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Archive for the ‘MÍDIA’ Category

MÍDIA

A criatura depõe contra seus criadores.

Posted by Liberdade Aqui! em 03/04/2012

Via Conversa Afiada

Inês: Demóstenes, Veja e Gilmar. Quem manipula ?

Saiu na Carta Maior, artigo indispensável da Maria Inês Nassif:

O caso Demóstenes Torres e as raposas no galinheiro


O rumoroso caso Demóstenes Torres é uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável, manipuladora e, em alguns casos, venal. E hipócrita também.


Maria Inês Nassif


O rumoroso caso Demóstenes Torres (DEM-GO) não é apenas mais um caso de corrupção denunciado pelo Ministério Público. É uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável, manipuladora e, em alguns casos, venal. E hipócrita também.


Teoricamente, todos os jornais e jornalistas sabiam quem foram os arautos da moralidade por eles eleitos nos últimos anos: representantes da política tradicional, que fizeram suas carreiras políticas à base de dominação da política local, que ocuparam cargos de governos passados sem nenhuma honra, que construíram seus impérios políticos e suas riquezas pessoais com favores de Estado, que estabeleceram relações profícuas e férteis com setores do empresariado com interesses diretos em assuntos de governo.


Foram políticos com esse perfil os escolhidos pelos meios de comunicação para vigiar a lisura de governos. Botaram raposas no galinheiro.


Nesse período, algumas denúncias eram verdadeiras, outras, não. Mas os mecanismos de produção de sensos comuns foram acionados independentemente da realidade dos fatos. Demóstenes Torres, o amigo íntimo do bicheiro, tornou-se autoridade máxima em assuntos éticos. Produziu os escândalos que quis, divulgou-os com estardalhaço. Sem ir muito longe, basta lembrar a “denúncia” de grampo supostamente feita pelo Poder Executivo no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, então presidente da mais alta Corte do país. Era inverossímil: jamais alguém ouviu a escuta supostamente feita de uma conversa telefônica entre Demóstenes, o amigo do bicheiro, e Mendes, o amigo de Demóstenes.


Os meios de comunicação receberam a suposta transcrição de um grampo, onde Demóstenes elogia o amigo Mendes, e Mendes elogia o amigo Demóstenes, e ambos se auto-elegem os guardiões da moralidade contra um governo ditatorial e corrupto. Contando a história depois de tanto tempo, e depois de tantos escândalos Demóstenes correndo por baixo da ponte, parece piada. Mas os meios de comunicação engoliram a estória sem precisar de água. O show midiático produzido em torno do episódio transformou uma ridícula encenação em verdade.


A estratégia do show midiático é conhecida desde os primórdios da imprensa. Joga-se uma notícia de forma sensacionalista (já dizia isso Antonio Gramsci, no início do século passado, atribuindo essa prática a uma “ imprensa marrom”), que é alimentada durante o período seguinte com novos pequenos fatos que não dizem nada, mas tornam-se um show à parte; são escolhidos personagens e conferido a ele credibilidade de oráculos, e cada frase de um deles é apresentada como prova da venalidade alheia. No final de uma explosão de pânico como essa, o consumo de uma tapioca torna-se crime contra o Estado, e é colocado no mesmo nível do que uma licitação fraudulenta. A mentira torna-se verdade pela repetição. E a verdade é o segredo que Demóstenes – aquele que decide, com seus amigos, quem vai ser o alvo da vez – não revela.


Convenha-se que, nos últimos anos, no mínimo ficou confusa a medida de gravidade dos fatos; no outro limite, tornou-se duvidosa a veracidade das denúncias. A participação da mídia na construção e destruição de reputações foi imensa. Demóstenes não seria Demóstenes se não tivesse tanto espaço para divulgação de suas armações. Os jornais, tevês e revistas não teriam construído um Demóstenes se não tivessem caído em todas as armadilhas construídas por ele para destruir inimigos, favorecer amigos ou chantagear governos. Os interesses econômicos e ideológicos da mídia construíram relações de cumplicidade onde a última coisa que contou foi a verdade.


Ao final dos fatos, constata-se que, ao longo de um mandato de oito anos, mais um ano do segundo mandato, uma sólida relação entre Demóstenes e a mídia que, com ou sem consciência dos profissionais de imprensa, conseguiu curvar um país inteiro aos interesses de uma quadrilha sediada em Goiás.


Interesses da máfia dos jogos transitaram por esse esquema de poder. E os interesses abarcavam os mais variados negócios que se possa fazer com governos, parlamentos e Justiça: aprovação de leis, regras de licitação, empregos públicos, acompanhamento de ações no Judiciário. Por conta de um interesse político da grande mídia, o Brasil tornou-se refém de Demóstenes, do bicheiro e dos amigos de ambos no poder.


Não foi a mídia que desmascarou Demóstenes: a investigação sobre ele acontece há um bom tempo no âmbito da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Nesse meio tempo, os meios de comunicação foram reféns de um desconhecido personagem de Goiás, que se tornou em pouco tempo o porta-voz da moralidade. A criatura depõe contra seus criadores.

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Os pesos e medidas diferentes aplicados pela velha mídia.

Posted by Liberdade Aqui! em 16/02/2012

Do Vi o mundo

Adriano Diogo critica Folha por criminalizar PSTU e elogiar empresa

por Adriano Diogo

Um espetacular “selo verde” foi atribuído pelo jornal Folha de S. Paulo em parceria com a Fundação Schwab, à empresa Terra Nova e ao seu diretor André Albuquerque, que se consagrou Empreendedor Social em 2008.

Tal premiação visa incentivar as melhores iniciativas na área, considerando os aspectos de inovação, sustentabilidade, impacto social, abrangência e efeito multiplicador.

Ao ser agraciada com este “selo”, a Terra Nova passa a integrar a rede mundial de “Empreendedores Sociais de Destaque” da Fundação Schwab. E mais, o prêmio possibilita que a empresa tenha consultoria internacional gratuita.

Com esta premiação, promovida pela Folha de S. Paulo, André Albuquerque e a empresa Terra Nova podem ter adquirido uma referência por dois importantes jornalistas, no assunto que diz respeito à desocupação do Pinheirinho.

Um deles é Élio Gaspari, em sua coluna do dia 25 de janeiro de 2012, intitulada “Pinheirinho, estratégia da tensão”. O outro é Bernardo Mello Franco, em 05 de fevereiro de 2012, no artigo: “PSTU trava negociação e usa Pinheirinho para exercitar estratégia da ‘luta direta’”.

No mesmo domingo, 05 de fevereiro, André Albuquerque publicou artigo no jornalO Estado de S. Paulo, caderno Aliás, com o título: “Um outro Pinheirinho: Financiamento social pode fazer do combate à pobreza e ao déficit de moradias um bom negócio para todos”.

Não tenho nenhuma procuração do PSTU, ou de quem quer que seja, mas estou acompanhando o caso do Pinheirinho antes e depois da desapropriação. Acostumado a conviver com questões de ocupação de terra, desocupação e legalização fundiária, percebo, nos dois artigos, afirmações precipitadas.

A desocupação só ocorreu por intransigência do PSTU, segundo os dois jornalistas. Ainda segundo eles, o problema do Pinheirinho não foi resolvido pelo fato da empresa Terra Nova não ter sido contratada.

Segundo os dois articulistas, o lote de 250 metros quadrados poderia valer entre 3 mil e 6 mil reais. Os cálculos da Terra Nova não fecham. Com a prestação proposta de 100,00 por mês, por 120 meses, multiplicado por 1.600 famílias, o valor do lote sairia por 19.200 milhões.

Podemos fazer outro cálculo. Os lotes de 3 mil, por exemplo, multiplicados por 1.600 famílias, sairiam por 4.800 milhões. E, aqueles de 6 mil, chegariam a 9.600 milhões. Outra conta que não fecha, segundo os calculos da Terra Nova.

