LIBERDADE AQUI!

Um Espaço de Liberdade de Expressão

O limite da fé

Posted by Liberdade Aqui! em 28/02/2011

Por Eduardo Guimarães

Antes de tudo, quero esclarecer uma coisa: considero que devem ser respeitadas todas as posições das pessoas que lutaram pelo projeto político que venceu a eleição presidencial do ano passado, sejam elas contra ou a favor do que vai se tornando um divisor de águas da política nacional, o armistício da presidenta Dilma com a oposição e a mídia.

Devido ao meu ativismo político, muitos, erroneamente, consideram-me um radical – o que nunca fui. Radicalizei com a mídia, chegando a promover atos públicos e ações na Justiça contra ela, só depois de, por anos, ter tentado, vez após outra, dialogar com os que passaram os oito anos do governo Lula tentando sabotá-lo.

Não me verão, portanto, xingando companheiros de luta que não viram nada de mais na aproximação de Dilma com a oposição e a mídia, que culminou com a participação dela na festa de 80 anos da Folha. Até porque, essas pessoas podem estar certas e eu, que como tantos outros companheiros considero um escândalo o que está acontecendo, posso estar errado.

Todavia, não posso me furtar a dizer o que penso. Até porque, se for aceitar patrulhamento é melhor parar com o blog. No momento em que tiver que escrever aquilo em que não acredito terei me tornado igual àqueles que critico, os paus-mandados da imprensa assumidamente golpista.

Já provei, aqui, que posso ser convencido a mudar de opinião se me mostrarem que estou errado. Para isso, no entanto, preciso de argumentos. E os que tenho recebido a favor da presença de Dilma no dito “rega-bofe” do principal braço do PIG na imprensa escrita e da relação dela com o resto dessa imprensa, não me convenceram nem um pouco.

Dizem, por exemplo, que ir à festa da Folha ou ao programa das garotas-propaganda do Cansei Ana Maria Braga e Hebe Camargo seria “estratégia” de Dilma. Mas que estratégia é essa? Seria, dizem, para não fazer desfeita se recusando a prestigiar os convites. Então pergunto: como o governo Dilma irá propor uma “ley de medios” se não quer contrariar o PIG?

Outros dizem que Dilma foi à festa da Folha para dar um “tapa de luva de pelica” no PIG. Minha dúvida: se foi isso o que aconteceu, por que o jornal não foi ao ataque nos dias seguintes e, ao invés disso, vem aumentando a intensidade dos elogios à presidenta? Ou será que o Otavinho não entendeu o “tapa” que teria levado?

Outra comparação imprópria é sobre o início dos governos Lula e Dilma. Quando Lula assumiu a Presidência, em 2003, o país estava arrebentado. A inflação e o desemprego estavam em dois dígitos e havia uma fuga de capitais que se estendia desde o primeiro ano do segundo mandato de FHC. O ex-presidente não podia reagir à altura às acusações de que era ele o causador do desastre que herdou do antecessor.

Ainda assim, Lula dava as suas estocadas, como no caso da Herança Maldita ou sobre o que os seus antecessores deixaram de fazer. Pouco mais adiante, há alguns anos, em entrevista à revista Piauí desancou a mídia tucana dizendo que não a lia e que jamais precisara almoçar com donos de jornais.

Comparações entre a presença do ex-presidente no enterro de Roberto Marinho e a presença de Dilma na festa da Folha tampouco me parecem fazer sentido. Roberto Marinho faleceu no primeiro ano do primeiro mandato de Lula, em 2003, ano de “lua de mel” entre o ex-presidente  e a mídia. As relações com ela só se agravaram no início de 2005.

Dilma recebeu um país organizado, com um governo montado em uma popularidade estratosférica, com uma oposição desarticulada e com representação parlamentar muito menor, praticamente sem condições de enfrentar a base governista. Além do que, ela está no poder desde 2003, enquanto que Lula, naquele ano, mal chegara ao poder.

O que mais tenho ouvido e lido para explicar a postura da presidenta, repito, são os termos “acho”, “talvez”, “quem sabe”, “pode ser que” etc., no que diz respeito à razão pela qual não apenas foi à festança da Folha, mas para explicar outros fatos que sinalizam uma sua vontade de se “entender” com as forças do atraso neste país.

É possível conseguir suposições para qualquer coisa, nesta vida. Contudo, essas sobre os motivos da presidenta para, até agora, ter endurecido com aliados – sindicalistas e PMDB – e amolecido com adversários – oposição imprensa – não me convencem, até porque são meras especulações contra fatos concretos.

