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As origens do Totalitarismo moderno e das práticas de controle do pensamento no século II com a institucionalização da Igreja

Posted by Liberdade Aqui! em 03/04/2012

Via Portal Nassif

Religião e as origens do totalitarismo moderno

Enviado por luisnassif, ter, 03/04/2012 – Autor:  

O livro “The New Inquisitions” do professor da Michigan State University Arthur Versluis localiza as origens do Totalitarismo moderno e das práticas de controle do pensamento no século II com a institucionalização da Igreja Católica e o surgimento da ortodoxia que iria identificar heresias e hereges. As primeiras vítimas foram os gnósticos, herdeiros de uma anterior tradição religiosa pluralista. Se no passado os Impérios dominavam exclusivamente recursos naturais e escravos, a partir da Igreja Católica em II DC surge também a necessidade do controle do pensamento, aprimorado até chegar à Inquisição no século XII. Hoje não são mais necessárias câmaras de torturas já que a Internet e redes sociais tornaram os pensamentos mais acessíveis do que nunca.

A institucionalização da Igreja historicamente se fundamentou na ortodoxia que criaria figura do “herege” e a identificação das “heresias”. Mas antes do Cristianismo institucionalizado havia outro modelo bem diferente.

Olhando para o cristianismo oriental e, mais a leste, para as religiões da Índia, China e Tibet havia toda uma tradição muito mais pluralista: o Hinduísmo abrigava uma variedade de tradições (vedanta, védica, tântrica etc.); o pluralismo chinês onde budismo, taoismo e confucionismo conviviam lado a lado.

No Cristianismo primitivo havia também um modelo pluralista fundamentado nas antigas tradições da Ásia (Platonismo, Hermetismo, misticismo judaico etc.) que foi denominado “Gnosticismo” porque a sua unidade não era dada por uma forma externa – organização burocrática ou histórica – mas por um conhecimento interior, a “gnosis”.

Mas tudo mudou com a institucionalização da Igreja no século II DC: os padres da primeira Igreja como Tertuliano de Cartago pressentiram a necessidade de racionalizar os dogmas da religião através de termos como “ortodoxia” oposta da “heresia”. Pela primeira vez surge a necessidade do controle do pensamento por meio de uma forma de Poder. Além de conquistar terras, escravos e riquezas, pela primeira vez as estratégias políticas de dominação passaram a ter necessidade de reprimir por diversos instrumentos qualquer pensamento divergente da norma. Essa é a origem das modernas formas de Totalitarismo como o fascismo, nazismo até instrumentos contemporâneos da “nova inquisição” como as redes sociais na Internet e teorias conspiratórias como a “illuminatifobia”.

Essa é a tese fundamental do livro “The New Inquisitions: Heretic-Hunting and the Intellectual Origins of Modern Totalitarism” de Arthur Versluis, professor do Departamento de Estudos da Religião da Michigan State University. Reproduzimos abaixo uma ótima resenha de Miguel Conner (escritor norte-americano de sci fi e editor/apressentador do programa radiofônico “Aeon Bytes Gnostic Radio” – programa de debates e entrevistas semanais sobre temas do Gnosticismo, literatura e cultura pop) sobre o livro.

Conner vai destacar que os gnósticos (representantes de uma era de tradições religiosas mais pluralistas) foram os primeiros alvos dos dispositivos inquisicionais aprimorados durante séculos pela Igreja, cuja continuidade secularizada encontramos na pós-modernidade: “o inquisidor moderno não exige mais câmaras de tortura ou vizinhos delatores quando a Internet, mensagens eletrônicas, redes sociais e outros meios de comunicação fizeram os pensamentos do público mais acessível do que nunca.” Basta apenas que as ideias fascistas e de intolerância encontrem uma tradução política no Estado.

AS ORIGENS DO TOTALITARISMO E DO CONTROLE DE PENSAMENTO
Miguel Conner

A maioria das pessoas conhecem termos como ‘orwelliano’, ‘Politicamente Correto’, Patrulhamento Ideológico”ou ” Admirável Mundo Novo “, bem como os sistemas opressivos seculares e religiosos ao longo da história que os inspiraram. Apesar desses mecanismos que matam a individualidade serem construções relativamente modernas, não são apenas tão antigos quanto o Cristianismo, mas na verdade se originaram com o Cristianismo!

Mais surpreendente talvez seja saber que certas facções do cristianismo estão utilizando esses mecanismos até hoje. Em seu livro seminal, “The New Inquisitions”, Arthur Versluis, propõe que foi a caça à heresia promovida pelos pais da igreja primitiva que deu origem ao DNA que estruturou, muito mais tarde, as instituições totalitárias e o Estado policial. O desprezo cego destes bispos contra seus adversários teológicos, principalmente os gnósticos, acrescentou uma dimensão infernal às formas de controle sociais que poderiam ser aplicadas a seus súditos.

Antes do surgimento da figura do herege, impérios conquistaram quase que exclusivamente recursos naturais, escravos e prestígio, mas a maioria das nações subjugadas tinha a permissão de manter suas crenças nativas, costumes e ideologias. A perseguição religiosa dentro de um império geralmente surgia quando um sacerdote ou nobre – representantes na Terra de deuses específicos – iniciavam alguma forma de insurreição.

Os exemplos são numerosos: os egípcios pemitiram que os israelitas e outras raças escravizadas existissem livremente como cultura; os babilônios isolavam o clero judaico das massas em uma espécie de prisão em um clube de campo; e os romanos eram famosos pela liberdade religiosa, desde que tanto cidadãos quanto estrangeiros obedecessem às leis, pagassem impostos e jurassem a santa fidelidade ao Imperador. Recompensa ou punição era geralmente aplicada por causa do comportamento de um indivíduo ou grupo.

Tertuliano de Cartago: polemista
contra a heresia viu a necessidade
de racionalizar os dogmas cristãos

De acordo com Versluis, uma mudança sísmica ocorreu no século II DC, quando o Cristianismo começou a solidificar-se como uma religião organizada ao invés de múltiplas seitas independentes.

Padres da Igreja como Irineu de Lyon e Tertuliano de Cartago viram a necessidade de racionalizar os dogmas de sua religião a fim de ganhar respeitabilidade dentro do Império Romano. Dissidências ou especulações autônomas poderiam ameaçar a própria sobrevivência do cristianismo (pelo menos essa era sua razão de ser).

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