demitir a Urubologa)

Agora, com o aparente fim do regime militar – que continua intocado, pelas mãos do STF – não se pode mais falar em “segurança nacional”, ou em “interesse nacional”.

É feio.

Pois, o que a Globo do Ali Kamel e o a Folha do Otavinho fizeram foi boicotar, minar a segurança nacional: incitaram e conclamaram à greve em serviço publico essencial, em diversas capitais do pais.

Fosse o Brasil uma democracia …

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é (http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=23300),  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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“A exemplo da fome, a violência não responde a um cardápio único. Superá-la requer uma verdadeira revolução no acesso e na qualidade de bens que formam (hoje deformam) a subjetividade brasileira.”

Posted by Liberdade Aqui! em 10/02/2012

VIA PORTAL NASSIF

Geografia da violência, por Saul Leblon

Enviado por luisnassif, sex, 10/02/2012 – Do Portal Luís Nassif

Página de Webster Franklin Farias Santo

Da Carta Maior / Blog das Frases

A geografia da violência

Quando escreveu ‘Geografia da Fome’, em 1946, Josué de Castro, sofreu pressões para eliminar a palavra incômoda do título de sua maior obra. Contrariando a elite melindrada e gelatinosa, deixou um clássico que desnaturalizou a fome brasileira, isentando ‘jeca tatus’ e ‘nortistas’ de serem os responsáveis pela própria desnutrição. A partir daí o tema ganhou fórum de desafio político, decorrente de estruturas de poder que aboliram a escravidão, mas mantiveram direitos e riquezas concentrados na casa-grande.

De certa forma, a palavra violência substitui hoje o espaço que um dia foi ocupado pela fome como a ligadura dos desafios que enfeixam a grande questão da política brasileira: a realização plena da cidadania na vida das grandes massas do seu povo. Como a fome, a violência é uma palavra incômoda. Muitos prefeririam não anexá-la à agenda do país, menos ainda reconhecê-la como estuário das pendências e desafios dessa década.

liciais inaceitavelmente armados reivindicando direitos – justos, diga-se – são parte desse mosaico desordenado e urgente, que inclui a macabra colheita de 100 cadáveres em cinco dias de recuo parcial do policiamento nas ruas de Salvador.
A exemplo da fome, a violência não responde a um cardápio único. Superá-la requer uma verdadeira revolução no acesso e na qualidade de bens que formam (hoje deformam) a subjetividade brasileira.Uma escola efetivamente republicana que nivele por cima, oferecendo um mesmo ponto de partida igual para todos, por exemplo (para isso o orçamento do MEC não pode secundar a massa de recursos fiscais transferidos aos rentistas da dívida pública). Ou uma mídia pluralista capaz de democratizar a informação e a cultura, aguçando em vez de entorpecer o discernimento crítico e a subjetividade livre e independente. Serviços públicos de saúde, segurança e acessos a bens culturais que afrontem – a palavra é justamente essa, afrontar – abismos seculares escavados pela desigualdade, alinham-se como requisitos à restauração de portas da civilização corroídas pelo cupim do elitismo excludente e parasitário.

Nada se fará sem democracia e bons empregos e tampouco basta ter orçamento se o aparelho público for desastroso – colocando, como agora, no caso dos aeroportos, o governo no desgastante dilema de privatizar ou caminhar para o colapso aéreo em plena Copa de 2014. Tudo isso é relevante, mas o grande salto para o futuro consiste justamentem em admitir que a mobilidade incremental azeitada pelo sistema econômico disponível não é suficiente.
Não é que seja apenas insuficiente: é quase um suicídio social depositar a formação da subjetividade nas mãos do mercado.

A nova geografia da violência parece desmentir avanços quase épicos alcançados na redução da pobreza, da fome e do desemprego, mas não é verdade. Eles são reais. Foram e serão decisivos na reformulação do desenvolvimento brasileiro. Infelizmente, porém, não há paradoxo: o rastro da violência avança em linha com a interiorização do crescimento, do consumo e do investimento.

