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USP e o elitismo elitista

Posted by Liberdade Aqui! em 29/04/2011

Via Portal Luis Nassif

A discussão sobre vestibular da USP

Enviado por luisnassif, sex, 29/04/2011 – Por Pedro Germano Leal

O vestibular já é um critério arbitrário e elitista. O que a USP está fazendo é assumir a própria incompetência: i.e. garantir àqueles que adentram a universidade uma formação de qualidade. Só isso pode justificar uma atitude tão contrária ao espírito acadêmico e republicano.

Diminuir o número de estudantes é tão-somente jogar dinheiro público fora e afrontar a sociedade. A USP está sendo pensada como um pequeno feudo, e isso não está de acordo com o conceito de ‘universidade’.

Ora! Qual o estudo que aponta a falta de qualidade dos estudantes? Qual é o critério que demonstra a necessidade do que está sendo feito? Ameaçar a formação de cidadãos, contribuintes, que se justifica apenas por um elitismo provinciano é uma vergonha.

O número de estudantes, ou a qualidade deles, é que vai conferir quaiidade a USP? Não me façam rir! Os esudantes de graduação são o lado mais fraco da corda, não tem autonomia nem poder algum para elevar ‘o nível’ da universidade. E a pós-graduação não tem o mérito como critério de entrada, infelizmente, e sim um sistema de camarilha e pontos, para definir seus ingressos.

Basta. Enquanto se espera que uma universidade se expanda e lance suas asas sobre toda a sociedade, ‘iluminando-a’ sob a luz da ciência, esse tipo de atitude apenas demonstra os passos dados atrás por SP e seu governo medieval (lembrando que a autonomia da USP é meio um mito).

Enquanto isso, SP vai perdendo seu autoconferido status de ‘locomotiva do Brasil’: o país tem  aprendido que aprender que para crescer é preciso generosidade, solidariedade, e que não é um punhado de iluminados que vai levar esse país adiante (como muitos querem crer), mas a sociedade inteira.

De que adianta ter, como aqui no Reino Unido, ensino de excelência se ele é dedicado apenas a um punhado de ricos britânicos e uma avalanche de sheiks e príncipes estrangeiros? De que adianta não formar a população como um todo? De que adianta transformar as universidades em caixas eletrônicos (é o que está acontecendo aqui) e destruir, por exemplos, departamentos inteiros de línguas e culturas modernas?

Só o que pode justificar isso é um rompante conservador que não se manifeta apenas em moeda, mas também na cultura como ente econômico. Quer-se um mundinho em que ‘iluminados’ voltem a ditar as regras do universo.

A USP deve estar querendo voltar para o ranking patético das universidades. Apesar de toda o conhecimento depositado ali, não foram capazes de perceber que esses rankings não tem a universalização do conhecimento como fundamento: é tão válida para determinar a relevância de uma instituição quanto a lista dos 10 livros da revista veja. Não passa de um lobby medíocre, que a USP parece querer imitar. E tornar-se um clichê da mediocridade é tudo o que a ciência brasileira deve evitar para vir a se tornar uma potência.

Nossa cópia malajambrada do modelo americano universitário já está mais do que obsoleta. É preciso criar um modelo brasileiro, sintonizado com os interesses da cultura e da ciência nacional. Mas mexer no malfadado sistema de pontinhos (que medem apenas a capacidade de ingressar em panelas e defender a própria mediocridade com uma suposta produtividade – como se fosse mais importante para o desenvolvimento científico nacional 100 artigos medíocres que 1 genial), ninguém tem coragem de mexer. Trata-se, sim, de um privilégio bizantino e vergonhoso, que estimula o troca-troca de autores de artigos e livros no país, caracterizado pelos alpinistas acadêmicos (que optam por subir uma montanha que não é de conhecimento, se é que vocês me entendem).

Ética, solidariedade, sentimento da função pública, honestidade, transparência, lógica e clareza: todas essas são preocupações que a USP deveria ter em mente, ao contrário desse plano lamentável.

Por Felipe Kamia

Como estudante de escola pública acredito poder dar uma opinião de dentro do sistema.

É óbvio que os alunos devem apresentar uma condição de aptidão mínima para entrar nas universidades, principalmente as de ponta. Nesse sentido, aumentar a percentagem de acertos mínimos na primeira fase é uma boa política. Entretanto, o aumento da dificuldade dos vestibulares, principalmente se for refletido em aumento na exigência de conhecimentos específicos, como o correto funcionamento do “complexo de golgi” ou o pleno conhecimento dos radicais de química orgânica” não acrescenta nenhuma qualidade no estudante.

