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A religião nasceu da união de reverência e necessidade… O ser humano é um animal acreditador.

Posted by Liberdade Aqui! em 12/12/2011

Via Conteúdo Livre

Marcelo Gleiser – Acreditar é humano

 
A religião nasceu da união de reverência e necessidade. E, assim, continua definindo como a maioria vê o mundo

O ser humano é um animal acreditador. Talvez esse seja um bom modo de definir nossa espécie. “Humanos são primatas com autoconsciência e a habilidade de acreditar.” Já que ” acreditar” sempre pede um “em quê?”, refiro-me aqui a acreditar em poderes que transcendem a percepção do real, algo além da dimensão da vida ordinária, além do que podemos perceber apenas com nossos sentidos.

Eu me pergunto se a necessidade de acreditar em algo (não uso a palavra “fé”, pois essa tem toda uma conotação religiosa) é consequência da consciência. Será que outras inteligências cósmicas também acreditam?

Parece que somos incapazes de viver nossas vidas sem acreditar na existência de algo maior do que nós, algo além do “meramente” humano. Bem, nem todos nós, mas a maioria. Isso desde muito tempo. Para os babilônios e egípcios, os céus eram mágicos, a morada dos deuses, ponte entre o humano e o divino. Interpretar os céus era interpretar mensagens dos deuses, muitas vezes dirigidas a nós mortais.

Essa divinização da natureza é muito mais antiga do que a civilização. Pinturas rupestres, os símbolos mais antigos da expressão humana, já demonstram a atração que nossos ancestrais nas cavernas tinham pelo desconhecido, sua reverência por poderes além de seu controle. As pinturas de animais representavam encantamentos, uma mágica gráfica criada com o objetivo de auxiliar os caçadores em sua empreitada, cujo sucesso garantia a sobrevivência do grupo.

Fico imaginando o poder que essas imagens -que dançavam à luz do fogo- exerciam sobre o grupo reunido na caverna, uma tentativa de recriar a realidade para ter algum controle sobre ela. A religião nasceu da combinação de reverência e necessidade. E assim continua, definindo como a maioria dos humanos vê o mundo.

Mesmo após termos desenvolvido meios para explorar fontes de energia da natureza, estamos ainda à mercê dos elementos. Muitos chamam enchentes, tornados, erupções vulcânicas ou terremotos de atos divinos, representando forças além do nosso controle.

A ciência, claro, atribui esses desastres a causas naturais, o que acarreta abandonar a crença de que a fé pode nos ajudar de alguma forma a controlá-los. Fica difícil, hoje em dia, rezar para o deus do vulcão ou para o deus da chuva.

Esse é um desafio para a ciência e para os seus educadores: a ciência pode explicar, às vezes prever e, até certo ponto, proteger-nos de desastres naturais. Porém, não pode competir com o poder da crença na imaginação humana, mesmo na completa ausência de evidência de que possa nos proteger contra desastres naturais.

O mundo estava cheio de deuses no início da história da nossa espécie e, para muitas pessoas, assim continua. A resposta, parece, não é tentar transformar a ciência numa espécie de deus, substituindo uma crença por outra, mas, ao contrário, mostrar que vidas podem ser vividas sem a crença em poderes divinos cuja intenção é nos manipular, seja para o bem ou para o mal.

Talvez a maior invenção da vida na Terra tenha sido essa espécie de primatas com a capacidade de imaginar realidades que a transcendem.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de “Criação Imperfeita”. Facebook: http://goo.gl/93dHI

2 Respostas to “A religião nasceu da união de reverência e necessidade… O ser humano é um animal acreditador.”

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  2. rogerson said

    mostrar que vidas podem ser vividas sem a crença em poderes divinos cuja intenção é nos manipular, seja para o bem ou para o mal.)

    MARCELO, acho louvável sua insistência em seus artigos para “combater” ou desacreditar aqueles que creem em poderes divinos, pois muitos realmente são manipulados. PORÈM, consideraria muito mais louvável e útil para o atual estágio em que se encontra a humanidade, voce canalizar essa energia para despertar a humanidade quanto aos efeitos maléficos dos hábitos de vida contemporaneos, muitos destes induzidos pela tão venerada “ciência”( capturada pelo capital e que manipula p o bem e p o mal) e vcs cientistas do bem sabem, mas ficam omissos.. a natureza está respondendo cientificamente… quando vcs cientistas vão se mexer?? vcs que teem mais poder de convencimento já deveriam estar mais ativos nestas questões e não perdendo (sem desmerecer seus artigos “contra” a fé alheia) tempo com questões que na maioria das vezes prejudica apenas o indivíduo, enquanto a natureza revolta( e com razão) mata milhares de pessoas indistintamente.. pense..por favor não se ofenda…realmente estou preocupado.

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