Quero muito que o governo Dilma dê certo, mas quero deixar claro que não apoiei as idéias de Lula ou a candidatura de Dilma por causa do ex-presidente. Apoiei o ex-presidente e a candidata que escolheu pelas idéias dele e pelo governo que fez. Ou seja, eu jamais apoiaria um político sem saber por que estou apoiando, e é isso o que estou vendo acontecer com algumas pessoas respeitáveis.

Uma coisa posso garantir: do lado em que estiver o PIG, não fico nem que a vaca tussa. Se o governo de Dilma se tornar o queridinho da imprensa golpista assim como foi o de FHC, vou para a oposição. Porque essa imprensa é a causa e o efeito de tudo que há de ruim neste país e representa as oligarquias podres que tornaram o Brasil um dos campeões de injustiça social.

Neste momento, dois textos da mídia resumem o clima político que vai se formando. O primeiro, é de Leonardo Attuch, da revista IstoÉ, citado recentemente neste blog. O segundo, é uma reportagem do jornal O Globo sobre o derretimento do apoio dos movimentos sociais a Dilma, com o desânimo até da CUT, aliada desde sempre ao PT.

Leiam, abaixo, os textos. Depois continuo comentando.

—–

Dilma e FHC, tudo a ver

Leonardo Attuch, IstoÉ

Brotou uma faísca entre os dois que pode reaproximar PT e PSDB. Seria bom para o País

Pintou um clima. Ela gosta dele, ele gosta dela. A cena se deu na Sala São Paulo, na festa de 90 anos do jornal “Folha de São Paulo”.

Do encontro entre Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, brotou aquela faísca que alguns especialistas definem como  paixão. Sorrisos furtivos, coração acelerado e promessas de encontros futuros.

FHC sugeriu levar a Brasília, ao Palácio do Planalto, um grupo de velhinhos, conhecido como The Elders, que, além dele, inclui outros líderes políticos, como Nelson Mandela, Jimmy Carter e Felipe Gonzalez.  Dilma retrucou de imediato: “Vá também sozinho.”

Nos últimos anos, FHC sempre reclamou pelos cantos do seu sucessor, dizendo que, nesse tempo todo, Lula nunca o convidou para tomar um café no Palácio do Planalto. E Lula vivia dizendo a interlocutores que FHC não era confiável. Apostava no seu fracasso para que um dia voltasse ao poder, carregado nos braços do povo.

Essa relação tensa entre os dois determinou o distanciamento progressivo entre PT e PSDB, partidos que estiveram juntos em diversos momentos históricos, mas que migraram para polos opostos. Mas que antagonismo é esse? Tanto PT quanto PSDB ocupam o campo ideológico da social-democracia. Ambos têm, entre seus fundadores, pessoas que lutaram contra a ditadura. No poder, lançaram mão de políticas sociais compensatórias.

Acertaram de maneiras parecidas, assumindo compromissos com a estabilidade, e também erraram de modo semelhante – quase sempre, escolhendo vencedores na economia. Na prática, os petistas deveriam ter mais afinidades com os tucanos do que com as velhas e novas oligarquias do PMDB. Assim como o PSDB deveria estar mais próximo do PT do que do DEM.

Essa aproximação seria benéfica para o País e tem defensores no núcleo duro do governo Dilma. Um deles, o ministro Antônio Palocci, da Casa Civil, que sempre reconheceu méritos no governo FHC.

Ao mesmo tempo, boa parte do PSDB – José Serra talvez seja a única exceção – gostaria de aderir a um governo que deve passar quatro anos com crescimento próximo a 5%. No fim, pode ser bom também para os dois.

A presidenta Dilma, mulher livre, carrega, com todo o respeito, um quê de Ruth Cardoso. E FHC, viúvo boa-pinta, que também anda com saudades da piscina aquecida do Palácio da Alvorada, daria um ótimo primeiro-marido. Só vai ser difícil administrar as crises de ciúme de Lula.

—–

Esquerda petista critica ajuste e juros altos

Silvia Amorim, O Globo

O descontentamento de setores do PT e entidades historicamente ligadas ao partido com o início do governo da presidente Dilma Rousseff começa a sair dos bastidores e pautar o discurso da militância mais à esquerda.

O foco de insatisfação é a área econômica, precisamente o corte de gastos para 2011 e a previsão de alta dos juros.