Mas o síndico da massa falida avaliou a área em 180 milhões de reais – já descontados os 16 milhões de IPTU que devia para a prefeitura. Além de querer a terra limpa, sem casas e sem ruas. E ele conseguiu realizar todas estas exigências.

Apesar de a Justiça ter proibido a demolição das casas, as mesmas foram destruídas com os pertences dos moradores dentro, atendendo a ordem do síndico da massa falida.

Em momento algum se reconheceu a possibilidade de compra da área, pela prefeitura e pelo síndico da massa falida. E, por mais tratativas que tivessem sido feitas para ser legalizado o loteamento, o mesmo continuou sendo de zona industrial.

Tratativas dos quatro vereadores do PT (e também de outros partidos) de São José dos Campos para tentar a mudança de zoneamento, que seria o primeiro passo para legalização da área. Como diria o velho Mané Garrincha, faltou combinar com os russos…

Ao escrever esta carta quero questionar como dois grandes jornalistas, de gerações diferentes, atribuem ao PSTU a intransigência e o endurecimento das negociações… E, em especial, questiono o porquê ambos alegam que as negociações não se concretizaram pela ausência de intermediação da Terra Nova.

Espanto-me, ainda mais, com a postura destes dois profissionais. Um deles, pela credibilidade e contribuição ao período mais duro do Brasil, que foi a Ditadura Militar. O outro, um jovem jornalista da melhor qualidade, que segue os passos e justifica seu sobrenome na tradição brasileira.

Saliento que a proposta da Terra Nova não tinha o aval do empreendedor e da prefeitura, que sequer mudou o zoneamento urbano, de industrial para residencial – detalhe que facilitaria enormemente a ação do Governo do Estado e do Governo Federal para efetivar a desapropriação da área.

Além de a empresa Terra Nova ter sido citada em dois artigos, André Albuquerque publicou um outro, no jornal O Estado de S. Paulo. Sem contar, a aquisição do passaporte dado como empreendedor de 2008, passaporte este que abriu portas para relacionamentos internacionais.

Todo domingo de manhã, a primeira coisa que leio no jornal é a coluna do ombudsman (que agora tem como ouvidora a jornalista Suzana Singer) porque acredito ser este o ponto de equilíbrio do jornal, onde me sinto representado.

E me lembro que, o terreno do Jardim da Conquista, uma das principais credenciais exibidas pelo senhor André, foi comprado no governo Luiza Erundina, por Paul Singer, então secretário de Planejamento. O professor Paul Singer, respeitadíssimo, organizou aquela área, que se tornou um dos maiores loteamentos urbanos, junto com o loteamento Jardim São Francisco, em São Mateus, São Paulo.

E a regularização total do Jardim da Conquista ocorreu no governo Marta Suplicy, com o secretário da Habitação Paulo Teixeira. Se houve qualquer participação da Terra Nova neste caso foi totalmente marginal e periférica, porque o mesmo foi realizado com financiamentos internacionais, do BID e da Cohab de São Paulo.

Também aprendi na coluna ombudsman que quando o assunto está relacionado a empresas, não se pode citá-las como único fator para a definição de padrões.

Como no caso, padrões de urbanismo.

Será que não existem outras empresas ou empresários que realizam este tipo de serviço? Será que não existem urbanistas, professores, universidades que possam propor a regulamentação de loteamentos? Será que tudo o que se diz no desatualizado site da Terra Nova é verdade?

Sem fazer nenhum juízo de valor, não posso acreditar que em oito anos, o PSTU e outras lideranças residentes na área, pertencentes ao movimento popular e outras lideranças políticas que atuam em São José dos Campos não tenham tido capacidade de formular propostas… É inconcebível um despejo de 1.600 famílias, que ocorreu sem nenhum tipo de planejamento, onde as famílias receberam seis cheques de 500,00, destroçando a estrutura familiar e o futuro de tantos jovens e crianças.

Estou fazendo esta modesta contribuição e uma advertência. Não posso acreditar que, mais uma vez, pessoas sejam criminalizadas politicamente por estarem interagindo no movimento social tentando resolver problemas tão graves como o da moradia. Assim como não acredito que o papel de uma empresa seja tão valorizado…

E mais: acredito na visão social da propriedade da terra, que deveria ter prevalecido diante da tragédia urbana e o êxodo de oito mil pessoas, da noite para o dia, sem nenhum encaminhamento ou destinação.

Adriano Diogo é deputado estadual  (PT)  e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Leia também:

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A distância colossal entre convocar uma greve e realizá-la.

Posted by Liberdade Aqui! em 11/02/2012

Do Conversa Afiada

PMs: jn e Folha boicotam
a segurança nacional

Manchete do Globo deste sábado:

“Rio indicia 270, prende 140 e tem sexta-feira tranquila.”

O Cordão do Bola Preta saiu, como sempre.

Neste fim de semana se realizam mais de 30 bailes pela cidade.

Fotos na primeira página mostram patrulha da Policia no Arpoador, salva-vidas na praia e viaturas policiais na UPP do Morro Dona Marta.

Nunca houve greve no Rio.

Na Bahia, por algumas horas, em algumas regiões, assustadas com as operações de “acerto de contas“ de marginais e milicianos.

Existe uma distância colossal entre convocar uma greve e realizá-la.

Lula, por exemplo, pode dar uma aula sobre isso.

Os grandes vencedores contra a insurreição foram Sergio Cabral, no Rio – uma atuação exemplar -, Jacques Wagner, na Bahia – sereno, inflexível, diante de uma liderança grevista especialmente belicosa e arruaceira – e, sobretudo, ganhou a Presidenta.

Dilma Rousseff foi firme, desde o primeiro momento.

Desde quando, na Transnordestina, avisou que não ia anistiar ninguém.

Para quem quer conhecer melhor esse lado do temperamento da Presidenta, convém ler o excelente livro do Ricardo Amaral, “A vida quer é coragem

Para ver que ela não muda de lado..

Quem muda de lado é a elite de São Paulo: Cerra, o Farol de Alexandria e o Kassab.

NAVALHA

Navalha

Uma palavrinha sobre o PiG e o Ministério Público Federal

Se o Ministerio Publico Federal, sob a liderança de brindeiro Gurgel, não fosse o que é – inoperante na defesa do cidadão -, processava o PiG (*).

Especialmente o jornal nacional sob a batuta do Ai Kamel.

O noticiário da Globo incitou e conclamou à greve.

A Folha (**), também, para uma audiência minuscula e decrescente.

O manual do jornalismo responsável não convoca greve de servidor em área essencial ao atendimento do publico.

Não conclama, não dá apoio, não incita.

Não diz ”cai na área que eu dou pênalti”.

O PiG já criou uma epidemia de dengue e febre amarela.

O PiG já instalou um “caosaéreo”, ao dar legitimidade ao motim dos controladores de vôo.

Foi o PiG quem fez o “caosaéeo”.

Como foi o PiG quem, agora, jogou carne vermelha na jaula dos leões: os criminosos da Bahia e do Rio – devidamente assessorados pelo PSOL.

A intenção de fazer greve se materializa com o apoio irrestrito do PiG.

Ora, dir-se-á: o jornal nacional foi quem divulgou as fitas que incriminavam os insurretos da Bahia e do Rio.

Sim, as fitas foram autorizadas pela Justiça – como as da Satiagraha, da Castelo de Areia e do Juiz Garzón – e distribuídas ao veiculo, provisoriamente, mais bem equipado para desmontar o motim.

Pode-se dizer que foi Jacques Wagner quem usou o jornal nacional.

E, não, o contrário.

Por que ?

Porque o Bernardo não faz uma Ley de Medios.

