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Contra a boataria da Folha da São Paulo #afolhamente

Posted by Liberdade Aqui! em 28/10/2010

Do blog da Maria Frô

Saibam: nos porões da Ditadura se forjavam ‘provas’

Nesta eleição onde a boataria nunca antes na história deste país foi tão intenso, há um de que a Folha está preparando uma matéria do estilo jornalismo que publica spam na primeira página para melar o jogo eleitoral.

@safiratt me passou via twitter a dica do artigo que transcrevo abaixo, obrigada :) . O autor, coordena  um site jurídico especializado em direito militar.

Arquivos forjados nos porões da tortura

Por: Murillo Freua*, no blog Academia de Direito Militar

28/10/2010

Nos últimos meses, devido à eleição presidencial, alguns órgãos da imprensa criaram uma das maiores aberrações jornalísticas e jurídicas que tive a oportunidade de acompanhar na democracia brasileira.

Primeiramente, não sou filiado a nenhum partido político e a minha principal profissão é a de policial civil do estado de São Paulo, exercida desde o ano de 1994, iniciada quando tinha apenas 19 anos de idade. Já a nossa Constituição da República ainda iria completar 6 anos em outubro daquele ano.

Infelizmente, tive a oportunidade de me deparar com pessoas que, por simples ignorância ou por convicção mesmo, diziam que a Constituição da República de 1988 veio para “acabar” com a polícia. Pura besteira, pois o que acabou foi o império da impunidade para os policiais arcaicos, criminosos, covardes e bestiais que atuaram na repressão aos que se insurgiram contra o Estado ditatorial. É importante destacar que muitos militares e policiais não concordavam e nem participaram de crimes em nome do Estado naquela época, aliás, muitos se envergonham das atrocidades cometidas contra pessoas que, com razão, discordavam das ações de um governo ilegal, criminoso e covarde.

O governo ditador era representado pelos militares, porém com grande apoio, moral e financeiro, de setores da sociedade civil, inclusive, conforme muitos relatos, com apoio de parte da imprensa.

Agora, próximo do segundo turno da eleição presidencial, tentam macular a biografia da candidata a presidente da República Dilma Rousseff, rotulando-a como se criminosa fosse. É preciso dizer que milhares de pessoas lutaram contra a ditadura, tal como o igualmente candidato José Serra, que teve de fugir do país para não ser preso e também, provavelmente, torturado e condenado pelo regime.

Dilma Rousseff foi presa, torturada e condenada por lutar contra uma ditadura assassina. Porém, isso não deve ser entendido como algo desabonador, pelo contrário, deve ser considerado como um ato corajoso, ainda mais para uma jovem mulher que acabara de sair da adolescência. Depois de cumprir sua pena, foi solta e passou a levar uma vida normal, se é que era possível ter uma vida normal durante aquele regime sangrento e depois de tanto sofrimento no cárcere.

Se hoje podemos nos expressar livremente, escolher nossos políticos e usufruir de uma imprensa livre, devemos agradecer a pessoas como Dilma Rousseff, que lutaram contra as injustiças e os crimes cometidos por um Estado terrorista, motivo de sobra para que o povo brasileiro se orgulhe de ter uma candidata a presidente da República com uma vida de luta pela democracia.

Certamente, a fração da imprensa que é corriqueiramente acusada de ter apoiado a ditadura não deve concordar com as pessoas que lutaram contra tal regime, mas até aí, a história fará a sua parte e quem sabe, um dia, venha a se redimir perante a sociedade brasileira.

Como policial civil, bacharel em Direito e pós-graduado em Direito Militar, deixo registrado que é uma estupidez confiar nos relatos feitos por agentes da ditadura constantes em arquivos e depoimentos. Aceitar as informações dos porões da repressão, é no mínimo compactuar com os crimes cometidos contra o povo brasileiro. Especular tais dados obtidos com tortura, além de ato contrário ao regime democrático, ao que tudo indica, é uma tentativa covarde de interferir no processo eleitoral.

Qualquer profissional da imprensa bem intencionado sabe que a mentira e o crime eram atos comuns para os agentes da repressão naqueles tempos de terror. Nos porões do crime estatal, os interrogatórios e as confissões ocorriam na base da tortura e da morte e os relatórios oficiais eram repletos de mentiras, elaborados para atender interesses obscuros, sem contar que as provas não existiam, eram inventadas ou alteradas.

Não devemos esquecer que muitas mulheres, inclusive grávidas ou na fase de amamentação, foram brutalmente torturadas, suportando a introdução de cassetetes e choques na vagina e no ânus, por exemplo. Muitas pessoas morreram nas seções ininterruptas de sevícias, simplesmente por discordar de um governo golpista e bandido. Aliás, muitos militares e policiais também foram presos, torturados e condenados por não compactuar com as aberrações cometidas. Em resumo, crimes dos mais variados e atos de terrorismo foram cometidos pelo governo militar, mas a covardia é tanta que ainda hoje, mesmo com a polêmica Lei de Anistia dando cobertura, os agentes da ditadura negam o que fizeram.

Então, não há como confiar no jornalismo que utiliza dados notoriamente suspeitos para fazer reportagens contra um candidato a presidente da República. Não dá para acreditar em documentos mentirosos e forjados através da tortura e da morte. Também não é possível dar crédito aos boatos dos últimos dias, tão próximo da eleição do dia 31 de outubro de 2010.

Apenas para ilustrar melhor a estupidez de alguns órgãos da imprensa brasileira, imaginem como Nelson Mandela foi taxado em documentos oficiais emitidos pelo regime racista na África do Sul. Mandela, um estadista conhecido mundialmente por ter lutado pela paz, inclusive recebeu o prêmio Nobel da Paz, ficou preso por mais de vinte anos por não concordar com o governo criminoso. Depois de ser libertado, Nelson Mandela se candidatou em 1994 a presidente de seu país – e foi eleito. Ora, será que a imprensa sul-africana utilizou da mesma sordidez que a imprensa brasileira vem utilizando em 2010 contra determinada candidata?

Quero salientar que prezo pela imprensa livre e independente, pois caso contrário a democracia estaria em perigo, mas não posso ficar calado diante de ações sórdidas de uma imprensa capenga de ética e de profissionalismo.

Caso estas singelas palavras fossem proferidas nos tempos de ditadura, eu certamente seria preso, torturado e condenado por subversão e forjariam inquéritos e processos com as mais absurdas mentiras que podem se imputadas a uma pessoa, simplesmente por ter me expressado e contrariado o autoritarismo e estupidez de alguns. Quem duvida?

Por mais irônico que possa parecer, os órgãos policiais, que no passado serviram ao regime ditador, hoje servem ao processo democrático e eleitoral com dedicação exemplar, já parte da imprensa, que tanto apregoa sobre democracia não dá para dizer o mesmo. Triste.

O brasileiro deve decidir o seu voto no candidato com histórico de militância política em prol da população e da democracia e que apresente as melhores propostas de governo. Não deve decidir o voto se baseando em dados adquiridos através da mentira, da tortura e da morte de muitos inocentes. A ditadura somente trouxe o atraso para o Brasil e, infelizmente, ainda há quem sinta saudade daquele tempo.

*Murilo Freua é especialista em Direito Militar e assuntos de Segurança Pública. É coordenador do site Academia de Direito Militar, professor universitário de Direito, policial Civil do Estado de São Paulo desde 1994, Bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Militar (2006 e 2007) e em Educação. Contato pelo e-mail: direitomilitar@gmail.com

 

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