A Coordenação dos Movimentos Sociais, ligada à Central Única dos Trabalhadores, aprovou documento em que diz que as ações adotadas nos dois meses de governo “seguem num caminho diferente do apontado pelas urnas” e promete uma “jornada unificada de lutas” no primeiro semestre, em defesa de mudanças na política econômica.

Trechos do documento estavam até ontem no site da CUT. “As ações implantadas nesse início de mandato pela equipe econômica sob justificativas do controle da inflação e das contas públicas seguem num caminho diferente do apontado pelas urnas e reproduzem a pauta imposta pelos interesses do setor financeiro, sustentadas no Banco Central”, diz o texto, que ataca “o aumento dos juros, o congelamento das contratações públicas, o contingenciamento de R$ 50 bilhões e o pouco diálogo no debate sobre o reajuste do salário mínimo”.

Cerca de 80 dirigentes de entidades sindicais de 11 estados participaram do encontro. O presidente da CUT, Artur Henrique, classificou como retrocesso o corte de R$ 50 bilhões.

—–

Sobre a previsão do presidente da CUT de que a “lua de mel” de Dilma com a mídia durará apenas seis meses, talvez ele esteja enganado. Pode durar muito mais. Para isso, basta que ela não contrarie o PIG. Mas como promover a distribuição de renda que os patrões do mesmo PIG rejeitam sem contrariá-los? Só aderindo aos seus desejos…

Tudo se resume a uma questão de fé, pois é a mais pura fé no intangível o que tem sido dado como argumento para justificar essa aproximação do governo Dilma com a direita golpista. “Acho”, “talvez”, “quem sabe”, “pode ser”… É fé, não é razão.

A fé é ilimitada, ou não é fé. Acreditar no intangível quando os fatos mostram o contrário, é fé, messianismo. Se essa crença tiver algum limite, aí deixa de ser fé e passa a ser confiança.

Que alguns tenham confiança maior do que a minha, acho perfeitamente justificável – mesmo sendo eu o blogueiro que tantos, durante os últimos anos, disseram que era mais petista do que qualquer filiado de carteirinha ao PT.

Então, qual é o limite da sua fé? Você aceitaria, por exemplo, que o governo Dilma desistisse da “ley de médios”? Sim, porque se não dá para a presidenta rejeitar convite para participar da festa decenal da Folha para “não parecer vingativa”, como ela fará para propor uma lei que essa mesma mídia não aceita sequer analisar?

Antes de tudo, quero esclarecer uma coisa: considero que devem ser respeitadas todas as posições das pessoas que lutaram pelo projeto político que venceu a eleição presidencial do ano passado, sejam elas contra ou a favor do que vai se tornando um divisor de águas da política nacional, o armistício da presidenta Dilma com a oposição e a mídia.

Devido ao meu ativismo político, muitos, erroneamente, consideram-me um radical – o que nunca fui. Radicalizei com a mídia, chegando a promover atos públicos e ações na Justiça contra ela, só depois de, por anos, ter tentado, vez após outra, dialogar com os que passaram os oito anos do governo Lula tentando sabotá-lo.

Não me verão, portanto, xingando companheiros de luta que não viram nada de mais na aproximação de Dilma com a oposição e a mídia, que culminou com a participação dela na festa de 80 anos da Folha. Até porque, essas pessoas podem estar certas e eu, que como tantos outros companheiros considero um escândalo o que está acontecendo, posso estar errado.

Todavia, não posso me furtar a dizer o que penso. Até porque, se for aceitar patrulhamento é melhor parar com o blog. No momento em que tiver que escrever aquilo em que não acredito terei me tornado igual àqueles que critico, os paus-mandados da imprensa assumidamente golpista.

Já provei, aqui, que posso ser convencido a mudar de opinião se me mostrarem que estou errado. Para isso, no entanto, preciso de argumentos. E os que tenho recebido a favor da presença de Dilma no dito “rega-bofe” do principal braço do PIG na imprensa escrita e da relação dela com o resto dessa imprensa, não me convenceram nem um pouco.

Dizem, por exemplo, que ir à festa da Folha ou ao programa das garotas-propaganda do Cansei Ana Maria Braga e Hebe Camargo seria “estratégia” de Dilma. Mas que estratégia é essa? Seria, dizem, para não fazer desfeita se recusando a prestigiar os convites. Então pergunto: como o governo Dilma irá propor uma “ley de medios” se não quer contrariar o PIG?