Porque aquelas fitas eram para ser exibidas em rede nacional, para todas as emissoras, todos os públicos, e várias vezes, em todos os horários, houvesse o Bernardo feito o que prometeu aos blogueiros sujos, no ano passado: uma Ley de Meios.

O Bernardo não faz o que deve.

E o brindeiro Gurgel também não.

Porque, para se proteger, o brindeiro Gurgel e muita gente por aí afora, em Brasilia, invoca a liberdade de imprensa.

Ah, se eles dissessem isso na Inglaterra ou nos Estados Unidos.

Usar uma estacão de tevê, particular, monopolista, usar um bem público – o espectro eletromagnético – para difundir greve em serviço público !

Ah, liberdade de imprensa !

Ousaria o brindeiro Gurgel perguntar à Globo se houve estupro no BBB ?

Ousaria o brindeiro Gurgel invocar a “segurança nacional” para indiciar o Otavinho e o Ali Kamel ? – ou o Roberto Marinho, que como se sabe, pode estar vivo ?

(Clique aqui para ler Roberto Marinho vai demitir a Urubologa)

Agora, com o aparente fim do regime militar – que continua intocado, pelas mãos do STF – não se pode mais falar em “segurança nacional”, ou em “interesse nacional”.

É feio.

Pois, o que a Globo do Ali Kamel e o a Folha do Otavinho fizeram foi boicotar, minar a segurança nacional: incitaram e conclamaram à greve em serviço publico essencial, em diversas capitais do pais.

Fosse o Brasil uma democracia …

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é (http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=23300),  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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A insurreição na Bahia e a segurança dos cidadãos

Posted by Liberdade Aqui! em 07/02/2012

DO JORNAL DO BRASIL, VIA CONVERSA AFIADA

Santayana e
a insurreição baiana

A insurreição na Bahia e a segurança dos cidadãos


por Mauro Santayana


O direito de greve é historicamente associado ao conflito entre o capital e o trabalho. Não é preciso retomar o pensamento clássico da esquerda para entender que o trabalhador deve ter o direito de cruzar os braços quando, em seu entendimento, as condições impostas pelos patrões se tornam insustentáveis. Na realidade, quem tem apenas a capacidade de seus braços; de sua  inteligência;  ou de sua habilidade em operar as máquinas, tem o inalienável direito de se recusar a continuar dentro das mesmas condições, e de exigir, mediante a interrupção do trabalho, novo trato. No ordenamento jurídico do Estado de Direito, a Justiça (em nosso caso, a do Trabalho) é chamada a intervir no conflito e buscar a conciliação entre as partes.


Os Estados modernos exercem o monopólio constitucional da violência, embora deleguem esse direito – que não poderia ser estendido a ninguém – a organizações privadas de segurança. Esta é mais uma deformação do Estado de Direito, que a  sociedade não deve admitir. Deixando de lado essa anomalia anti-republicana e antidemocrática, convém meditar o papel das forças de segurança.


As corporações policiais, dos Estados e da União, são instituições construídas a fim de exercer a coerção, em nome do Estado, para o cumprimento das leis e da  manutenção da ordem pública. Cabe-lhes prevenir e investigar os delitos, cumprir as ordens judiciais e assegurar a incolumidade dos cidadãos. Às Forças Armadas, além de garantir a inviolabilidade do território nacional, incumbe garantir a ordem interna, desde que convocadas por um dos três poderes republicanos. O Exército não pode substituir a polícia, mas tem o dever de reprimir os policiais amotinados.


Os policiais e militares, nas sociedades contemporâneas, não podem ser definidos como simples trabalhadores. É difícil aceitar que, como servidores públicos encarregados de garantir o pleno funcionamento dos estados, tenham o direito de ameaçar a administração e, mais do que ela, a República. Podem exercer o direito de reivindicar seus possíveis direitos junto às várias esferas do Estado, conforme garante o sistema democrático, mas não podem fugir ao cumprimento de seu dever para com o povo – o povo que, mediante os impostos, mantém os Estados e os seus funcionários.


Em razão disso, a Constituição é clara, quando nega aos militares – a todos os militares, subordinados funcionalmente à União ou aos Estados – o direito de sindicalização e de greve, no item IV do parágrafo terceiro de seu artigo 142.  Mas não apenas os policiais militares estão impedidos de paralisar as suas atividades: os policiais civis também estão sujeitos à norma, conforme assegurou o STF, pelo pronunciamento de seus ministros Eros Grau, sobre a greve de policiais civis de São Paulo (em 2008), e César Peluso, sobre greve idêntica no Distrito Federal, em novembro do ano passado.


A greve dos policiais militares da Bahia é um claro movimento de rebelião contra o Estado, e assim deve ser tratada. O governo federal agiu como deve agir, em qualquer situação semelhante. A solidariedade federativa, necessariamente exercida pela União, implica no emprego de toda a força possível, a fim de assegurar o cumprimento das normas constitucionais, como a que veda a militares – e, por analogia jurídica – a policiais civis, o recurso da greve.


Recorde-se a corajosa atitude tomada pelo presidente Itamar Franco, quando a Polícia Federal decidiu paralisar as suas atividades na capital da República. Ainda que Itamar, na análise dos fatos em seu gabinete, entendesse as razões dos grevistas, não titubeou em agir com firmeza, a partir da conclusão de que as corporações armadas não fazem greve, e, sim, se sublevam contra a República. O Presidente determinou ao Exército que dissolvesse a mobilização dos grevistas, na sede da Polícia Federal e, a fim de não alarmar a população, ordenou que a operação se fizesse à meia-noite.


Não cabe discutir se o governador Jacques Wagner agiu de uma forma, quando estava na oposição, ao apoiar movimento semelhante, e age de outra, agora. Um erro anterior, motivado pela conveniência partidária eventual, não pode impedi-lo de exigir agora o cumprimento da lei, em favor da ordem. A greve dos policiais trouxe o aumento da violência contra os cidadãos, conforme o registro dos atos delituosos dos últimos dias.


Os policiais militares baianos não se encontram em greve, mas em rebelião contra o Estado e, por extensão, contra a República, cuja Constituição os obriga a manter a lei e a ordem. Registre-se que o líder do movimento é um ex-militar e que, portanto, não tem legitimidade para chefia-lo. Como se encontram em rebelião, cabe ao Estado, no uso moderado de sua força e seu poder, exigir-lhes rendição imediata e usar dos dispositivos legais para punir os responsáveis pelo movimento.


Essa providência é absolutamente necessária, quando se sabe que movimentos semelhantes estão sendo articulados em outros Estados, a fim de obrigar à equiparação dos vencimentos dos policiais militares de todo o país aos dos seus colegas do Distrito Federal. Ora, cada estado fixa o vencimento de seus servidores conforme a sua receita tributária. Há informações de que se planeja uma greve de policiais militares e civis – incluindo o Corpo de Bombeiros – em São Paulo, para o dia 18 deste mês. Qualquer leniência na Bahia poderá significar  incentivo a uma gravíssima perturbação da tranqüilidade pública no resto do país.


Isso não impede que os policiais militares, usando dos meios legais, façam  reivindicações aos seus superiores, a fim de que estes, como delegados dos governos, as levem às autoridades. Reivindicar remuneração maior e melhores condições de trabalho, por meios legítimos, é um direito inalienável de todos, mas o direito de greve é constitucionalmente restrito.  Fora disso, qualquer movimento de greve, por servidores armados, como ocorre agora na Bahia, não passa de insurreição, que deve ser contida, sem hesitações.

