LIBERDADE AQUI!

Um Espaço de Liberdade de Expressão

Archive for the ‘EDUCAÇÃO’ Category

EDUCAÇÃO

“Os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.”

Posted by Liberdade Aqui! em 22/04/2012

Via Conteúdo Livre

Drauzio Varella – Intolerância religiosa

O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso

SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.
A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.

Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.

Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?

Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?

Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.
O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.

Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.

Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.

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10ª SESSÃO DO FÓRUM PERMANENTE DE CONTROLE DO FUNDEB: SEGUNDO DIA DIA

Posted by Liberdade Aqui! em 20/04/2012

Da APP Sindicato- NS de Cornélio Procópio

Atividade tem como objetivo aprofundar debate 
sobre a fiscalização das verbas públicas

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Aula de cidadania

Posted by Liberdade Aqui! em 15/03/2012

Nossa Luta pela Educação de Qualidade

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
Martin Luther King, Jr.

Professoras e Professores em ato público em Cornélio Procópio / PR.

Existem varias definições de cidadania. Cidadania é definida como um conjunto de direitos e deveres ao qual o indivíduo está sujeito em relação à sociedade a que pertence. …É também praticar, exigir Direitos, não ter preconceitos, respeitar as leis.

A paralisação de hoje, dia 15/03, comandada pela APP-Sindicato/CNTE/CUT é um movimento social que luta contra as arbitrariedades e inverdades de muitos prefeitos e governadores que se negam a cumprir o que é estabelecido em lei e que proferem os mais absurdos discursos diatribes.

É através deste instrumento (GREVE) garantido pela constituição que os professores e professoras estaduais ensinam aos seus alunos o livre exercício da cidadania, ensinando-os a ser um cidadão participante e atuante. (esse ensinamento também serve a muitos educadores, que acham que os outros é que devem lutar por eles).

Ensinamos aos nossos alunos que eles fazem parte do mundo e que suas escolhas e posturas diante da vida afetam não só a eles mesmos, mas também a vida de outras pessoas da comunidade. Assim como as atitudes das outras pessoas também nos afetam.

No nosso Brasil, no nosso Estado e em nossas comunidades (escolas, clubes, sindicatos, prédios, ruas e cidades) sempre irão existir grupos de pessoas unidos, organizados para lutar por algo que acreditam…

Esta paralisação dos/as professores/as nas capitais e no interior de nosso país é a maneira legitima de mostrar para a sociedade através da luta que os educadores, os alunos, pais de alunos estão indignados com a postura, com a atitude de prefeitos e governadores em tentar suprimir nossos direitos conquistados a duras penas.

Nós professores/as e alunos/as sabemos que ser cidadão é fazer valer nossos direitos e deveres civis, políticos e econômicos.  Só assim exerceremos a verdadeira cidadania.

Sabemos também que a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo.

Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.

Sejamos, então, verdadeiros/as cidadãos/as.

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Texto adaptado de: MARTINS, Paulo James Queroz.  Greve e  Cidadania. Disponível em: http://profcarlosalberto03.blogspot.com/2011/08/greve-aula-de-cidadania.html

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Classe média responderá por 60% dos brasileiros em 2014

Posted by Liberdade Aqui! em 09/03/2012

Do Terra via Portal Nassif

A evolução da classe média no Brasil

Enviado por luisnassif, sex, 09/03/2012 – 10:10 Por wilson yoshio.blogspot

Do Terra

Classe média responderá por 60% dos brasileiros em 2014

Classe C é mais fiel a marca do que a elite, diz Meirelles

Classe C é mais fiel a marca do que a elite, diz Meirelles
Foto: Fernando Borges

Eles já são 53% da população do Brasil e até 2014 serão 60%. Eles são a novidade e estão fazendo com que as empresas corram para entender como querem ser servidos, o que querem consumir, a quais valores são fieis. A nova classe C movimenta a economia brasileira e faz com que o País passe com mais calma pela crise em relação a americanos e europeus. Especialista nesses novos consumidores, o presidente do instituto Data Popular, Renato Meirelles diz que essa transformação ainda está em curso e que as empresas que melhor entenderem as demandas desses brasileiros terão mais chances de serem líderes.

Meirelles fala sobre falsas impressões a respeito da nova classe média, diferenças entre essa classe no Brasil e em outros países e sobre erros e acertos das empresa até agora para lidar com esse novo público.

Terra – Quando falamos em nova classe C, falamos de quem? É um corte apenas monetário? É também social?
Renato Meirelles
 -O Brasil mudou muito nos últimos anos. Quase 40 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe C ou do que a gente convencionou a chamar de nova classe média. Para entender quem é essa família, pensa em uma em que a renda familiar é algo em torno de R$ 2,5 mil. 53,9% dos brasileiros fazem parte da classe C, são quase 104 milhões de pessoas que passaram a ter nos últimos anos poder de compra. Mas não é só em dinheiro que nós estamos falando. Estamos falando de pessoas que passaram a viajar de avião pela primeira vez, que passaram a estudar mais, que passaram a frequentar ambientes como não frequentavam antes, como restaurantes, cinemas shopping centeres. E é um brasileiro que tem um jeito próprio não só de comprar, como de enxergar o mundo. A classe C é mais otimista do que as outras classes sociais, acredita mais que a vida vai melhorar. E isso acontece porque como a vida dele melhorou mais do que a dos outros brasileiros nos últimos tempos, ele é mais otimista de que esse ciclo vai continuar acontecendo. A classe C tem mais amigos do que a elite. A classe C tem 70% a mais de amigos do que têm as classes A e B – e isso faz toda a diferença, porque ela faz mais propaganda boca a boca. 69% da classe C faz propaganda boca a boca contra 19% das classes A e B. Então nós estamos falando de um jeito de enxergar o mundo muito diferente.