Outros dizem que Dilma foi à festa da Folha para dar um “tapa de luva de pelica” no PIG. Minha dúvida: se foi isso o que aconteceu, por que o jornal não foi ao ataque nos dias seguintes e, ao invés disso, vem aumentando a intensidade dos elogios à presidenta? Ou será que o Otavinho não entendeu o “tapa” que teria levado?

Outra comparação imprópria é sobre o início dos governos Lula e Dilma. Quando Lula assumiu a Presidência, em 2003, o país estava arrebentado. A inflação e o desemprego estavam em dois dígitos e havia uma fuga de capitais que se estendia desde o primeiro ano do segundo mandato de FHC. O ex-presidente não podia reagir à altura às acusações de que era ele o causador do desastre que herdou do antecessor.

Ainda assim, Lula dava as suas estocadas, como no caso da Herança Maldita ou sobre o que os seus antecessores deixaram de fazer. Pouco mais adiante, há alguns anos, em entrevista à revista Piauí desancou a mídia tucana dizendo que não a lia e que jamais precisara almoçar com donos de jornais.

Comparações entre a presença do ex-presidente no enterro de Roberto Marinho e a presença de Dilma na festa da Folha tampouco me parecem fazer sentido. Roberto Marinho faleceu no primeiro ano do primeiro mandato de Lula, em 2003, ano de “lua de mel” entre o ex-presidente  e a mídia. As relações com ela só se agravaram no início de 2005.

Dilma recebeu um país organizado, com um governo montado em uma popularidade estratosférica, com uma oposição desarticulada e com representação parlamentar muito menor, praticamente sem condições de enfrentar a base governista. Além do que, ela está no poder desde 2003, enquanto que Lula, naquele ano, mal chegara ao poder.

O que mais tenho ouvido e lido para explicar a postura da presidenta, repito, são os termos “acho”, “talvez”, “quem sabe”, “pode ser que” etc., no que diz respeito à razão pela qual não apenas foi à festança da Folha, mas para explicar outros fatos que sinalizam uma sua vontade de se “entender” com as forças do atraso neste país.

É possível conseguir suposições para qualquer coisa, nesta vida. Contudo, essas sobre os motivos da presidenta para, até agora, ter endurecido com aliados – sindicalistas e PMDB – e amolecido com adversários – oposição imprensa – não me convencem, até porque são meras especulações contra fatos concretos.

Quero muito que o governo Dilma dê certo, mas quero deixar claro que não apoiei as idéias de Lula ou a candidatura de Dilma por causa do ex-presidente. Apoiei o ex-presidente e a candidata que escolheu pelas idéias dele e pelo governo que fez. Ou seja, eu jamais apoiaria um político sem saber por que estou apoiando, e é isso o que estou vendo acontecer com algumas pessoas respeitáveis.

Uma coisa posso garantir: do lado em que estiver o PIG, não fico nem que a vaca tussa. Se o governo de Dilma se tornar o queridinho da imprensa golpista assim como foi o de FHC, vou para a oposição. Porque essa imprensa é a causa e o efeito de tudo que há de ruim neste país e representa as oligarquias podres que tornaram o Brasil um dos campeões de injustiça social.

Neste momento, dois textos da mídia resumem o clima político que vai se formando. O primeiro, é de Leonardo Attuch, da revista IstoÉ, citado recentemente neste blog. O segundo, é uma reportagem do jornal O Globo sobre o derretimento do apoio dos movimentos sociais a Dilma, com o desânimo até da CUT, aliada desde sempre ao PT.

Leiam, abaixo, os textos. Depois continuo comentando.

—–

Dilma e FHC, tudo a ver

Leonardo Attuch, IstoÉ

Brotou uma faísca entre os dois que pode reaproximar PT e PSDB. Seria bom para o País

Pintou um clima. Ela gosta dele, ele gosta dela. A cena se deu na Sala São Paulo, na festa de 90 anos do jornal “Folha de São Paulo”.

Do encontro entre Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, brotou aquela faísca que alguns especialistas definem como  paixão. Sorrisos furtivos, coração acelerado e promessas de encontros futuros.

FHC sugeriu levar a Brasília, ao Palácio do Planalto, um grupo de velhinhos, conhecido como The Elders, que, além dele, inclui outros líderes políticos, como Nelson Mandela, Jimmy Carter e Felipe Gonzalez.  Dilma retrucou de imediato: “Vá também sozinho.”

Nos últimos anos, FHC sempre reclamou pelos cantos do seu sucessor, dizendo que, nesse tempo todo, Lula nunca o convidou para tomar um café no Palácio do Planalto. E Lula vivia dizendo a interlocutores que FHC não era confiável. Apostava no seu fracasso para que um dia voltasse ao poder, carregado nos braços do povo.