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Fernando Haddad. A oportunidade dos paulistanos fazerem uma verdadeira revolução (e não como a de 1932)

Posted by Liberdade Aqui! em 05/02/2012

Via Portal Nassif

Na Época, Haddad começa a se mostrar

Enviado por luisnassif, dom, 05/02/2012

Da Época

Fernando Haddad: “Eu sou um socialista”

O candidato do PT à prefeitura de São Paulo critica stalinistas, trotskistas, neoliberais e também alguns petistas – por terem atacado Kassab na campanha de 2008

ANGELA PINHO E RICARDO MENDONÇA

Quando o ex-presidente Lula deu os primeiros sinais a favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, muita gente desconfiou da viabilidade daquela operação política. Dilma nunca disputara eleição, era desconhecida do grande público e não parecia ter aquela desenvoltura típica dos políticos tradicionais. Agora, os petistas acham que podem repetir o feito com o acadêmico Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, neófito em disputas eleitorais. Depois de morar oito anos em Brasília, ele deixou o Ministério da Educação há dez dias para se dedicar exclusivamente à eleição. Feita em dois encontros, esta foi a primeira entrevista de Haddad após ele desembarcar definitivamente na cidade que quer governar.

TEORIA E PRÁTICA Fernando Haddad na ala de autoridades do aeroporto de Congonhas, logo após desembarcar para se dedicar à eleição. O PT quer repetir a fórmula que elegeu Dilma (Foto: Julia Rodrigues/ÉPOCA)

ÉPOCA – Lula e Dilma estão dando conselhos ao senhor?
Fernando Haddad –
 Conversamos frequentemente.

ÉPOCA – Que conselhos eles dão?
Haddad –
 São observações, preocupações, antecipações…

ÉPOCA – Dê um exemplo concreto.
Haddad –
 O tipo de ataque que vai ser feito. A presidenta sofreu muitos ataques pessoais, difamação, injúria. Ela fala sobre como lidar com esse tipo de provocação. A vida pública é difícil por esse lado… Você quer fazer um debate de nível, e aí de repente sai alguém com comentários que você nem compreende a intenção. Olha, o maior drama que a presidenta Dilma sofreu foi essa coisa de rebaixar o debate, de usar a crença e a fé das pessoas, estimular a intolerância, criminalizar comportamentos, não se solidarizar com dramas pessoais. A campanha é um momento precioso: a sociedade se reúne em torno da discussão pública. Mas às vezes involui. Ela me dá diversas sugestões de como resistir a eventuais ataques desse tipo.

ÉPOCA – Na última eleição municipal, a campanha do PT perguntou se o prefeito Gilberto Kassab era casado e tinha filhos.
Haddad –
 Foi um equívoco. O partido reconheceu. E veja a diferença: a campanha admitiu o erro, assumiu o erro e se retratou. É diferente de uma prática que foi usada sistematicamente e da qual não se fez autocrítica até hoje.

ÉPOCA – Por falar em autocrítica, o senhor vai passar a campanha toda respondendo sobre as falhas do Enem.
Haddad –
 O Enem é um trunfo importantíssimo. Uma de nossas maiores realizações foi inscrever 5 milhões de brasileiros para concorrer a 450 mil vagas na universidade. Acabou com 95 vestibulares. As pesquisas dão conta de um número recorde de aprovação. O Enem americano tem 85 anos e enfrenta problemas até hoje. Não sou estrategista, mas é um tiro na água que vão dar se quiserem acertar no Enem.

ÉPOCA – Ficou a imagem de um exame com problemas de gestão.
Haddad – 
Uma imagem artificialmente construída. Em 2009, realmente houve um problema grave. Mas depois foram questões muito pontuais. Em 2010, 0,1% das pessoas refizeram a prova à custa da gráfica que errou num lote de impressão. Em 2011, foi um colégio afetado pela questão do pré-teste. Um.

ÉPOCA – O senhor escreveu um livro chamado Em defesa do socialismo. O que é ser socialista?
Haddad – Eu sou um socialista. O socialismo, em minha opinião, tem dois compromissos importantes. O primeiro é a recusa de toda experiência autoritária em nome da igualdade. Entrei no movimento estudantil numa quadra histórica em que ainda havia forte presença de stalinistas e trotskistas. E nunca militei nessas organizações, justamente em virtude do viés autoritário. Então, sou de linhagem mais frankfurtiana, por assim dizer.

ÉPOCA – E o segundo compromisso?
Haddad –
 É o apreço pela agenda da igualdade, a ampliação de oportunidades, a emancipação dos indivíduos. Pela intolerância em relação à desigualdade e tolerância em relação à diversidade. Até fico impressionado com a quantidade de neoliberais ex-comunistas. É notável. A pessoa é neoliberal, mas foi comunista na juventude, o que revela certa coerência na forma, mas incoerência no conteúdo. Eram autoritários de esquerda, viraram autoritários de direita. E não prestaram contas dessa trajetória. Defendiam o Estado absoluto, defendem agora o mercado absoluto. Então essa recusa ao autoritarismo – estatal ou de mercado – é o apreço pela diversidade e a busca por equalização de oportunidades e combate à desigualdade.

ÉPOCA – A presidente Dilma acabou de ir a Cuba, o que chamou a atenção para a temática dos direitos humanos. É um país que, em sua opinião, preza por essa recusa ao autoritarismo?
Haddad –
 Direitos humanos é um tema que foi alargado ao longo dos séculos. Nos primórdios, os direitos sociais não eram considerados. Então, até compreendo quando alguém faz referência aos direitos sociais em Cuba, sobretudo no que diz respeito à saúde e à educação. Mas penso que isso não pode servir de pretexto para que outros direitos sejam sonegados. Direitos humanos, na ótica do socialismo moderno, tem de abranger os direitos civis, políticos e os sociais.

ÉPOCA – Então o senhor diria que, em Cuba, os direitos políticos são sonegados?
Haddad –
 Eles não são tratados de uma maneira tão atenciosa como os direitos sociais.

ÉPOCA – O senhor foi morar em Brasília em 2003, está voltando agora. Nesse intervalo, o que mais mudou em São Paulo?
Haddad –
 Sem dúvida, o trânsito. É notável como as coisas ficaram mais complexas. E não sei se as pessoas se dão conta, mas a cidade ficou mais escura. Pouca iluminação pública.

ÉPOCA – É impressão sua ou o senhor tem algum dado objetivo?
Haddad –
 Não, é uma percepção forte de que a cidade está menos iluminada à noite e, portanto, menos segura. Outro dia, falei com pessoas que têm a mesma percepção. Falaram que é o projeto Cidade Limpa, que retirou os outdoors. Aquilo iluminava muito mais do que se supunha.

ÉPOCA – Mas o senhor quer a volta dos outdoors?
Haddad – 
Não. Da iluminação. Temos de repensar a iluminação para reocupar a cidade à noite. Isso vai trazer segurança.

ÉPOCA – No transporte, que medidas concretas pretende tomar?
Haddad – 
Não é questão de prometer. Havia um plano com ênfase forte em corredor de ônibus. Nossa gestão (2001-2004) fez um investimento importante, combinando corredores e bilhete único, mais integração com outros modais. Não houve continuidade. Estou convencido de que São Paulo deve privilegiar o transporte público. Podemos, em parceria com o governo federal, resgatar aquele projeto e atualizá-lo.

ÉPOCA – O PT paulistano sempre fez oposição à gestão do prefeito Kassab. Como agora ele pode ir para seu palanque?
Haddad – 
O prefeito hierarquizou as prioridades dele, colocando em primeiro lugar uma aliança em torno da candidatura José Serra. Depois, uma candidatura própria. E falou do PT como terceira alternativa. De nosso lado, estamos cumprindo o roteiro como havíamos anunciado, intensificando conversas com os partidos da base aliada do governo Dilma.

ÉPOCA – O senhor descarta uma aliança com o PSD de Kassab?
Haddad – 
Veja bem: estamos numa eleição complexa, que será decidida, provavelmente, em dois turnos. Nenhuma eleição em São Paulo foi resolvida num turno só. Temos de definir a estratégia com nossos parceiros. Às vezes você pode até descartar uma aliança, mas não pode descartar apoio. Você precisa de apoio para governar. Agora, o que não vou fazer é atropelar o PT. O PT é a força que minha candidatura tem.