Concordo que o vestibular é um dos poucos meios onde podemos classificar a grande quantidade de alunos. Entretanto esses vestibulares devem se tornar mais dinâmicos, mais interdisciplinares e baseados cada vez menos em conhecimentos específicos. O modelo ideal de vestibular era o aplicado anteriormente pela UNICAMP, baseado fortemente na capacidade discursiva do aluno. As alterações recentes, com introdução de teste ao invés das questões discursivas diminui a qualidade da prova da Unicamp, mas felizmente essa falha foi contornada com a exigência de 3 redações.

Por fim, fica uma constatação. Nem sempre os alunos brilhantes, que passam nas primeiras posições do vetibular se tornam os melhores alunos na faculdade. Cansei de ver alunos de escolas públicas brilhantes, por conta de suas capacidades interdisciplinares excelentes e estudantes que “detonam” no vestibular irem mal, por conta do tipo de preparação para o vestibular com base na “decoreba”.

O que realmente vai tornar uma universidade de ponta ou não é a capacidade de tornar esses estudantes em pesquisadores. Isso só acontece se a própria universidade der plenas condições para que todos que se interessarem por pesquisa realmente possa pesquisar. Cansei de ver alunos de menor renda, que gostariam de pesquisar, ter que trabalharem para se manter na faculdade. O que precisamos é de bolsas e mais bolsas de estudo para o pesquisadores, desde a iniciação científica ao pós-doc.

Os legisladores adoram encontra soluções mirabolantes para a questão da educação quando a solução está bem aqui. Valorizemos o conhecimento e ele crescerá! Todo estudante deveria ter o direito de gerar pesquisa, e quase todos deveriam ter o direito de receber o mínimo aceitável para fazer isso. Nenhum estudante deveria ter que sacrificar sua vida acadêmica, principalmente nas faculdade de ponta, para conseguir sobreviver enquanto cursa a graduação.

Só iremos ter melhores pesquisadores se conseguirmos atrair mais pesquisadores. Só iremos atrair mais pesquisadores se a pesquisa for atrativa. E isso claramente não é o que acontece hoje.

Por Jaime Balbino

Em primeiro lugar, excelência custa dinheiro e as particulares não se arriscam a investir sem ter retorno garantido. É uma lei do mercado, infelizmente, que somada a falta de cultura para inovação e boa vontade, viabiliza somente um modelod e negócio no ensino superior.

Em segundo lugar, não há dicotomia entre universidade “popular” e excelência. É um equívoco enorme da USP pensar em dificultar o vestibular para melhorar a qualidade dos seus cursos e dos seus formandos.

É óbvio que se a consequência for montar turmas menores e ter menos gente graduada a cada ano, a qualidade dos cursos e a dedicação da universidade a cada aluno vai aumentar. Sem falar no dinheiro investido na graduação, que será o mesmo, mas terá um artificial aumento per capita. No final, isso não terá nada a ver com vestibulares mais difíceis que geram alunos melhores.

Tudo o que a USP conseguirá com isso é a sua elitização, com nenhum benefício social, pois a quantidade de formandos “de excelência” continuará a mesma de qualquer ano anterior (só que mais caros), mas a quantidade de formandos “mediocres”, diminuirá.

(Agora, os alunos “mediocres” são realmente idesejáveis e ruins para o desenvolvimento do país?)

Se a USP não estivesse sendo reacionária e fascista, teria pensado em maneiras de colaborar com o ensino secundário para que este oferecesse mais e melhores candidatos a sua graduação. Com isso poderia planejar a contração de mais professores, a ampliação de cursos e pleitear mais investimentos do estado e privados que garantissem uma expansão da graduação com qualdiade.

O que a USP está fazendo é mau uso do dinheiro público, com a elitização do seus cursos visando um caminho fácil para driblar sua má administração. No passado, a UNICAMP ajudou a melhorar o ensino do 2o grau ao mudar seu vestibular (recuou nisso já há alguns anos) e agora a mesma UNICAMP está apelando ao recrutamento antecipados de estudantes pra serem “pré-graduandos” em seus cursos, garantido assim a formação de bons alunos na graduação. Pode não ser a mehor, mas é uma outra forma, mais humanística, de encarar o problema.

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