Essa relação tensa entre os dois determinou o distanciamento progressivo entre PT e PSDB, partidos que estiveram juntos em diversos momentos históricos, mas que migraram para polos opostos. Mas que antagonismo é esse? Tanto PT quanto PSDB ocupam o campo ideológico da social-democracia. Ambos têm, entre seus fundadores, pessoas que lutaram contra a ditadura. No poder, lançaram mão de políticas sociais compensatórias.

Acertaram de maneiras parecidas, assumindo compromissos com a estabilidade, e também erraram de modo semelhante – quase sempre, escolhendo vencedores na economia. Na prática, os petistas deveriam ter mais afinidades com os tucanos do que com as velhas e novas oligarquias do PMDB. Assim como o PSDB deveria estar mais próximo do PT do que do DEM.

Essa aproximação seria benéfica para o País e tem defensores no núcleo duro do governo Dilma. Um deles, o ministro Antônio Palocci, da Casa Civil, que sempre reconheceu méritos no governo FHC.

Ao mesmo tempo, boa parte do PSDB – José Serra talvez seja a única exceção – gostaria de aderir a um governo que deve passar quatro anos com crescimento próximo a 5%. No fim, pode ser bom também para os dois.

A presidenta Dilma, mulher livre, carrega, com todo o respeito, um quê de Ruth Cardoso. E FHC, viúvo boa-pinta, que também anda com saudades da piscina aquecida do Palácio da Alvorada, daria um ótimo primeiro-marido. Só vai ser difícil administrar as crises de ciúme de Lula.

—–

Esquerda petista critica ajuste e juros altos

Silvia Amorim, O Globo

O descontentamento de setores do PT e entidades historicamente ligadas ao partido com o início do governo da presidente Dilma Rousseff começa a sair dos bastidores e pautar o discurso da militância mais à esquerda.

O foco de insatisfação é a área econômica, precisamente o corte de gastos para 2011 e a previsão de alta dos juros.

A Coordenação dos Movimentos Sociais, ligada à Central Única dos Trabalhadores, aprovou documento em que diz que as ações adotadas nos dois meses de governo “seguem num caminho diferente do apontado pelas urnas” e promete uma “jornada unificada de lutas” no primeiro semestre, em defesa de mudanças na política econômica.

Trechos do documento estavam até ontem no site da CUT. “As ações implantadas nesse início de mandato pela equipe econômica sob justificativas do controle da inflação e das contas públicas seguem num caminho diferente do apontado pelas urnas e reproduzem a pauta imposta pelos interesses do setor financeiro, sustentadas no Banco Central”, diz o texto, que ataca “o aumento dos juros, o congelamento das contratações públicas, o contingenciamento de R$ 50 bilhões e o pouco diálogo no debate sobre o reajuste do salário mínimo”.

Cerca de 80 dirigentes de entidades sindicais de 11 estados participaram do encontro. O presidente da CUT, Artur Henrique, classificou como retrocesso o corte de R$ 50 bilhões.

—–

Sobre a previsão do presidente da CUT de que a “lua de mel” de Dilma com a mídia durará apenas seis meses, talvez ele esteja enganado. Pode durar muito mais. Para isso, basta que ela não contrarie o PIG. Mas como promover a distribuição de renda que os patrões do mesmo PIG rejeitam sem contrariá-los? Só aderindo aos seus desejos…

Tudo se resume a uma questão de fé, pois é a mais pura fé no intangível o que tem sido dado como argumento para justificar essa aproximação do governo Dilma com a direita golpista. “Acho”, “talvez”, “quem sabe”, “pode ser”… É fé, não é razão.

A fé é ilimitada, ou não é fé. Acreditar no intangível quando os fatos mostram o contrário, é fé, messianismo. Se essa crença tiver algum limite, aí deixa de ser fé e passa a ser confiança.

Que alguns tenham confiança maior do que a minha, acho perfeitamente justificável – mesmo sendo eu o blogueiro que tantos, durante os últimos anos, disseram que era mais petista do que qualquer filiado de carteirinha ao PT.

Então, qual é o limite da sua fé? Você aceitaria, por exemplo, que o governo Dilma desistisse da “ley de médios”? Sim, porque se não dá para a presidenta rejeitar convite para participar da festa decenal da Folha para “não parecer vingativa”, como ela fará para propor uma lei que essa mesma mídia não aceita sequer analisar?

 

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