O fato de uma greve policial, como a de Salvador, ter gerado – se com ‘ajuda’ de setores grevistas pior ainda – mais de 100 homicídios em menos de uma semana confirma as dimensões da emergência política embutida nessas linhas paralelas. A ruptura de equilíbrios precários, substituídos por impulsos mórbidos de consumo –e a indução a comportamentos anti-sociais, inoculados pelo canhão midiático– gera confusão e endosso cego ao que o mercado difunde como sendo o novo, o desejável e o indispensável, ao preço do ‘custe o que custar’. Geram, ademais, uma percepção desesperadora da desigualdade medida por paradigmas de riqueza e ócio nefastos e inviáveis.
A reiteração da sexualidade como uma dimensão utilitária, exibicionista e descartável do relacionamento humano faz parte desse desterro ético. Seu apelo lubrifica a emergência de padrões de comportamento incensados por novelas e animadores psicopatas de Big Brothers, que precipitam a baldeação de valores tradicionais para zonas cinzentas em que semi-cultura, semi-informação, mercado e barbárie se marmorizam e se alimentam em perfeita metástase social. Se um factóide de estupro induzido e capitalizado, rende prestígio, dinheiro e admiradores aos seus protagonistas, como impedir efeitos em cascata numa subjetividade desprovida de filtros para rejeitar a fraude, a falta de ética, a corrosão do caráter e dos laços da convivência compartilhada?
O “Mapa da Violência-2012“, coordenado por Julio Jacobo Waiselfisz, dimensiona essa espiral pela fita métrica da uniformização dos padrões de violência homicida no território nacional. “Seria altamente desejável se essa transformação atuasse no sentido de homogeneizar as taxas por baixo’, pondera o relatório. ” Contudo”, constata, “se isso realmente acontece em algumas regiões do país, na maior parte dos casos, presenciamos o efeito inverso: o crescimento vertiginoso da violência em locais considerados pacíficos e tranquilos”. Em 2010, o conjunto daquelas que eram até então as 17 menores taxas de homicídio da federação, superou em 25,7%, a soma das que detinham antes os índices recordes. Um exemplo ilustrativo e atual: nessa baldeação, a Bahia saltou do 23º lugar para o 3º no ranking nacional de homicídios.
A juventude fragilizada pela mistura de semi-formação e semi-maturidade é a principal vítima desse ‘ajuste’ pelo pior. A taxa média de homicídios na sociedade brasileira encontra-se estabilizada há alguns anos na faixa de 26 mortes por 100 mil (nada a comemorar: em 2010 foram 50 mil assassinatos; média de 137 homicídios por dia). Mas na faixa etária entre 20 a 24 anos, as coisas assumem contornos de chacina geracional: a taxa salta para 60,4 homicídios por cem mil. A violência homicida já é responsável por 38,6% de todas as mortes de jovens no país, enquanto entre os não jovens a taxa cai para 2%.

Os avanços propiciados nos últimos anos na esfera da educação, com o acesso ampliado ao ensino superior através do Prouni, bem como a disseminação das escolas técnicas, são antídotos encorajadores. A exemplo da multiplicação de vagas de trabalho, eles alargam os trilhos da mobilidade e da esperança dos que nasceram à margem deles e estavam condenados assim a viver e a morrer . Algo se move e não é pouco diante da calcificação de interditos estruturais agravados pela contração da economia internacional. Em crises anteriores, de gravidade e duração muito aquém da atual, o país despencou, a economia regrediu, a miséria aumentou. Mas os dados da violência parecem dizer que ainda não atingimos o nervo da iniquidade. Ainda carecemos de um desassombro político e programático. Um novo marco divisor que não pode ser apenas a boa gestão do ciclo anterior. Que busque inspiração no exemplo de Josué de Castro e não retire o desafio da violência do lugar que ele ocupa, queiramos ou não admitir: o incômodo corolário de estruturas e interesses que, ao incorporar ao mercado, cobram o pedágio da servidão ao consumo, magnificam o sentimento da desigualdade e selam o cativeiro de uma subjetividade desumanizada desprovida da compreensão crítica da sociedade e do seu lugar na história.

Postado por Saul Leblon às 23:00

http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&po…

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