ÉPOCA – O senhor já disse que a USP não pode ser tratada como a Cracolândia nem a Cracolândia como a USP. Em relação à atuação da Polícia Militar, como deve ser tratada cada uma delas?
Haddad –
 A força militar no campus pode gerar estresse desnecessário. Acho que tem de reforçar a segurança nos campi. No MEC, fizemos muito investimento nisso, com empresas de segurança. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) estava com um problema crônico e melhorou muito sem a necessidade de força militar. Depois da prisão dos estudantes (da USP), houve o espancamento de um estudante negro por um policial, que chegou a apontar o revólver para os estudantes.

ÉPOCA – Mas tirar a Polícia Militar da USP não é tratar os alunos como privilegiados?
Haddad –
 É a questão da especificidade de um campus universitário. O risco é transformar repressão civil em repressão política. Esses limites, dentro de uma universidade, são tênues. A universidade é um lugar de um debate permanente, de contestação permanente. Ela tem a capacidade de formular projetos sobre sua própria segurança. Não é o caso da Cracolândia, onde você tem o tráfico e a presença de crianças.

ÉPOCA – O senhor acha que a ação da PM na USP foi repressão política?
Haddad –
 Em relação aos meninos indiciados, os três que estavam dentro do carro, de certa maneira foi. O tratamento que eles receberam ali não foi o que deve ser dado a eventuais usuários. Foi um tratamento de cidadão de segunda categoria.

ÉPOCA – E a Cracolândia?
Haddad –
 A questão da saúde pública ficou subalterna. O que as pessoas corretamente dizem é que, nessas operações, a saúde pública e a assistência têm de estar muito presentes.

ÉPOCA – O ex-presidente Fernando Henrique passou a defender a descriminalização da maconha. O que o senhor acha disso?
Haddad –
 É um tema que deve envolver especialistas de muitas áreas. Uma visão que está se consolidando é a ideia de que o usuário enfrente um problema de saúde. A questão da descriminalização é federal. Na prefeitura, o papel é acolher quem precisa de atendimento. Fico um pouco preocupado com essa perspectiva (descriminalização) pelo seguinte: no caso do álcool, a droga é legal, mas a venda para menor de idade é ilegal. Não temos o controle de bebida alcoólica. Vamos mexer (na legislação) sem ter controle sobre uma droga lícita?

ÉPOCA – O descontrole não é maior justamente porque é ilícita?
Haddad –
 Meu temor é tornar o jovem ainda mais vulnerável. Mas o debate é rico, precisa ser feito.

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Por um outro mundo possível

Posted by Liberdade Aqui! em 05/02/2012

Via adital.org

Rio+20: Um outro mundo é possível

Selvino Heck
Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República
Adital

É a frase, o rumo, a orientação dadas pela presidenta Dilma no Fórum Social Temático (FST) realizado em Porto Alegre no final de janeiro: “Eu considero essencial na Rio+20 discutir um outro paradigma. A função da Rio+20 é colocar entre os governos a questão da crise e como sair dela. Discutir a desigualdade social que atinge os países do Terceiro Mundo e emergentes. O acesso à água. Então vocês discutam os novos paradigmas, se vocês quiserem, anti-capitalistas”.

Disse mais a presidenta: “Nossos países, hoje, não sacrificam sua soberania frente às pressões de potências, grupos financeiros ou agências de classificação de risco. Mas, sobretudo, nossos países avançam fortalecendo a democracia. Na América do Sul, como diz aquela canção da Revolução dos Cravos, da Revolução Portuguesa: ‘O povo é quem ordena’”.

Esta cidade –Porto Alegre-, disse ela, “transformou-se em referência para todos aqueles que buscavam criar uma alternativa ao desequilíbrio da situação econômica e política global. Aqui, afirmou-se a idéia de que um outro mundo é possível. Aqui, estavam, como hoje aqui (no Gigantinho, Porto Alegre) estão, os que não sucumbiram ao pensamento único, nem acreditaram no fim da história”.

A Rio+20, segundo a presidenta Dilma, “deve ser um momento importante de um processo de renovação de idéias. Centrado na importante questão ambiental e nos problemas da mudança do clima, o encontro do Rio vai enfrentar uma questão mais ampla e decisiva: estará no centro dos debates um novo modelo de desenvolvimento, contemplando três dimensões – a econômica, a social e a ambiental. O que estará em debate na Rio+20 é um modelo de desenvolvimento capaz de articular o crescimento e a geração de emprego; a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades; a participação social e ampliação de direitos; a educação e a inovação tecnológica; o uso sustentável e a preservação dos recursos ambientais”.

Não são poucos os desafios. Mas são tempos também de oportunidades. Disse a presidenta Dilma: “A tarefa que nos impõe este Fórum Social Temático, como também a Rio+20 e outros eventos que virão, é o de desencadear o movimento de renovação de ideais e de novos processos, absolutamente necessários para enfrentar os dias difíceis em que vive hoje ampla parte da humanidade. A dissonância entre a voz dos mercados e a voz das ruas parece aumentar, cada vez mais, nos países desenvolvidos, colocando em risco não apenas conquistas sociais, mas a própria democracia. O mundo do pós-neoliberalismo não pode ser o mundo da pós-democracia. A indignação de jovens, de mulheres, de militantes, que ocupam as ruas de dezenas de cidades do mundo, é um sintoma importante que não pode ser desconsiderado. As organizações da sociedade civil e os governos progressistas, cada um na sua dimensão, podem fazer desses primeiros anos do novo milênio o anúncio de uma nova era. Por isso, é decisivo o fortalecimento dos laços de solidariedade e da cooperação Sul-Sul que unem os nossos povos”.

Os debates foram intensos no Fórum Social Temático de Porto Alegre. Foi construída uma aliança estratégica entre movimentos sociais e populares, povo organizado, ONGS, lideranças sociais e políticas, para levar à Rio+20 idéias e propostas de um outro mundo possível. Como diz a Declaração da Assembléia dos Movimentos Sociais ao final do FST: “Nós, povos de todos os continentes, reunidos na Assembléia de Movimentos Sociais, realizada durante o FST Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, lutamos contra as causas de uma crise sistêmica, que se expressa na crise econômica, financeira, política, alimentar e ambiental que se irradia por todas as dimensões, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade”.

Os eixos comuns de luta adotados na Assembleia de Dakar, em 2011, são reafirmados agora em 2012: Lutar contra as transnacionais; luta pela justiça climática e pela soberania alimentar; luta para banir a violência contra a mulher; luta pela paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios.

Como ações concretas, além da preparação para participar da Rio+20, foi decidido realizar dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, “uma grande jornada de mobilização global contra o capitalismo e em defesa da justiça ambiental e social.” E “fazer entre 18 e 26 de junho, no Rio da Janeiro, uma grande mobilização mundial, com acampamento permanente, uma marcha de um milhão de pessoas e realizando a Cúpula dos Povos”.

2012, portanto, não será um ano de descanso. Como sinalizou o final do discurso da presidenta Dilma no Gigantinho: “Os grandes movimentos da humanidade são feitos de ação, mas também de esperança. Foi a esperança que moveu a minha geração, décadas atrás. Hoje, quando olho o caminho percorrido e para os objetivos alcançados, só posso dizer a vocês: valeu a pena. É essa esperança que nos une e nos mobiliza para a Rio+20. É essa esperança que deve sempre nos guiar na busca de um novo modo de vida, inclusivo e sustentável. Sabendo que o papel da sociedade civil será determinante para o êxito da Rio+20, conto com a mobilização, com o engajamento e a presença de vocês no Rio de Janeiro. Eu tenho certeza: UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.