Terra – Quais as principais diferenças no processo de consumo da nova classe C em relação ao daquela antiga classe média?
Renato Meirelles
 – O pessoal da antiga classe C comprava o que cabia no bolso, ele não tinha muito poder de escolha. Ele não tinha crédito, ele não tinha muita chance. Então, o que cabia no bolso ele corria e comprava. Hoje ele pode escolher, porque todo mundo tem crédito e mais dinheiro no bolso. Então, se ele pode escolher, ele faz mais pesquisa de preço. Porque a classe C não pode errar. Como o dinheiro é muito contado, na prática ele prefere pagar um pouco mais caro por marcas que ele tem certeza que vão entregar um produto de boa qualidade. Vou dar um exemplo: uma mulher da classe A vai ao supermercado, vê uma marca de arroz que ela não conhece, mas que está em promoção. Ela compra o arroz, mas na hora que vai fazer, percebe que o arroz é ruim. O que ela faz? Joga fora o arroz. A mulher da classe C não. Como o dinheiro é contado, se ela descobrir que esse arroz é ruim, ela vai ter que comê-lo o mês inteiro. Então ela é mais fiel às marcas do que a mulher da elite, diferente do que pensa o senso comum. Mas não é pelo status, é pelo aval de qualidade que a marca dá. É a garantia de que ele não está jogando dinheiro fora.

Terra – As empresas precisaram mudar seus produtos ou processos de comunicação com o consumidor dada a ascensão dessa nova classe média? Quais foram essas principais mudanças?
Renato Meirelles
 – As empresas têm uma grande dificuldade de falar para as classes C e D porque sua estrutura de marketing, na grande maioria dos casos, veio da elite. Então, são pessoas que pensam como elite. Isso faz com que ele não saiba se comunicar. Ele acredita que a aspiração da classe C é ser classe A e B. Mas não é. O cara da classe C acha que o rico é perdulário, que o rico joga dinheiro fora, que o rico não tem valores familiares consolidados. Exatamente por isso ele acaba preferindo ter como aspiração o vizinho que deu certo e não o ricaço. Ele quer ser aquele cara que há 10 anos começou a entregar água no bairro e hoje tem uma distribuidora. As aspirações têm mais a ver com os exemplos próximos que deram certo do que com as classes A e B.

Terra – Quais foram os setores da economia que mais se beneficiaram com a ascensão da nova classe média?
Renato Meirelles
 – O primeiro foi automóveis. O gasto com automóveis, e não só aquisição, mas também manutenção foi o que mais cresceu. Educação cresceu muito. E também higiene e cuidados pessoais. Porque higiene e cuidados pessoais cresceu tanto? Porque a mulher da nova classe média foi para o mercado de trabalho. E ao ir para o mercado de trabalho, o investimento na própria aparência deixa de ser visto como gasto e passa a ser visto como uma forma de se dar melhor, ganhar mais dinheiro no mercado de trabalho. Como ela foi para o mercado de trabalho, ela sabe que ir ao salão toda semana não é mais gasto, mas investimento para continuar melhorando de vida.

Terra – Por que a classe média cresceu tanto nos últimos 10 anos? Qual foi a fórmula que permitiu esse fenômeno que não tinha sido aplicada antes?
Renato Meirelles
 – Tem um conjunto de fatores. Um primeiro aspecto é o demográfico. É o que os demógrafos chamam de bônus demográfico. É um fenômeno que acontece uma vez na história de cada país, que é quando a maior parte da população está concentrada em idade economicamente ativa. É isso que fez a Coreia do Sul virar a Coreia do Sul. O bônus demográfico atuou entre as décadas de 60 e 90. Os especialistas dizem que o PIB da Coreia cresceu, em média, 1,6% ao ano apenas pelo fenômeno do bônus demográfico. Isso está acontecendo no Brasil. Isto já aconteceu nas classes A e B, está acontecendo na classe C e vai acontecer nas classes D e E. Se o Brasil não entrar em guerra e não matar metade de seus homens isso não vai mudar. Outro aspecto que explica isso é a conjunção histórica dos últimos anos de você ter estabilidade da economia e depois o processo de distribuição de renda, que aconteceu nos últimos 10 anos – quando quase 40 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe C. O terceiro fator tem a ver diretamente com a melhora dos níveis educacionais. Cada ano de estudo impacta em 15% a mais no salário médio das pessoas. E os jovens da classe C estão estudando mais. Na classe A 10% dos jovens estudaram mais que seus pais, enquanto na classe C, 68% dos jovens estudaram mais que os pais. Isso na prática significa uma mudança gigantesca nas chances que elas têm para o mercado de trabalho.

Terra – Há algum paralelo do que acontece no Brasil nesses últimos 10 anos em outro país? Alguma experiência que sirva de aprendizagem para as empresas brasileiras?
Renato Meirelles
 – Nessa velocidade não.

Terra – E as empresas estrangeiras que pensam em aproveitar o aumento do consumo interno no Brasil? Precisam se preparar para lidar com um novo consumidor, para chegar ao um novo País?
Renato Meirelles
 – As empresas têm que entender que a classe média brasileira é diferente da americana, da europeia. É uma classe média mais jovem, que está aprendendo a consumir uma certa categoria de produtos. Eu canso de fazer pesquisa em que muitas pessoas estão indo viajar de avião pela primeira vez e não sabem o que é check-in. Que têm dinheiro para colocar o filho em colégio particular, mas não entende nada de método pedagógico, não sabe direito como escolher o colégio particular do filho. O desafio dessas empresas é serem parceiras desse consumidor na hora que ele mudar de vida.

Terra – Na sua opinião, o mercado interno, pelo lado do consumidor, ainda está em transformação ou essa migração de classes já se consolidou?
Renato Meirelles
 – Ele vai continuar crescendo. Hoje você tem 53,9% da população fazendo parte da classe C e a ideia é que cheguemos a 2014 com quase 60% da população fazendo parte da classe C. É um caminho sem volta, a não ser que aconteça uma guerra mundial ou uma grande crise econômica em proporções muito maiores do que a que vivemos nos últimos tempos. Não tenho nenhum indicador de que essa classe C não vá continuar crescendo e as empresas que souberem aproveitar as oportunidades desse novo mercado têm muito mais chance de ser líder amanhã.

