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Um Espaço de Liberdade de Expressão

Analisando a velha mídia: os olhos de um repórter amestrado

Posted by Liberdade Aqui! em 28/01/2011

Via Blog do Nassif

O relato do repórter da Folha alvejado pela PM

Enviado por luisnassif, sex, 28/01/2011

Por Chico Rasia

Há duas semanas, protesto contra os aumentos da tarifa de ônibus foram reprimidos violentamente pela PM paulista. O episódio passou largamente despercebido na grande mídia, apesar de um repórter da Folha de São Paulo ter sido atingido por uma bala de borracha enquanto filmava o protesto do dia 13 de janeiro de 2011.

Com a colaboração de minha colega Catiane, reproduzo, e comento, abaixo, o texto de Iuri de Castro Tôrres, publicado uma semana após o incidente:

20/01/2011 – 16h24

Repórter do Folhateen fala sobre a experiência de cobrir um protesto de estudantes

IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO

Não é legal levar um tiro de borracha na testa. Dói. Na verdade, dói muito.Comentário: onde caberiam expressões como “truculência”, “força excessiva”, “brutalidade policial”, “assimetria”, o repórter usou um mero “não é legal”. Imagino que não seja, mesmo, nada agradável levar um tiro de borracha na testa, mas a escolha de palavras de Iuri evade (intencionalmente?) todas essas questões em troca de uma posição binária: ser ou não ser legal (me lembra o “inbom” da novilíngua de Orwell).

Filmava um protesto para uma reportagem especial do caderno Folhateen, quando percebi um princípio de confusão com a polícia: alguém estava sendo preso. Comentário: o repórter estava filmando o protesto, que recebeu pouco destaque; a Folha só publicou o vídeo do episódio dois dias depois, em 15 de janeiro.

Policiais empunhando espingardas carregadas com balas de borracha tentavam afastar os manifestantes, que apontavam dedos e pediam a libertação do colega. Confusão armada. Comentário: com duas palavras o repórter já dá a entender que os manifestantes prepararam a confusão.

Disparando tiros a torto e a direito, conseguiram, em parte, dispersar as pessoas, que, com raiva, começaram a quebrar tudo ao redor.Comentário: o que causou o quebra-quebra? Ora, da raiva dos manifestantes.

A solução? Bombas de efeito moral. Essas, sim, são assustadoras. Todos correram, enquanto os disparos continuavam. Comentário: Solução para que? Para lidar com grupos de baderneiros? A escalada do confronto, o uso das bombas de efeito moral, são apresentados pelo repórter como algo natural, necessário e recomendável. “A” solução: uma única solução possível que exclui todas as outras: a negociação, o diálogo, a mediação, a solução não violenta do conflito.

Quando me virei para tentar captar a cena, “paft”, levei uma bala na testa. Como repórter não é herói, corri e me abriguei em uma galeria. Comentário: afinal, trata-se apenas de uma brincadeira (ao contrário do trágico Franz Biberkopf, uma martelada na cabeça não parece ferir a alma de Iuri…).

A adrenalina baixou, o galo na testa cresceu, respirei fundo e fui fazer o meu trabalho: perguntar a um policial (será que ele que atirou em mim?) informações oficiais sobre o ocorrido. Comentário: é interessante pensar como a “pretensa” neutralidade jornalística aqui é usada. O repórter leva uma bala de borracha no meio da testa e na primeira oportunidade que tem de tirar satisfações com a polícia, apenas procura por “informações oficiais”? Isso não representaria a sugestão de uma conduta aos leitores do caderno?

O trabalho do repórter, nesse caso, não deveria ser discutir as causas do confronto? Discutir a importância do trabalho da imprensa na defesa dos direitos dos cidadãos, fiscalizar a ação policial? Ademais, nessas situações de confronto, procura-se informação junto ao comando da autoridade policial e não junto a um policial qualquer em campo.

(original em: http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/863542-reporter-do-folhateen-fala-sobre-a-experiencia-de-cobrir-um-protesto-de-estudantes.shtml)

 

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