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Sem metáforas: desta vez PiG oficializa seu apoio ao tucanato. TV Cultura (mantida com dinheiro do contribuinte de SP) torna-se apêndice do esgoto “Veja”, e do jornal que não dá pra ler “Folha de SP”

Posted by Liberdade Aqui! em 05/02/2012

Do Escrevinhador

Folha e Veja terão espaço na TV Cultura: parceria com os tucanos agora é oficial

Por Rodrigo Vianna

A “Folha” já pediu, em editorial, o fechamento da TV Brasil – emissora pública criada pelo governo federal. O motivo alegado pelo jornal: audiência baixa. “Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada -antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte.”

A mesma “Folha” anuncia agora  – de forma discreta, diga-se – uma curiosa “parceria” com a TV Cultura de São Paulo – emissora igualmente pública, mantida principalmente com dinheiro do contribuinte paulista.

Tenho orgulho de ter trabalhado na TV Cultura nos anos 90, à época sob a presidência do ótimo Roberto Muylaert. Mas o fato é que a Cultura também não tem uma audiência maravilhosa. Nos últimos anos, os índices só caíram. Mas aí a “Folha” não vê problema. Ao contrário, torna-se aliada da TV.

Sobre a parceria entre “Folha” e TV Cultura, você pode ver mais detalhes aqui.

O mais curioso é que a parceria se estenderá também à “Veja”, a revista mais vendida do país.

A “Veja”, como se sabe, gosta de escrever Estado com “e” minúsculo, para reafirmar seu ódio ao poder público. Ódio? Coisa nenhuma. A Abril adora vender revistas para o governo. E agora, vejam só, também terá seu quinhãozinho na emissora controlada pelos tucanos paulistas.

O “programa” da “Veja” deve ir ao ar às terças. O da “Folha”, aos domingos.

A notícia sobre o novo programa da revista mais vendida pode ser lida abaixo, em reportagem do site “Comunique-se”…

Recentemente, o “Estadão” chamou a oposição às falas, pedindo – em editorial – unidade e combatividade para barrar o PT em São Paulo. Alckmin parece ter escutado.

A TV Cultura transforma-se numa  tricheira, a organizar o que sobrou da oposição: “Veja”, “Folha”… E dizem que o “Estadão” também terá seu programinha por lá.

Faz sentido.

Como disse um leitor, no tuiter:

@RobertoToledo59 Estão apenas oficializando a parceria.

Trata-se de um movimento importante: estão preparando a trincheira pra defender a terra bandeirante da horda vermelha… Afinal, se o PT ganhar a capital esse ano, o Palácio dos Bandeirantes será o último bastião do tucanato paulista e de seus (deles) aliados na velha mídia.

Perguntinha tola desse escrevinhador: “Folha” e “Veja” vão pagar para usar o espaço da emissora pública? Ou será tudo na faixa?

Em entrevista ao Portal Imprensa, o editor da “Folha” deixou claro qual o objetivo da parceria: “trará a possibilidade de a marca Folha alcançar seu público no maior número possível de mídias. “O jornal continua firme no propósito de levar seu conteúdo de qualidade a um número diversificado de plataformas, e chegar à TV parece um passo natural”.

Muito natural! Tá tudo em casa, eu diria.

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Anderson Scardoelli, do site Comunique-se

A partir de março, um novo jornalístico ocupará a grade de programação da TV Cultura. Em parceria com a revista de maior circulação no País, a emissora da Fundação Padre Anchieta vai transmitir o ‘Veja na TV’. A atração irá ao ar durante as noites de terça-feira, após o ‘Jornal da Cultura’.

Além da TV, o programa será exibido ao mesmo tempo na Veja.com. Porém, quem acompanhar o ‘Veja na TV’ pela internet terá um diferencial assim que cada edição chegar ao fim: participar do chat com o jornalista Augusto Nunes, que estará à frente do projeto que marca a parceria entre a Cultura e a publicação da Editora Abril.

O projeto representa o retorno de Nunes à TV Cultura. Ele foi entrevistador do ‘Roda Viva’ de julho de 2010 a agosto de 2011, época em que a atração foi comandada por Marília Gabriela. De 1987 a 1989, o programa criado há 20 anos foi apresentado pelo jornalista, que atualmente mantém umacoluna na Veja.com.

Por enquanto, nenhum profissional foi contratado para participar do novo programa. O ‘Veja na TV’ será produzido integralmente pela equipe das versões impressa e online da Veja. Os temas abordados pela atração serão política, economia e demais assuntos que aparecerão na mídia no decorrer da semana em que determinada edição será exibida.

‘Veja na TV’ contará com matérias especiais, comentários, debates e entrevistas. O programa será gravado no estúdio da Veja, localizado na sede da Editora Abril, em São Paulo. O estúdio é o mesmo em que Nunes comanda o ‘Veja Entrevista’, que é publicado quinzenalmente na Veja.com.  

 

 

 

Leia outros textos de Radar da Mídia

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O que é o bloqueio ou embargo dos Estados Unidos a Cuba?

Posted by Liberdade Aqui! em 02/02/2012

Do Blog do Mello

Conhece Palau e Ilhas Marshall? Junto com Israel são os únicos países que apoiam boicote dos EUA a Cuba

 

Um bloqueio que, segundo relatório anual da ONU, realizado em 2005, causou desde o seu início até 2005, um prejuízo superior a 89 bilhões de dólares a Cuba.

Bloqueio que é sistematicamente condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. São 17 condenações seguidas.

O que é o bloqueio ou embargo dos Estados Unidos a Cuba?

É um embargo econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos que se iniciou em 7 de fevereiro de 1962 (vai completar agora incríveis 50 anos). Foi convertido em lei em 1992 e em 1995. 

Em 1999, o presidente Bill Clinton ampliou este embargo comercial proibindo que as filiais estrangeiras de companhias estadunidenses de comercializar com Cuba, a valores superiores a 700 milhões de dólares anuais.

Em junho de 2004, George Bush anunciou as medidas do relatório da “Comissão de Ajuda para uma Cuba Livre”, objetivando uma “mudança de regime” (isso mesmo, dito assim na cara dura). São ações que recrudescem ainda mais o bloqueio, agravando as ações contra o turismo e os investimentos em Cuba, restringindo os fluxos financeiros e limitando as remessas familiares.

  • É proibido a empresas de terceiros países a exportação para os Estados Unidos de qualquer produto que contenha alguma matéria-prima cubana (A França não pode exportar para os Estados Unidos uma geleia que contenha açúcar cubano).
  • É proibido a empresas de terceiros países que vendam a Cuba bens ou serviços nos quais seja utilizada tecnologia estadunidense ou que precisem, na sua fabricação, produtos dessa procedência que excedam 10% do seu valor, ainda quando os seus proprietários sejam nacionais de terceiros países.
  • Proibe-se a bancos de terceiros países que abram contas em dólares norte-americanos a pessoas individuais ou jurídicas cubanas, ou que realizem qualquer transação financeira em essa divisa com entidades ou pessoas cubanas, em cujo caso serão confiscadas. Isso bloqueia totalmente Cuba de utilizar o dólar em suas transações de comércio exterior.
  • É proibido aos empresários de terceiros países levar a cabo investimentos ou negócios com Cuba, sob o suposto de que essas operações estejam relacionadas com prioridades sujeitas a reclamação por parte dos Estados Unidos da América. Os empresários que não se submetam a essa proibição serão alvo de sanções e represálias como o cancelamento, ou não renovação, de seus vistos de viagem aos Estados Unidos.
Tudo isso por quê? Simplesmente porque os Estados Unidos não admitem que Cuba seja comunista. Embora negocie com outros países comunistas, como a China (recentemente até com a República Socialista do Vietnã, que os derrotou na famosa Guerra do Vietnã). Com Cuba não pode. 