Terra – A atual crise econômica teve em sua raiz uma espécie de nova classe média, os mutuários americanos que não poderiam ter acesso a crédito, mas que o tiveram depois de bancos facilitarem esses empréstimos. Como a nova classe média brasileira lida com acesso ao crédito?
Renato Meirelles
 – Desde a crise do Lehman Brothers o Data Popular tem se aprofundado no estudo de semelhanças e diferenças do processo de endividamento dos americanos e dos brasileiros. O que vimos é que o crédito para consumo dos americanos é quase sete vezes maior que o crédito para consumo para os brasileiros. Estamos anos-luz atrás dos americanos do ponto de vista de endividamento. Quando você pega a crise do subprime e o processo de endividamento, vemos que o grosso eram hipotecas – que é diferente de financiamento para compra de primeiro imóvel. Ou seja, ele hipotecava uma casa que já era dele para comprar outras coisas. O processo de financiamento do crédito imobiliário brasileiro é para compra da primeira casa – e isso tem uma série de implicações. Ele não vai hipotecar a primeira casa, porque a casa é o grande sonho do brasileiro. Segundo, é um crédito que gera emprego, diferente do crédito americano. Ele não estava construindo casas ao hipotecar o imóvel. Ela já estava construída. No crédito brasileiro, é isso que tem sido responsável pelo boom – mais gente comprando casa nova, que significa mais emprego nas classes D e E, os operários da construção civil, e mais emprego significa mais renda e isso fecha o ciclo virtuoso do consumo. Na prática, o financiamento habitacional no Brasil ajuda a economia e não superendivida consumidores, como foi o caso dos Estados Unidos.

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“A exemplo da fome, a violência não responde a um cardápio único. Superá-la requer uma verdadeira revolução no acesso e na qualidade de bens que formam (hoje deformam) a subjetividade brasileira.”

Posted by Liberdade Aqui! em 10/02/2012

VIA PORTAL NASSIF

Geografia da violência, por Saul Leblon

Enviado por luisnassif, sex, 10/02/2012 – Do Portal Luís Nassif

Página de Webster Franklin Farias Santo

Da Carta Maior / Blog das Frases

A geografia da violência

Quando escreveu ‘Geografia da Fome’, em 1946, Josué de Castro, sofreu pressões para eliminar a palavra incômoda do título de sua maior obra. Contrariando a elite melindrada e gelatinosa, deixou um clássico que desnaturalizou a fome brasileira, isentando ‘jeca tatus’ e ‘nortistas’ de serem os responsáveis pela própria desnutrição. A partir daí o tema ganhou fórum de desafio político, decorrente de estruturas de poder que aboliram a escravidão, mas mantiveram direitos e riquezas concentrados na casa-grande.

De certa forma, a palavra violência substitui hoje o espaço que um dia foi ocupado pela fome como a ligadura dos desafios que enfeixam a grande questão da política brasileira: a realização plena da cidadania na vida das grandes massas do seu povo. Como a fome, a violência é uma palavra incômoda. Muitos prefeririam não anexá-la à agenda do país, menos ainda reconhecê-la como estuário das pendências e desafios dessa década.

liciais inaceitavelmente armados reivindicando direitos – justos, diga-se – são parte desse mosaico desordenado e urgente, que inclui a macabra colheita de 100 cadáveres em cinco dias de recuo parcial do policiamento nas ruas de Salvador.
A exemplo da fome, a violência não responde a um cardápio único. Superá-la requer uma verdadeira revolução no acesso e na qualidade de bens que formam (hoje deformam) a subjetividade brasileira.Uma escola efetivamente republicana que nivele por cima, oferecendo um mesmo ponto de partida igual para todos, por exemplo (para isso o orçamento do MEC não pode secundar a massa de recursos fiscais transferidos aos rentistas da dívida pública). Ou uma mídia pluralista capaz de democratizar a informação e a cultura, aguçando em vez de entorpecer o discernimento crítico e a subjetividade livre e independente. Serviços públicos de saúde, segurança e acessos a bens culturais que afrontem – a palavra é justamente essa, afrontar – abismos seculares escavados pela desigualdade, alinham-se como requisitos à restauração de portas da civilização corroídas pelo cupim do elitismo excludente e parasitário.

Nada se fará sem democracia e bons empregos e tampouco basta ter orçamento se o aparelho público for desastroso – colocando, como agora, no caso dos aeroportos, o governo no desgastante dilema de privatizar ou caminhar para o colapso aéreo em plena Copa de 2014. Tudo isso é relevante, mas o grande salto para o futuro consiste justamentem em admitir que a mobilidade incremental azeitada pelo sistema econômico disponível não é suficiente.
Não é que seja apenas insuficiente: é quase um suicídio social depositar a formação da subjetividade nas mãos do mercado.

A nova geografia da violência parece desmentir avanços quase épicos alcançados na redução da pobreza, da fome e do desemprego, mas não é verdade. Eles são reais. Foram e serão decisivos na reformulação do desenvolvimento brasileiro. Infelizmente, porém, não há paradoxo: o rastro da violência avança em linha com a interiorização do crescimento, do consumo e do investimento.

O fato de uma greve policial, como a de Salvador, ter gerado – se com ‘ajuda’ de setores grevistas pior ainda – mais de 100 homicídios em menos de uma semana confirma as dimensões da emergência política embutida nessas linhas paralelas. A ruptura de equilíbrios precários, substituídos por impulsos mórbidos de consumo –e a indução a comportamentos anti-sociais, inoculados pelo canhão midiático– gera confusão e endosso cego ao que o mercado difunde como sendo o novo, o desejável e o indispensável, ao preço do ‘custe o que custar’. Geram, ademais, uma percepção desesperadora da desigualdade medida por paradigmas de riqueza e ócio nefastos e inviáveis.
A reiteração da sexualidade como uma dimensão utilitária, exibicionista e descartável do relacionamento humano faz parte desse desterro ético. Seu apelo lubrifica a emergência de padrões de comportamento incensados por novelas e animadores psicopatas de Big Brothers, que precipitam a baldeação de valores tradicionais para zonas cinzentas em que semi-cultura, semi-informação, mercado e barbárie se marmorizam e se alimentam em perfeita metástase social. Se um factóide de estupro induzido e capitalizado, rende prestígio, dinheiro e admiradores aos seus protagonistas, como impedir efeitos em cascata numa subjetividade desprovida de filtros para rejeitar a fraude, a falta de ética, a corrosão do caráter e dos laços da convivência compartilhada?
O “Mapa da Violência-2012“, coordenado por Julio Jacobo Waiselfisz, dimensiona essa espiral pela fita métrica da uniformização dos padrões de violência homicida no território nacional. “Seria altamente desejável se essa transformação atuasse no sentido de homogeneizar as taxas por baixo’, pondera o relatório. ” Contudo”, constata, “se isso realmente acontece em algumas regiões do país, na maior parte dos casos, presenciamos o efeito inverso: o crescimento vertiginoso da violência em locais considerados pacíficos e tranquilos”. Em 2010, o conjunto daquelas que eram até então as 17 menores taxas de homicídio da federação, superou em 25,7%, a soma das que detinham antes os índices recordes. Um exemplo ilustrativo e atual: nessa baldeação, a Bahia saltou do 23º lugar para o 3º no ranking nacional de homicídios.
A juventude fragilizada pela mistura de semi-formação e semi-maturidade é a principal vítima desse ‘ajuste’ pelo pior. A taxa média de homicídios na sociedade brasileira encontra-se estabilizada há alguns anos na faixa de 26 mortes por 100 mil (nada a comemorar: em 2010 foram 50 mil assassinatos; média de 137 homicídios por dia). Mas na faixa etária entre 20 a 24 anos, as coisas assumem contornos de chacina geracional: a taxa salta para 60,4 homicídios por cem mil. A violência homicida já é responsável por 38,6% de todas as mortes de jovens no país, enquanto entre os não jovens a taxa cai para 2%.

