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Sobre a discussão na USP: o preconceito nas discussões

Posted by Liberdade Aqui! em 09/11/2011

Via Portal Nassif

O preconceito nas discussões sobre a USP

Enviado por luisnassif, qua, 09/11/2011

Por guilhermebircol

Envio-lhe um texto que escrevi há alguns dias. Publiquei apenas a alguns amigos, mas depois de ler uma reportagem da Veja, entitulada “A Rebelião dos Mimados”, não posso deixar de expressar minha opinião acerca dos preconceitos de ambos, estudantes e dirigentes. O problema é que os primeiros não são ouvidos, enquanto que os outros possuem seus próprios veículos de informação.

Sobre a discussão na USP

O preconceito é uma constante nas discussões sobre a permanência ou não da PM na USP. E mais, o preconceito aparece tanto entre os estudantes, como entre os dirigentes. Os primeiros afirmam que a polícia é repressora e corrupta, capaz de acabar com a liberdade de expressão dentro da universidade. Já os dirigentes se esforçam em passar uma imagem de que a reitoria foi invadida por “vagabundos” que só se preocupam em fumar maconha.

Há uma diferença entre PM e Repressão. Quem repreende não é a PM, mas os representantes do estado que os enviam para a linha de frente. A PM é uma ferramenta, que apesar de possuir um ideário característico e muitas vezes condizente com certas atitudes consideradas “abusivas”, não é responsável pela tomada de decisão. Essa ferramenta também é responsável pela segurança do estado. Sim, há falhas na segurança, assim como há falhas em qualquer outro setor brasileiro. Dizer que a PM é corrupta é atacar uma instituição inteira, sem deixar espaço aos policiais honestos que nela trabalham. É dizer que o estado inteiro está desprotegido, já que a corrupção permeia todo contingente da polícia. Tiremos então toda polícia de circulação. Será que essa realmente seria uma boa solução?

Há quem diga que a polícia não é onipresente e que outras soluções devem ser discutidas. Concordo plenamente: a polícia não é onipresente e outras soluções devem ser consideradas. Porém, não essas assertivas não são argumentos coerentes. Não é porque a policia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo que ela é ineficiente. O policiamento reforçado pode sim inibir atitudes criminosas. Do mesmo modo, discutir novas alternativas para a segurança não necessariamente exclui totalmente a polícia do espectro de decisão. Discutamos sim outras alternativas, mas incluindo a possibilidade da PM no campus.

Há também uma diferença entre a “legitimidade” e a “legalidade”. A primeira representa a opinião (entenda-se moral) defendida por uma maioria, em um determinado local e um determinado tempo. Já a segunda refere-se a essa mesma opinião/moral, mas que de tão contundente foi declarada como lei. Nenhuma lei é perpétua; existe o tempo de prescrição, que reflete as mudanças no pensamento comum entre as gerações. Atualmente, fumar maconha é ILEGAL (i. e. crime previsto por lei). Se esse conceito é ilegítimo ou não, deve-se discutir.

Contudo, dizer que todo movimento se baseia em torno de três alunos que foram enquadrados fumando maconha é uma visão reducionista e preconceituosa. É necessária uma contextualização dos problemas que a USP tem sofrido ultimamente para se obter uma análise multicriterial e “sustentável”. Como sabido por todos que nesta instituição estudam, os processos de tomada de decisão são todos baseados na escala de hierarquia da universidade. Em outras palavras, aqueles que possuem cargos mais altos mandam mais. Os alunos não têm representatividade em quase nenhuma entidade gestora, assim como o segmento dos funcionários. Sim, deve haver dirigentes democráticos em alguma parte da USP, apesar de eu não conhecer muitos dirigentes, sendo que nenhum deles é democrático (no meu entender). Muitas entidades estudantis sofrem com problemas de representatividade, desde atléticas até centros estudantis.

Muitos veículos de informação não se esforçam em obter todas as opiniões das partes nessa querela. Passam a imagem de que os estudantes são ou “vagabundos”, ou “maconheiros”, ou “riquinhos e filhinhos de papai”. Um “meme” da internet já apareceu mostrando que alguns estudantes usam roupas da marca “GAP” e “Ray-ban”. Outro mostra um rapaz entrando num carro de marca durante a ocupação. Duas coisas: agora rico não pode protestar também? E a segunda: caso a riqueza tivesse alguma relação com a impossibilidade de se protestar, esses são 2 em um universo de mais de 1000 alunos que se reúnem nas assembleias. Esse é outro preconceito que descaracteriza totalmente o movimento, fazendo com que o “estudante” seja visto como uma praga por grande parte da população. Já disse em outra oportunidade: nesse movimento há trabalhadores e não trabalhadores, pessoas com diversas ideologias e crenças, que fumam e não fumam maconha, que são ricos e pobres, pretos e brancos, azuis e roxos. Generalizar todo o movimento é dizer que a opinião não é importante para a sociedade. Acabemos então com todos os estudantes, afinal, eles não são importantes mesmo, correto?

Caímos então em um paradoxo sem fim; em um labirinto que tem entrada, mas não tem saída. Os estudantes querem discutir outras alternativas, mas não consideram TODAS as alternativas (PM no campus). Mas ao mesmo tempo, não possuem voz no campus e grande parte dos que mandam se esforça, por meio de alguns veículos de informação, para difamar, reduzir e descaracterizar os estudantes. E agora?

Acredito que subtrair os preconceitos da discussão é o primeiro passo. A PM no campus é uma opção e os estudantes devem ter representatividade. A discussão não acaba aí e com certeza continuará inflamada, mas essa inflamação será ideológica, que pode levar a uma decisão robusta e coerente.

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