O gigante do Norte não admite que os cubanos vivam sob o regime que escolheram viver, graças principalmente ao “lobby de Cuba”, formado por exilados cubanos, liderados pelo Comitê de Ação Política Democrática Cuba-Estados Unidos.

Genocídio

Em 1909 (portanto há 103 anos), na Conferência Naval de Londres, ficou definido como princípio do Direito internacional que o “bloqueio é um ato de guerra” e nessa base, o seu emprego é possível unicamente entre os beligerantes.

Por esse motivo, o bloqueio contra Cuba é considerado como se fosse um ato de guerra. Mas um ato de guerra econômico. Assim como o Direito Internacional classifica o bloqueio como genocídio, pois não haveria nenhuma norma internacional que o justifique em tempos de paz.

Até o papa João Paulo II condenou publicamente o bloqueio durante suas visitas pastorais à ilha em 1979 e 1998.

Por isso, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) já votou 17 vezes a favor do bloqueio, e ele não foi aprovado graças ao direito a veto dos Estados Unidos e a votos de seus satélites, sendo Israel o maior deles. Para continuar ocupando a Palestina e dizimando seu povo, Israel faz tudo o que os EUA mandam, desde que não faltem armas nem dinheiro para o extermínio palestino.

Em 2005, a resolução também não foi aprovada graças aos votos de Palau e Ilhas Marshall. E aqui voltamos ao título da postagem.

Quem são Palau e Ilhas Marshall?

Dois pequenos países da Micronésia. Ambos “Estados Livremente Associados” aos Estados Unidos da América… (Ah, e isso não é ironia…)

Portanto, toda a comunidade de países condena o bloqueio, que penaliza o povo cubano, uma nação livre.

No entanto, quando fala de Cuba, a mídia corporativa brasileira (também um “Estado Livremente Associado” aos EUA?) só se refere a uma suposta ditadura, em vez de defender o fim do embargo.


Todas essas informações estão aí, na Wikipédia, mas a mídia se cala sobre elas, numa nova forma de embargo a Cuba.

Brecht:
Do rio que tudo arrasta se diz violento,
porém ninguém diz violentas
as margens que o comprimem

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Ministro Gilberto Carvalho defende ‘busca ativa democrática’ contra ideologia da mídia

Posted by Liberdade Aqui! em 28/01/2012

Do Vi o mundo

Gilberto Carvalho: “O Brasil viu aquele terrorismo”

Política| 27/01/2012 | Copyleft

Ministro defende ‘busca ativa democrática’ contra ideologia da mídia

Em debate no Fórum Social, Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) diz que avanço da democracia requer ‘disputa ideológica’ e aproximação com ‘novos incluídos’, para que não fiquem ‘à mercê da ideologia’ da mídia. Para ele, governo também tem responsabilidade na democratização da comunicação. Publicidade oficial contribui, mas marco regulatório defasado, não. Secretaria prepara-se para lançar portal da participação popular.

André Barrocal, na Carta Maior

Porto Alegre – O avanço social e da democracia no país exige uma “busca ativa democrática” dos brasileiros que subiram de vida nos últimos anos e começam a fazer parte do jogo político nacional, para que eles não fiquem “à mercê da ideologia dos meios de comunicação”.

A opinião é do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que participou nesta sexta-feira (27) de debate sobre democracia, no Fórum Social Temático.

A expressão “busca ativa democrática” é uma referência ao mecanismo da “busca ativa” usado pelo governo no programa de combate à miséria, com o qual tenta achar os pobres que teriam direito ao bolsa família mas estão fora do programa.

Segundo Carvalho, o Brasil tem hoje “necessidade de uma disputa ideológica de projetos”, para que os “novos incluídos” vejam com clareza quais são as opções existentes e possam escolher a melhor para si e para o país.

Nos últimos dias, o ministro tem praticado essa “disputa ideológica”, tendo como matéria-prima o despejo de 1,6 mil famílias de sem-teto da região do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), cidade administrada por partido adversário do governo federal localizada em um estado na mesma situação.

E não foi diferente nesta sexta-feira (27), ao dar entrevista depois do debate, quando Carvalho foi questionado sobre a reclamação tucana de que estaria havendo politização do caso por parte do governo federal.

“Lamento muito que se tente tergiversar. O Brasil viu aquele terrorismo”, disse o ministro. “Há necessidade de denúncia de um método equivocado”, completou Carvalho, repetindo o que já havia dito sobre o que seria o “método tucano” de lidar com questões sociais.

Para que esse tipo de disputa ideológica ocorra, o ministro acha que o governo também tem um papel a cumprir, fomentando a ampliação do leque de veículos de comunicação à disposição do público.

Nos últimos anos, especialmente a partir de 2007, a publicidade paga do governo federal atinge um número crescente de veículos diferentes, o que é uma forma de fomentar a diversidade. Em 2003, eram cerca de 500 a receber verba oficial. Em 2011, foram mais de oito mil.

A posição do ministro também remete ao projeto de um novo marco regulatório para emissoras de rádio e TV. A proposta deixada pelo governo Lula foi encaminhada ao ministério das Comunicações, que em 2011 ampliou o escopo dela e decidiu colocá-la em consulta pública, quando finalizada.

Como Carta Maior já noticiou, a presidenta Dilma Rousseff não considera o tema uma prioridade e, por isso, não cobra o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Depois do debate, a reportagem perguntou a Gilberto Carvalho qual era a situação do projeto no governo. Ele disse que acredita que a proposta será concluída ainda este ano.

Uma outra forma imaginada pela Secretaria Geral, principal interlocutor do governo perante os movimentos sociais, para a “busca ativa democrática” dos novos incluídos também deve começar a ganhar vida este ano.

É um portal na internet com o qual a Secretaria pretende abrir-se ao diálogo a quem se interessa por política e quer influenciar decisões do governo, mas não participa de movimento social ou partido e, portanto, não tem acesso direto às instâncias decisórias.

A página eletrônica é chamada internamente na Secretaria de Portal da Participação Popular e pode ser imaginada como uma espécie de espaço permanente de consultas públicas.

PS do Viomundo: O problema é que a disputa ideológica a que se refere o ministro só é ativamente perseguida pelo PT em ano eleitoral. Depois da eleição o PT se dedica majoritariamente à gestão da modernização conservadora. Trocando em miúdos, o PT ganha eleição com os movimentos sociais e governa com o PMDB.

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Vladimir Aras: Pior que o naufrágio do comandante Schettino

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Big Brother: Do Projeto Biosfera 2 ao Gênero “Reality Show”

Posted by Liberdade Aqui! em 08/01/2012

Do blog Cinema Secreto

Do Projeto Biosfera 2 ao reality show “Big Brother”: a Ecologia Maléfica

O que há em comum entre o fracasso científico do Projeto Biosfera 2 em 1991 e o atual sucesso do gênero reality show? A ecologia maléfica. Das baratas e ervas daninhas que destruíram o Biosfera 2   à crueldade, preconceito e violência dos reality shows, ambos mantêm um vínculo secreto: a prospecção da mente e da consciência.

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Em 26 de setembro de 1991 quatro homens e quatro mulheres entraram numa gigantesca estrutura geodésica de vidro e metal com 12.000 metros quadrados, em Tucson, Arizona, em pleno deserto, para ali ficarem trancafiados por dois anos. Era o projeto Biosfera 2, abrigando 3.800 espécies animais e vegetais e simulações dos cinco principais biomas do planeta Terra , com o propósito de entender como a biosfera planetária funciona e como o ser humano interage com os ecossistemas. Foram monitorados por dois mil sensores eletrônicos e assistidos por 600 mil pagantes em todo o mundo.
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Alguns meses depois, em 15 de fevereiro de 1992 sete jovens entre 18 e 25 anos entraram no prédio 565 da Broadway Street, em Nova York, para ali permanecerem por três meses com diversas câmeras acompanhando suas vidas e seus relacionamentos. Era o início daquele que é considerado o primeiro Reality Show da TV mundial, o “The Real World” (Na Real) da MTV norte-americana.