Os avanços propiciados nos últimos anos na esfera da educação, com o acesso ampliado ao ensino superior através do Prouni, bem como a disseminação das escolas técnicas, são antídotos encorajadores. A exemplo da multiplicação de vagas de trabalho, eles alargam os trilhos da mobilidade e da esperança dos que nasceram à margem deles e estavam condenados assim a viver e a morrer . Algo se move e não é pouco diante da calcificação de interditos estruturais agravados pela contração da economia internacional. Em crises anteriores, de gravidade e duração muito aquém da atual, o país despencou, a economia regrediu, a miséria aumentou. Mas os dados da violência parecem dizer que ainda não atingimos o nervo da iniquidade. Ainda carecemos de um desassombro político e programático. Um novo marco divisor que não pode ser apenas a boa gestão do ciclo anterior. Que busque inspiração no exemplo de Josué de Castro e não retire o desafio da violência do lugar que ele ocupa, queiramos ou não admitir: o incômodo corolário de estruturas e interesses que, ao incorporar ao mercado, cobram o pedágio da servidão ao consumo, magnificam o sentimento da desigualdade e selam o cativeiro de uma subjetividade desumanizada desprovida da compreensão crítica da sociedade e do seu lugar na história.

Postado por Saul Leblon às 23:00

http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&po…

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Big Brother: Do Projeto Biosfera 2 ao Gênero “Reality Show”

Posted by Liberdade Aqui! em 08/01/2012

Do blog Cinema Secreto

Do Projeto Biosfera 2 ao reality show “Big Brother”: a Ecologia Maléfica

O que há em comum entre o fracasso científico do Projeto Biosfera 2 em 1991 e o atual sucesso do gênero reality show? A ecologia maléfica. Das baratas e ervas daninhas que destruíram o Biosfera 2   à crueldade, preconceito e violência dos reality shows, ambos mantêm um vínculo secreto: a prospecção da mente e da consciência.

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Em 26 de setembro de 1991 quatro homens e quatro mulheres entraram numa gigantesca estrutura geodésica de vidro e metal com 12.000 metros quadrados, em Tucson, Arizona, em pleno deserto, para ali ficarem trancafiados por dois anos. Era o projeto Biosfera 2, abrigando 3.800 espécies animais e vegetais e simulações dos cinco principais biomas do planeta Terra , com o propósito de entender como a biosfera planetária funciona e como o ser humano interage com os ecossistemas. Foram monitorados por dois mil sensores eletrônicos e assistidos por 600 mil pagantes em todo o mundo.
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Alguns meses depois, em 15 de fevereiro de 1992 sete jovens entre 18 e 25 anos entraram no prédio 565 da Broadway Street, em Nova York, para ali permanecerem por três meses com diversas câmeras acompanhando suas vidas e seus relacionamentos. Era o início daquele que é considerado o primeiro Reality Show da TV mundial, o “The Real World” (Na Real) da MTV norte-americana.

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Em 16 de setembro de 1999, nove pessoas entraram em uma mansão em Almere, na Holanda, para ficarem também trancafiadas, desta vez por 106 dias, sem nenhum contato com o mundo exterior, acompanhados por uma parafernália de câmeras e microfones. Era a primeira edição do reality Show Big Brother idealizado pela empresa de entretenimentos Endemol. Embora o nome faça alusão a distopia literária de Gorge Orwel, “1984”, na verdade o programa foi explicitamente inspirado na experiência Biosfera 2 de, então, oito anos atrás.
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O que há em comum entre esses três eventos? Além do fato do produtor de TV holandês John De Mol ter admitido explicitamente que a ideia do formato do Big Brother fora inspirada no projeto Biosfera 2 (segundo ele, a inspiração veio após um considerável número de drinques), custa acreditar que a ideia dos produtores do seminal “The Real World” alguns meses depois do início do Biosfera 2 seja mera coincidência. Há uma profunda ligação entre o projeto técnico científico no deserto do Arizona no início dos anos 90 e a proliferação do gênero reality show na TV mundial.
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Fracasso científico, sucesso midiático
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Como experimento científico, o Projeto Biosfera 2 foi um resumo de todas as ideologias ecológicas, climáticas, microcósmicas e biogenéticas. Mas foi muito mais do que isso. Foi uma atração experimental. Bancado por um bilionário texano pela bagatela de 200 milhões de dólares, desde o início havia um implícito senso midiático e de espetáculo. É o momento em que a tecnociência se converte em show. Se não, como explicar a inviabilidade da pesquisa científica em um ambiente onde oito pesquisadores enclausurados e isolados do mundo passavam 95% do tempo lutando pela sobrevivência (fazendo a comida crescer, lutando contra pragas e tentando resolver problemas básicos como higiene e saúde). Não sobrava muito tempo para o trabalho científico.
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O Projeto foi um fracasso científico, mas um sucesso midiático. Dos objetivos iniciais publicamente divulgados como estudos dos biomas terrestres, dinâmica dos ecossistemas e sustentabilidade do ser humano em ambientes extraterrestres havia outro objetivo secreto: a endocolonização (a colonização interna da mente humana). Os milhares de sensores eletrônicos e câmeras espalhados no interior da gigantesca estrutura geodésica e o monitoramento ao vivo por meio de telas de TVs buscavam outros tipos de dados: o esquadrinhamento do comportamento humano, dessa vez não mais em laboratórios de psicologia, mas, agora, em cenografias controladas onde indivíduos lutam pela sobrevivência.
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A tecnociência atual perdeu há muito seu interesse por desbravar outros planetas, buscar uma Teoria Unificada do cosmos ou buscar um modelo unificado da biosfera. Hoje ela se volta para o interior da mente humana, indo além do estudo do seu comportamento: quer psicocartografar a consciência e a alma.
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Por trás dos altruístas e politicamente corretos objetivos (ecologia e sustentabilidade), estavam as origens do projeto tecnognóstico de uma psicocartografia do homem para a elaboração de modelos de simulação para uma não muito distante virtualização da mente e consciência. Em outras palavras mais diretas: contole, monitoramento e engenharia social.
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Não é à toa que o appeal midiático do projeto Biosfera 2 tenha contaminado o universo televisivo. Mas com uma diferença. Se no projeto tecnocientífico a ecologia e sustentabilidade foram álibis para a iniciativa de endocolonização, na TV, sob o álibi da interatividade, o gênero reality show transformou-se em laboratório etnográfico para prospectar dados e análise dos comportamentos e motivações. Não é à toa que muito dos vencedores desses programas acabam sendo convidados para darem palestras motivacionais em meios corporativos.
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Mais ainda, as dinâmicas, jogos e pegadinhas desses programas acabaram formando um estoque de táticas aplicáveis por técnicos de recursos humanos em seleção e treinamento em empresas. Numa surreal contaminação, hoje os ambientes corporativos com suas opressivas divisórias e baias não se diferenciam muitos dos realities televisivos. Funcionários (desculpe, “colaboradores”) são avaliados não tanto pelo conhecimento, mas, cada vez mais, por critérios comunicacionais e de relações semelhantes a programas como “No Limite” ou “Big Brother”.
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Biosfera 2 e Reality Show formaram uma secreta aliança: foram a vanguarda de uma verdadeira estratégia de agenda setting de popularizar e tornar aceitável à opinião pública os novos tempos em que vivemos, onde, sob o álibi da interatividade, todos disponibilizam gratuitamente em sites de relacionamento seus dados, aspirações, sonhos e fantasias pessoais em estado bruto para os banco de dados corporativos. Dados brutos que, graças as ciências cognitivas e neurológicas, serão a base de simulações do funcionamento da mente.
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A Ecologia Maléfica biológica e humana
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Pedro Bial tenta enquadrar  as situações
vividas pelos participantes às suas
crônicas moralizantes
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Um dos motivos apontados para o fracasso do Biosfera 2 foi a sua concepção científica positivista e linear que procura retirar da natureza o Mal, a catástrofe, o germe. Enclausurar os biomas terrestres num ambiente fechado, como uma espécie de Disneylandia ecológica, baseado num modelo de reciclagem, retroalimentação, estabilização e metaestabilização é como construir um paraíso ecológico idealizado.
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Delírio tecnocientífico, como se tudo fosse previsível linearmente dentro de modelos ou simulações.
O resultado foi catastrófico: ácaros e gafanhotos devoraram as plantações, Das 25 espécies de vertebrados apenas seis sobreviveram. Os únicos organismos que prosperaram foram ervas daninhas, formigas e baratas, muitas baratas! Nada mais gnóstico do que essa ecologia maléfica. Há algo de irredutível e intransponível para essa tecnociência: o Mal.
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Da mesma forma, essa ecologia maléfica ressurge, dessa vez nas relações humanas monitoradas pelos reality shows. Como já desenvolvemos em postagens anteriores (veja links abaixo) a indústria do entretenimento tenta restringir os eventos a roteiros, plots ou scripts que exorcizem a presença do mal: o acidente, a estupidez, o cruel, o irredutível, o niilismo, o “non sense” etc. Precisa exorcizar a presença do mal para restringir as suas narrativas às lições moralizantes e tranquilizadoras.
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Colocar seres humanos num ambiente fechado e monitorado é perigoso. Inadvertidamente pode mostrar, ao vivo, essa ecologia maléfica: assim como a natureza é predada por ervas daninhas, formigas e baratas, as relações humanas o são pela intolerância, preconceito, violência, estupidez e crueldade.
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No caso do atual “Big Brother Brasil”, é visível o esforço não só da edição como do jornalista Pedro Bial, ao vivo, em tentar enquadrar as situações vividas pelos participantes às suas crônicas moralizantes que insistentemente recita antes da eliminação de um dos jogadores. A cada declaração politicamente incorreta de um participante, Bial intervém para diluir o impacto.
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Colocar tal “biodiversidade” confinada (gordos, atléticos, homossexuais, transsexuais, ricos, pobres, homofóbicos, heteros, emos… ) e transformar suas relações explosivamente maléficas em lições de moral é um desafio e tanto, assim como no projeto Biosfera 2 onde o sexo entre os tripulantes era proibido.
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Ao exorcizar o Mal e tentar manter um ambiente asséptico, o reality show, ironicamente, extirpa a interatividade que deveria ser o mote desse gênero televisivo. Como afirmou Claudio Silva, diretor que participou na criação do Big Brother na TV holandesa em 1999, os participantes não são eliminados tanto pela interatividade do show, mas pelo tédio de seus personagens.
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Programa Rádio História da Rádio Milenium FM fala sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida

Posted by Liberdade Aqui! em 04/01/2012

Do Youtube

Na última edição do ano do Programa Rádio História, na Milenium FM, o Prof. Val Batista (idealizador e apresentador do programa), fez um interessante relato histórico intertextual, abordando as crises pelas quais a humanidade passou e a crise atual. O programa está recheado de muitas informações e várias entrevistas com diversas personalidades. Abaixo você poderá ouvir o programa que foi ao ar no dia 27/12/2011:

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

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ENEM: muito além da velha mídia

Posted by Liberdade Aqui! em 01/11/2011

Do Direto da Redação

O ENEM, a cidadania e as redes sociais

Rodolpho Motta Lima

E eis que se deu a esperada  prova do ENEM, versão 2011. Como professor e ator dentro desse processo, não quero deixar de opinar. Parecia que, desta vez, do ponto de vista administrativo, sua aplicação tinha tido um número de problemas bem menor do que nas edições  anteriores, mas o episódio do Ceará – de vazamento de questões para alunos de um determinado colégio  – acabou manchando o brilho do certame.