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Em 16 de setembro de 1999, nove pessoas entraram em uma mansão em Almere, na Holanda, para ficarem também trancafiadas, desta vez por 106 dias, sem nenhum contato com o mundo exterior, acompanhados por uma parafernália de câmeras e microfones. Era a primeira edição do reality Show Big Brother idealizado pela empresa de entretenimentos Endemol. Embora o nome faça alusão a distopia literária de Gorge Orwel, “1984”, na verdade o programa foi explicitamente inspirado na experiência Biosfera 2 de, então, oito anos atrás.
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O que há em comum entre esses três eventos? Além do fato do produtor de TV holandês John De Mol ter admitido explicitamente que a ideia do formato do Big Brother fora inspirada no projeto Biosfera 2 (segundo ele, a inspiração veio após um considerável número de drinques), custa acreditar que a ideia dos produtores do seminal “The Real World” alguns meses depois do início do Biosfera 2 seja mera coincidência. Há uma profunda ligação entre o projeto técnico científico no deserto do Arizona no início dos anos 90 e a proliferação do gênero reality show na TV mundial.
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Fracasso científico, sucesso midiático
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Como experimento científico, o Projeto Biosfera 2 foi um resumo de todas as ideologias ecológicas, climáticas, microcósmicas e biogenéticas. Mas foi muito mais do que isso. Foi uma atração experimental. Bancado por um bilionário texano pela bagatela de 200 milhões de dólares, desde o início havia um implícito senso midiático e de espetáculo. É o momento em que a tecnociência se converte em show. Se não, como explicar a inviabilidade da pesquisa científica em um ambiente onde oito pesquisadores enclausurados e isolados do mundo passavam 95% do tempo lutando pela sobrevivência (fazendo a comida crescer, lutando contra pragas e tentando resolver problemas básicos como higiene e saúde). Não sobrava muito tempo para o trabalho científico.
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O Projeto foi um fracasso científico, mas um sucesso midiático. Dos objetivos iniciais publicamente divulgados como estudos dos biomas terrestres, dinâmica dos ecossistemas e sustentabilidade do ser humano em ambientes extraterrestres havia outro objetivo secreto: a endocolonização (a colonização interna da mente humana). Os milhares de sensores eletrônicos e câmeras espalhados no interior da gigantesca estrutura geodésica e o monitoramento ao vivo por meio de telas de TVs buscavam outros tipos de dados: o esquadrinhamento do comportamento humano, dessa vez não mais em laboratórios de psicologia, mas, agora, em cenografias controladas onde indivíduos lutam pela sobrevivência.
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A tecnociência atual perdeu há muito seu interesse por desbravar outros planetas, buscar uma Teoria Unificada do cosmos ou buscar um modelo unificado da biosfera. Hoje ela se volta para o interior da mente humana, indo além do estudo do seu comportamento: quer psicocartografar a consciência e a alma.
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Por trás dos altruístas e politicamente corretos objetivos (ecologia e sustentabilidade), estavam as origens do projeto tecnognóstico de uma psicocartografia do homem para a elaboração de modelos de simulação para uma não muito distante virtualização da mente e consciência. Em outras palavras mais diretas: contole, monitoramento e engenharia social.
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Não é à toa que o appeal midiático do projeto Biosfera 2 tenha contaminado o universo televisivo. Mas com uma diferença. Se no projeto tecnocientífico a ecologia e sustentabilidade foram álibis para a iniciativa de endocolonização, na TV, sob o álibi da interatividade, o gênero reality show transformou-se em laboratório etnográfico para prospectar dados e análise dos comportamentos e motivações. Não é à toa que muito dos vencedores desses programas acabam sendo convidados para darem palestras motivacionais em meios corporativos.
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Mais ainda, as dinâmicas, jogos e pegadinhas desses programas acabaram formando um estoque de táticas aplicáveis por técnicos de recursos humanos em seleção e treinamento em empresas. Numa surreal contaminação, hoje os ambientes corporativos com suas opressivas divisórias e baias não se diferenciam muitos dos realities televisivos. Funcionários (desculpe, “colaboradores”) são avaliados não tanto pelo conhecimento, mas, cada vez mais, por critérios comunicacionais e de relações semelhantes a programas como “No Limite” ou “Big Brother”.
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Biosfera 2 e Reality Show formaram uma secreta aliança: foram a vanguarda de uma verdadeira estratégia de agenda setting de popularizar e tornar aceitável à opinião pública os novos tempos em que vivemos, onde, sob o álibi da interatividade, todos disponibilizam gratuitamente em sites de relacionamento seus dados, aspirações, sonhos e fantasias pessoais em estado bruto para os banco de dados corporativos. Dados brutos que, graças as ciências cognitivas e neurológicas, serão a base de simulações do funcionamento da mente.
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A Ecologia Maléfica biológica e humana
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Pedro Bial tenta enquadrar  as situações
vividas pelos participantes às suas
crônicas moralizantes
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Um dos motivos apontados para o fracasso do Biosfera 2 foi a sua concepção científica positivista e linear que procura retirar da natureza o Mal, a catástrofe, o germe. Enclausurar os biomas terrestres num ambiente fechado, como uma espécie de Disneylandia ecológica, baseado num modelo de reciclagem, retroalimentação, estabilização e metaestabilização é como construir um paraíso ecológico idealizado.
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Delírio tecnocientífico, como se tudo fosse previsível linearmente dentro de modelos ou simulações.
O resultado foi catastrófico: ácaros e gafanhotos devoraram as plantações, Das 25 espécies de vertebrados apenas seis sobreviveram. Os únicos organismos que prosperaram foram ervas daninhas, formigas e baratas, muitas baratas! Nada mais gnóstico do que essa ecologia maléfica. Há algo de irredutível e intransponível para essa tecnociência: o Mal.
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Da mesma forma, essa ecologia maléfica ressurge, dessa vez nas relações humanas monitoradas pelos reality shows. Como já desenvolvemos em postagens anteriores (veja links abaixo) a indústria do entretenimento tenta restringir os eventos a roteiros, plots ou scripts que exorcizem a presença do mal: o acidente, a estupidez, o cruel, o irredutível, o niilismo, o “non sense” etc. Precisa exorcizar a presença do mal para restringir as suas narrativas às lições moralizantes e tranquilizadoras.
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Colocar seres humanos num ambiente fechado e monitorado é perigoso. Inadvertidamente pode mostrar, ao vivo, essa ecologia maléfica: assim como a natureza é predada por ervas daninhas, formigas e baratas, as relações humanas o são pela intolerância, preconceito, violência, estupidez e crueldade.
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No caso do atual “Big Brother Brasil”, é visível o esforço não só da edição como do jornalista Pedro Bial, ao vivo, em tentar enquadrar as situações vividas pelos participantes às suas crônicas moralizantes que insistentemente recita antes da eliminação de um dos jogadores. A cada declaração politicamente incorreta de um participante, Bial intervém para diluir o impacto.
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Colocar tal “biodiversidade” confinada (gordos, atléticos, homossexuais, transsexuais, ricos, pobres, homofóbicos, heteros, emos… ) e transformar suas relações explosivamente maléficas em lições de moral é um desafio e tanto, assim como no projeto Biosfera 2 onde o sexo entre os tripulantes era proibido.
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Ao exorcizar o Mal e tentar manter um ambiente asséptico, o reality show, ironicamente, extirpa a interatividade que deveria ser o mote desse gênero televisivo. Como afirmou Claudio Silva, diretor que participou na criação do Big Brother na TV holandesa em 1999, os participantes não são eliminados tanto pela interatividade do show, mas pelo tédio de seus personagens.
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