O Ministério de Educação, nesse caso específico, tem razões para supor que o problema tenha sido gerado  por ato delituoso no âmbito do próprio colégio envolvido – pré-teste copiado e divulgado indevidamente –    e rejeita a tese da elaboração de uma nova prova nacional, argumentando, analogicamente, com procedimentos do SAT – teste de seleção americano semelhante ao ENEM – que, quando se defronta com fatos da espécie, apenas cancela e refaz a prova das pessoas atingidas, já que o sistema da TRI – Teoria de Resposta ao Item  – garantiria o princípio da isonomia pela formulação de provas com o mesmo nível de abrangência e dificuldade. De qualquer forma, tem o Ministério que defrontar-se, agora, com desconfortáveis pedidos de anulação.

Casos como esse, e outros, só robustecem minha opinião de que o ENEM, sem perder as suas características e mantendo os seus objetivos, poderia e deveria ser regionalizado.  Em um país de dimensões continentais como o nosso e para um universo que, neste ano,  esteve em torno de cinco milhões de candidatos, será sempre possível que ocorram situações pontuais em que os prejudicados propugnem pela anulação integral do concurso. A regionalização constituiria a diversidade, mas mantida a unidade, porque a TRI, complexo modelo matemático de aplicação eficaz em muitas partes do mundo, permite a efetiva comparação entre indivíduos da mesma população que tenham sido submetidos a  provas diferentes.

Em ocasião anterior, já tive oportunidade de externar minha posição favorável ao ENEM, pelo que ele traz de novo para o cenário da educação. Sou totalmente contrário à volta do vestibular tradicional. O ENEM traz em si sementes que, prosperando, tendem a alterar o comportamento das escolas, do ponto de vista metodológico e pedagógico. A partir de matrizes de competências e habilidades, o ENEM está ditando uma  nova forma de propor questões,  calcadas em princípios de contextualização e de interdisciplinaridade que tentam afastar do que é cobrado a questiúncula inútil, o problema de algibeira ou as chamadas “pegadinhas”. Ele está obrigando, assim, a um repensar geral daquilo que se faz em sala de aula, provocando uma revisão do tradicional enfoque essencialmente “conteudístico” , substituído por um tratamento muito mais voltado para a formação de um competente “leitor do mundo”   do que para o estímulo aos recursos de memorização, a “decoreba” que a pedagogia moderna rejeita.

Podemos atestar esse viés mais amplo do ENEM na sua prova  de Linguagens:  o que até bem pouco tempo era, na tradição do vestibular, tão somente uma prova de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira transformou-se, no ENEM, em um conjunto coerente de questões que incorporam, além de aspectos linguísticos e literários propriamente ditos,  o processo de produção e recepção das Artes em geral, o exame dos  chamados gêneros digitais,  seu impacto e função social,  e a linguagem corporal, com suas práticas de integração social e formação da identidade.

Quem se debruçar com atenção na análise das questões propostas pelo ENEM, verificará, também, que elas se voltam para assuntos que permitem a caracterização da prova como uma “prova cidadã”, pelos objetivos de sua formulação.

Voltando à prova de 2011, vale mencionar, aqui, como elemento relevante do exame, a redação. O ENEM tem sempre proposto, em suas redações, temas de natureza social, que envolvem, além da análise crítica pelos candidatos – com argumentação que se quer consistente e coerente –  um posicionamento que encaminhe soluções de intervenção .  O tema, agora, foi “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”. Como sempre faz, a banca disponibilizou “textos motivadores” e solicitou que fosse apresentada, em um trabalho dissertativo-argumentativo com uso da norma padrão, “proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos”.

Esse é um tema muito caro ao jovem, muito próximo a ele e sobre o qual , no geral,  possui domínio que lhe permita escrever com propriedade a respeito. Além disso, a  própria prova abriu um leque de opções para desenvolvimento do assunto, por meio dos  textos auxiliares  que serviram de “dicas” para diferentes caminhos de abordagem. Enquanto um deles mencionava o acesso à rede como um direito fundamental do ser humano (declarado pela ONU) e falava da  mobilização mundial no sentido do  acesso livre e gratuito, outro procurava explorar, com dados estatísticos, a crescente participação das pessoas em redes sociais, como “parte da própria socialização  do indivíduo do século XXI”.

Não faltaram aos textos, contudo, elementos propícios ao juízo crítico sobre a Internet, em afirmações que convidavam os usuários a “saber ponderar o que se publica nela” ou advertiam quanto ao fato de que a rede – sendo social –  não pode acobertar anonimato, devendo os que extrapolam os limites do razoável pagar caro pelas suas ações. Uma “tirinha” que também compôs o rol dos textos auxiliares levava a pensar – com humor cáustico – em como se estão estabelecendo na sociedade,cada vez mais, mecanismos de monitoramento das pessoas.

É claro que não se podem  esquecer, aqui em nosso país,  os milhões de ainda excluídos das redes sociais, aqueles aos quais ainda é negada a inserção plena na sociedade e o amplo acesso ao mundo que a internet possibilita. E é evidente, por isso mesmo, que muitos dos nossos jovens participantes da prova do ENEM devem ter apresentado, no tratamento do tema, uma visão mais restrita do que aqueles que têm nas redes sociais algo pertinente ao seu cotidiano. Pertinente e muitas vezes  perigoso, pela tensão entre a  conveniência de, em nome da segurança pessoal,  observar-se uma certa privacidade, e a necessidade, marca do tempo em que vivemos,  de uma exposição escancarada de hábitos e posturas. De qualquer forma, por carência ou até por excesso, todos devem ter tido o que dizer.

Não resisto, aqui, a uma observação final:  como educador no Rio de Janeiro, onde o acesso é mais amplo,  percebo –  assunto, talvez, para outra coluna –  que a internet,  embora esteja efetivamente incorporada ao dia a dia dos jovens em geral como instrumento que facilita a aproximação em torno de  interesses comuns (através do Orkut, MSN, Facebook, Twitter), ainda não atua conforme se espera na ampliação do universo cultural dos alunos ou como veículo auxiliar dos seus estudos, seja porque ainda é tênue a sua presença como recurso institucional disponível  no próprio ambiente escolar, seja porque no âmbito doméstico predomina, por parte dos pais, a omissão quanto a estímulos  nesse sentido. Há quem diga até que a internet está minimizando o hábito da leitura regular dos bons textos literários e contribuindo para que os jovens escrevam menos, quantitativa e qualitativamente. De qualquer forma, e como muitos já disseram repetidas vezes, o problema não está na internet, esse excepcional veículo de integração, mas no uso restrito e às vezes pouco positivo que dela se faz.

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Sobre o autor deste artigo

Rodolpho Motta Lima

Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

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“Os especialistas e a “mão na massa”: Dados de 11 países da América Latina revelam que evasão e baixo aprendizado são maiores no ensino médio

Posted by Liberdade Aqui! em 27/09/2011

Evasão e baixo aprendizado são crônicos na América Latina

Enviado por luisnassif, ter, 27/09/2011

Por Por que seríamos melhor??

Comentando o post “Os especialistas e a “mão na massa””

Do Globo.com

Dados de 11 países da América Latina revelam que evasão e baixo aprendizado são maiores no ensino médio

O ensino médio encabeça as muitas urgências educacionais da América Latina. É nessa fase da vida escolar que se dão as maiores taxas de evasão e repetência, as principais deficiências de aprendizado e os mais graves problemas relacionados a currículos desatualizados e pouco afins à realidade sociocultural dos adolescentes. Esse é o quadro que emerge depois de analisados dados de 11 países da região, reunidos pelos jornais que compõem o Grupo de Diários América (GDA), O GLOBO entre eles.

Com diferentes ímpeto, velocidade e eficácia, governos latino-americanos têm levado a cabo tentativas de reformas e melhorias na qualidade da escola secundária. Na maioria dos países os resultados são parciais ou pouco visíveis, num cenário que evidencia desigualdades sociais, econômicas e regionais.

Chamam a atenção as diferentes avaliações, nacionais e internacionais (como o Pisa, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE), das quais a maioria dos países participa, com resultados muito díspares – e quase sempre insuficientes. O próprio uso dessas provas varia bastante: enquanto alguns difundem publicamente os resultados e os usam como referência para suas próprias avaliações, caso de Brasil e Chile, outros os criticam, caso da Argentina.

Desigualdades sociais e econômicas contribuem para o problema. Na Colômbia, o número de matrículas subiu 20% na última década, mas 428.302 jovens estão fora do sistema, sobretudo em função da necessidade de trabalhar. No México, a cobertura da escola secundária cresceu de 48% para 66% em dez anos, mas só 45% dos jovens de 19 a 24 anos concluíram esse nível, o que coloca o país abaixo de Chile (80%), Venezuela (62%) e Brasil (57%).

– Há mais de sete milhões de jovens mexicanos que não estudam ou trabalham. Sete em cada dez não conseguem cursar uma faculdade, e há mais de 550 mil jovens analfabetos – disse o reitor da Universidad Nacional Autónoma de México (Unam), José Narro Robles.

Estar na escola nem sempre assegura o aprendizado: ainda no México, depois de permanecer 12 anos no sistema educativo, 80% dos jovens só sabem fazer operações matemáticas básicas, e metade tem níveis baixos de leitura, índices similares aos verificados no Brasil.

Muitos países começaram, nos últimos anos, a propor reformas para o ensino médio. Na Argentina, está em marcha o plano “Secundaria para todos”, que visa a reformular os conteúdos das matérias, institui a figura dos tutores para acompanhar o rendimento dos alunos e integra atividades esportivas, artísticas e comunitárias à escola.

Avaliações geram polêmica

Historicamente, a maioria dos conflitos entre sindicatos de docentes e governos se deu por conta dos baixos salários. Nos últimos anos, porém, os problemas se relacionam a iniciativas oficiais para avaliar os professores e vincular seus salários e sua mobilidade aos resultados. É o caso do Peru, onde as primeiras provas, a partir de 2008, mostraram que metade dos professores não conseguia fazer cálculos aritméticos simples. Este ano, só 11% foram aprovados.

No Brasil, não há avaliações para docentes, mas o governo federal planeja implementar uma prova já em 2012. Atualmente, alguns benefícios dos $são vinculados ao desempenho dos alunos em estados como Rio de Janeiro e Pernambuco. Na Argentina, onde o salário do professor se define por tempo de carreira, e os sindicatos são reativos à ideia das avaliações, o governo não pensa em instituí-las por enquanto.

Em todo caso, o magistério continua a ser uma profissão de baixa valorização social na região. No Uruguai, metade dos que ingressam nos institutos de formação fracassou antes em carreiras universitárias. As matrículas em cursos de formação de professores caíram 30% nos últimos três anos. Em Porto Rico, um estudo revelou que só 24,9% dos professores estão satisfeitos com seu salário e apenas 11,1% creem que a sociedade valoriza seu trabalho.

Para compensar, no Chile, a presidente Michelle Bachelet criou em 2009 a prova Inicia, um diagnóstico voluntário do nível de preparação dos bacharéis em Pedagogia que deve se tornar obrigatório, com impacto no salário inicial dos professores da rede pública. Este ano estreou um programa de bolsas para alunos de Pedagogia. A medida se diluiu na onda de protestos por melhor educação que sacode o país há dois meses.

Já há alguns anos, o conceito de qualidade educativa se tornou prioridade para especialistas e profissionais ligados ao ensino. Por isso, as medições que refletem melhoras ou diagnosticam problemas são uma constante no debate. O uso que se faz delas, porém, varia.

O Brasil, por exemplo, criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que $escala de 1 a 10 e se calcula assim: metade da nota provém das provas nacionais de avaliação de leitura e matemática; a outra, do índice de aprovação dos alunos no final do ano letivo. A meta do MEC para 2021 é um Ideb 6, média dos países da OCDE no Pisa 2003. Em 2009, o Ideb para os primeiros anos do ensino fundamental foi 4,6.

A maioria dos países tem avaliações de rendimento. Em Porto Rico, segundo a lei norte-americana “No child left behind” (algo como nenhuma criança para trás), há uma prova padronizada de progresso acadêmico dos alunos. Cada escola que não cumpre suas metas entra num plano de melhorias levadas a cargo por empresas privadas. Já na Venezuela, a última avaliação ocorreu há sete anos, e os resultados não foram divulgados.

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“Sou fã da internet. Graças a ela, confiro datas, citações e muito mais, cada vez que escrevo…”

Posted by Liberdade Aqui! em 15/08/2011

VIA PORTAL NASSIF

Os blogs, por Janine Ribeiro

Enviado por luisnassif, seg, 15/08/2011 – Do Valor

A internet não é tão democrática

Renato Janine Ribeiro
15/08/2011

Sou fã da internet. Graças a ela, confiro datas, citações e muito mais, cada vez que escrevo. Descubro autores e ideias novas. Tenho, claro, que tomar cuidado com o que leio, porque há informações sem conhecimento, afirmações sem base. Mas também acho democrático que a rede permita difundir valores que antes não tinham lugar. Um jornal é um produto caro, por seus custos industriais e de distribuição. Daí que seja difícil fazer um jornal, como antes se dizia, alternativo. Já um blog pode ser barato – e servir de contraponto aos jornais maiores, expondo valores diferentes (como os blogs de esquerda fazem, no Brasil), oferecendo análises, algumas delas boas, ou, ainda, produzindo informação própria (o que é o mais raro – só lembro o caso de Geisy Arruda, revelado pelo Boteco Sujo).

Mas a maior esperança que muitos tiveram, inclusive eu, foi que a internet se mostrasse uma grande ágora, o espaço de uma cidadania global, um fórum de democracia quase-direta. A palavra grega – que significa a praça onde os cidadãos deliberam sobre assuntos públicos – parecia caber perfeitamente ao terreno virtual, em que todos adquirem igual cidadania e debatem temas de interesse geral. Ao pé da letra, a internet é republicana, porque abre lugar para a “res publica”, a coisa pública. Assim, quando concorri à presidência da SBPC, em 2003, criei uma página na Web para a campanha; ela até surtiu efeito, pois tive uma boa votação (tratei do assunto em meu livro “Por uma nova política”, Ateliê editorial).

 

p>OraoOra, o que lamento é que, ao contrário do esperado, o espaço virtual exponha pouca divergência e pouca reflexão. Quase sempre, escreve num blog quem compartilha as ideias do blogueiro. Esse é o primeiro problema. A internet é democrática porque torna mais fácil surgir a divergência, limita o quase-monopólio da mídia tradicional, impressa ou não – mas a divergência que ela admite está no confronto entre os sites, não dentro de um site que seja, ele mesmo, democrático. Ou seja, a internet é democrática porque encontramos URLs para todos os gostos – mas não porque algum portal abrigue uma discussão inteligente sobre um assunto de relevo. A democracia dela está em que os vários lados têm como e onde se expressar. Mas não está na tolerância. A internet é democrática na luta entre os sites – não dentro deles, embora alguns tentem, heroicamente, fazer funcionar a democracia do debate e do respeito mútuos. 

Os leitores são mais radicais, às vezes, que os próprios blogueiros. Vejamos o blog de Luis Nassif que, por exemplo, não esconde seu respeito pelas “raposas políticas” mineiras e publica posts de quem diverge dele. Só que os comentários dos leitores estão, na maioria, divididos entre a condenação, a ridicularização e a acusação. O debate esquenta, mas isso não quer dizer que os leitores respeitem a opinião alheia. Isso também acontece em órgãos da imprensa. É comum os leitores radicalizarem a posição do jornal ou do blog.

Até aqui, discuti o caráter pouco democrático – considerando um aspecto fundamental da democracia, que é o respeito ao outro, a liberdade de divergir – da internet. Mas há outro ponto importante. É que a democracia funciona melhor quando ela é produtiva. Em outras palavras, se a democracia não melhorar as condições de vida mas, ao contrário, piorá-las, nosso apreço por ela dificilmente se manterá. É triste lembrar isso, mas a democracia não é fim em si. Quando a República de Weimar levou a Alemanha a um impasse, deu no nazismo. Os constitucionalistas aprenderam com isso e as constituições recentes evitam ao máximo as falhas que permitiram o advento do regime mais criminoso da história moderna.

A questão, então, é: a internet, enquanto espaço em que se exprimem diferentes opiniões, não tanto no interior de cada unidade sua (portal, blog, site), mas delas entre si, é produtiva? Ela gera ideias novas, propostas, mudanças? Receio que pouco. Noto isso pela fraqueza da argumentação. É frequente haver comentários que são reações epidérmicas irritadas, imediatas, mais do que um pensamento. Nada proíbe as pessoas de se exprimirem. Nada as obriga, também, a pensar. Mas, quando se torna fácil divulgar urbi et orbi o que cada um acha, muitos sentem que é mais fácil escrever do que ler.

Hemingway dizia, de um desafeto: “He is not a writer. He is a typist”. Pois há pessoas que não escrevem, digitam. Ou que escrevem sem ter lido o assunto em pauta e, pior, emitem julgamentos peremptórios. Recentemente, notei isso quando postei no Facebook um artigo de um analista que respeito, colaborador aqui no Valor, e algumas pessoas o atacaram severamente. Direito delas. Mas uns três confessaram só ter lido minha chamada de 420 caracteres, não o artigo que estava linkado. Ora, como se pode julgar algo ou alguém sem ler? Por espantoso que pareça, esse pequeno fato transmite a impressão de que é mais fácil escrever do que ler. Fácil, talvez seja; mas não quer dizer que seja melhor. Sempre houve mais leitores do que escritores. A internet inverte esse dado, talvez, mas ganha-se com isso? É perigoso quando as pessoas nem escutam direito o pensamento dos outros.

Em suma, o que falta para a internet ser o tão almejado espaço de criação democrática de ideias e projetos? Primeiro, o respeito ao outro. Segundo, uma argumentação racional. Não basta reagir com o fígado. Talvez, terceiro, seja preciso tempo: ler com atenção, refletir, só depois postar. A internet favorece a imediatez. Isso não ajuda a amadurecer o pensamento. Mas ela continua sendo uma arma poderosa, notável. Só que é preciso melhorá-la, e muito.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

E-mail rjanine@usp.br 

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